«Science: it’s a girl thing!»… será mesmo?*

Science- it's a girl thingEm 2012 a União Europeia lançou uma campanha de três anos com o título ‘Science: it’s a girl thing!’**. Só a circunstância de existir uma campanha específica que pretendia demonstrar que o trabalho científico pode ser, e é, também realizado no feminino, demonstra que estamos longe, neste domínio como em muitos outros, tanto na esfera profissional como na esfera pessoal, da igualdade de oportunidades, consagrada na legislação de muitos países, incluindo Portugal. De facto, em 2012, as mulheres representavam 46% dos doutorados na União Europeia. No entanto, apenas 33% das mulheres trabalhavam como investigadoras e só 20% se encontravam em cargos de topo da carreira académica. Apenas uma em cada 10 universidades da União Europeia tinha tido alguma vez uma mulher como reitora. Ou seja, apesar de as mulheres serem tão qualificadas como os homens elas continuavam (e continuam, três anos passados) a estar amplamente sub-representadas na investigação, na academia e muito particularmente nos lugares de topo das carreiras académicas e nos órgãos de poder e decisão das instituições de investigação e ensino superior. [Read more…]

Todos os dias são dias da mulher

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Hoje é mais um.

“Le donne odiavono il jazz’?*

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(Com Carlos Cerqueira)

No dia internacional da mulher, o dia em que se lembra que a luta das mulheres por uma vida digna, por direitos iguais não está ainda, apesar de longa, terminada, o Jazz faz Noite ** celebra as vozes femininas do jazz que cantam temas sobre as mulheres. Dos que falam do amor e dos desgostos do coração, próprios de todos, mulheres e homens, aos que nos dizem que as mulheres tudo podem ser e fazer, como os homens.

Este Jazz faz Noite encerra, no entanto, com Bread and Roses, interpretado por Judy Collins, que não é uma voz do jazz. Mas essa luta das mulheres por salários dignos e iguais, que essa canção e o poema (abaixo traduzido por mim) de James Oppenheim nos recordam, não pode e não deve ser esquecida em nenhum 8 de março ou noutro dia qualquer do ano.

As mulheres querem pão e rosas, como os homens, ‘porque os corações morrem de fome’ exatamente como os corpos. [Read more…]

Antícona

anticona-railwayAté à chegada do comboio a Lhasa, no Tibete, em 2006, o recorde de ponto ferroviário mais elevado do mundo pertencia a Antícona (ou Ticlio, Peru), a 4.830 metros acima do mar. Feliz Dia Internacional da Mulher!

Elas são cinco milhões…*

… quinhentas e quinze mil quinhentas e setenta e oito, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (2011). Elas, onde me incluo, são as mulheres portuguesas. Representam já quase metade da população activa nacional. Sempre representaram o sustentáculo da reprodução social e económica através do trabalho que desempenham no interior da família. e que está longe de ser reconhecido ou valorizado tanto em termos económicos como sociais.

A propósito da condição feminina, há cerca de 40 anos, Maria Velho da Costa escreveu um texto notável que começava justamente por focar esse trabalho invisível que a maior parte de nós desenvolve. Dizia então: “Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas. Elas chamam ainda escuro os homens e os animais e as crianças (…)”. E continuava, passando para o labor de reprodução da força de trabalho e o determinismo biológico que tem moldado a situação social da mulher em toda a parte do mundo – a maternidade: “Elas vão à parteira que lhes diz que já vai adiantado. Elas alargam o cós das saias. Elas choram a vomitar na pia. Elas limpam a pia. Elas talham cueiros. (…)”. [Read more…]

Todas as mulheres do mundo… *

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… são, mais uma menos outra,  perto de três biliões de gente. Pouco menos de metade dos pouco mais de seis biliões de almas que, presentemente, povoam o planeta. Todas estas mulheres partilham características biológicas comuns. Algumas partilham ainda destinos comuns, consequência directa dessa ‘determinação’  biológica. Umas vivem no mundo que, em 1945, proclamou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Outras vivem num mundo outro, sem a garantia de verem cumpridos os direitos básicos. Entre todas as mulheres do mundo há umas que são mais iguais que outras. Porque nem todas as pessoas são iguais à face da Lei como a referida Declaração anuncia e a multiplicação de iniciativas confirma. O que demonstra que, em certos mundos (muitas vezes mesmo do lado de lá da nossa rua), melhor seria ter nascido outro. Ou ter nascido do lado de cá da rua, ou do lado de cá do mundo. Ou, no limite, ter nascido homem. Ter nascido sem o ‘estatuto de menoridade’ que a condição feminina ainda implica em tantos mundos dentro do mundo.

Eu sou uma mulher entre todas as mulheres do mundo. Não represento, no entanto, todas as mulheres do mundo… porque não nasci apenas do lado onde o mundo se apresenta mais forte. Nasci também no lado menos triste da minha rua. Do lado onde a violência nunca existiu. Nem os abusos. Nem os preconceitos. Como todas as mulheres do mundo, bastava um golpe de asa e poderia ter nascido em qualquer parte. Podíamos ser todos de qualquer parte, aliás, mulheres ou homens. [Read more…]

Os dias são nossos. Todos os dias são nossos.

Não sei bem qual delas admiro mais: se a minha avó Maria, que pariu 13 filhos sozinha e ainda ajudou a nascer meia aldeia; se a minha avó Leontina, que pariu apenas 10, 8 dos quais ao lado da minha mãe, numa esteira, no chão (“mandava-me ir chamar a tia Amélia e eu já sabia para que era”), que percorria os 20 km que separam Antões de Pombal com um cesto de laranjas à cabeça, para vender nos tempos de fome; se a avó do meu homem (que também foi muito minha, nos anos em que convivemos), que ficou viúva aos 32 anos, com cinco filhos e sem qualquer ajuda; ou a minha mãe, uma muralha à prova de tudo. [Read more…]

A Arundhati Roy e às mulheres jamais esquecidas de o ser

É Dia Internacional da Mulher. Cumpro o ritual, homenageando sentidamente as mulheres.

Respeito a efeméride em memória das mulheres emanantes das saudades mais longas da minha vida – as minhas quatro bisavós; conheci-as todas. Jamais se evaporarão da memória. Elas e todas as outras com quem urdi diferentes laços familiares ou de amizade. Pesam, sobretudo, os afectos naturais da família, essa célula social elástica. Ora se contrai, ora se dilata, cadenciada pelo ritmo de quem parte e de quem chega.

Às mulheres da minha vida, mas também a todas as outras jamais esquecidas de o ser – algumas, senhoras de poderes de obscena tirania, constituem um terceiro e abjecto grupo que me repugna – presto a minha homenagem através da combatente antiglobalização, Arundhati Roy. Uma mulher de elevado estatuto intelectual e ético. Nascida na Índia, país onde são correntes ignominiosas acções de violência e segregação de mulheres, a luta de Arundhati por um mundo justo adquire maior significado quanto à coragem de combater em meio adverso e que os homens dominam. Eis um trecho do seu livro ‘O Fim da Imaginação’:

Os jovens trocistas e esganiçados que derrubaram o Babri Masjid são os mesmos cujas fotografias apareceram nos jornais nos dias que se seguiram aos testes nucleares. Estavam nas ruas, a celebrar a bomba nuclear indiana ao mesmo tempo que “condenavam a Cultura Ocidental” esvaziando grades de ‘Coca-Cola’ e ‘Pepsi’ nas sarjetas. A sua lógica deixa-me algo perplexa: a ‘Coca-Cola’ é Cultura Ocidental mas a bomba nuclear é uma velha tradição indiana?    [Read more…]

Insulto às mulheres

Hoje lembrei-me desta publicidade.

Porque é Dia Internacional da Mulher e porque, embora as mulheres sejam cada vez mais numerosas e mais presentes em praticamente todos os sectores da sociedade moderna dos países desenvolvidos, há ainda um longo caminho a percorrer.
Porque, apesar de todas as qualificações e de todos os esforços, uma mulher profissional é frequentemente preterida quando compete com um concorrente homem.
Porque, mau-grado toda a evolução na sociedade e as provas dadas por muitas mulheres em lugares de chefia, elas continuam a ser muito minoritárias nesses postos de trabalho.
Porque eu sou mulher e já me senti assim insultada quando um colega (tão incompetente que foi a única pessoa despedida naquela empresa) ganhava mais do que eu, trabalhando muito menos e muito menos eficazmente.
Porque, mesmo antiga e com fraca qualidade, continua a representar aquilo que diariamente se faz a muitas mulheres.

Pelo menos no Aventar ganhamos todos o mesmo, homens ou mulheres.

A Gente não Lê


Há canções que provocam em mim sensações e sentimentos difíceis de explicar. Há canções que me fazem chorar e esta é uma delas. Não sei se é da letra, da música ou da voz de Isabel Silvestre, mulher de têmpera de Manhouce e uma das mais valorosas portuguesas.
Lembrei-me dela, hoje, em conversa com um grande amigo. Porque como ele dizia, e com toda a razão, «tenho inveja dos meus antepassados que se regiam por relógios biológicos. Deitavam-se quando escurecia, acordavam com o sol nascente. Não liam nem escreviam e as únicas coisas que os preocupava era se havia demasiado calor ou demasiada chuva.»
Com toda a razão, digo eu, mas e a alternativa? O amor e uma cabana?
Neste dia, que não devia fazer sentido, dedico-a às 8 mulheres da minha vida.

Mulheres, um poema de Manuel Bandeira

Todos os dias homenageio as mulheres da minha vida. Da memória, lembro as que partiram. Da vida, compartilho alegrias e tristezas com as que permanecem e vão chegando – ainda há dias nasceu uma sobrinha.

Hoje é o Dia Internacional da Mulher; muitas não gostam da efeméride, porque defendem que ‘dia da mulher’ é o dia-a-dia, de todo ano. Ainda assim, atrevo-me a oferecer a todas, sem excepção, um poema de um dos meus poetas preferidos, Manuel Bandeira:

Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido…
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas…
És linda como uma história da carochinha…
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)

Manuel Bandeira

o dia internacional da mulher no natal

o trabalho que dá à mulher comemorar o dia de natal

Nestes dias, temos falado de Natal, de Orçamento de Estado, de presentes, mas nunca da mulher internacional que prepara estas festas. Essa mulher que trabalha, não apenas para ganhar um ordenado, mas também em labores domésticas, como esse de preparar o natal e as comidas da festa, limpar a casa, limpar às crianças a casa, os tachos e ornamentar a mesa da festa. Difícil tarefa especialmente em dias como este, com frio, chuva e lama que desfaz ornamentos, suja a casa, dá frio e sono e faz das crianças uma sujidade, após banhos, penteados que as mães têm tomado esse especial cuidado para mostrar o melhor do melhor. Será que consegue? Para saber, falemos de mulheres…

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nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 7:

E termino esta breve aparição (e absoluta estreia) na blogosfera com a junção de dois génios da música em português, tomando de assalto a rubrica “Não sejas duro(a) de ouvido” do FMSá, a partir da meia-noite já vos devolvo o rapaz. Foste tu que mos deste a conhecer. Obrigado. Zita Formoso.

e para fim, fica a surpresa, a nossa:

Quem me dera que o dia da Mulher me fosse indiferente:

(Por Isabel Diogo, Blogger, Intervenção Maia)

Escuso-me a comentar a pertinência da comemoração(?) do dia, bem como a abordar a questão no que transcende a nossa sociedade e a nossa cultura, porque me falta conhecimento e sensibilidade para tanto.

Gostava de poder ver o dia em que este deixe de fazer sentido. Gostava de acreditar que lembrá-lo ou comemorá-lo são pertinentes ou consequentes. O problema ( que é extremamente grave e fatal, em muitos casos) é, na minha opinião, para além do óbvio sócio-cultural, educacional.
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nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 6:

Dedicada ao autor original da série neste dia em que completa mais um ano de vida e com dois dos nossos preferidos. Zita Formoso.

Dia Internacional da Mulher, 8 de Março


Faço homenagem pública às mulheres da minha vida: à minha avó Joaquina Rosa (falecida em 1980), à minha mãe e à minha irmã. Deram-me vida, amor, carinho… ensinaram-me a crescer, a olhar com o coração… ensinaram-me a não desperdiçar o tempo… ensinaram-me como as quedas nos indicam novos caminhos…

“querendo podes vencer… querendo podes ser feliz”

Saudades avó… Obrigada mãe. Obrigada irmã

a sempre vossa Mimi

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 5:

Das profundezas do México chegou a Lila Downs e a música ranchera nunca mais foi a mesma. Zita Formoso.

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 4:

Na hora do regresso a casa e sem tempo para nada, fica a música que ouço sempre que estou cansada. Zita Formoso.

Língua de trapos

É que nem no dia internacional se entendem e é o diz que disse do costume. Certo certo é a história do dia ter origem nos trapinhos mas mulher que é mulher conhece desde que nasce o poder de um trapo.

Ninguém pode jurar a pés juntos de onde aparece este 8 de Março porque as histórias são mais que as mães. Fala-se no incêndio da Triangle Shirtwaist mas esse, a ter acontecido, já que nem essa certeza se tem, foi a 25 de Março de 1911 mas em 1909 foi celebrado pela primeira vez o dia da mulher nos Estados Unidos. O próprio site da ONU atira-nos para o colo essa história para justificar a oficialização deste dia internacional em 1975 só que em 1910, quando na primeira convenção internacional das mulheres Clara Zetkin propôe a instituição de um dia da mulher, ainda as operárias não teriam morrido e, no ano a seguir, é escolhido o dia 19 de Março. Diz-se também, lá está, é o diz que disse que nós mulheres tão bem conhecemos, que o dia 8 de Março corresponde ao dia 23 de Fevereiro do calendário juliano e que foi nesse dia que as operárias têxteis russas largaram o trabalho e vieram para a rua protestar contra a I Grande Guerra (na altura não se sabia que era a primeira mas isto é só um aparte) sendo que desses protestos nasceu a Revolução Russa de 1917.

Como eu já tinha dito ninguém se entende e o único fio que liga estas histórias todas é mesmo um fio já que dê por onde der há sempre trapos metidos ao barulho, sejam eles capitalistas ou socialistas. Mas pronto, temos um dia internacional, é hoje, dizem, e eu, mas isso sou eu, acho que a confusão à volta deste dia não está só na história mas está, sobretudo, no nome.

Dia Internacional da Mulher. [Read more…]

Na Madeira: a Photographia – Museu Vicentes

Por Angela Camila Castelo-Branco


A Photographia – Museu “Vicentes encontra-se instalada no antigo estúdio fotográfico de Vicente Gomes da Silva (1827 – 1906), que iniciou a sua actividade como retratista, por volta de [1853].
Em 1865, Vicente Gomes da Silva adquire o prédio localizado à Rua da Carreira e aí constrói o seu “atelier fotográfico”.
Entre Dezembro de 1886 e Agosto de 1887, Vicente Gomes da Silva e já sob a direcção de seu filho Vicente, Júnior (1857-1933), são realizadas obras de ampliação do antigo “atelier”. Edifício que se mantém até aos nossos dias, e constituindo, deste modo, um ex-líbris da arquitectura dos “ateliers” fotográficos do século XIX.

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Conheço algumas mulheres fortes


Mulheres que sabem dar.
Mulheres que sentem.
Mulheres que nunca recebem.
Mulheres que gostam de viver.
Mulheres que não têm medo.
Mulheres de poucas palavras.
Mulheres que caem e levantam-se.
Mulheres que passam despercebidas.
Mulheres que estão sozinhas porque são fortes.

Tindergirl

Aquilo que me chateia nos homens

Pedido o post do pré 8 de Março, que não sei mas deve ser um dia da mulher qualquer (como se algum dia existisse um especial para nós) – a propósito, ainda não fizeram uma greve por não haver um dia do homem? Adiante… deveria esperar-se que nesse dia esses homens que blogam no Aventar fizessem uma coisita especial para a mulher, tal como enviar um bruto ramo de flores para cada uma das amigas, mas claro, isso via net não tinha interesse nenhum: desapertem os cordões à bolsa e mandem por aqueles correios expressos que nos surpreendem em casa logo de madrugada, para ficarmos bem-dispostas, a pensar: quem foi o sacana que me fez levantar tão cedo.

Ora bem, supondo que na verdade esse dia é o dia da mulher, apetece-me falar daquilo que me chateia nos homens. Aproveitadores de todas as situações como lhes compete, depois que a mulher resolveu reclamar pelos mesmos direitos, passaram a achar que o cavalheirismo não fazia parte das obrigações deles. E vai daí, perdemos o direito de passar à frente quando entramos numa porta, de andar pelo lado interior dos passeios, de nos pagarem o café que bebemos na mesma mesa, e por aí fora que a esta hora da manhã não me lembro de mais nada.

Outra situação completamente catastrófica, é estar num supermercado a tentar colocar um saco de 20 kg num carrinho, que ainda por cima tem rodas e não pára quieto, e passarem por mim uma data de homens cheios de músculo e fazerem de conta que não vêm a minha dificuldade (já pensei que quando tivesse de fazer esse tipo de compras teria de colocar uma cabeleira loira e usar uma bruta minissaia; um dia experimento a ver se já tenho ajuda masculina). Melhor de tudo, é que é sempre outra mulher que se oferece para ajudar.

Bem, está feito o post que me deu na real gana… e agora, seja o dia 8 da mulher ou não, vamos ver se não levo com uma carrada de respostas ultra masculinas (não gosto do termo machista)…  porque afinal, tenham dó, sou apenas uma mulher.

MJoão Rijo

Mulher. Mãe. Rapariga. Sou.

Vou colhendo palavras sábias para perceber que uma Mulher não é virgem – é Mãe.
Fala-me a história dos ventres molhados, geradores de vida, orientadores da existência. Não preciso de história para achar brilhante a maneira como a Natureza se ocupa da criação de formas perpétuas, perfeitas – como o regaço de uma Mãe.
Lembro-me que também tenho uma – todos temos, ou tivemos – e lembro como me aquecem as garras cravadas nas minhas costas, de uma Mulher, felina, que sofre por anticipação a partida de uma fruto, a queda dele da árvore para a terra.
Começo a caracterizar a Mulher como um permanente estado de vigilância e, no entanto, uma eterna fonte de amor e de paz.

Penso nisto por toda a responsabilidade biológica que isto me atribui. Penso na metamorfose por que passa um ser do sexo feminino e percebo que qualquer um dos estágios é, fundamentalmente, igual – uma Mulher é o seio que amamenta, a perseverança que pratica, a felicidade que irradia, a força que demonstra e o amor que dá.

Renata Moreira de Sá Cruz/ Mentalfetaminas Blog

nÃO sEJAS dUR"a" dE oUVIDO # Especial Dia da Mulher 1

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, um especial de uma convidada: Zita Formoso, habituada a ouvir boa música do autor original desta série: