O proxeneta conservador

Na América alucinada de Donald Trump, as anedotas sucedem-se. E como já vale quase tudo, o proxeneta Dennis Hof garantiu ontem a nomeação republicana para as eleições intercalares no estado do Nevada. Proprietário de vários bordeis – legais no Nevada – Dennis Hof integra ainda o elenco do reality show Cathouse, que retrata o dia a dia num bordel no Nevada, e é o autor do livro “The art of Pimp”, que traduzido para português dá qualquer coisa como “A arte do Chulo”. Não admira que tenha ascendido politicamente na era da trampa.  [Read more…]

Elisabeth, Dallas, Geni

«Stagecoach" (1939)

«Stagecoach” (1939)

Certa mãe de um adolescente queixava-se a uma amiga que, para chegar à sua nova escola secundária, o filho tem agora de passar por uma rua onde há senhoras. “Daquelas. Sabes? Das de má vida.” E que as senhoras não se metem com o rapaz, mas dão mau aspecto à rua. Carregava muito na palavra “senhoras” e fazia um trejeito amargo com os lábios para que se percebesse que dizia “senhoras” para mostrar que ela o era, as outras é que não.

A amiga solidarizava-se com aquela angústia. Realmente. Nem devia ser permitido tão próximo de uma escola. Deviam estar lá num bairro delas, como na Holanda. Sabes que na Holanda é assim, explicava, elas estão proibidas de sair dali. Têm cada uma casinha, com uma lanterna à janela, podem ir para a montra, para se mostrarem, mas não podem sair dali. Era o que faltava andar a rondar as escolas, isso é que era bom. Ia logo tudo para o xilindró. [Read more…]

Ainda a rameira do cartaz: será verdade?

rameira

Esta fotografia foi indicada pela comentadora Mónica. Se não houve nenhuma montagem, estamos perante um dos casos que irrita qualquer humorista: a realidade é sempre mais cómica.

O transportador do cartaz enverga uma t-shirt em que se pode ler “Oral skills wanted. Apply bellow.” Sim: sexo oral. Quem o pode censurar?

De uma coisa podemos estar certos: Costa não é o destinatário desta mensagem. Costa é da esquerda.

Nada de amores

Na pensão de sobe-e-desce, a empregada sacudia as colchas para a rua. Olhos concupiscentes fixaram-se nelas. Esvoaçavam com o pesadume dos tecidos velhos, gastos, deformados. A empregada sacudia-as com esforço, um rosto cansado e sofrido, uma imigrante de leste que trabalha sem folgas. Os velhos que passam o dia à porta da pensão conhecem o ritual das cinco, o sacudir das colchas. Não têm dinheiro para subir, limitam-se a andar pela rua, de trás para a frente, a meter conversa com as meninas, que são quase todas cinquentonas, à espera do milagre, da benesse, do dia em que as encontrarão de cabeça tão perdida, ou de coração tão apertado, que lhes darão uma borla, só para dizerem que não foi por dinheiro, só para se sentirem mais livres. Mas o dia nunca chega, ou pelo menos ainda não chegou. E eles andam sempre por ali, pés cada vez mais arrastados, a ver que se lhes acabam os dias e nada de amores. [Read more…]

A blasfémia e a beatificação de mãos dadas. Onde é que eu já vi isto?

A cerimónia de beatificação de uma freira italiana mobilizou centenas de prostitutas para uma cidade queniana (JN)“. Alguém tinha que representar Maria Madalena não é mesmo?

Hospitais da luz vermelha

imagesDaniel Bessa teve medo de assumir, frontalmente, as consequências das suas declarações. Na Universidade de Verão de um dos seus partidos, o ex-ministro da Economia explicou que há demasiadas semelhanças entre um hospital e um hotel para que o primeiro não possa ser, também, o segundo, porque, segundo Bessa, “na saúde, há muito de hotelaria.” E acrescentou: “O que é um hospital? São camas, como um hotel. Tem uma cozinha, como um hotel. Muito do que se passa num hospital é equivalente ao que se passa no turismo.”

Nunca tinha pensado nisso, mas, na realidade, não há nada mais parecido com um turista do que um paciente que passeia, com vagares ociosos, a sua garrafinha de soro, que, conforme as posses, poderá passar a ser gourmet. E haverá turista mais privilegiado do que alguém que, por exemplo, tenha ficado incapaz de comer pelas próprias mãos, podendo, agora, ser alimentado sem se cansar?

Mas Daniel Bessa deveria ter ido mais longe e não soube ver mais além. E se, em vez de “O que é um hospital? São camas, como um hotel!”, saltássemos para fora do quadrado e disséssemos “O que é um hospital? São camas, como um bordel.” [Read more…]

Um destes dias o proxeneta ainda será investidor…

Aumentar o PIB significa reduzir défice. Com défice mais baixo existe maior folga para contrair dívida. Ao ler esta notícia, que a ser verdade não passa de estender o tapete à contabilidade criativa, pergunto que sentido fará manter ilegal a mais velha profissão do mundo ou continuar a encarcerar traficantes, gastando dinheiro público nas várias etapas do combate à actividade, da investigação ao processo judicial, passando pelos serviços prisionais que ficariam bem mais aliviados se todos os condenados a prisão efectiva fossem libertados. E muito dinheiro do contribuinte poupado. Não seria mais correcto discutir estas temáticas no sentido da descriminalização, regular as actividades e então sim, uma vez legais, contarem para todos os efeitos estatísticos com direitos e deveres? A U.E. está cada vez mais parecida com a Máfia, tendo os governos nacionais como padrinhos…

Cooperativas de serviços sexuais

Há uns anos fiz uma reportagem sobre prostituição na baixa do Porto. Falei com várias mulheres (e poucos homens) que se prostituíam e a preocupação comum a todas, para minha surpresa, que esperava outro tipo de angústias, era a impossibilidade de fazer os seus descontos para a Segurança Social. Algumas estavam mesmo a pagar as respectivas prestações por inteiro, pedindo a alguém que as inscrevesse como empregadas domésticas. Porque a grande angústia era mesmo não ter direito a subsídio de maternidade ou doença e, sobretudo, a uma reforma na velhice. E apontavam, como exemplo de degradação máxima, alguma companheira de sessenta ou mesmo setenta anos que continuava a prostituir-se por não ter qualquer outro rendimento. De entre todas as humilhações a que a sua ocupação as podia submeter, nada lhes parecia pior do que ser velha e continuar na rua. [Read more…]

Lápis azul

no museu!

Esposas de Viseu não estão disponíveis

Saudades das esposas de Viseu. É pena ver um serviço público terminar.

Os porcos de Viseu e suas esposas

rolo%20madeiraAproveitando a plataforma wordpress, alguém criou um blogue que, até ao momento, tem um único post, cujo título é, só por si, um texto

PARA QUE AS NOSSAS CONTERRÂNEAS NÃO CONTINUEM A SER ENGANDAS POR HOMENS PORCOS QUE AS ENGANAM E TIRAM DA MESA PARA ANDAREM NAS PROSTITUTAS DA QUINTA DO GRILO E DO GALO ( VISEU ). SAIBA AQUI QUEM ELES SÂO:

Em primeiro lugar, vê-se que é alguém que está preocupado com as conterrâneas, especialmente se enganadas, sobretudo por homens, para cúmulo porcos e que enganam. Parece-me redutor e penso que seria importante levar este serviço público mais além, porque conterrâneas enganadas por homens porcos não hão-de faltar no país inteiro. Eu próprio, sem ser conterrânea de ninguém, agradecia que me indicassem a matrícula do carro de Passos Coelho.

Como se isso não bastasse, os tais homens porcos que enganam as conterrâneas do/a autor/a do blogue tiram da mesa para andarem nas prostitutas, o que poderá revelar estranhas práticas sexuais e hábitos de higiene muito pouco recomendáveis. Já imagino a senhora Dona Felismina a perguntar ao marido, abusando das sibilantes: “Ó Zé, fozte tu que levazte da meza o coelho bêbado?” O Zé, para disfarçar, poderá responder: “O quê? O primeiro-ministro está outra vez na televisão?”

Um dos visados terá sido internado recentemente, com vários traumatismos, por ter sido brutalmente agredido pela própria esposa, uma vez que, depois de ter sido acusado de frequentar prostitutas, terá respondido, irritado: “Não, quando quero ir às putazz, fico em casa.”

Vítor Gaspar, o radical

O deputado João Semedo, do BE, lembrou a Vítor Gaspar que o governo falhou as previsões do défice e do desemprego. Vítor Gaspar desvalorizou isso, recorrendo à metáfora do barco que mantém o rumo, mesmo no meio das vagas alterosas.

Cheio de arremesso no peito corajoso, Gaspar teve, ainda, esta tirada épica, ao nível do Pessoa da Mensagem: “Nada depende do grau de precisão das previsões. O sucesso do ajustamento não tem a ver com o grau com que as previsões se cumprem”. Se é certo que esta afirmação confirma a incompetência ou a desumanidade do economista, não é menos certo que estamos na presença de um homem dominado por excesso de testosterona e subjugado por descargas constantes de adrenalina e é isso que devemos valorizar. [Read more…]

Profissionais do Sexo querem pagar impostos

Confesso que fiquei surpreendido. Foi um dueto completamente improvável:

– Nicolau Santos, jornalista do Expresso e Alexandra Lourenço, amante profissional.

Aconteceu, ontem no programa da RTP 5 Para a Meia-Noite.

E todos merecem um aplauso:

– o programa 5 para a Meia-Noite que continua a ser um marco na televisão em Portugal (televisão pública);

– o Nicolau, homem com um currículo fantástico e que esteve muito bem em todo o programa, procurando colocar as coisas como elas devem ser colocadas;

– a Alexandra Lourenço que merece um aplauso pela qualidade da participação e pela óbvia coragem que manifestou: vale a pena conhecer o blogue da Alexandra.

Uma outra Alexandra, Oliveira de família, docente da FPCEUP tem defendido também essa  proposta.

Confesso que numa primeira análise me parece óbvia e justa esta luta – parece-me que vale a pena abraçar este debate:

O assalto ao subsídio de férias já começou

A história da democracia portuguesa é feita, entre várias hecatombes, da destruição do tecido produtivo em nome da obsessão de se ser considerado bom aluno, de desperdício de dinheiros europeus e da apropriação do Estado por dois ou três partidos para benefício dos filiados e amigos.

Os anos de Sócrates conseguiram aprofundar todos esses males, graças à total ausência de vergonha de um conjunto de figuras sinistras que empobreceu o país em todos os aspectos, nomeadamente através da multiplicação de Parcerias Público-Privadas, numa perspectiva de protecção contínua aos privados, esses amigos que estão sempre do lado certo do cartão partidário. Este é o país em que a culpa não morre solteira, é certo: entrega-se à prostituição.

O bando socrático explorou e aprofundou a má fama e a má imprensa dos funcionários públicos. Para pagar os calotes que criou em consequência de ter metido a mão na caixa registadora, culpou, exactamente, os funcionários públicos, ou seja, aqueles que eram obrigados a pôr dinheiro na caixa.

Inventaram, então, a generalização da improdutividade e publicaram, com a ajuda de meretrizes com cartão de jornalista, a ideia do parasitismo e dos salários excessivos. Depois, foi congelar as progressões na carreira, cortar nos salários, aumentar os impostos, para não falar no resto do assalto fiscal, ainda que disfarçado de taxas moderadoras, por exemplo.

Entre Passos Coelho e Sócrates existe uma única e verdadeira diferença: o primeiro não está em Paris. De resto, o actual primeiro-ministro respira de alívio porque o anterior abriu à catanada o caminho para a liquidação do Estado.

Por estes dias, os funcionários públicos experimentarão, pela primeira vez em vários anos, o retrocesso de não receber o erradamente chamado subsídio de férias. Trata-se de mais um roubo que não esquecerei, como não me esquecerei de nunca mais votar em gente que já deu provas suficientes de um latrocínio essencial.

Olhos doces

Ando em guerra com a Câmara Municipal de Lisboa há muitos anos. Ainda garoto, detestei a política abacaxizeira que o edil Krus Abecassis garantia poder transformar Lisboa em coisa irreconhecível. Mais uns anos e teria levado a sua avante, mas o seu legado destruidor prosseguiu alegremente, agora sob a égide da temível dupla “vai tudo abaixo!” Costa/Salgado.
Mas hoje não é este o tema. Os jornais noticiam a abertura de uma “casa” que pretende cuidar dos interesses daquelas raparigas que face à lei vigente, estão “naquela esquina à espera de taxi e sob a vigilância de um guarda-costas à força”.
A segurança, a saúde pública e tão ou mais importante, o direito das ditas raparigas, impõe a legalização e devida regulamentação da actividade. Não valerá a pena voltarem aqueles dois diferenciados grupos de sempre, com argumentários de “Marias Madalenas” ou “filhas de Lenine”. Basta.

Fernando Nobre, a carochinha

Durante a campanha presidencial, Fernando Nobre acusou Manuel Alegre de ser o candidato do nim. Fernando Nobre é, pelo contrário, um homem do “sim”, um verdadeiro “yes-man”, alguém que não consegue dizer que não. Se fosse mulher, noutros tempos, isso seria suficiente para que fosse considerado pouco séria, eufemismo desagradável para mulheres com ouvidos, essa parte da anatomia cuja ausência era marca de seriedade

Nos contos infantis, Fernando Nobre seria a carochinha, debruçada à janela, alardeando um decote abundante que permitiria entrever a sensualidade de uma intervenção cívica apartidária e a abundância de uma mediatização apetitosa. É certo que chegou a afirmar que nunca aceitaria cargos partidários, mas também não é verdade que seja fácil a vida das mulheres de vida fácil e, por vezes, é necessário estarem dispostas a coisas que nunca pensariam vir a fazer. Quando é preciso lutar pela sobrevivência, ser nobre torna-se difícil.

 

prostitución de crianças

reedito este texto en memória del amigo que me desafaria a escreve-lo

Devuelvan nos al niño!

(canção sem palavras)

Em memória de mi amigo Estevão Stoer, amigo durante anos, cujos comentários me desafiaram a escrever este texto. Como outros escritos da minha vida.

1. A ilusão da infância

Ilusão de quem? Do adulto ou da criança? O adulto tem pensado como deve ser uma criança. Tem desenhado as suas habilidades e aptidões, a sua inocência e a sua responsabilidade. A compilação de decretos eclesiásticos do Bispo católico Graciano, feita durante o século IX e convertido em Código no passado século XX, define à infância. Com essa inocência e irresponsabilidade civil e criminal, já conhecidas pelos meus leitores, à força de tanto martelar sobre o facto neste jornal. Napoleão Bonaparte, mandou também compilar esses textos, para o Código Civil que nos governa. [Read more…]

Ainda a "santa" visita do papa

Nesta altura em que Portugal e o Sr. Presidente da República se preparam para receber Bento VXI na sua primeira visita oficial ao nosso país, mais algumas notícias de última hora são dignas de figurar no belo cartaz oficial, anunciador da vinda do papa. “Contigo caminhamos na esperança, sabedoria e missão”. Quanto a sabedoria, sabem-na toda. No que respeita à missão, ela é por demais conhecida. [Read more…]