Também quero saber o que se passou, mas tudo o que se passou…

Alguma esquerda, em particular a folclórica, protesta contra os órgãos de comunicação social, em particular os que se dedicam a analisar fenómenos criminais, pelo facto de não noticiarem o suposto assassinato de jovem cabo-verdiano em Bragança, por habitantes locais.
Concordo em absoluto, mas quero saber os factos todos, não apenas parte da história, contada a partir de determinado ponto. O que terá levado uma dezena de cidadãos a espancarem outro? Terá sido um problema de cor de pele? Terá existido alguma acção ou ameaça prévia, por parte da vítima que motivou e exacerbou a reacção dos agressores? É frequente em Portugal, grupos de pessoas espancarem alguém apenas por ser diferente?

O racismo é estúpido, mas não se pode ignorar a cor da pele apenas quando nos convém, para recuperá-la assim que surge uma oportunidade para preencher a agenda. Se por exemplo, alguém comete um furto, devemos omitir a cor da pele, mas se for apanhado e espancado, já será legítimo afirmar que estamos perante um comportamento racista ou xenófobo? Ontem em Itália um condutor embriagado atropelou mortalmente alguns jovens alemães. Seguindo esta lógica tonta, que agrada a alguma esquerda, poderíamos dizer que um italiano xenófobo atentou contra turistas, ou um cidadão do sul da Europa, atentou contra alemães. Mas também poderemos dizer a verdade, que um bêbado atropelou pessoas. Só que a verdade não vende e para certa esquerda, não será a verdade que os irá impedir de contar uma boa história, que suporte a sua narrativa. Assim se constrói o politicamente correcto…

Comments

  1. Paulo Ricca says:

    Fácil perceber as diferenças: se um grupo de 15 negros espancasse até à morte um branco à saída de uma discoteca, onde iria já este assunto nas redes sociais e nos media em geral (em alguns em particular)?
    O racismo latente vê-se na divulgação selectiva.
    Sim, também quero saber tudo, e não sou fã do politicamente correcto.

  2. Luís Neves says:

    Folclórica é a tua tia, ó (…)!

    • POIS! says:

      Pois!

      Tudo serve a um partidário confesso da “direita folclórica”, até a morte de alguém, para chatear a “esquerda folclórica”. Regista-se.

  3. Luís Neves says:

    Lendo os jornais já consegui resposta para todas essas perguntas que você faz. Acho que você deve fazer o mesmo. Acho que já o devia ter feito. Antes de vir para aqui escrever esta treta. E de acusar certa esquerda de ser folclórica.
    Da mesma forma consegui saber que o crime ocorreu há 2 semanas (e só agora foi noticiado) que os criminosos são 15 e a PSP ainda só identificou 2 e que a PJ ainda não tomou conta do caso. Também fiquei a saber que os criminosos são conhecidos pela sua violência.
    Os filhos do embaixador do Iraque não foram tão longe.

  4. abaixoapadralhada says:

    Não precisava de por mais na carta, Sr António Almeida.
    Já aqui todos aqui tínhamos percebido do lado em que estava.
    15 “corajosos” garotos, matam à pancada um negro.
    Mas para o “liberoide” Sr António de Almeida, tem que haver uma justificação.
    Pulhas hipócritas !

  5. Rui Naldinho says:

    Que houve um crime, a gente já sabe. Que já há dois suspeitos identificados, também. Que apertando com eles, se ficarão a saber quais foram os outros intervenientes, presumo que também, uma vez que não cometeram o crime de olhos vendados.
    Essa é a primeira coisa que a polícia tem de averiguar. Identificar os criminosos.
    A seguir, deve continuar a investigação de forma exaustiva e imparcial, procurando saber qual a motivação do crime. Mas só depois da identificação dos presumíveis criminosos.
    O facto de ser negro ou mulato, é uma circunstância a considerar, sem duvida, mas sem percebermos as razões que levaram a tal comportamento, tudo o que se disser ou escrever, não passa de estereótipos.
    Matar um negro é tão crime como matar um branco, presumo eu.

    • António de Almeida says:

      Obviamente que sim, caro Rui. A questão racial é apenas uma de várias hipóteses. Colocá-la já na opinião pública sem investigar é um erro. Mas qualquer que tenha sido a motivação, que fique claro, existiu um crime. E não existe crime sem que existam criminosos…

    • Luís Neves says:

      A vítima emporrou a namorada de um dos homicidas. Involuntariamente. Há testemunhas. O dito homicida já era localmente conhecido por ser uma pessoa violenta. Li eu nos jornais.

  6. Paulo Marques says:

    Portanto, esses bastiões de esquerdismo que são os jornais, numa tentativa de se baterem uns aos outros num mercado onde vale tudo desde que se publique depressa, não têm critérios jornalísticos porque o estado sai do caminho e a culpa é… do socialismo. Boa.
    Mas, já que pergunta, a etnia só devia ser publicada quando relevante, o que não se coaduna com o ciclo noticioso de 24h que tem que publicar qualquer coisa rápido para depois nunca mais falar no assunto, e depois acabamos nesta salganhada.

    • António de Almeida says:

      Que fique claro, matar alguém é grave, a não ser que exista legítima defesa, vários contra um, não parece ser o caso. Se existiram motivações étnicas ou raciais, o caso agrava-se. Mas quero apurados todos os factos, de contrário, é apenas mais um facto violento…

      • Paulo Marques says:

        Sim, eu sei, de acordo, embora também seja legítimo haver suspeitas no resumo deste acontecimento em particular. Noutros, será melhor esperar, sim.

        • António de Almeida says:

          O caso ocorreu em Bragança. Não esqueço que em tempos por lá houve aquele rocambolesco caso das “mães de Bragança”.
          Por outro lado julgo não existirem por lá fenómenos e problemas semelhantes às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. Escrevi o post, porque vejo muita gente levantar a bandeira do racismo, antes que tal se justifique. Mas é fundamental que o caso seja investigado, sobre isso nenhuma dúvida. Até porque mesmo que a vítima afinal tenha sido um criminoso, não estou a afirmar que o foi, ninguém investiu os agressores no papel de justiceiros, autorizando-os a aplicar a pena de morte. Se a vítima cometeu um crime, não sei se o fez, imobilizavam-no e entregavam-no às autoridades…

          • Paulo Marques says:

            Lendo a notícia postada mais abaixo, que não tinha acompanhado o assunto… é pá, se não foi terrorismo racial, engana bem.

          • António de Almeida says:

            Julgo que este caso pouco ou nada tem a ver com o triste episódio de Alcino Monteiro, esse sim, vítima de racistas imbecis.
            Por enquanto, este terá sido vítima de grunhos imbecis, o que não é coisa pouca, mas até ver, não excluo a hipótese racismo, mas também não a subscrevo. Valentões em episódios de discotecas, é o que não falta. Até ver, isto não merece discussão política.

      • A educação é muito linda says:

        Estas a limpar-te ?

  7. Luís Neves says:

    Já foram divulgados pelos jornais. Já foi feito um relato consistente. Quer que seja a polícia a apurá-los? Mas o problema é esse… A polícia parece que não os quer apurar… As reacções em Cabo Verde e da esquerda folclórica cá não são gratuitas.

  8. Luís Neves says:

    “Foi cobardemente assassinado em Portugal
    O ULTIMO NATAL DE GIOVANI RODRIGUES…
    Na ilha do Fogo onde nasceu e cresceu costumava tocar na Igreja na época do Natal mas Luís Giovani dos Santos Rodrigues, ou simplesmente Giovani, passou a ultima quadra natalícia lutando contra a morte num hospital da cidade do Porto depois de ter sido barbaramente espancado por um grupo de cerca de 15 indivíduos no dia 21 de Dezembro numa rua da cidade de Bragança onde chegara cerca de dois meses antes juntamente com dois amigos de infância (Elton e Jailson) para darem continuidade aos seus estudos.

    …No dia 31 de Dezembro, por volta das três horas de madrugada, o coração de Giovani parou de bater. Ele só tinha 21 anos e uma vontade enorme de viver.

    CRIME DE ÓDIO OU TERRORISMO?
    As circunstancias da morte de Giovani Rodrigues ainda não foram oficialmente esclarecidas e o silencio teima em pairar sobre este caso que aparenta ao que hoje em dia é chamado crime de terrorismo… A policia portuguesa terá identificado dois suspeitos mas a verdade é que duas semanas depois do espancamento ninguém ainda foi preso.

    Nessa noite de 21 de Dezembro Giovani , Elton e Jailson, recém-chegados à cidade de Braganca e com um fervor enorme em conhecer e descobrir coisas novas, pediram a uma amigo mais velho que vivia em Portugal há mais tempo para os levar à uma festa em que se homenageava o cantor George Michael e o conjunto Wham. A festa “Last Christmas” anunciava um regresso aos anos 80 e era no bar/discoteca Lagoa Azul, em Bragança.

    Para os quatro jovens da ilha do Fogo a noite foi tranquilo até à hora da saída. Na fila para pagarem e enquanto conversavam um deles terá acidentalmente esbarrado numa menina e como resposta o suposto namorado da rapariga lhes terá dado um empurrão. No calor da agitação, terá sido o DJ local juntamente com o segurança a acalmarem os intervenientes, tendo avisado os jovens cabo-verdianos que conheciam bem as pessoas em causa e que era melhor evitarem problemas.

    Giovani e seus companheiros seguiram o conselho e mesmo depois de fechado o estabelecimento ali permaneceram por mais 20 minutos minutos afim de evitarem problemas na rua. Enquanto isso os agressores reuniram o grupo e as armas… De acordo com testemunhas quando os quatro cabo-verdianos saíram da discoteca os esperava, a uns 300 metros à frente, cerca de 15 rapazes em três grupos armados com cintos, ferros e paus.

    TERROR
    Assim que os quatro cabo-verdianos viraram a esquina os agressores caíram sobre eles. Como cães enraivecidos. Giovani levou uma paulada na cabeça e caiu inanimado, mas nem mesmo assim os agressores pararam de bater… Terminada a barbaridade, Giovanni ainda terá recuperado a consciência e caminhado alguma distancia em direção à casa mas caiu de novo e nunca mais se levantou. Foi conduzido ao hospital com traumatismo cranioencefálico. Entrou em coma e 10 dias depois parou de respirar num hospital do Porto. Só restou ao pai ir foi buscar o corpo para o sepultar na ilha do Fogo.

    Luis Giovani dos Santos Rodrigues foi assassinado.
    Barbaramente assassinado.
    À sua memoria, mas também à memória do mindelense Alcindo Monteiro, assassinado à paulada aos 27 anos no Bairro Alto de Lisboa na noite de 10 de junho de 1995 e de tantas e tantas outras “vitimas perfeitas” do ódio e do racismo apelamos para que se faça justiça… Para que a morte de Giovani não seja apenas mais uma na lista infernal dos crimes de ódio…
    ..Para que também sua alma repouse em paz.”

  9. Luís Neves says:

    Há uma completa falta de proporcionalidade. Há um contexto. Há precedentes. Há uma tipologia… Não lembra o assassinato do Alcino Monteiro?

    • António de Almeida says:

      1 – Não quero acreditar, que por um encosto, ou vá lá, um encontrão, quinze pessoas fossem assassinar outra. Mesmo que 2 ou 3 mais exaltados e eventualmente bem bebidos, os quisessem matar logo ali, caramba, outros 10 a 12, não acalmariam os amigos? Afinal estamos a falar de quem? Um gangue do tipo paramilitar em Bragança? Skinheads? Mas uma pergunta, por onde têm andado? Porque até agora nunca tínhamos ouvido falar de problemas por lá…
      2 – É por isso que não embarco na bandeira do racismo. Pelo menos, para já. Quero que as autoridades investiguem e apresentem os criminosos à Justiça.
      3 – Alcino Monteiro era um trabalhador, que ía a passar perto do Bairro Alto (zona problemática), sendo negro, cruzou com um bando de skinheads (conhecidos na zona e já com um lastro de problemas). Teve o azar de passar à hora errada, num local onde sabemos existirem agressões.
      4 – Não excluo o racismo, mas não esperaria que isto acontecesse em Bragança…


      • Acho que devia corrigir:
        3 Alcino Monteiro teve o azar de se cruzar com pessoas que agridem negros só por serem negros.

  10. Luís Neves says:
  11. Luís Neves says:

    Segundo o Público a PJ que só pegou neste caso ontem, afasta a hipótese de crime de ódio. Não é cedo demais para isso?! E A autópsia do IML foi inconclusiva… tão conveniente…


  12. Conheço muito bem a cidade de Bragança, uma vez que passo lá grande parte do meu tempo.
    Não a tenho como uma cidade violenta e é a primeira vez que tenho conhecimento de um caso de violência por lá.
    Quanto à questão do racismo, parece-me precipitado levantá-la antes de haver investigação.
    É uma cidade que tem muita gente de origem africana a estudar e sempre me pareceram estar muito bem integrados e haver um convívio bastante positivo com as gentes locais.
    De qualquer forma, julgo que houve aqui um erro de procedimento que foi fundamental. Em vez de aconselhados a permanecerem no estabelecimento mais algum tempo, dever-se-ia ter chamado logo as autoridades. Se calhar hoje não teríamos estas notícias.

  13. Luís Neves says:

    O racismo anda por aí. Vá ver as caixas de comentários no Observador. O motivo foi fútil, não foi? A PJ diz que ele foi fútil. Pois a futilidade do “motivo” é que dá lugar à hipótese do crime de ódio. Em todo o caso o problema não está no crime em si, mas na inoperância das autoridades. Os pretos que matarm um branco em Lisboa já foram detidos. Estes brancos que mataram este preto, ainda não.

    • António de Almeida says:

      Desconheço se a raça dos assassinos de Lisboa. Admitindo que são negros, também foi racismo o móbil do crime? E acredite, crimes por futilidade, infelizmente acontecem em ambientes nocturnos.

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