Ao contrário do que escreve o Expresso, não é

Francisco Assis quem «lança Ana Gomes para a Presidência contra Marcelo». Efectivamente, quem «lança Ana Gomes para a Presidência contra Marcelo» é João Mendes. Ai, ExpressoExpresso… Em última análise, Assis pode apoiar.

O verão, o hão-de ver, o vereis e o heis-de ver

O AO90 e o jornal A Bola explicam a novela Bruno Fernandes/Manchester United et al.: «se ele não sair agora, vai certamente sair durante o verão».

Sim, mas gera riqueza e cria empregos!

Os novíssimos indignados com Isabel dos Santos andaram, andam e andarão a desculpar circunstancialmente todos os países ou empresários que quiserem vir para Portugal pagar baixos salários e/ou lavar dinheiro.

Manuel Pinho, por exemplo, antes do episódio dos corninhos, aconselhou o investimento em Portugal porque os salários são baixos.

Rui Machete, então Ministro dos Negócios Estrangeiros, pediu desculpa a Angola porque a Justiça portuguesa cumpriu o dever de investigar a possível corrupção de figuras do regime angolano em Portugal.

De uma maneira geral, desde que exista, no mínimo, a ilusão de que poderão “gerar riqueza” ou “criar empregos”, qualquer milionário estrangeiro tem as portas e as pernas abertas para fazer o que lhe apeteça, o que, aliás, faz parte do espírito de uma aberração como os Vistos Gold.

Paulo Portas, ainda ministro, chegou a afirmar, diante das críticas ao regime angolano, que não tínhamos lições de democracia a dar a outros países, o que é próprio de quem prefere os negócios às pessoas.

Isabel dos Santos é uma flor nauseabunda que muitos garantiram cheirar a rosas. Não sei se o poder que manda hoje em Angola é melhor do que o anterior, mas não deixa de ser curioso assistir a eternos cínicos disfarçados de moralistas, depois de terem recolhido o pólen.

Isabel dos Santos e o empreendedorismo parasita

A empresa estatal angolana SODIAM juntou-se dois fundos sediados na Suíça e na Holanda, detidos por Isabel dos Santos e pelo marido, Sindika Dokolo, e criou a empresa Victoria Holdings Limited, em Malta. Esta última pediu um empréstimo de 132 milhões de euros ao EuroBic, detido por Isabel dos Santos, para comprar a joalheira Suíça De Grosigono, que se tornou num dos mais rentáveis investimentos da filha do cleptocrata, empréstimo esse que foi garantido pelo Estado angolano, comandado, à data, pelo referido cleptocrata.

Empresas públicas manipuladas, fundos abutres sediados em paraísos fiscais, empréstimos assegurados pelo Estado, concedidos e recebidos pela mesma pessoa, que, nem de propósito, é filha do chefe de Estado. Eis a receita do empreendedorismo de Isabel dos Santos, tão admirado e aplaudido, durante largos anos, pela mesma elite financeira e empresarial portuguesa que agora assobia para o lado, como se não tivesse nada a ver com o dinheiro sujo do saque de décadas ao erário público angolano, um dos países que ocupa o pódio da mortalidade infantil. E não, ninguém pagará pelos crimes do regime dos Santos. Nem os gangsters angolanos, nem os seus lacaios portugueses ou os seus amigos da City ou de Wall Street.

P.S. O capitalismo desregulado (aquele que Margaret Thatcher ajudou a criar) dura até acabar o dinheiro dos outros.