Gestão de carreiras

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Flanava por aí a pensar remotamente se aos portugueses também faltaria uma palavra para entreprender e eis senão quando este cartaz:

“Código Penal

Artigo 160.º
Tráfico de pessoas!

1 – Quem oferecer, entregar, recrutar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoa para fins de exploração, incluindo (…) a exploração do trabalho (…):

c) Com abuso de autoridade resultante de uma relação de dependência hierárquica, económica, de trabalho ou familiar;

é punido com pena de prisão de três a dez anos!”

O anúncio aparecia assim, com pontos de exclamação e tudo, a transpirar desafio, incredulidade, loucura…

Ainda pestanejei, por momentos, “porque não?”, mas logo o tédio, “não vá a coisa desmerecer até os portes de devolução”, me arrastou no seu enjoo paliativo…

O pensamento único: trabalho e redes sociais


A Lusa traduziu e fiquemos com mais um clássico do Grande Livro do Pensamento Único:

O Facebook e o Twitter, estão a custar mais de 14 mil milhões de libras (16,9 mil milhões de euros) por ano à economia britânica devido ao tempo de trabalho perdido.

E custam porquê? porque a MyjobGroup, uma generosa empresa de contratação via twitter, perguntou a 1000 pessoas quanto tempo usavam a aceder às redes sociais no seu horário de trabalho.

Deixando de lado coisas irrelevantes (como a produtividade não ser contabilizável apenas pelo tempo de trabalho excepto em casa de um idiota chapado, o estudo ser feito por uma empresa tão suspeita como o Vitalino Canas a falar de trabalho temporário,  e só aceder à net quem trabalha com computador), temos mais uma verdade universal em todo o seu esplendor.

“As empresas deveriam monitorizar o acesso às redes sociais durante o horário de trabalho e assegurar que os seus trabalhadores não estão a abusar da liberdade de acesso a estes sites”

Dizem eles. E já agora monitorizem o acesso ao telefone, controlem se anda alguém a conversar com o parceiro do lado, amordacem-nos, amarrem-nos, e despeçam:  a MyjobGroup precisa de despedidos, que até ganha a vida a contratar substitutos. Tudo muito temporário, é claro.