O BANIF é do povo

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Acabámos de doar 1,1 milhões a mais um banco pré-falido. Sim, nós todos. Coisa pouca, mais pagaremos pela reestruturação da banca, assegurando que os empreendedores manterão os seus capitais intactos num offshore qualquer, longe daqui.

Para começar as acções estão em alta. A este tipo de refundação económica chama-se desde o séc. XIX acumulação de capital. Pode ocorrer de diversas formas, em Portugal mete sempre uma ajudinha de um governo solícito e obrigado.

Na cabeça tonta de um Gaspar e de quem o ama, estas acumulações, e salvações fazem todo o sentido porque o capital obtido ou salvaguardado será posteriormente investido na economia. Deixando de lado as passagem de ano do impagável Dias Loureiro em Copacabana, acredito que sim. Serão reinvestidas algures, numa economia qualquer, paguemos então a viagem às ratazanas que abandonam o navio. Ocorrido o naufrágio, não deixarão de nos enviar um postal de boas-festas no final do ano.

Imagem: cartaz sobre a nacionalização da banca (1975), ephemera

Ovos de serpente

Os grandes males começam por vezes com uma pequena afronta, a mancha inicial que, por ser pequena, se perdoa ou ignora, mas há-de alastrar.

Começam por prevenir-nos de que não podemos comer bife todos os dias. Ou que não podemos todos ter acesso aos mesmos tratamentos médicos. São frases que se apresentam como razoáveis, que pretendem apelar ao nosso bom senso e quem as profere garante não pretender ofender os mais pobres e muito menos pôr em causa os direitos dos mais vulneráveis. E de um ponto de vista estritamente racional e abstracto, imaginando que estamos a falar de células numa folha de cálculo, por exemplo, até podemos dar por nós a concordar. É verdade, não se pode comer bife todos os dias. E para quê desperdiçar um tratamento caro em alguém por quem a ciência pouco mais pode fazer? [Read more…]