Venha ver o paraíso

A actual Miss Venezuela e Miss Universo, a loiríssima Dayana Mendoza, descreveu a base militar de Guantánamo como um local “relaxado, tranquilo e bonito”, onde os prisioneiros “se divertem com filmes, aulas de arte, livros”. Dayana visitou a base na companhia da Miss EUA, Crystle Stewart, tendo ambas sido convidadas pelo USO (United Service Organizations), uma organização que tem por objectivo dar apoio moral aos soldados americanos no exterior e organizar actividades recreativas para as tropas. Estas afirmações virão provavelmente calar todas as organizações não-governamentais que têm vindo a denunciar absurdos atropelos aos direitos humanos, atropelos que claramente nunca existiram numa base militar em que os prisioneiros passam as tardes a discutir o significado da última cena do “2001”, a aperfeiçoar técnicas de pintura a óleo ou a aproveitar os anos de clausura para finalmente pôr em dia o “A La Recherche. Deve ter sido, aliás, pela experiência vivida por estes prisioneiros ao longo da sua estada em Guantánamo, que Luís Amado tão amavelmente se ofereceu para acolhê-los nas cadeias portuguesas. É que esta gente não pode estar quebrada pela tortura, pelos processos obscuros que os condenaram a penas longuíssimas, pela colaboração pouco clara da equipa médica (os Biscuit) com os interrogadores. Iremos vê-los descer do avião que os traz desse lugar relaxado, tranquilo e bonito, com os rostos bronzeados e enfurecidos por terem sido forçados a trocar o paraíso por Portugal. E que dirá Chávez da sua compatriota Miss Universo?

A derrota de Elisa Ferreira

Pode ser que me engane, mas parece-me que Elisa Ferreira já perdeu a corrida à presidência da Câmara Municipal do Porto.
Por três razões: o corte afectivo na ligação que mantinha com a cidade devido a cinco anos de Parlamento Europeu; o verdadeiro «saco de gatos» que é o PS/Porto; e a boa imagem que, apesar de tudo e vá-se lá saber por quê, Rui Rio mantém entre os eleitores portuenses.
Vamos por partes. Elisa Ferreira foi sempre uma referência da cidade do Porto, sobretudo nos tempos em que pertenceu ao Governo, mas está há cinco anos em Bruxelas e já poucos se lembrarão dela. Ainda por cima, no momento em que concorre à Câmara do Porto, não abdica de se manter nas listas para o Parlamento Europeu.
Depois, o PS/Porto. Com amigos assim, Elisa Ferreira não precisa de inimigos. O «saco de gatos» que é a concelhia da Invicta não lhe perdoa o facto de ser independente e de ter sido imposta pelo primeiro-ministro. Foi revelador o episódio da reunião realizada há algumas semanas e da azeda troca de palavras entre a candidata e o líder da concelhia, Orlando Soares Gaspar. No dia seguinte, tudo estava na imprensa.
Por fim, Rui Rio. A verdade é que, por muito que nos custe, o Presidente da Câmara mantém uma boa imagem junto do eleitorado. Em 2001, devido ao inefável Nuno Cardoso, o PS deixou a cidade num caos, completamente esventrada e numa situação económica dramática. Rui Rio pôs a casa em ordem e pouco mais fez, para além de afrontar o FC do Porto, mas parece ter sido o suficiente para garantir um inestimável capital de confiança. Tão grande que nem precisa de falar ou de aparecer, como refere o José Freitas aqui em baixo.
Elisa Ferreira daria uma boa Presidente da Câmara. Dentro do PS, não vejo melhor. Mostrou ser eficiente no Ministério do Ambiente, onde teve de lidar com questões sensíveis e com um certo galispo, seu Secretário de Estado, que já então procurava dar nas vistas.
Infelizmente, chega no momento errado, depois de duas candidaturas socialistas falhadas, uma protagonizada por Fernando Gomes, que perdeu como castigo por se ter ido embora a meio do mandato; e uma outra, protagonizada por Francisco Assis e à qual só por grande favor se poderá chamar candidatura a sério.
A seu lado, na apresentação da candidatura, vimos gente que nada diz ao Porto, como José Sócrates e Mário Soares, e outras pessoas que não lhe valerão nem mais um voto, como Fernando Gomes, Pinto da Costa ou Rui Veloso. O certo é que o primeiro-ministro está a apostar forte na candidata. Mas é também por sua culpa que Elisa Ferreira vai perder.

Rio revela-se

Quando já começávamos a pensar que o presidente da Câmara do Porto era uma entidade mística mítica, eis que Rui Rio decidiu dar um ar da sua graça. E logo em dois dias seguidos.

Ausente para outros combates – quem o queria ver teria de procurar nas costas de Manuela Ferreira Leite -, o autarca compareceu na cerimónia de evocação da tragédia da pontes das barcas, no domingo, e na inauguração de um viaduto que teve de esperar cerca de 20 anos para ter utilidade, ontem.

Investido na missão de presidente da ‘associação dos amigos pela autonomização do aeroporto’, o edil deu um novo ar da sua graça.

É bom saber que o Porto ainda tem presidente da câmara.

Fugir à obscuridade escrita

I´m still here, you bastards!

Se não me falha a memória, é assim que o Steve McQueen se despede da reclusão na Guiana Francesa, flutuando num saco de cocos, em “Papillon”. Não interessa, porque é assim que eu me lembro do fim do filme. Comprei o filme por 1 euro juntamente com o Público, mas ainda não o (re)vi. Também não interessa. O que interessa é agradecer ao Ricardo a oportunidade de “fugir” da obscuridade escrita. Como qualquer pessoa, sou opinativo e gosto de mandar os meus bitaites. Não conheço o resto dos “aventadores”, mas tenho a certeza que terei oportunidade de conhecer. Recentemente, enquanto pesquisava sobre marketing político, para tentar perceber como é que os políticos conseguem enganar tanta gente ao mesmo tempo, cheguei à conclusão que os políticos apenas deveriam fazer campanhas escritas. Esta é, se calhar, a maneira menos enganadora e séria de comunicar. Iniciar um blog colectivo, para mim, é uma excelente oportunidade para conhecer primeiro o interior e só depois o exterior. Apesar de tudo, fui apanhado um pouco de surpresa com o convite. Chego à conclusão que (afinal) não precebo nada de blogs, e portanto, se um post sair de pernas para o ar, foi culpa minha de certeza! Avente-se!

ME: ministério dos Enganos

“Os mentirosos conseguem apenas uma coisa: é a de ninguém acreditar neles quando disserem a verdade.” (Esopo)

Bons dias caro leitor,

hoje, dia 2 de Abril, vamos dialogar sobre as mentiras do Ministério da Educação.
Agora que já foi a correr ao calendário verificar que dia é, posso confirmar que é dia 31 de Março – mas se ontem decidi que era dia 1 de Abril, hoje é dia 2.
Se ontem trouxe a primeira mentira, hoje trago a segunda.
Ao iniciar o post resolvi ir buscar alguma inspiração ao site do ME – ministério dos Enganos (sim, M pequeno para o ministério e e GRANDE para os enganos).

E de facto ela (a inspiração) abunda – não se torna complicado mentir assim:

Prémio Nacional dos professores: como alguém dizia, os números falam por si. Há mais de cento e cinquenta mil professores. O ano passado houve pouco mais de de sessenta professores a concorrer. O que dizes mais?
Alunos faltam menos: o boletim do Professor, que aos montes nos aparecem no caixote de papel para reciclar lá da escola traz esta boa nova. Sobre ela duas notas parecem importantes:
a) Os dados não podem ser vistos assim, tal como a Educação do meu Umbigo faz notar. Em média, cada aluno dá menos UMA falta por ano. UAU!
b) Na maioria das escolas não há qualquer alteração introduzida pelo Estatuto do Aluno. Como acontece há mais de trinta anos a maturidade das escolas e a sua (real) autonomia permite filtrar algumas trapalhadas que nos chegam da 5 de Outubro. Por isso, costumo dizer que as escolas funcionam apesar dos Governos. Ou seja, mesmo dando como adquirido que uma falta a menos por ano é motivo para festa, quem me consegue provar que isso se deve à aplicação do estatuto do aluno?

Requalificação das Escolas: cheira a autárquicas por todo o lado. É uma enorme mentira toda esta propaganda em torno da qualidade das nossas escolas. E é MENTIRA porque tem por base um ENORME pressuposto que os “técnicos que nunca trabalharam” desconhecem. As tecnologias não fazem o sucesso. São as pessoas que as usam que podem gerar o sucesso – a aprendizagem acontece ou não com as pessoas. E atrevo-me a escrever mais: sem tecnologias pode haver sucesso; sem pessoas…jamais!
Não vou esconder a importância da qualidade das nossas escolas, do seu equipamento tecnológico, etc. E, isso reconheço, como uma boa aposta deste Governo. Mas, tudo isso está a ir pelo cano abaixo porque as pessoas estão a ser tratados como se fossem uma velha disquete. E, quer os governantes queiram, quer não queiram, a diferença entre a escola com tecnologias e a escola sem tecnologias só se vai fazer quando os professores as integrarem nas salas de aula. Isso não está a acontecer, e vai continuar assim enquanto os mentirosos continuarem a dizer ao povo que o magalhães é o “Professor do Povo“.

E com isto tudo já me perdi…
Tanta mentira dá a volta a qualquer um…
Volto mais tarde. Agora está na hora do genérico
Continua…

P.S.: Ao que venho… Venho Aventar. Avento desde Vila Nova de Gaia. Sou professor e costumo frequentar a margem esquerda da vida, com actividade sindical intensa nos últimos dez anos.
Ando nestas coisas da Web há muitos anos e também há meia dúzia de anos à volta dos blogs: meio a brincar no Eu estive lá ou mais a sério no Diário de um Professor são mais de 5 anos a blogar. Sempre à procura de novas ideias, novas práticas e comprometido com a ideia de perceber como é que estas ferramentas poderiam contribuir para que eu me tornasse melhor profissional.

Costumo escrever mais depressa do que o processamento no meu cérebro… vamos lá AVENTAR!

P.S. II: um beijinho GRANDE para a Mercedes. Boa (re)forma, isto é, espero que encontres novas formas de ser feliz longe desta Educação.

Empreendorismo à portuguesa

Diz o Público em 24 Março 08.

“São alguns dos maiores especialistas ambientais do país que o dizem:é um embuste o apadrinhamento, por parte do primeiro-ministro, da tecnologia da Energie,onde ontem foi inaugurada a segunda fase de expansão da fábrica. Diz quem sabe que aquilo não é energia solar, mas sim eléctrica. Gato por lebre, portanto!”

Na semana passada soubemos que ” a patente mais cobiçada do mundo” não encontrou interessados em Portugal para desenvolver a industrialização do primeiro transistor em papel, uma descoberta da cientista Elvira Fortunato e do seu grupo que trabalham na Universidade da Costa da Caparica. Parece que encontrou interessados no Brasil.

Isto mostra duas coisas.Primeiro o grande apego ao risco dos nossos empresários e das nossas empresas de “venture capital”. Segundo o desprezo absoluto que o nosso governo dedica a tudo o que não se transforme em notícia televisiva.

Aquela tecnologia ganhou um reputado prémio internacional(do European Research Coucil) considerado o Nobel Europeu da Ciência. Trata-se de uma descoberta que permite que a actual tecnologia de produção de transistores, tenha como matéria prima o papel (celulose) e abre um mundo de possibilidades industriais no domínio da electrónica.

Agora, juntemos-lhe “o Magalhães desenvolvido e produzido”(?) em Portugal.

Pois, se as empresas públicas e os grandes grupos económicos ganham milhões à sombra do Estado, em quase ou total monopólio e/ou em cartel,porque haveriam elas de correr riscos a investir num produto que
exige, além de dinheiro, determinação e tempo?

Quanto ao governo é bem mais simples deitar dinheiro para cima dos mesmos de sempre!O resultado pode ser muito mau (como avisa a senhora Merkel) mas é daqui a uns anos.E quem vier a seguir que feche a porta!

Cá estou eu outra vez

Hesitei antes de aceitar o convite feito por mim próprio. Afinal, tanto amor à camisola, tantas lágrimas, e ao fim de três semanas o luto já está feito e já parti para outra?
Assim parece. O «5 Dias» ficou para trás e, aos meus ex-colegas, desejo-lhes toda a sorte neste mundo cão, castrador e autofágico que é a blogosfera. Tal como no futebol, espero que ganhem sempre, excepto quando jogarem contra nós. Uma coisa prometo, se é que a minha palavra vale alguma coisa: nunca irei morder a mão que me alimentou. Se algum dia baquear, é porque palavras leva-as o vento. E eu terei voltado a ser o Puto Charila de outrora.
A meu lado, gente muito melhor do que eu. Alguns são veteranos da blogosfera. E sobreviveram! Outros são estreantes – nem sabem no que se vão meter! Todos juntos, seremos uma família, mais unida do que uma que eu cá sei (ops!).
Aqui chegados, um agradecimento especial ao Luís Moreira, que me apoiou totalmente desde o dia em que lhe disse que ia lançar um blogue colectivo, ao ponto de ter dado o nome ao rebento; ao José Freitas, inexcedível na forma como levou a cabo a criação do blogue; a todos os autores que aceitaram o meu convite e decidiram entrar nesta aventura; e ao Zé Nuno, do «5 Dias», a quem recorri nos primeiros momentos de aflição.
Todos estão desde já convidados. Queremos muitos leitores e muitos comentários, de preferência assumidos (olhem a Base de Dados!). Os elogios e as críticas serão sempre bem-vindos. Sejam os seus autores simpáticos ou antipáticos, servis ou arrogantes, espalha-brasas ou sensaborões. Escaganifobéticos é que não!