Sem nome, ainda

Na quase irrelevância de um Rui Rio bipolar, sobra a evidência de um PS atirado para a extrema-esquerda quer pela vocação da sua actual direcção quer pelas dolorosas, exorbitantes e retrógradas contrapartidas de um apoio parlamentar indispensável à sobrevivência de um governo, muito mais animado pela sede de estar no poder do que, propriamente, pelo talento e intenção da prosperidade.

Quanto a Rui Rio, as pontuais intervenções realmente adequadas à sua responsabilidade (tão voluntária que não teve problemas em usar todos os meios que tinha à sua disposição, sérios ou não, para a não perder) de liderar o escrutínio político do executivo, são tão pontuais que só conseguimos encontrar consistência no seu absentismo predominante. Pior, a nossa urgente e permanente necessidade de alguém que, institucional e credivelmente, expresse a óbvia abominação que vivemos, é desprezada pela constatação que esse protagonista vital, mais não é que um vulgar figurante numa “geringonça” que nos tolhe, nos mente e nos condena a uma efectiva ditadura de agendas ideológicas radicais e de tentaculares interesses negociais. Precisamos de um líder que não seja bissexto.

Principalmente num momento em que ficaram, inegavelmente, comprovadas duas realidades.

Por um lado a reiterada, daninha e velhaca evidência que para a sobrevivência de determinadas ideologias (hoje em dia quase em nível “zombie”), vale tudo. Oblitera-se a lei fundamental, estralhaça-se o estado de direito e sequestra-se a democracia. Não há pudor na consagração legal de excepções canalhas, ostensiva, deliberada e insultuosamente veda-se a fiscalização para que a transgressão conveniente, mais que tolerada, seja ratificada pelo facto e adapta-se, sem limites ou escrúpulos, a informação técnica e clínica ao lucro político, pervertendo-se obscenamente factos, números e recomendações clínicas.

Paralelamente, bastará uma análise desapaixonada da mais recente sequência de eventos para se perceber a fragilidade destas ideologias moribundas. Tal como a riqueza, sem tino ou razão, precisa de ostentar para provar a relevância que a ausência de ancestralidade e congruência não confere, também esta esquerda vetusta precisa de bravatas e de auto-glorificar-se.
A insistência de alguém, a quem tal não foi exigido, em fazer prova de vida, demonstra muito mais a sua insignificância que, propriamente, o vigor que formalmente se pretende alardear. Até porque um estertor não deixa de ser uma (ainda) prova de vida. Mais, a patética carência de grandiosidade quase a roçar o luxo, está, visivelmente, na proporção inversa do seu mérito e substância.

E porque ao contrário do que, desonestamente, nos querem fazer crer, nem estamos (nada) bem nem vamos ficar todos bem. Nem de perto nem de longe. E também porque no sistema que, ainda, respeitamos, não chegam dinâmicas comuns mesmo que generalizadas nem a palpável existência de mínimos éticos comuns, precisamos de um líder. De um rosto. De uma voz. De uma consciência. De um pensamento. De alguém que se erga ou de alguém que volte.

Comments

  1. Gonçalo Slva says:

    Nasceu muito atrasado. Era desta estirpe que se formavam os pides e membros da União Nacional.

    • abaixoapadralhada says:

      Estes liberóides são piores que os da União Nacional. Esses ao menos diziam ao que vinham

  2. POIS! says:

    Pois aqui se demonstra, por mais uma vez…

    Que o confinamento está a ter um efeito secundário realmente positivo, o de contribuir para o estímulo da produção literária de ficção que estava, nos últimos anos,um tanto em crise.

    Aliás o mesmo se passou em 1755: o terramoto contribuiu enormemente para o avanço da Filosofia e da Literatura da época. Por outro lado, gerou uma unanimidade em torno do Marquês que não terá sido assim tão psitiva.

  3. Rui Naldinho says:

    … à sobrevivência de um governo, muito mais animado pela sede de estar no poder do que, propriamente, pelo talento e intenção da prosperidade.”

    Com base nos resultados eleitorais da última ida às urnas, aqueles que achavam haver necessidade de um líder com talento e intenção de prosperidade não ultrapassaram os 35% dos votos expressos nas urnas. A soma de todos os partidos, claro. Contrariamente, aqueles que supostamente não vislumbraram nenhum talentoso líder com intenção de nos facultar mais prosperidade, querendo apenas manter no mínimo o “status quo” vigente, mesmo à custa de apoios parlamentares, representaram 57% do eleitorado votante. Não se consideram os abstencionistas na medida em que os mesmos se estão a marimbar para a quem quer que seja.
    Eu presumo que os portugueses não são assim tão estúpidos que não estivessem dispostos a dar pelo menos o benefício da dúvida a alguém que protagonizasse esse desiderato com vista à prosperidade. Quem não deseja a prosperidade? Estavam de certeza.
    O problema está na abrangência dessa prosperidade. A prosperidade ou é transversal à sociedade, entendida como acesso aos bens de consumo, à cultura, educação e saúde, ou por si só, a prosperidade não diz nada a quem não usufrui dela.
    Há uma tendência nalguns sectores da sociedade de se vender uma imagem mirífica de prosperidade, muitas vezes falsa, diga-se, num qualquer país minorca, com propensão para offshore, por norma com poucos milhões de habitantes, na qual mais de metade vive em apartamentos tipo cuvete.
    Quanto ao talento, não sei porquê, fico logo tentado em recordar-me dos nossos governantes do tempo da Troika.
    Se talento é isso, então fiquemos assim.

  4. Rui Teixeira says:

    Aos poucos foram desaparecendo dos Aventares os democratas de todos os quadrantes (ainda com uma ou outra exceção, Rui Naldinho. p.ex..) e vão tomando conta do espaço os “trolls” da direita e extrema direita.
    Em breve será como na TV onde uma apresentadora levou para lá o namorado vindo do Cofina (CM) com o Polígrafo onde se fazem os fact-cheks escolhidos a dedo para desfavorecer o governo, desapareceram os comentadores imparciais e aquilo ficou reduzido aos Granda Nóias e aos Paulinhos das Feiras e afins.

    • Rui Naldinho says:

      Ainda ontem a rapaziada da SIC, a começar pelo idiota útil de serviço, de seu nome Bernardo Ferrão, resolveu fingir que estava a fazer fact-cheks sobre as declarações da Ministra da Saúde na entrevista.
      Percebeu-se que ficaram na merda com aquela entrevista de sábado. Correu-lhes francamente mal. E como correu mal, resolveram tirar desforço. Esta é a CS que temos. Veja lá se eles foram fazer fact cheks às declarações do PR ou de Rui Rio, que votou favoravelmente o decreto do Estado de Emergência.

      • Raul Dinis says:

        Quando vi o “fact check” sobre as declarações quando era novo (e que em nada contradizem o facto que supostamente estavam a checar) sobre a eventual nacionalização da TAP (uma coisa é fazer nacionalizações por ideologia política e outra é fazê-lo pontualmente a bem do interesse nacional), fiquei a pensar no que diriam se checassem as declarações de p.ex., Durão Barroso enquanto MRPP e depois ou passagem o vídeo que circula sobre as mentiras de Coelho no período da troika.
        Aqui deixo uma pergunta para um próximo Polígrafo:

        É verdade que o “economista” Gomes Ferreira dizia insistentemente nas vésperas da queda do BES que este estava ótimo e que até contava à Ana Lourenço que quando estava num café ouviu na mesa ao lado um cidadão muito preocupado com os investimentos que tinha no BES e se levantou para o sossegar porque não era verdade o que se dizia e o BES estava muito bem?

        Ver aqui:
        https://videos.sapo.pt/U3qgKmZBw6i2GGIGrqGh

        • Paulo Marques says:

          Da mesma forma que se queixou das taxas e falta de regulação da banca apesar da maior parte do tempo dizer que o estado não deve intervir na economia.
          Pá, se me pagassem, e bem, para não perceber a economia, se calhar também era burro. Já os idiotas úteis não têm desculpa.

      • abaixoapadralhada says:

        Parece que o pessoal começa a perceber que a SIC é cada vez mais a voz do dono Balsemão, fundador do PPD.

        De qualquer modo e ainda assim a léguas dos canais do esterco informativo Correio da Manhã e TVI

  5. Paulo Marques says:

    Eu acho piada ao conceito de uma extrema-esquerda em que os trabalhadores não têm poder nenhum, ou de quem vende tudo ao desbarato e tudo desregula para falhar nas contas não tem uma “ditadura de agendas ideológicas radicais e de tentaculares interesses negociais”, sem falar nas redes de facilitadores com currículo a afirmá-lo espalhados pelo país.
    Fico, pois, sentado, à espera de alguém que nos diga que vamos ficar bem com mais cortes nos serviços públicos, salários e empregos para produzir para países onde o estado crie procura.

  6. Samuel Clemens says:

    Fogo sobre o bolchvique Costa!!!
    Arrasemos o Palácio de Inverno onde se acoita !!!
    Viva Salazar !!!

  7. Dario Resende says:


    Quando vi o “fact check” sobre as declarações quando era novo (e que em nada contradizem o facto que supostamente estavam a checar) sobre a eventual nacionalização da TAP (uma coisa é fazer nacionalizações por ideologia política e outra é fazê-lo pontualmente a bem do interesse nacional), fiquei a pensar no que diriam se checassem as declarações de p.ex., Durão Barroso enquanto MRPP e depois ou passagem o vídeo que circula sobre as mentiras de Coelho no período da troika.
    Aqui deixo uma pergunta para um próximo Polígrafo:

    É verdade que o “economista” Gomes Ferreira dizia insistentemente nas vésperas da queda do BES que este estava ótimo e que até contava à Ana Lourenço que quando estava num café ouviu na mesa ao lado um cidadão muito preocupado com os investimentos que tinha no BES e se levantou para o sossegar porque não era verdade o que se dizia e o BES estava muito bem?

    Ver aqui:
    https://videos.sapo.pt/U3qgKmZBw6i2GGIGrqGh

    “”

    Como é que este tipo depois disto ainda continua a debitar “bojardas” sobre economia no mesmo local?

  8. Julio Rolo Santos says:

    Estamos em tempo de pandemia, respeitem este período de tempo tão triste, sobretudo para quem já perdeu os seus entes queridos e os que ainda nos vão deixar,. Abstenham-se de política politiqueira até porque não estamos em período eleitoral e as v/opiniões não passam de um churrilho de banalidades que nada acrescentam ao triste período em que vivemos.

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