O Túnel

Aventar – uma nova viagem na blogosfera

Começo, em primeiro lugar, por cumprimentar tod@s os companheir@s e leitor@s do AVENTAR.

A partir de hoje início uma nova viagem na blogosfera. Despois de uma anterior experiência, agora regresso para escrever no AVENTAR um dos espaços de opinião de referência no universo dos mais importantes blogues portugueses.

É, pois, uma honra escrever  sobre o nosso País e o Mundo para um universo maior de leitores e ao lado dos mais importantes bloggers portugueses.

Entendo que escrever, partilhar e debater livremente com os nossos concidadãos é uma das mais importantes formas de cidadania. É, por isso, que aqui estou na busca constante de um Portugal e de um Mundo melhor, muito melhor.

A Viagem

Filme projectado no Pavilhão de Portugal da Expo/98 e que retrata a chegada dos portugueses ao Japão.

Tema 5 – Expansão e Mudança nos secs. XV a XVI.

Unidade 5.1. – A Abertura ao Mundo

A minha Páscoa

Começava numa caminhada. De Rio Tinto a Contumil onde apanhava o comboio até Vila Meã. Não me lembro do tempo que demorava, mas recordo-me que depois da estação eram mais uns quantos quilómetros a pé até ao destino. Ali bem no meio entre o Pai e a Mãe. Uma vezes para a direita até Real. Outras para a Esquerda até Castelões. 

Imagem de Jorge Lopes (http://www.flickr.com/photos/jsepol/6862954096/)

Depois era tudo tão simples, mas tão perfeito. Os verdes e as flores no chão a chamar o compasso. A sineta que se ouvia ao longe e depois mais perto. Aquele grupo de gente que entrava pela casa a anunciar a boa nova – Cristo Ressuscitou!

O orgulho que havia em ser o Juíz da Cruz, em liderar a festa da aldeia. A alegria que havia em ser família. Depois era a correr de casa em casa “atrás” da cruz – umas vezes à frente, outras, mesmo atrás.

Recordo o presunto e o salpicão na mesa. Que maravilha! Que saudades.

Era hora de partir – mais carregados. Cebolas, ovos, “coisas da Aldeia” para os meninos da cidade.

Que bom que era – não pode voltar a ser?

“Comboio, a Opção Jovem”

Era o ano de 1985…

10 minutos de viagem, 60 minutos de atraso!

Somos um país moderno, pensamos em grande, grandes autoestradas, as pontes maiores da Europa, o TGV, o aeroporto “HUB” à volta do qual vão cirandar os aviões de todas as companhias…

Eu, no sábado, comprei um bilhete no Pendular para ir ao Porto, paguei o que me pediram, aliás não há concorrência, se quiseres escolhe, podes ir de carro ou de avião, mas de comboio é mesmo aquele, aí vou eu todo contente, adoro andar de comboio, já dei uma volta à Europa de comboio, e nos países escandinavos acordei no mar alto dentro de um comboio que por sua vez estava dentro de um barco, e o horário é cumprido ao minuto.

Pois, no sábado, ao fim de 10 minutos de viagem o comboio parou, trabalhos na linha, quando me venderam o bilhete (trata-se, para todos os efeitos, de um contrato) já sabiam que não podiam cumprir a parte deles que era colocarem-me em Campanhã em 2 horas e 45 minutos depois. Estivemos parados 60 minutos ou perto disso, cheguei ao destino com duas horas de atraso, diz-me o revisor do comboio que apanhei de ligação para Pinhão, não é este o comboio era o anterior, pois era, digo eu…

O meu «reveillon» em tempos de crise

São tempos de dificuldades, aqueles que estamos a viver. Tempos de incerteza, em Portugal e no mundo, com a crise económica e financeira e o desemprego a um nível nunca visto. Como será o futuro? Isso ninguém sabe.
É por isso que este ano, por muito que me custe, vou limitar o orçamento das habituais férias de Inverno e «reveillon». Terei de me contentar com uma semana em Paris. Parto amanhã, dia de Natal, e regresso no dia 1 de Janeiro. É que, como sou professor, não posso sequer escolher as datas das minhas férias – algo que considero particularmente escandaloso e discriminatório!
Mas como terei acesso diário à internet, o Aventar não será esquecido. Conto enviar diariamente uma crónica da cidade-luz, que neste momento está coberta por um branco manto de neve. Estarei alojado no centro de Paris, perto da Bastilha, mas faço questão de visitar e fotografar todos os locais que tenham interesse para o Aventar, incluindo os locais onde me deleito com a deliciosa comida francesa. Pas de problème, tenho grande facilidade de circulação na cidade – praticamente só ando de táxi. [Read more…]

E davam grandes passeios ao Domingo…

Em devido tempo e no local correcto, a caixa de comentários, já me pronunciei sobre este «post» do Tiago Mota Saraiva: acho vergonhoso que um Partido político, como é o caso do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu, ande a pagar viagens a bloggers para que eles possam visitar gratuitamente Bruxelas e possam ver, «in loco», como se vive bem na Europa.
Soube na altura, por fonte que me solicitou sigilo, que Fernanda Câncio também esteve presente nessa passeata, a par de outros que o assumiram, como Maria João Pires, também do Jugular, ou um tal de Paulo Pena. Não o revelei exactamente por causa desse pedido, mas agora que o Nuno Ramos de Almeida o tornou público, fui libertado do compromisso.
Não sei, nem me interessa, se o convite partiu de Rui Tavares ou de outro Deputado europeu do Bloco de Esquerda. Também não me interessa muito o súbito amor entre Fernanda Câncio e o Bloco. O que me interessa, isso sim, é que o meu dinheiro – sim, o meu e o de todos os contribuintes – seja desperdiçado por Partidos políticos que julgam que na Europa se pode gastar à tripa-forra. Nem que seja para convidar pessoas para darem grandes passeios ao Domingo – pessoas cujo interesse é completamente nulo para Portugal no contexto do Parlamento Europeu.
Um discurso, o do Bloco de Esquerda, que contrasta muito com a prática que acabamos de ver. Começo a pensar que, um dia no poder, o Bloco acabaria por ser mais do mesmo.

Uma curta ausência

Estive num pequeno simposium em Barcelona e aproveitei para tirar uns dias de férias, revisitando algumas cidades onde já não ia há uns tempos: Valência, Tarragona e Barcelona, e mais junto de nós, Valladolid.

Continua bem aparente, apesar da crise, a qualidade de vida desta gente. A mesma esfusiante alegria, o mesmo convívio social contagiante e atraente que tornam este país, por assim dizer, único no mundo.

As cidades impecavelmente limpas e bem tratadas, os prédios em constante conservação, ausência de ruínas, as pessoas, velhas e novas, bem arranjadas, com muito gosto, vestindo com originalidade, fisicamente escorreitas, uma percentagem mínima de obesos, um comércio impressionantemente activo, sem lojas fechadas, uma quase ausência de grandes superfícies.

 

Como sempre, chegado ao meu Porto de que tanto gosto, invade-me a tristeza. O Porto podre, a cair, em ruínas, sujo como nunca esteve, infiltrado de “hipers”, lojas a fechar todos os dias, gente triste, mal arranjada, sem gosto, sem brio, desaparecendo das ruas mal o sol se põe, dizendo bom dia ou boa noite por entre dentes, com medo de falar. As próprias mulheres não têm um mínimo de originalidade no vestir, trajes massificados à base de jeans e botas à cavaleiro. E se têm, fazem-no sem estética, raiando por vezes o ridículo. A percentagem de obesos e obesas é alarmante.

Porquê? O que nos faz assim? Que gente somos nós? Qual a causa da nossa incultura e da nossa incivilidade? Que gente nos governa? Que indigentes autarcas nos calham na rifa? Que raio de “pool” genético nos coube?

 

 

Uma vida nova

Acompanhei-o ao aeroporto. Trazia o casaco coçado de sempre e aquele jeito estranho de cruzar os braços como se tivesse recebido um par de mãos recentemente e ainda não soubesse o que fazer com elas. Um saco minúsculo a tiracolo e uma mala já bastante esmurrada, que ergueu com surpreendente facilidade para cima do tapete. A balança marcou dezoito quilos e meio e eu pensei o óbvio: como pode a vida toda pesar só isto? Sentámo-nos a tomar café, o peso da despedida ia apertando cada vez mais, tragava as palavras ainda antes de as proferirmos. – Já tens casa? – atrevi-me a perguntar. – Fico num hotel na primeira semana, depois de certeza que arranjo qualquer coisa. Novo silêncio. Foi então a vez da minha fuga para a frente. – Isto de começar uma vida nova depois dos 50 é só para valentes!

Ele soltou uma risadinha nervosa, murmurou um “pois é”quase inaudível. A vida dele aqui estava terminada e esta espera no café do aeroporto era só uma encenação que procurava iludir esse final, prolongando-o artificialmente, mas ansiávamos ambos pelo momento da partida. Que esperava ele? África era uma memória nebulosa de juventude, mas tinha sido a terra da felicidade. Aqui tudo se transformara numa rua sem saída, um caminho solitário que ele se fartara de percorrer. Ofereci-lhe o presente de despedida, uma piada entre nós: um canivete suíço. – Nunca se sabe que terrenos terás que desbravar. Trinta anos separavam-nos, mas neste lapso de tempo que antecedeu a sua nova vida tínhamos conseguidos ser amigos. Trocámos um abraço sem jeito, desejei-lhe boa sorte, prometemos que trocaríamos mensagens que já sabíamos que iriam espaçar-se depressa, até desaparecer quase de vez. Vi-o avançar com passos rápidos, um último aceno, e escapou-se. Imagino o seu alívio quando viu o velho continente ficar para trás, com a sua carga de sofrimento, as memórias sombrias, os dias solitários, o absurdo dos dias iguais. Uma nova vida esperava-o, sem aridez nas relações humanas, sem a angústia das noites de Verão passadas a sós. O trabalho não engoliria a sua vida, haveria de haver muitas noites caseiras, com música a tocar baixinho na varanda, e um perfume de mulher a esvoaçar pela casa. Ainda não tinha saído do avião e já a velha vida o tinha apanhado de novo.