Querida direita: viver de desgraças não chega

Foto: Alberto Frias@Expresso

Depois dos incêndios e dos sucessivos falhanços em torno da tragédia em que se transformaram, depois de Tancos, da legionella e do jantar no Panteão, para não falar nas sanções-fantasma, no hipotético resgate e no Diabo, que está sempre à espreita, e já depois de iniciado o braço-de-ferro com os professores, após outros que opuseram enfermeiros, patrões e o lobby amarelo dos colégios privados, cujos defensores tendem para a defesa radical do estado mínimo, excepto quando chega a hora de pagar os estudos dos filhos da elite, cujo dinheiro está temporariamente indisponível numa aplicação super-honesta e transparente no Panamá, o máximo que a Cristas e o que resta do passismo conseguiram subtrair ao governo minoritário de António Costa foi 1 mísero ponto percentual. Um. [Read more…]

Sobre a disjunção entre o título e o corpo de um texto do Observador

Façamos um exercício de adivinhação sobre a mensagem deste artigo da autoria de Edgar Caetano, começando pelo título.

“Os anos da troika. Portugal foi o único país a sair da crise com menos desigualdade”

“Os anos da troika” define o horizonte temporal como sendo o período em que a troika esteve em Portugal, ou seja, de 2011 a 2013, ou eventualmente até 2015, dada a associação popular entre o governo de Passos Coelho e a troika. O resto do título contraria a tese generalizada sobre o impacto negativo da troika. Afinal, a troika trouxe aspectos positivos, assim se depreende.

Continuemos pelo lead. Um estudo académico critica a política da austeridade, mas “destaca Portugal” por ser o único onde esta causou “menos desigualdade”. Há, portanto, um reforço da tese do título e acrescenta-se credibilidade (estudo académico), ao mesmo tempo que se enquadra a vox populi quanto à percepção dos efeitos da austeridade, naturalmente desprovida da sapiência de um paper académico.

Andámos, portanto, errados. Ou será que é melhor ler o artigo?

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O regresso do cavaco-vivo

A universidade de Verão de Castelo de Vide está para o Ensino Superior como as notas do Monopólio estão para o dinheiro, o que quer dizer que as aulas que ali decorrem não são, portanto, aulas, concluindo-se, portanto, que os docentes não são professores e que os alunos, portanto, os alunos, dizia eu, não estão ali para aprender. Pronto, confesso: é um rodízio de comícios.

Cavaco Silva foi um dos “professores” convidados e, de modo coerente, confirmou aquilo que de pior tem em si, que é, afinal, o melhor que pode dar ao mundo. O político que fingiu, durante anos, não ser político deu mais uma lição de vacuidade, o que, afinal, faz sentido na universidade de Verão de Castelo de Vide. [Read more…]

O Brasil e a direita portuguesa

O óbvio passou a ter prova. Apanhado no esquema dos subornos, constata-se que o presidente Temer e respectivo séquito é, pelo menos, tão corrupto como o poder deposto pelo golpe do impeachment. Com a particularidade de Dilma, ao que se sabe neste momento, não estar a contas com a justiça.

Durante o período que culminou com a destituição de Dilma, a bloga nacional de direita vibrou com o clima brasileiro. Um chavão recorrente incidiu no suposto facciosismo da esquerda portuguesa, ligada afectivamente ao PT e, portanto, incapaz de autocrítica.

Foi, portanto, com particular satisfação que registei a forma implacável como esses bloggers se atiraram a Temer e restante turma. Reconheceram o traste que o homem é, um corrupto e oportunista que deu o golpe graças à Globo, que estava ao seu serviço. Grandeza também é isto, reconhecer o erro!

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Parem de oprimir a direita

É sempre comovente ler e ouvir os testemunhos da direita oprimida, seja pela claustrofobia democrática, sempre presente (apenas e só) quando o PSD e o CDS-PP estão na oposição, seja pelas ameaças de bofetadas que ocasionalmente lhes são dirigidas por militantes descontrolados do PS. De pouco importa se todos os dias surge um imbecil a fazer comparações imbecis, que Costa é Trump ou Catarina é Le Pen. A direita é sistematicamente oprimida, pelo que tem todo o direito a insultar quem quiser. Mas ai daquele que ouse insultar a direita, ou sugerir que um palerma qualquer merece um par de chapadas. Porrada, é sabido, e o vídeo em cima demonstra-o bem, só se tolera aos puros e castos da direita. Tal como as perseguições a entidades independentes. Por isso parem de oprimir a direita. Ninguém respeita a democracia como eles.

O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

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Mais um grande artigo de opinião do Observador

O Observador publicou mais um memorável artigo de opinião, desta feita da autoria de Maria João Marques. Este é tão bom que entrou diretamente para o Top 3 de grandes artigos de opinião daquele respeitável órgão de comunicação social. Em primeiro lugar continua o artigo de João Marques de Almeida sobre o fim do Bloco de Esquerda. Em segundo está Alexandre Homem Cristo com um artigo sobre o aquecimento global datado de 2014, contudo este tem vindo a ameaçar a liderança de João Marques de Almeida à medida que os dados científicos vão saindo ano após ano. Há uma coisa comum aos artigos de Marques de Almeida e de Homem Cristo: um dia ambos terão razão. Nem que seja daqui a 5 mil milhões de anos quando o Sol terminar o seu ciclo de vida. Ah não, não vai nada terminar, Deus é que manda no Universo, que cabeça a minha, tsk, tsk.