ME: ministério dos Enganos

“Os mentirosos conseguem apenas uma coisa: é a de ninguém acreditar neles quando disserem a verdade.” (Esopo)

Bons dias caro leitor,

hoje, dia 2 de Abril, vamos dialogar sobre as mentiras do Ministério da Educação.
Agora que já foi a correr ao calendário verificar que dia é, posso confirmar que é dia 31 de Março – mas se ontem decidi que era dia 1 de Abril, hoje é dia 2.
Se ontem trouxe a primeira mentira, hoje trago a segunda.
Ao iniciar o post resolvi ir buscar alguma inspiração ao site do ME – ministério dos Enganos (sim, M pequeno para o ministério e e GRANDE para os enganos).

E de facto ela (a inspiração) abunda – não se torna complicado mentir assim:

Prémio Nacional dos professores: como alguém dizia, os números falam por si. Há mais de cento e cinquenta mil professores. O ano passado houve pouco mais de de sessenta professores a concorrer. O que dizes mais?
Alunos faltam menos: o boletim do Professor, que aos montes nos aparecem no caixote de papel para reciclar lá da escola traz esta boa nova. Sobre ela duas notas parecem importantes:
a) Os dados não podem ser vistos assim, tal como a Educação do meu Umbigo faz notar. Em média, cada aluno dá menos UMA falta por ano. UAU!
b) Na maioria das escolas não há qualquer alteração introduzida pelo Estatuto do Aluno. Como acontece há mais de trinta anos a maturidade das escolas e a sua (real) autonomia permite filtrar algumas trapalhadas que nos chegam da 5 de Outubro. Por isso, costumo dizer que as escolas funcionam apesar dos Governos. Ou seja, mesmo dando como adquirido que uma falta a menos por ano é motivo para festa, quem me consegue provar que isso se deve à aplicação do estatuto do aluno?

Requalificação das Escolas: cheira a autárquicas por todo o lado. É uma enorme mentira toda esta propaganda em torno da qualidade das nossas escolas. E é MENTIRA porque tem por base um ENORME pressuposto que os “técnicos que nunca trabalharam” desconhecem. As tecnologias não fazem o sucesso. São as pessoas que as usam que podem gerar o sucesso – a aprendizagem acontece ou não com as pessoas. E atrevo-me a escrever mais: sem tecnologias pode haver sucesso; sem pessoas…jamais!
Não vou esconder a importância da qualidade das nossas escolas, do seu equipamento tecnológico, etc. E, isso reconheço, como uma boa aposta deste Governo. Mas, tudo isso está a ir pelo cano abaixo porque as pessoas estão a ser tratados como se fossem uma velha disquete. E, quer os governantes queiram, quer não queiram, a diferença entre a escola com tecnologias e a escola sem tecnologias só se vai fazer quando os professores as integrarem nas salas de aula. Isso não está a acontecer, e vai continuar assim enquanto os mentirosos continuarem a dizer ao povo que o magalhães é o “Professor do Povo“.

E com isto tudo já me perdi…
Tanta mentira dá a volta a qualquer um…
Volto mais tarde. Agora está na hora do genérico
Continua…

P.S.: Ao que venho… Venho Aventar. Avento desde Vila Nova de Gaia. Sou professor e costumo frequentar a margem esquerda da vida, com actividade sindical intensa nos últimos dez anos.
Ando nestas coisas da Web há muitos anos e também há meia dúzia de anos à volta dos blogs: meio a brincar no Eu estive lá ou mais a sério no Diário de um Professor são mais de 5 anos a blogar. Sempre à procura de novas ideias, novas práticas e comprometido com a ideia de perceber como é que estas ferramentas poderiam contribuir para que eu me tornasse melhor profissional.

Costumo escrever mais depressa do que o processamento no meu cérebro… vamos lá AVENTAR!

P.S. II: um beijinho GRANDE para a Mercedes. Boa (re)forma, isto é, espero que encontres novas formas de ser feliz longe desta Educação.

Comments

  1. manuela says:

    não há qualquer alteração introduzida pelo Estatuto do Aluno.Há, há! É que muitas escolas, para evitar ‘provas de retorno’ sem qualquer utilidade nem sentido, evitam ao máximo registar as faltas. Sei de algumas que estendem a tolerância para a pontualidade até ao toque de saída. Tudo muito educativo.

  2. João Paulo says:

    Bom, assim sendo retiro o que escrevi – afinal o Estatuto está aí em pleno. Confirma-se a minha teoria: a práxis docente consegue sempre dar a volta ao poder circulatório de Lisboa.


  3. … Y nao é que desde ontem que ando a dizer albrabices por causa do teu Post!!! … com medo de perder o dia 1 de Abril …Bem enrolado o início de texto … perdi-me mesmo no calendário …

  4. Luisa Marques says:

    Vivemos na educação do “faz-de-conta” e no país do “faz-de-conta”.Obrigado por denunciar

  5. Gloria Colaco Martins says:

    Humm Não era o Ministério da Cultura?? Bem, esse é o dos equívocos …

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  2. […] sei que a recordação é completamente desajustada, mas  avisei, há três anos atrás, no primeiro dia do Aventar que nem sempre consigo pensar antes de […]


  3. […] Foi esta a citação com que abri, no dia 31 de março de 2009 o meu primeiro texto no Aventar. […]

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