António Costa é Allende ou Pinochet?

Há quem ande a fazer paralelismos entre os camionistas chilenos de 1972 e os portugueses de 2019. Também quero exercer o meu direito ao simplismo.

Marcelo e as greves

O Presidente da República comentou a greve dos motoristas. É natural: ainda há pouco comentou o jogo da Supertaça entre Benfica e Sporting. Amanhã, comentará a actuação do nadador-salvador na Praia de Monte Gordo, aquele já mais próximo de Vila Real de Santo António.

Começou por afirmar que os fins são legítimos, considerando que isso não é suficiente. Se bem entendi, Marcelo reconheceu que os motoristas têm razões para protestar, o que quer dizer que estão a ser alvos de injustiças. Que isso não seja suficiente já me parece mais estranho, mas esperemos.

Depois, diz que o recurso à greve deve ser ponderado e não exagerado, deixando implícita a ideia de que os sindicatos que convocaram a greve podem não estar a ser sensatos, ao contrário, depreende-se, de quem não lhes quer dar aquilo a que têm direito, porque, relembre-se, as razões da greve são legítimas.

Finalmente, afirmou que exageros destes – que estão por provar – levarão a que os portugueses possam não se sentir solidários com os grevistas. Quem está convencido da justeza da sua luta não precisa da simpatia de ninguém. As sufragistas foram amplamente criticadas, mas, segundo a teoria marcelista, deveriam ter comido e calado, por serem tão impopulares.

Voltando ao princípio, há uma pergunta fundamental: as reivindicações são justas? Se sim, o Presidente da República e o governo deveriam fazer declarações públicas no sentido de obrigar a que tenham reposta. Em vez disso, como é costume, preferem criticar os injustiçados, tendo, muitas vezes, o apoio de democratas distraídos.