A arte de não apalpar cus

Gosto de mãos, gosto de humor, gosto de ternura, de meiguice, de gestos bonitos, de elegância, mas um bom cu é maravilhoso. Penso que também não conseguiria resistir a um cu razoável. Mesmo alguns cus maus passam a ser quase razoáveis em certos dias. Resistir à vontade de apalpar cus é um esforço, como acontece com todas as aprendizagens.

Ando na vida para apalpar os cus de que gosto, mas não posso ou, no mínimo, não devo, pelo menos sem autorização de quem fala em nome do cu.

Sempre que vejo passar um cu que gostaria de apalpar, tenho de fazer um esforço imenso, não para controlar as mãos, não somos animais, mas os olhos. O pior de tudo é não poder ficar a olhar, porque há cus que merecem tempo, porque tempo pode ser dinheiro, mas também é imaginação. Imagino as minhas mãos e o cu observado, mas, como disse, nem sempre há tempo.

Olhar para um cu significa descobrir aqueles segundos em que sei que ninguém está a ver que estamos a olhar, o que inclui, antes de mais, a pessoa a quem pertence. Não há nada pior do que uma pessoa ser apanhada pelo objecto observado em flagrante delito de observação. No fundo, quem tem cu, tem medo e eu não tenho menos cu do que as outras pessoas. [Read more…]

A sensualidade

Uma das mulheres mais sensuais cá do burgo é a Marta Crawford. É bonita, tem uns olhos inteligentes e uma cabeleira que não controla, mas a sua característica especial, muito pessoal, é o seu discurso e a vivacidade com que o faz.

Fala dos problemas sexuais e de relacionamento sexual (o que não é a mesma coisa) e quando não encontra a palavra certa ajuda com uns gestos  bem demonstrativos, o que me vira do avessso. Tudo com um meio sorriso, entre o profissional e a candura de uma mulher que sabe que está a pisar o risco.

Recebe uns telefonemas de expectadores que estão, evidentemente, em êxtase, tal como eu, e falar com ela é uma forma de lhe tocar ( normalmente as perguntas são mesmo para encher…) e depois, aparecem umas mulheres que querem embarcar naquela fluidez e desembaraço, que nunca terão, sobre um assunto de que a maioria, nem sequer fala com o companheiro, quanto mais falar em público.

Cumplicidades…

Bem, no outro dia, vi-a a almoçar ali na Guerra Junqueiro ( a av. mais cosmopolita do primeiro mundo…) os olhos verdes fugidios conscientes que são populares e reconhecidos, coisa que levanta o ego mas que tambem se pode tornar num embaraço. Está naquela idade em que as mulheres se tornam irresistíveis, há ali uma beleza que passa por cima do Inverno e junta a Primavera com o Outono, numa mistura de cores dignas da palete de um pintor.

Agora já posso morrer descansado, como o viajante que chega ao cimo da montanha, já vi o vale de todas as promessas, muitas delas morreram porque só vivem se as mantivermos no limbo da imaginação…