Cooperativas de serviços sexuais

Há uns anos fiz uma reportagem sobre prostituição na baixa do Porto. Falei com várias mulheres (e poucos homens) que se prostituíam e a preocupação comum a todas, para minha surpresa, que esperava outro tipo de angústias, era a impossibilidade de fazer os seus descontos para a Segurança Social. Algumas estavam mesmo a pagar as respectivas prestações por inteiro, pedindo a alguém que as inscrevesse como empregadas domésticas. Porque a grande angústia era mesmo não ter direito a subsídio de maternidade ou doença e, sobretudo, a uma reforma na velhice. E apontavam, como exemplo de degradação máxima, alguma companheira de sessenta ou mesmo setenta anos que continuava a prostituir-se por não ter qualquer outro rendimento. De entre todas as humilhações a que a sua ocupação as podia submeter, nada lhes parecia pior do que ser velha e continuar na rua. [Read more…]