No meio é que está a dificuldade

De um lado, estão os descendentes directos e indirectos de uma longa linhagem de gente demasiado preocupada com a sexualidade alheia, escandalizada com a natureza dos outros, desejosos de impor ideias e ideologias, limitados a uma imagem única de família, como se o amor fosse só um. Algumas instituições, como a Igreja Católica, estão deste lado, dispostas a aceitar, por exemplo, a homossexualidade, desde que fique quieta, calada e até heterossexualmente casada, se for necessário.

Durante milénios, todos os que a Natureza afastou de qualquer norma foram, na melhor das hipóteses, criticados. Além disso, havia e há outros costumes como torturar, matar ou curar. Alan Turing foi alvo de um tratamento há menos de um século.

Do outro lado, estão os descendentes dos oprimidos, ainda doridos daquilo que lhes foi ou está a ser feito, ainda revoltados pela violência de que foram alvo. Como acontece tantas vezes com as vítimas, a reacção acaba por ser exagerada. Enquanto os primeiros anseiam pelo silêncio, do lado destes há barulho e exibicionismo, há, por vezes, uma outra religião em que as procissões são substituídas por paradas do orgulho gay ou pela imposição do acto de sair do armário, como se alguém devesse ser obrigado a confessar as suas preferências sexuais, gastronómicas ou outras.

Na sociedade e, portanto, nas escolas, há problemas, desconfortos, agressões? Com certeza que sim, mas as escolas têm instrumentos suficientes para conseguir resolver tudo isso, sem ser preciso investigar o que não precisa de ser investigado. O Ministério da Educação, como é costume há muitos anos, resolveu legislar em Agosto, criando um ruído desnecessário, o que está de acordo com a sua verdadeira função.

Há um ponto comum a ambos os extremos: vivem obcecados por sexo. Temos de chegar a um tempo em que não nos incomodemos com a vida sexual dos outros. Temos de chegar a um tempo em que não incomodemos os outros com a nossa vida sexual. No meio é que está a virtude e isso é sempre difícil.

Comments

  1. Paulo Marques says:

    Obcecados com o sexo ou orientação sexual? É capaz de melhor, camarada.
    Mas esta coisa de legislar em cima do ano lectivo já acabava…

  2. JgMenos says:

    Li recentemente que estudo de muito amplo espectro não encontrou dados genéticos que impliquem a homossexualidade.
    Não excluem dados biológicos, psíquicos, comportamentais ou outros que aí conduzam, mas genéticos está excluído.

    Boas notícias para a comunidade LGBT…XYZ; justifica-se que não fiquem à espera de acidentes genéticos e que continuem a apostar em campanhas promocionais que lhes alargue o mercado,
    A esquerdalhada está naturalmente pronta a contribuir.

    • E o burro sou eu ? says:

      E o teu Paulinho dos Marujos, não pega de marcha atrás?

      • Rui Naldinho says:

        No meio é que está a dificuldade, porque no género gay temos como se intui do seu texto, duas linhagens:
        Temos a linhagem conservadora, pudica, “envergonhada com o destino que Deus lhe deu”, disposta a viver no recato, se quiserem, enfiados no “armário”, de preferência junto ao mar ou nas margens do rio, com uma janela rasgada para um cenário idílico, numa introspecção profunda entre o eu e o além, … e temos uma linhagem urbana, libertária, cheia de vontade em transformar o sexo numa espécie de carnaval dos costumes, onde não faltam sequer as plumas e algumas pinturas de guerra, a imitar os índios.
        Já na minha juventude, assistia a algo semelhante com as mulheres que abortavam. Na elite conservadora nunca havia abortos. Pudera! Iam fazê-los ao estrangeiro. As outras faziam-nos com curandeiras, em casa, e quando corria mal, bastas vezes diga-se, eram logo excomungadas da sociedade cristã.
        A direita está recheada de “belos homossexuais”, de ambos os sexos, alguns até fizeram dietas rigorosas para ficarem mais elegantes, mas não se assumem, porque sabem que no mundo onde habitam, isso lhes pode ser fatal para a sua ascensão política.
        Como diz, o ideal era vivermos numa sociedade em que cada um se preocupasse mais com o seu cu, e não tanto com o cu dos outros. Só que infelizmente o género latino adora cheirar o cu do vizinho para lhe descobrir os odores.

        • Rui Naldinho says:

          Como se percebe, este post não é resposta a ninguém.
          Quando muito seria um comentário ao texto do António Fernando Nabais.

          • E o burro sou eu ? says:

            “A direita está recheada de “belos homossexuais”, de ambos os sexos, alguns até fizeram dietas rigorosas para ficarem mais elegantes, mas não se assumem, porque sabem que no mundo onde habitam, isso lhes pode ser fatal para a sua ascensão política.”

            Se não é resposta a ninguém, deveria ter sido, porque eu referia-me ao “mar****” elegante, que acabou com o serviço militar obrigatório

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