Ao sol

Eu estava a preparar-me para mais uma aula, mais uma hora de trabalho. Do vidro da sala de professores, reparo numa mulher sentada, muito quieta: cabeça voltada para cima, olhos fechados, mãos entre as pernas, corpo firme, costas direitas. Todo o seu corpo parecia querer alimentar-se do sol, de calor e de luz. E outra coisa: muito séria «agora não me incomodem!». No que estaria a pensar?

Bonito de se ver! Imagens «surrealistas» pontuam os nossos dias que pensamos serem monótonos e iguais uns aos outros.

Como aquela outra mulher que, vi hoje, atirava pepitas para o passeio… Afastou-se e, no passeio,  aguardou a chegada do animal.

Mais imagens se esperam… sabe bem!

A Cristiano Ronaldo só falta ser humano

 A capa da revista 2 do jornal Público de hoje é «A tristeza de Cristiano». É a tradução dum artigo do jornalista do El País, John Calin.

Não basta a CR ser rico, giro e um grande jogador…

O dinheiro não traz felicidade, o dinheiro não é tudo, etc., são expressões que fazem todo o sentido aplicadas ao jogador que se “arrisca a ficar alheado da realidade (…) precisa de alguém que iniba a egolatria”.

São muitos os que enganam o rapaz: «Lembra-te que és deus!».

Maradona também era um deus e … a história é conhecida: drogas.

Digam-lhe a verdade: «CR, és apenas humano!»

E ser humano tem muito que se lhe diga!!! É, por exemplo, sentirmo-nos derrubados, sem força para nos levantarmos do «relvado» da vida.

A Beleza

adão cruz

A mais bonita de todas a mais bonita da festa a mais bela do mundo.

Uma estrela que caiu lá de cima e rolou por ali abaixo percorrendo as ruas da cidade a luzir e a cantar de uma forma quase imaterial quase sonhada quase santificada.

Há muito que a beleza me não enchia de tanta poesia há muito que os olhos se não molhavam desta forma há muito que eu não sabia dizer coisas assim com tanta verdade.

Os rios correm para o mar mas tu és um rio que nasce no mar e avanças sobre mim afogando-me nas tuas ondas.

Parecendo às vezes um lago tranquilo de um qualquer paraíso entras em mim como um tornado revolves tudo até ao fim de mim mesmo e quando a tua força acalma restituis-me sob a forma de um verso ou de um beijo a minha própria identidade nua e crua. [Read more…]

Na senda do Poema Azul

(adão cruz)

Na senda do Poema Azul

Cruzaram as portas correram os campos das árvores novas e os olhos de trabalhar não cederam ao sono nem triangularam o medo nem cavaram rugas no solo imponente das alamedas sombreadas de tílias.

Nesse dia demorou um pouco mais o beijo que ele habitualmente depunha na sua face sedosa e apertou-a levemente contra o peito era uma mulher cheia de ternura e singularmente bela uma daquelas belezas que roubam tudo o que se é no curto instante em que os olhos se cruzam. [Read more…]

Como se dorme na Suécia?

Desengane-se. Aqui não vamos falar sobre o caso de Julian Assange. A palavra ‘dormir’ não vem aqui num sentido figurado mas sim na sua verdadeira essência.

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Sabem aquela coisa de dizer que dormir bem, além de fazer bem à saúde, torna as pessoas mais bonita? Parece que é verdade. Há mesmo um sono de beleza. Pelo menos é o que garante um grupo de cientistas depois de um estudo experimental liderado por John Axelsson, do famoso Karolinska Institute, da Suécia.

O estudo concluiu que que as pessoas que dormem mal “parecem menos saudáveis, menos atraentes e mais cansadas quando comparadas com quem descansa bem”. Foi assim na Suécia.

Our findings show that sleep deprived people appear less healthy, less attractive, and more tired compared with when they are well rested. This suggests that humans are sensitive to sleep related facial cues, with potential implications for social and clinical judgments and behaviour. Studies are warranted for understanding how these effects may affect clinical decision making and can add knowledge with direct implications in a medical context.

Agora vamos lá a uma beleza de sono. Até amanhã.

O melhor cabrito do mundo

O melhor cabrito do mundo

Não foi só o cabrito. Outros factores houve que nos fizeram deslocar do Porto, de Amarante, de Marco de Canaveses, de Setúbal, de Sever do Vouga, de Vale de Cambra, embora todos sejamos naturais de Vale de Cambra, com raras excepções. E o mais forte de todos foi a amizade que vem dos tempos da juventude. O outro foi a Serra. A magnífica e deslumbrante Serra da Gralheira, estendida pelos seus três contra-fortes, Freita, Arestal e S. Macário. Quem não conhece estes caminhos da Freita, Merujal, Castanheira, Mijarela, Albergaria da Serra, Salgueiro, Manhouce, Cabreiros, e tantos outros tem obrigação de cá vir pois não sabe o que perde. [Read more…]

Mãe

 

 

(adão cruz)

Mãe

 Mãe. A palavra universal, a palavra mais consensual da humanidade. Nem Deus. Deus é de uns e não de outros. Deus é conceito de muitos e negação de outros tantos. A mãe não. A mãe é de todos sem excepção. A mãe é de todos e é só nossa. A mãe é do crente e do ateu, a mãe é do pobre e do rico, do sábio e do ignorante. A mãe é dos poetas, dos filósofos e artistas, dos bons e dos maus. A mãe é do amigo e do inimigo. Não há mãe de uns e não de outros, não há ninguém sem mãe, não há mãe de ninguém. A mãe é de toda a gente, a mãe é de cada um, a mãe é do mundo inteiro e do nosso mais pequeno recanto. A mãe é do longe e do perto, da água e do fogo, do sangue e das lágrimas, da alegria e da tristeza, da doçura e da amargura, da força e da fraqueza. [Read more…]

A sensualidade

Uma das mulheres mais sensuais cá do burgo é a Marta Crawford. É bonita, tem uns olhos inteligentes e uma cabeleira que não controla, mas a sua característica especial, muito pessoal, é o seu discurso e a vivacidade com que o faz.

Fala dos problemas sexuais e de relacionamento sexual (o que não é a mesma coisa) e quando não encontra a palavra certa ajuda com uns gestos  bem demonstrativos, o que me vira do avessso. Tudo com um meio sorriso, entre o profissional e a candura de uma mulher que sabe que está a pisar o risco.

Recebe uns telefonemas de expectadores que estão, evidentemente, em êxtase, tal como eu, e falar com ela é uma forma de lhe tocar ( normalmente as perguntas são mesmo para encher…) e depois, aparecem umas mulheres que querem embarcar naquela fluidez e desembaraço, que nunca terão, sobre um assunto de que a maioria, nem sequer fala com o companheiro, quanto mais falar em público.

Cumplicidades…

Bem, no outro dia, vi-a a almoçar ali na Guerra Junqueiro ( a av. mais cosmopolita do primeiro mundo…) os olhos verdes fugidios conscientes que são populares e reconhecidos, coisa que levanta o ego mas que tambem se pode tornar num embaraço. Está naquela idade em que as mulheres se tornam irresistíveis, há ali uma beleza que passa por cima do Inverno e junta a Primavera com o Outono, numa mistura de cores dignas da palete de um pintor.

Agora já posso morrer descansado, como o viajante que chega ao cimo da montanha, já vi o vale de todas as promessas, muitas delas morreram porque só vivem se as mantivermos no limbo da imaginação…

Rolf Damher – A paixão pelo problema

“Penso que há um caminho para a ciência ou para a

filsosofia: encontrar um problema, ver a sua beleza

e apaixionar-se por ele; casar e viver feliz com ele

até que a morte vos separe – a não ser que encontrem

um outro problema ainda mais fascinante, ou, evidente-

mente, a não ser que obtenham uma solução. Mas mesmo

que obtenham uma solução, poderão então descobrir, para

vosso deleite, a existência de toda uma familia de problemas-

filhos, encantadores ainda que talvez difíceis, para cujo

bem-estar poderão trabalhar, com um sentido, até ao fim

dos vossos dias. Sir Karl R. Popper

Escutem as músicas e esqueçam por alguns minutos a “Face Oculta”. Ela, isto é, os problemas que se amontoam, não vão fugir. Estarão à espera da vossa acção para resolvê-los. Não para mastigar e remastigá-los vezes sem fim. O saudoso Sir Karl Popper – e não só ele – aponta o caminho genérico. Sim, apaixonem-se pela “beleza” dos problemas a resolver. E lembrem-se: O homem cresce com a resistência.

Não “estou sendo irônico”.

P.S. E depois dizem que os germânicos são muito secos e apagados e que só os “latinizados” têm temperamento. Aqui sim “estou sendo irônico”.