Mulheres, um poema de Manuel Bandeira

Todos os dias homenageio as mulheres da minha vida. Da memória, lembro as que partiram. Da vida, compartilho alegrias e tristezas com as que permanecem e vão chegando – ainda há dias nasceu uma sobrinha.

Hoje é o Dia Internacional da Mulher; muitas não gostam da efeméride, porque defendem que ‘dia da mulher’ é o dia-a-dia, de todo ano. Ainda assim, atrevo-me a oferecer a todas, sem excepção, um poema de um dos meus poetas preferidos, Manuel Bandeira:

Mulheres
Como as mulheres são lindas!
Inútil pensar que é do vestido…
E depois não há só as bonitas:
Há também as simpáticas.
E as feias, certas feias em cujos olhos vejo isto:
Uma menininha que é batida e pisada e nunca sai da cozinha.
Como deve ser bom gostar de uma feia!
O meu amor porém não tem bondade alguma.
É fraco! Fraco!
Meu Deus, eu amo como as criancinhas…
És linda como uma história da carochinha…
E eu preciso de ti como precisava de mamãe e papai
(No tempo em que pensava que os ladrões moravam no morro atrás de casa e tinham cara de pau)

Manuel Bandeira

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    O IMPOSSÍVEL CARINHO
    Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
    Quero apenas contar-te a minha ternura
    Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
    eu te pudesse repor
    – eu soubesse repor –
    no coração despedaçado
    as mais puras alegrias da tua infância
    In-Obras Poéticas-1ªedição 1956
    —————————————————————————-
    MB foi considerado na altura em que me ofereceram “este poema, e o livro (alguém que já cá não está), um “poeta menor” que nunca achei e, por isso, “Vou-me embora para Pasárgada” – Lá sou amiga do Rei ——-
    Hoje, dia da mulher, que a partir de “operária” também ignorada, iniciou uma longa caminhada para se fazer ouvir e ganhar um lugar, não vi em lado nenhum da minha tão bela e atenta rua, nem sequer no “comércio” que de todos os dias “especiais” se apropria, para “festejar” nada que ao Dia se referisse – O que seria então, como diz neste seu poema que fez recordar, se todos os dias fossem o dia da mulher como alguns pretendem talvez, também, para mais uma vez, vulgarizar – Pois não, não concordo – porque ao menos assim, não esqueço o Dia da Mãe e o que mais tarde foi instituíso como dia do Pai, ou o Dia do Menino Jesus e nascimento do Novo Sol do Solstício de Inverno, e dos anos de quem mais amo, ou sim sim, o de tosos os feriados que me ensinaram a celebrar, importantes e que sempre foram festejados diferencialmente desde que me conheço, — o que me corta a “rotina” do quotidiano e me acorda como um equinócio cada ciclo do tempo e das minhas memórias e marca ritmos ao longo de um ciclo do sol que, ele também, nos acorda todos os dias e, na sua ausência, manda a lua para ocupar o seu lugar – Sem ritmos seria como o dia e a a noite sem a distinção mas Deus fez o Sol para alumiar o meu Dia e a Lua para não deixar de ter LUZ, também – mcor

  2. MAGRIÇO says:

    Um dia, nos meus tempos de estudante, vi escrito, no lugar onde me sentei, um pensamento que nunca, em todos estes anos, me abandonou: “não existem mulheres feias, o que há são homens sem imaginação”. Não podia estar mais de acordo! Na altura e ainda agora.

  3. MAGRIÇO says:

    Não concluí o objectivo do meu comentário anterior, que é prestar a minha singela homenagem a todas as mulheres neste que se convencionou ser o seu dia.mas que, como bem diz o Carlos Fonseca, são, na realidade, todos os dias de todos os anos.


  4. Todos os motivos são pertinentes para atitudes boas.

    🙂

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