Uma curta ausência

Estive num pequeno simposium em Barcelona e aproveitei para tirar uns dias de férias, revisitando algumas cidades onde já não ia há uns tempos: Valência, Tarragona e Barcelona, e mais junto de nós, Valladolid.

Continua bem aparente, apesar da crise, a qualidade de vida desta gente. A mesma esfusiante alegria, o mesmo convívio social contagiante e atraente que tornam este país, por assim dizer, único no mundo.

As cidades impecavelmente limpas e bem tratadas, os prédios em constante conservação, ausência de ruínas, as pessoas, velhas e novas, bem arranjadas, com muito gosto, vestindo com originalidade, fisicamente escorreitas, uma percentagem mínima de obesos, um comércio impressionantemente activo, sem lojas fechadas, uma quase ausência de grandes superfícies.

 

Como sempre, chegado ao meu Porto de que tanto gosto, invade-me a tristeza. O Porto podre, a cair, em ruínas, sujo como nunca esteve, infiltrado de “hipers”, lojas a fechar todos os dias, gente triste, mal arranjada, sem gosto, sem brio, desaparecendo das ruas mal o sol se põe, dizendo bom dia ou boa noite por entre dentes, com medo de falar. As próprias mulheres não têm um mínimo de originalidade no vestir, trajes massificados à base de jeans e botas à cavaleiro. E se têm, fazem-no sem estética, raiando por vezes o ridículo. A percentagem de obesos e obesas é alarmante.

Porquê? O que nos faz assim? Que gente somos nós? Qual a causa da nossa incultura e da nossa incivilidade? Que gente nos governa? Que indigentes autarcas nos calham na rifa? Que raio de “pool” genético nos coube?