Leitores vítimas de burla no Correio da Manhã

A história envolve uma empresa chamada Just Up, que produziu a série “Ministério do Tempo”, encomendada e transmitida pela RTP. A Just Up não terá pago aos actores, e o Correio da Manha apressou-se a noticiar a alegada burla, atribuindo-a sibilinamente à RTP.

É só mais um caso de manipulação descarada e nada inocente – agravado pelo facto de a “notícia” apenas estar disponível online para assinantes, pelo que o leitor comum fica apenas com a “informação” do título.

A “estratégia de ataque” está em curso desde há vários anos e tem objectivos bem definidos. Foi assim que já se assistiu a uma tentativa de tomada de assalto da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista por um grupo de homens-de-mão da Cofina, por sinal empresa proprietária do CM, que por sua vez é a publicação que detém o maior número de queixas na CCPJ. [Read more…]

Não percebeu a ideia? Não faz mal, passamos outra vez!

Sim, aconteceu ontem. Sim, aconteceu na RTP. Confirmem nas vossas boxes de tv cabo. Os que tiverem uma. Sim, a RTP voltou a passar o mesmo episódio d´ O Apocalipse de Estaline que tinha passado na semana passada. E alguém ainda teve o descaramento de modificar a sequência dos episódios no site. Assim, o episódio que passou no passado dia 6, aparece no site da televisão pública como exibido no dia 13. A prova de tal facto? Se o programa é semanal e é apresentado de forma exaustiva com um spot que o anuncia como um dos programas de proa da estação para esta época do ano, não faria o mínimo sentido provocar um hiato de uma semana na exibição do mesmo.

Erro de televisão? Não creio. Uma autêntica vergonha, patrocinada com o dinheiro dos contribuintes, com propósitos políticos altamente vincados que visam executar a propaganda que a direita quer que a RTP execute.

Lava mais branco

O tema das notícias do dia é, como é natural e lógico, a morte de Mário Soares. E assistimos à televisão no seu melhor – que é mau, como sabemos. Liga-se a TVI24 e fica-se perplexo. Para discutir a figura de Soares, foram escolhidos, além das duas jornalistas, o sobrinho – o estimável e pitoresco Eduardo Barroso -, o amigo – Carlos Monjardino- e, para o comentário político puro e duro, dois salazaristas reciclados: José Miguel Júdice – que aderiu à democracia pelos lucros que ela lhe trouxe – e Adriano Moreira, que, fino e inteligente como é, conseguiu fazer esquecer a muita gente, através da criação de uma “persona” democrática, o facto de ter sido destacado ministro – do “Ultramar”…- de Salazar e autor da reabertura do campo do Tarrafal, entre outras habilidades. E foi vê-lo, ladino, como se não tivesse nada a ver com o assunto, a discorrer sobre as políticas anti-coloniais defendidas por Mário Soares. Foi nesse momento que, nauseado, desliguei a televisão e abri um livro, opção sempre recomendável em casos que tais.

Bonecos


Os vários canais de televisão, entre outras patologias, obedecem, de há uns meses para cá, ao princípio ” os telespectadores são, em geral, nabos”. Logo, querem sempre ver bonecos a mexer, mesmo que só longinquamente tenham a ver com a notícia que se está a ler. Os noticiaristas televisivos devem ter, por estes tempos, assistido a inúmeros workshops – como se diz agora em português – onde “formadores” lhes explicam que a malta é básica, sofre de distúrbio de défice de atenção e sem imagens não vai lá. Assim, toca a pôr no ar seja o que for que haja lá pelas prateleiras, qualquer coisa que ilustre o que o pivô está a debitar. O jogo de futebol que acompanha a notícia do ocorrido ontem já foi há um ano? Ninguém vai notar. É preciso noticiar um naufrágio e não há reportagem? Avança um parecido, de há quatro anos. E um incêndio é sempre semelhante com outro incêndio, logo, enquanto não há repórter no local a fazer perguntas tolas, vai-se ao arquivo. Aquele partido reuniu a sua direcção e não mandamos lá ninguém? Usam-se imagens antigas de um reunião semelhante, ocorrida anos antes, mesmo que em grandes planos apareçam pessoas já falecidas.
E assim, com a falta de profissionalismo dos indigentes, a irresponsabilidade dos idiotas, a crueldade dos sociopatas, eles vão-nos “informando”. Verdade e decência, não têm. Mas bonecada nunca falta.

Marcelo, de comentador a Presidente:

Há quantos anos anda o Senhor a dar palpites sobre os incêndios?

Telejornais

são, de repente, business schools e cada pivot um PhD em finanças públicas. Tudo pelo preço da TDT ou uma assinatura de TV Cabo.
Perdemos totalmente a noção do ridículo. Os pássaros riem, nos galhos.

Bruno Santos

Telemissão

Nestes dias, os vários canais de televisão fazem uma espécie de sprint de contra-informação que, prevê-se, se irá ainda acentuando até à próxima semana. Todos os caminhos argumentativos servem, mesmo aqueles que ofendem a inteligência de qualquer pessoa de bom senso. É que eles não procuram o bom senso nem a reflexão séria. Procuram a confusão, o melodrama reles. Atiram como pedras todas as calúnias e fantasmas que mobilizem imbecis. Qual discussão democrática, qual ponderação de ideias, qual quê. São jogadores que apostam a cave e esperam ganhar com batota. Custe o que custar, custe a quem custar. A direita mais golpista acantona-se nas televisões e prepara-se para fazer delas a sua trincheira de vigarice política. Sente-se em missão.
Hoje, quem ainda tinha alguma consideração – em muitos casos residual, eu sei – por gente como Luís Amado, Luís Delgado, Gomes Ferreira, Nicolau Santos – para citar só os que vi nesta hora e sem referir protagonistas partidários, porque não é sobretudo por estes que passa a jogada – espero que tenha ficado esclarecido.  [Read more…]