Estive num pequeno simposium em Barcelona e aproveitei para tirar uns dias de férias, revisitando algumas cidades onde já não ia há uns tempos: Valência, Tarragona e Barcelona, e mais junto de nós, Valladolid.
Continua bem aparente, apesar da crise, a qualidade de vida desta gente. A mesma esfusiante alegria, o mesmo convívio social contagiante e atraente que tornam este país, por assim dizer, único no mundo.
As cidades impecavelmente limpas e bem tratadas, os prédios em constante conservação, ausência de ruínas, as pessoas, velhas e novas, bem arranjadas, com muito gosto, vestindo com originalidade, fisicamente escorreitas, uma percentagem mínima de obesos, um comércio impressionantemente activo, sem lojas fechadas, uma quase ausência de grandes superfícies.






Barcelona é a cidade mais bem cuidada da Península e talvez aquela com um nível de vida mais elevado. Durante vinte e tal anos, vivi entre Barcelona e Lisboa e posso garantir-te, conhecendo relativamente bem a realidade das cidades portuguesas (incluindo a do Porto) que, nos anos 70 e 80, a diferença era ainda mais abismal do que é hoje. Avançou-se alguma coisa, embora não seja o suficiente. No que ao Porto diz respeito, tens razão. Já aqui disse do quanto gosto da tua cidade, como a considero bonita e, sobretudo, romântica. Mas não tem sido bem tratada. E Lisboa? Excluindo a zona da Expo, onde uma lixeira foi transformada numa área higienizada, o que se tem feito? A zona da Expo é precisamente um bom exemplo do que se poderia fazer no resto de Lisboa, no Porto e noutras cidades (como Setúbal). A decadência não é inevitável. Quanto às pessoas, não sei o que dizer-te. Carências culturais?