O revolucionário do sofá

estaline mao

O revolucionário do sofá, tal como o treinador, está sempre disponível para analisar a vida política em qualquer parte do planeta. Não faz a mínima ideia do que está em campo, mas vaticina que esquerda no poder não é esquerda a menos que tenha lá chegado à porrada, e que as forças verdadeiramente revolucionárias estão concentradas naquele enorme partido de vanguarda que obteve zero vírgula qualquer coisa por cento de votos.

Para o revolucionário de sofá contemporâneo todos os males do mundo começaram com a morte de Estaline e continuaram com a de Mao. Fanático religioso, incapaz de entender Marx mas pronto a declamar as suas obras completas, só compreende a história com profetas, santos, heróis, gajos que fizeram tudo sozinhos mesmo que contra o seu povo e massacrando o seu povo, começando logo pelos comunistas que se opunham à ditadura unipessoal que instalaram. Depois caiu a URSS, fruto de uma tenebrosa conspiração internacional, a que escapa o detalhe de os povos por aqueles lados do mundo nem numa gaveta encontrarem o socialismo. Mentalmente estão ao nível infantil de quem acredita que o Muro de Berlim foi construído para evitar uma invasão pelos berlinenses de Oeste, malta desesperada e com a ideia fixa de ir viver para o outro lado.

A carreira de revolucionário de sofá é prometedora: pensemos num Barroso, num Fernandes ou num Espada, mas ele sabe que antes de dar o salto tem de demonstrar as suas capacidades. [Read more…]