Diário da quarentena – A vida em tempos de Covid-19 (2)

Coisas que me ocorrem durante o auto isolamento:

  • Estou a adorar ver toda a gente fazer videoconferências de phones e à frente de estantes com livros. Espero que continue até depois de isto acabar. Deixem de ir a estúdios de televisão. Sejam o vosso próprio canal de Youtube.

  • Ocorre-me também que nunca cheguei a falar do documentário do Herzog sobre o Gorbachev. Vejam. Estará algures na internet (Netflix?). Extraordinário porque ele – Gorbachev – o é, e porque Herzog o tem como herói. Herzog começa por lhe dizer que é alemão e que o primeiro alemão que Gorbachev conheceu provavelmente queria matá-lo. Gorbachev ri-se e desmente, dizendo que os primeiros alemães que conhecera eram seus vizinhos, muito simpáticos, e davam-lhe doces. Extraordinário também pela frase do pai de Gorbachev após ter chegado a casa da Guerra, we fought until we ran out of fight. That’s how you must live. Extraordinário, também, e talvez sobretudo, pela forma como Gorbachev fala da falecida mulher.

  • Descobri também que o neto do Marx faz Parkour e um dos vídeos no Youtube chama-se Exclamation Marx.

  • O twitter do Rogério Casanova compõe cerca de 80% da minha motivação de viver. Espero ansiosamente pelo regresso da bola para lidarmos colectivamente com as consequências de Rúben Amorim como treinador do Sporting.

  • Os outros 20% concentram-se neste artigo sobre George Steiner e estas duas frases: famously trilingual, ferociously high-cultural, Steiner was the very archetype of the European intellectual, unyielding in his conviction that the humanities express the best – but do not necessarily hinder the worst – of humanity.  E Like Heidegger, he looked back to the Pre-Socratics for advice on modernity; like Heidegger, he saw language as the expression, not as the inhibition, of meaning. Their politics may have violently diverged, but their vision of the human being as the language animal consistently converged.

  • Isto lembra-me: é certo que podemos discutir a validade de poesia depois de Auschwitz. Mas Tom Stoppard convence-me da validade do teatro depois de Auschwitz.

Comments

  1. Pedro Vaz says:

    Gorbachev, o cão traidor e idiota útil que deu o golpe final na unica coisa que mantinha a AMERdica Sionista no sítio…a URSS pós Estalinista e o seu sistema cripto Nacionalista e anti-semita. Vejam o sangue e o caos que veio e que ainda está para vir quando a AMERDica Sionista ficou livre para fazer o que queria. Obrigado Gorby!

    Auschwitz? Eu quando era pequeno ainda me lembro de que o numero oficial era de 4 milhões…depois 2.5 milhões…agora 1 milhão, afinal em que ficamos? E engraçado como o numero 6 milhões se manteve, é quase como se fosse uma ficção. Já agora muito gostam do numero 6 os “escolhidos de Deus”…

    • abaixoapadralhada says:

      Para um sefardita está muito anti-semita, nazi

    • POIS! says:

      Pois!

      Mais uma vez aqui veio o Xô Vaz a largar a bacorada das oito e tal.

      Pronto, já está! Pode voltar a brincar com as miniaturas de câmaras de gás feitas com Lego e bonecos da Playmobil pintados de preto.. E a ouvir os brilhantes discursos do Kim Iong Un enquanto contempla o poster do Venturinha que tem no quartinho.

      Aguardamos ansiosamente a próxima bacoradinha. Amanhã pelas oito e tal cá estamos. Por causa da quarenena não há sessão de ocultismo semi-avançado e sai bacoradinha de certeza. .

  2. abaixoapadralhada says:

    O CORONA VIRUS no Brasil

    Os gangs do crime organizado estão a fazer aquilo que o Capitão de Jagunços fazer:
    Mandar as pessoas das favelas para casa

    https://www.rtp.pt/noticias/mundo/brasil-gangues-impoem-recolher-obrigatorio-para-evitar-contagio-da-covid-19_n1215458