O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

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Mais um grande artigo de opinião do Observador

O Observador publicou mais um memorável artigo de opinião, desta feita da autoria de Maria João Marques. Este é tão bom que entrou diretamente para o Top 3 de grandes artigos de opinião daquele respeitável órgão de comunicação social. Em primeiro lugar continua o artigo de João Marques de Almeida sobre o fim do Bloco de Esquerda. Em segundo está Alexandre Homem Cristo com um artigo sobre o aquecimento global datado de 2014, contudo este tem vindo a ameaçar a liderança de João Marques de Almeida à medida que os dados científicos vão saindo ano após ano. Há uma coisa comum aos artigos de Marques de Almeida e de Homem Cristo: um dia ambos terão razão. Nem que seja daqui a 5 mil milhões de anos quando o Sol terminar o seu ciclo de vida. Ah não, não vai nada terminar, Deus é que manda no Universo, que cabeça a minha, tsk, tsk.

 

Exactamente, Alberto Gonçalves: Portugal está perigoso.

Faz hoje três meses, o Fernando Moreira de Sá escreveu sobre a saída do Alberto Gonçalves do DN, e deixou-me o José Vítor Malheiros e o Público, sobre os quais na altura não escrevi, porque, ao contrário do DN, que deixou intacta a restante ala direita, o Público continuou a despachar a esquerda. Seguiram-se Paulo Moura e Alexandra Lucas Coelho. Hoje regresso a todos eles, porque Portugal está perigoso. Para o Alberto Gonçalves mas sobretudo para a esmagadora maioria da opinião publicada à esquerda. Nos jornais como nos comentários televisivos.

No caso de Alberto Gonçalves, este da Sábado, não o do DN, um toque de fina ironia merece ser destacado. Ver um proeminente liberal, alegadamente sacrificado no altar capitalista com um contrato indigno, indignado porque prescindem de parte dos seus serviços, não perdendo tempo para fazer acusações como as que podemos ver em cima, faz lembrar aquele cliché da direita do esquerdalho que arranja desculpas para justificar os seus insucessos profissionais. Então o dinheiro não é do patrão e não é ele que decide? Até aqui estava tudo bem, agora a liberdade poderá ter chegado ao fim e a purga não poupa quase nenhum daqueles que tornava a Sábado legível. Tem a sua piada. Será que também correram com o Nuno Rogeiro e ninguém nos avisou? Estes comunas do grupo Cofina… [Read more…]

Le Pen: em nome do pai

 

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Por João Branco e Natascha Figueiredo

Marine não é Jean-Marie; é muito mais que Jean Marie. E é esse o facto que a torna mais perigosa que o pai. Marine herdou alguns dos traços político-identitários da liderança do pai mas soube também afastar-se da sua imagem tóxica de simpatizante nazi, promovendo um nacionalismo populista (iniciado pelo pai) que vai de encontro ao que o eleitorado francês neste momento quer ouvir. A verdade é porém, que todas as circunstâncias e problemas que enevoam o espectro político francês actual com o espectro político francês pré-eleitoral em 2002 não são os mesmos. Marine beneficia de um peculiar caos no país para colher benefícios. Em 2002, Jean-Marie levou a cabo uma campanha marcadamente ideológica, campanha que naturalmente o afastou da vitória na 2ª volta das presidenciais desse ano, muito por culpa do chamado “voto útil” em Jacques Chirac. O que efectivamente pode não acontecer no presente ano nas eleições que se avizinham com Marine.

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Quem elegeu Trump?

Foi a “Esquerda” que boicotou Sanders em favor de Clinton. Foi a “Esquerda” que, mais uma vez, escolheu a Direita. Foi a corrupção.

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Cumpriu-se a profecia e o precipício chegou, aleluia, aleluia!

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Espero ainda ir a tempo de me arrepender e conseguir a salvação da minha alma esquerdalha e pecadora, passe-se a redundância. Passos Coelho tinha razão e, pelo menos desta vez, a profecia da desgraça estava certa: os reis magos chegaram mesmo em Janeiro. São as décimas que faltavam para os juros da dívida ultrapassarem a fasquia mágica dos 4%, valor a partir do qual os fanáticos da Igreja do Neoliberalismo da Catástrofe dos Últimos Dias podem erguer as mãos aos céus e agradecer a Deus pela chegada do apocalipse anunciado, que lhes permitirá governar sobre os escombros, cortando e vendendo tudo o que ainda houver para cortar e vender. Já não se fazem seitas suicidas como antigamente. [Read more…]

O Público e os empatas

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Na primeira página do Público, podemos ler aquilo que está na imagem. Como sabemos, empatar na política ainda é mais feio do que no futebol ou na vida íntima de outros.

Se lermos apenas este título, que é o que fazemos muitas vezes, é evidente que a imagem da esquerda não ficará em bom estado, porque, aparentemente, não quer resolver determinados assuntos. Se a esquerda merece ter bom ou má imagem, poderemos discutir noutra altura, se não vos importais.

Se se quiser, apesar de tudo, pensar um bocadinho, levantar uma dúvida, poderemos perguntar-nos se este título será uma referência a toda a esquerda, PS incluído, ou se haverá algumas divisões.

Ao fazer essa coisa raríssima que é ler a reportagem, ficamos a saber que o PS recusou as propostas dos partidos de esquerda acerca da limitação dos salários dos reguladores, que o PS, ao contrário dos (outros) partidos de esquerda, quer diminuir paulatinamente o número de alunos por turma, que o PS não quer fazer alterações no mapa das freguesias antes das próximas eleições autárquicas, que o PS não quer resolver já muitas questões relacionadas com o sistema bancário ou com os offshores, que o PSD e o PCP não viabilizarão de imediato algumas medidas contra os maus tratos a animais, que há uma proposta do CDS acerca do envelhecimento activo que tarda em ser aprovada, que o PS anda a adiar uma resolução sobre o uso da produção nacional e regional nas cantinas públicas, e, enfim, que há um grupo de trabalho que tem a seu cargo dois diplomas do PCP e do BE acerca do regime jurídico da partilha de dados informáticos e dos direitos de autor. [Read more…]

A alergia da direita aos direitos

73938-capitalismoDeus não está muito bem, graças a si mesmo, Marx sobrevive com dificuldades, a Esquerda vai andando e a direita está catatónica, pelo menos em Portugal.

Catatónica, mas à espreita e nunca silenciosa, que isto aqui, felizmente, é uma democracia. Nos últimos dias, dois representantes dessa amável facção falaram sobre direitos, termo que obriga os seus utilizadores à toma de doses maciças de anti-histamínicos.

Rui Rio, candidato a líder da direita, depois de ter despovoado culturalmente o Porto, vai já prevenindo que os governos deram às pessoas direitos insustentáveis, como se os direitos fossem ofertas governamentais e não consequência da justiça e da evolução da humanidade ou como se os direitos necessários fossem dispensáveis. A desonestidade intelectual da grande maioria que vem do CDS até aos órfãos da direita do PS (que é muito grande) insiste, há anos, na ideia de que o problema de Portugal está nos gastos com o Estado Social e não nos desvios de dinheiro pertencente ao Estado Social, para salvar bancos e para pagar as dívidas públicas insustentáveis e nunca sujeitas a auditorias. Rui Rio, tal como Sócrates e Passos Coelho, é apenas um empregado bancário e presidente pouco clandestino das grandes empresas que gostam de lucros elevados alimentados por salários baixos. Para Rio, o país fica no interior das salas em que se reúnem os conselhos de administração. Lá fora, estão as pessoas, espécie cujo único direito é trabalhar por pouco dinheiro e respirar baixinho, como diria Luís Montenegro. [Read more…]

O combate à propaganda da Direita

Enquanto apagamos fogos não plantamos árvores.

Parem as rotativas

A malta da direita, agora que as contas têm o inconveniente de estarem a correr bem, está à procura de inspiração além fronteiras. Veja-se bem, que até já são especialistas em grego e análise política da Grécia.

Não é que descobriram um escândalo? Só falta saber se é tão credível quanto a fotomontagem do pobre grego que não era grego ou das filas do multibanco, que não eram filas.

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O Meio

© Público

© Público

O Partido Socialista é uma força social que cumpre um papel determinante no sistema político português. A sua acção doutrinária e operativa assenta numa matriz filosófica de grande relevância histórica, quer no contexto nacional, quer no contexto internacional, devendo-se à sua família política e filosófica alargada uma parte muito significativa daquilo que hoje é conhecido por “civilização ocidental”.
Ao Partido Socialista tem cabido a responsabilidade de ser um factor de equilíbrio dinâmico entre várias correntes de pensamento político, sendo o grau de dificuldade dessa tarefa singularmente elevado pela multiplicidade de tendências e visões do mundo que cabem dentro de uma organização plural, de génese humanista e tradição republicana.
Cabendo-lhe a função de ser o “meio”, de assegurar que a sociedade portuguesa é dirigida tendo em conta os princípios doutrinários e constitucionais de uma Democracia pluralista, não foram raras as ocasiões em que o PS pareceu ter adoptado posições políticas de “direita”, agindo num sentido que a muitos pareceu contraditório com a sua matriz ideológica e com os interesses específicos de uma significativa parte da população portuguesa que via no PS, legitimamente, um defensor dos seus direitos sociais.

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Portugal à frente? Nada disso: submarino ao fundo

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Uma imagem, vezes sem conta, vale mais que mil palavras. A que vos apresento em cima é tão clara e objectiva que dispensa grandes comentários. Segundo a Aximage, cujas conclusões não diferem muito das restantes empresas de sondagens, a Geringonça continua a crescer nas intenções de voto dos portugueses (mais do que seis pontos percentuais desde Janeiro), ao passo que a coligação dos profetas da desgraça não pára de se afundar, qual submarino atingido no segundo round da batalha naval. Feitas as contas, que valem sempre o que valem, os partidos que apoiam a solução governativa concentram 57% das intenções de voto dos inquiridos, ao passo que a dupla Passos/Cristas não vai além dos 34,7%. Confirma-se: cada vez menos portugueses querem ouvir a cassete da direita. É o que dá colocar as fichas todas num discurso catastrofista sem ponta por onde se lhe pegue.

Imagem via Geringonça

Manual de Spin – Versão da Direita

JN e as bolas de berlim

A história é simples. Uma foto de um vendedor de bolas de berlim a ser entrevistado por um reporter do JN circulou no Facebook e arredores como estando a ser multado por um fiscal das finanças. Seguiu-se muita exaltação e a afirmação categórica de o mal ter encarnado em forma de geringonça. Dias antes tinha sido o escândalo de se querer taxar o sol, outra notícia plantada para gerar escandaleira.

A técnica também é simples. Pega-se em algo plausível, atiça-se a indignação e matam-se dois coelhos com uma cajadada, o de se ganharem clicks e o de se malhar na esquerda. Se é verdade ou não, pouco importa depois de ser atingido o objectivo.

A equipa “Maria da Luz” parece continuar em laboração.

(continua)

O mal

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Dortmund. Novos nazis manifestaram-se há dias, fazendo uso da liberdade que querem cercear.

Deve a liberdade permitir as raízes do mal? Eu acho que não. É um equilíbrio delicado definir onde começa a proibição. Mas estas acções dos novos nazis não estão nesse limbo.

Outra coisa que se deve frisar é que estamos perante actos da extrema-direita. Ora, quando a direita portuguesa fala de uma suposta extrema-esquerda, referindo-se ao PCP e ao BE, deve sublinhar-se que não há extremo algum que se possa usar como sendo igual à extrema-direita, mas do lado oposto. Esta manobra da direita, tão repetida em blogues, comunicação social e até usada por políticos da direita, é um golpe nojento de demagogia. Uma estratégia, essa sim, digna da extrema-direita.

Sinistra

O discurso político de combate a este Governo está contaminado por um preconceito antigo que repousa silenciosamente no seu sub-texto.
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Tudo estaria bem se fizesse o jogo da direita

Apesar de ter sido eleito pela Direita, só tem feito o jogo da Esquerda“. Falta-lhe juntar-se aos que anseiam pela desgraça.

A Maioria de Esquerda e o futuro

O trabalho a realizar pela Esquerda nesta legislatura não deve limitar-se a reverter as políticas com que a Direita destruiu o país. A Esquerda deve assegurar que uma tal experiência política e social jamais se repetirá, criando as bases de uma sociedade mais justa e mais esclarecida, e mais protegida, política e juridicamente, dos ataques que, certamente, sofrerá no futuro.
É verdade que não é uma tarefa fácil, mas, para a cumprir com sucesso, é necessário compreender que o mal que foi feito ao país não admite respostas dúbias, abstenções violentas, ou outras posições políticas que não sejam o testemunho de uma firme determinação em marcar um tempo novo e irreversível.

O socialismo, a direita servil e o dinheiro dos outros

CHPT

O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros” dizia Margaret Thatcher, a mulher que, quando morreu, teve direito a um opulento funeral “socialista” orçado em 1,2 milhões de libras e pago precisamente pelo dinheiro dos outros, sem direito à habitual indignação da ala liberalóide com esta injustificada blasfémia despesista.

Ora, para a nossa direita, o socialismo é como o BES. Existe o socialismo bom e o socialismo mau. No segmento socialismo bom temos exemplos tão notáveis como a ditadura angolana e o regime comuno-capitalista de partido único chinês. São socialistas mas, como se portam bem e não alimentam ideias de progresso social, a direita gosta deles e até os mima com alguma ternura. Até porque estamos a falar de malta de cofres cheios com bons tachos para distribuir. Eduardo Catroga que o diga.
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Bendito o cartaz…

…e o fruto do seu ventre, Nuno Melo.

Umas pastilhas resolvem isso

Fotografia: Luís Carregã

Pelos corredores da direita circula um novo spin que procura colar Costa a Marcello Caetano. A tese? Costa foi para o YouTube falar aos portugueses, logo há base para evocar as Conversa em Família, como aqui se fez, por exemplo.

Mas se é para usar o argumentário ad dictatorem, ninguém levará a mal que recordemos o homem que teve Salazar como suporte. Pois não?

Nota: Alguém que avise o Obama que ele não inovou e que, apenas, teve mau gosto ao imitar Marcello.

Os cães ladram e as panelas da família Soares passam

JS

A panela obtida pelo filho de João Soares na CM da Lisboa é duplamente interessante. É interessante, por um lado, porque demonstra que o clientelismo está vivo e de boa saúde no seio do PS. Nada de novo. Interessante também é verificar o regresso da máquina de propaganda da direita a estes temas, depois de um silêncio ensurdecedor de quatro anos. Já tínhamos saudades deles. [Read more…]

Da ausência de pluralidade no comentário político em Portugal

Think

São 23:40. Nos três canais noticiosos que existem em Portugal, discutem-se as eleições presidenciais. Na TVI24 estão três comentadores, todos de direita, a discutir a vitória do comentador de direita. Temos João Miguel Tavares, António Costa do Diário Económico e David Dinis da Fox News portuguesa do Observador. A Fox News portuguesa O Observador está também representado  na RTP3 com o incontornável José Manuel Fernandes, num painel feito de comentadores e politólogos essencialmente de direita. Num e noutro canal, não há um único comentador próximo das posições do PCP ou do Bloco de Esquerda. Eles até existem, mas a sua opinião aparentemente não conta. Pacheco Pereira, na SIC Notícias, será porventura aquele que mais se aproxima. Um perigoso e radical social-democrata.

Marcelo Rebelo de Sousa – ontem, hoje e amanhã

PSD

Cavaco Silva, Pedro Passos Coelho, Miguel Relvas e Marcelo Rebelo de Sousa. Ontem, hoje e amanhã, Marcelo é a direita, representa a direita e será mais um presidente da e para a direita. E não há mal nenhum nisso: é uma opção legítima que a democracia lhe permite. Mau seria se lhe descobríssemos um rabo-de-palha como os vários que têm os restantes convivas citados. Até ver só más companhias, fascistas e corruptas, mas ter familiares e amigos de fraca índole ainda não é crime. Nem, tanto quanto sabemos, prejudica o erário público. Ser amigo de Ricardo Salgado não é a mesma coisa que andar a fazer negócios suspeitos com os fraudulentos do BPN ou orientar amigos com fundos europeus numa Tecnoforma perto de si. Mas não nos venha o senhor vender paleio de saco pré-eleitoral. Não nos tente negar que representa a direita com palavras vazias e comícios na Voz do Operário. Marcelo é a direita, representa a direita e será mais um presidente da e para a direita. Ontem hoje e amanhã.

A observadorização da TSF

David Dinis será o próximo director da TSF. A direita reforça assim a sua enorme influência na comunicação social nacional, supostamente de esquerda. Para quando Helena Matos e José Manuel Fernandes no comentário político?

Da narrativa da direita

Godfellas

PSD insiste nesta treta, CDS-PP insiste nesta treta, o extinto PàF usava e abusava desta treta e a oligarquia da direita não se cansa de repetir esta treta até à exaustão:

O esforço que os portugueses fizeram.

Ora é porque o admiram, ora é porque a perigosa esquerda o coloca em causa, às vezes vem a ser porque lhes apetece bater um coro barato ao eleitorado, outras ainda porque não têm muito mais que dizer. [Read more…]

Tiques e decisões: a propósito da prova final de quarto ano

critériosComecemos por algumas declarações de interesses: estou contente por ver Passos e Portas despedidos, estou muito contente por ver Cavaco com cara de quem teve uma paragem de digestão, estou satisfeitíssimo por ver Nuno Crato apeado e não estou contente por ver regressar ao governo gente sinistra como Santos Silva, membro da clique socrática que se dedicou a demolir a Educação. O meu coração de esquerda deseja, ainda assim, que se possa compensar o mais possível os desmandos de quatro anos de pressão sobre os mais fracos e sobre a administração pública, quatro anos da mais absoluta cobardia política, quatro anos em que uma maioria absoluta pisou demasiado e demasiados cidadãos, em nome de valores desumanos.

No que respeita à Educação, o meu coração de esquerda, no entanto, acaba, muitas vezes, por  sangrar. Na verdade, e graças a eventuais boas intenções (que, como se sabe, enchem o Inferno), há tiques de esquerda que levam a que se tomem decisões com base em reacções ideológicas e não numa reflexão aprofundada e abrangente. Foi o que aconteceu com a revogação das provas finais de quarto ano, medida que parece basear-se mais numa reacção alérgica às parecenças entre esta prova e os exames do tempo da outra senhora. [Read more…]

Já estou na fila

vez

para ser ouvido.

O antigo dono disto tudo?

Eu sei que o mundo não é a preto e branco, embora, por estes dias, tudo pareça flutuar entre o laranja e o vermelho. E, até por isso, vou entrar no desafio e questionar o Carlos Garcez Osório: Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, entre a “nova dona disto tudo” e este tipo de pessoas que agora apresento em vídeo (ao minuto 7.50), será que a escolha a fazer, resulta em alguma divergência entre nós?

Obviamente, não estou a fazer trocadilhos foleiros. Estou a falar da substância do conteúdo do que vai na mente deste tipo.

Sublinho algumas palavras que até poderiam passar em branco, coisas deste género”as meninas do bloco de esquerda”, “esganiçadas…”

Mas, daquele orifício do sistema digestivo do senhor saiu algo verdadeiramente inacreditável: “não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada.”

Será que o personagem costuma pagar? É isso.

“Contra o marido, lá em casa (…) Com o tempo iriam colocar o personagem fora de casa e a coisa até poderia continuar…

E o aborto, e o casamento e a adopção…

Ainda há dúvidas sobre a evolução social que os acontecimentos de ontem reflectem?

Nunca como agora está clara a divisão em Portugal, entre o poder de alguns, suportado no passado e nas tradições e o poder, partilhado e construído por todos, suportado na evolução permanente da sociedade.

Pode e deve haver divergência económica, cultural e claro, social. Mas, não podemos querer voltar à idade média, ou podemos? Portugal não é o que este senhor defende e, também por isso, a votação no Parlamento mostra de forma clara o que Portugal pensa sobre algumas das coisas que este personagem defende.

E, para terminar, finalmente descobri que para ele a tradição é um elemento estrutural da vida em sociedade. Não deve, estou certo, questionar as mulheres que são mortas, todos os anos, às mãos destes medíocres. É da tradição!

Nem os mercados

Então temos a bolsa de Lisboa a subir, com as acções do BPI e do BCP em alta? Ao que isto chegou. Bandalhos de esquerda a manipularem os mercados.

Todo o mundo é composto de mudança

Paulo Portas, no longínquo ano de 2011: “Para o líder do CDS, não é importante na formação do próximo Governo se o PS tem mais votos: se a direita tiver maioria absoluta, governará.” (DN)