André Ventura, a voz de toda a direita

Entre muita direita, mesmo a católica, há a ideia de que só está desempregado quem quer ou só é pobre quem não tem mérito para ganhar dinheiro.

O Chega, para viabilizar a geringonça açoriana, impôs a redução dos apoios sociais no arquipélago. Os pobres e/ou os desempregados têm é de se fazer à vida.

Essa mesma direita – que inclui o PS do Manuel Pinho que aconselhava a investir em Portugal, porque temos salários baixos – está sempre a gritar que é preciso criar uma legislação laboral mais flexível, que é preciso poder despedir mais facilmente.

André Ventura vem, agora, com a ideia de que é preciso pôr essa malta do Rendimento Social de Inserção (RSI) a trabalhar, continuando a pagar-lhes o mesmo.

Não sei se isto é próprio da esquerda, mas acredito que, num país civilizado, é assim: o trabalho implica salário e não esmola ou subsídio. Há trabalho para se fazer? Pague-se um salário.

É verdade que o Estado é um dos patrões que mais se alimentam de vários embustes, como o de não abrir vagas necessárias na Função Pública, impondo a precariedade – basta ver os milhares de professores que trabalham há anos sem vínculo, o que mostra que são necessários ao funcionamento de um sistema que só lhes quer pagar o mínimo possível, uma espécie de trabalhadores à jorna, carne para canhão. O inaceitável praticado por uns não torna aceitável qualquer inaceitável.

Ventura não diz as verdades, mas diz aquilo que muita gente de direita gosta de ouvir e nem sempre tem coragem para dizer, por saber que é eticamente vergonhoso. A subida do Chega faz-se à custa, aliás, desta gente que não gosta de sociedade e que prefere a selva, aquela em que apenas sobrevivem os mais fortes. Ventura é só um PSD que perdeu a vergonha.

Do Mataste-os, Miguel à morte do homem branco

Miguel Oliveira, o nosso herói em duas rodas, venceu o Grande Prémio de Portimão. O seu director, no final, disse-lhe “Mataste-os, Miguel!”

Éder, o herói de um golo só, gritou em público, no meio das comemorações do Europeu de 2016: “Amanhã, é feriado, caralho!”

Num mundo em que se tomasse tudo à letra, Miguel Oliveira estaria a ser interrogado pela polícia e milhares de trabalhadores teriam ficado em casa por ordem de Éder.

Mamadou Ba defendeu, num vídeo, que é preciso “matar o homem branco assassino, colonial e racista”. Houve gente de uma certa direita que preferiu parar em “branco” e gritar que houve ali incitamento ao ódio, racismo e tudo.

Efectivamente, essa certa direita vive muito preocupada em demonstrar que não há racismo estrutural ou que não há racismo ou que o anti-racismo é outra espécie de racismo. No fundo, essa direita é filha de gente que nunca se conformará com esta mania da igualdade e que vê com maus olhos os filhos dos proletários e dos escravos de há cem anos que se atrevem a dizer o que pensam.

Dir-se-ia que a direita tem dificuldades cognitivas e que, por isso, não sabe lidar com metáforas. Seria redutor e insultuoso para a inteligência de tantos.

Há casos de grande inabilidade no uso das metáforas, é certo: há uns anos, Assunção Esteves chamou “carrascos” a vítimas que se queixavam. Os mesmos que hoje se indignam com Mamadou, por desejar o fim da toxicidade, ficaram, então, muito calados. Percebe-se: os que protestavam pertenciam a uma raça inferior.

Processo Reaccionário de Equivalência a Calimero (PREC)

Está em curso o Processo Reaccionário de Equivalência a Calimero (PREC), seguido pela Direita portuguesa, na esteira de um Trump que não aceita perder eleições e de polacos e de húngaros que se queixam desse empecilho que é o Estado de Direito.

A Direita portuguesa, que era tão nação valente e imortal, tão heróis do mar (preferindo, contudo, o povo pobre ao nobre povo), tão Chaimite, tão peito ilustre lusitano, anda, agora, combalida de tantas queixinhas, sempre tão desgostosa com a democracia ou por causa da democracia. Ainda recentemente, em 2015, lacrimejou e fez beicinho porque o funcionamento democrático ditou uma maioria parlamentar muito feia, de barbas e camisas aos quadrados, com seringas para velhinhos e caninos afiados para as criancinhas. [Read more…]

Chega ilegalizar o Chega?

Há quem defenda que o Chega é um partido ilegal ou que é necessário ignorá-lo para não se correr o risco de lhe dar visibilidade.

Em primeiro lugar, a expressão “partido ilegal” é um paradoxo, num Estado de Direito. O Chega existe e tem um deputado na Assembleia da República. Isso chega para estar dentro da legalidade.

Mas não temos o direito a apresentar queixa, se acreditarmos que existem indícios de inconstitucionalidades no programa, nas acções ou nas declarações do Chega? Com certeza que sim, mas reduzir o combate político a isso é superficial e, portanto, perigoso, até porque não basta estar convencido de ilegalidades, é preciso prová-las. O que fazer enquanto isso não acontece ou se nunca chegar a acontecer? Relembre-se, por exemplo, que o Partido Nacional Renovador (actual Ergue-te) existe e concorre a eleições.

Mais vale acreditar que o Chega é legal, como foram e são legais partidos tenebrosos, alguns, com responsabilidades governativas, muitos, responsáveis por coisas inomináveis.

Mas o Chega não é perigoso? É muitíssimo perigoso, inimigo do Estado de Direito, praticante de um falso cristianismo elitista que despreza as classes baixas (a cruzada contra os apoios sociais é só um dos sintomas). A Quarta República do Chega é o futuro regresso ao passado. Por muito que o seu programa seja legal, as suas intenções e as suas declarações (ainda que comicamente contraditórias, como demonstra Ricardo Araújo Pereira) devem ser combatidas. [Read more…]

João Miguel Tavares, a culpa lusitana e o mito de Mário Nogueira

Na sua crónica de hoje, João Miguel Tavares (JMT) consegue o milagre de se afastar de muita direita que vê nos apoios sociais o grande problema da economia portuguesa. Há dias assim, em que JMT escreve menos abjecções.

Quanto ao resto do texto, concordo que Portugal é um país mal gerido, com desvios de receitas – impostos ou fundos europeus – para gastos desnecessários, numa sucessão de actos de corrupção legal e ilegal que fazem de nós um país bastante pior do que deveria ser.

Note-se, no entanto, a diferença: no princípio do texto, JMT consegue, como se viu, explicar claramente quem não tem a culpa. Quando começa a identificar os culpados, limita-se aos últimos dez anos e, pelo meio, como era previsível, deixa a Passos Coelho o papel de alguém obrigado a executar uma política pela qual não era minimamente responsável, o que é uma ficção querida a muita direita.

A história da má gestão portuguesa vem de longe e inclui, entre tanta coisa, a visão deslumbrada de gente que quis ficar na História, com base no folclore de obras inacabadas, como a subordinação de Soares e de Cavaco a uma Europa que impôs a destruição do nosso tecido produtivo, com passagem por uma longa tradição de favores com dinheiros públicos a interesses privados, com bancos e parcerias público-privadas a mamarem na teta dos impostos e na tendencial supressão de direitos ou nos cortes salariais (sempre em nome de uma produtividade sem verdadeiros incentivos que não sejam os de não cair na miséria). A dívida pública, que, por ser pública, todos somos obrigados a pagar, continua por ser verdadeiramente explicada, talvez porque não convenha a quem andou criá-la enquanto parecia estar a governar o país. [Read more…]

Esquerda e Chega é tudo a mesma coisa ou as falsas equivalências

Entre a direita democrática (pergunto-me, tantas vezes, se isto não será um paradoxo), tem surgido um discurso que pretende reduzir os partidos da esquerda parlamentar a gente tão radical como André Ventura, só que de sinal contrário. Daí a dizer que, no fundo, são todos iguais é um passinho de pardal, misturando tudo numa imensa sopa de radicalismo e de sede ditatorial.

Mesmo antes de André Ventura, já pêéssedês e cêdêésses atiravam umas ideias semelhantes: a a esquerda radical, a esquerda que defende ditaduras, a esquerda que tem a mania da superioridade moral (esta é particularmente divertida, por ser tão infantil).

Nota muito importante a propósito de André Ventura: em menos de um fósforo, saiu do passismo para a extrema-direita lepenesca ou trumpiana. Ou será que não saiu verdadeiramente do passismo, mudando apenas de nome e não propriamente de ideias? O que é certo é que Passos Coelho esteve presente no lançamento da candidatura de Ventura à câmara de Loures.

A esquerda parlamentar não está isenta de erros e de más companhias ou de preferências discutíveis. Efectivamente, um dos pecados do PCP está em não ver ou não querer ver o horror de muitos regimes comunistas, incluindo o da Coreia do Norte. [Read more…]

A bolsa ou a vida?

Num mundo em que a econometria é a fita métrica de tudo, nada pode estar fora da economia, tudo é PIB, crescimento e outras virtudes absolutas. A economia, já se sabe, passou a viver convencida de que é uma ciência exacta, esquecendo-se das suas raízes humanas e sociais. Aliás, deixou de se falar em sociedade, porque tudo é economia.

Nesta visão dominante, o que dá vida à economia são as empresas. Tudo o resto é, na prática, considerado um peso que as empresas, estoicamente, arrastam às costas. Deste modo, poderemos dizer que a sociedade precisa de serviços públicos, como escolas ou hospitais; a economia diz-nos que os serviços públicos são parasitas (a não ser que escolas e hospitais sejam privados ou privatizados – aí, passam a ser economia, mesmo que não sirvam uma grande parte da sociedade).

Viver em pandemia ou com pandemia acrescentou problemas às certezas absolutas que subordinam tudo à economia. Se é verdade que o confinamento afecta a economia, não é menos verdade que o vírus afecta a sociedade (e também a economia). [Read more…]

A enorme diferença

O que esta crise tem, inegavelmente, demonstrado é que a esquerda aposta e depende da estupidez do eleitorado enquanto o centro e a direita precisam desesperadamente que a inteligência e o nível cultural médios dos Portugueses aumentem rápida e substancialmente.

Sem nome, ainda

Na quase irrelevância de um Rui Rio bipolar, sobra a evidência de um PS atirado para a extrema-esquerda quer pela vocação da sua actual direcção quer pelas dolorosas, exorbitantes e retrógradas contrapartidas de um apoio parlamentar indispensável à sobrevivência de um governo, muito mais animado pela sede de estar no poder do que, propriamente, pelo talento e intenção da prosperidade.

[Read more…]

A ciência ou a vida

Por outras razões, insurgi-me, recentemente, contra tudo o que faça de nós egoístas ou bairristas. A ideia de que os meus são sempre melhores do que os outros e que, portanto, merecem mais e melhor é simplesmente repugnante. Somos todos tendencialmente egoístas, bairristas e nacionalistas, mas só gente abjecta é que permite que essa tendência se transforme numa perversão que desumaniza. Ser humano é outra coisa; espezinhar o Outro é só ser selvagem.

A ciência, tal como o ar ou a água, é património da humanidade e todos os estados têm de zelar para que assim seja, sob pena de serem só uma confederação de criminosos. Uma vacina, por exemplo, não pode estar apenas ao alcance de quem tiver dinheiro para a comprar. O mundo ainda é demasiado desigual e sabemos que uma vacina comum no mundo ocidental é, muitas vezes, uma miragem nos países subdesenvolvidos.

Segundo parece, Donald Trump tentou comprar o exclusivo de uma vacina para os Estados Unidos a um laboratório alemão. Se o negócio fosse avante, Trump reclamaria mais uma vitória, festejando o facto de que os americanos sobreviveriam, enquanto os outros poderiam morrer. [Read more…]

Menos combate ideológico

[Francisco Salvador Figueiredo]
Em tempos de emergência, a esquerda escolheu usar uma doença para criticar os liberais e defender as suas ideias.
Os liberais, por outro lado, optaram por chegar a soluções com qualquer partido de qualquer espectro político.
Se vos disseram que ser liberal é odiar o Estado, enganaram-vos. Ser liberal é acreditar na capacidade do indivíduo. Depois de meses com o único partido liberal a apresentar modelos que já resultaram, chegou a hora de mostrar que também é um exemplo de seriedade. Ao contrário do Bloco.
Para o Bloco, o combate ideológico é mais importante do que a vida das pessoas.
O Bloco é porco, nem mais, nem menos do que isto.

Direita alternativa e aflita

psd

Fotografia: Lusa/Cofina Media@Sábado

A máquina de propaganda alt-right instalada nos Observadores, nos I’s e nas CMTVs está aflita com a quase certa vitória de Rui Rio. Tão aflita que agora se lembrou de nos alertar para o perigo de deixar a ala direita do espectro vazia, à mercê dos Venturas, caso o PSD se posicione ao centro, como (alegadamente) pretende Rio. Mas não há motivo para alarme. O PSD é um partido de direita (que alberga, desde sempre, alpinistas e trampolineiros ultraconservadores e de extrema-direita, porque o poder é muito apelativo e o PSD é a única forma de, à direita, lá chegar), continuará a ser um partido de direita e levará a cabo uma política de direita mal regresse ao governo. Sempre foi assim, sempre assim será. Por outro lado, para promover a extrema-direita e os ultraconservadores já cá temos essa mesma máquina de propaganda. Deixem-se de merdas. Luís Montenegro e restante entourage passista que façam como a sua antiga barriga de aluguer e criem o seu próprio Aliança. Ou assumam o que são e criem um Chega ou uma Iniciativa Liberal, dependendo do caso em concreto. Porque mesmo sendo de direita, e estando, em parte, cercado por gente pouco recomendável, Rui Rio está a anos-luz dos restos do passismo.

A direita mentirosa

É um dogma que diversas personagens de direita repetem ad nauseam: a comunicação social é controlada pela esquerda.

Que os factos não estragarem um belo enredo.

Se antes da criação dos canais de televisão privados, a RTP era a voz do governo, fosse ele de que cor fosse, depois disso, a SIC, TVI e, agora também, a CMTV, fazendo fé no estudo do ISCTE, são a voz da direita.

O impensável aconteceu: André Ventura lidera coligação de direita com partidos de esquerda

COL.png

Segundo o Expresso, André Ventura lidera uma coligação às eleições europeias entre o partido que criou – na esperança de se transformar no líder da alt-right portuguesa, se é que isso existe – o PPM e o PPV/CDC, que, tanto quanto pude apurar, é uma página extremamente divertida que partilha pensamentos profundos como:

Estou aqui a pensar no Maduro, na Catarina, no Jerónimo, no Costa & C.a. (são todos farinha do mesmo saco).

ou

Saiba porque os mulçumanos vão dominar o mundo. Preparem-se! A mordamia ocidental acabará em breve. A não ser por intervenção divina.

sendo que este último é da autoria do Padre Augusto Bezerra, que, ao que tudo indica, também se dedica ao humor. [Read more…]

Espera lá! E a direita não tem culpa?

Durante milhares de anos, poucos homens exploraram muitos sem que os explorados tivessem verdadeiramente à sua disposição instrumentos mentais, morais ou intelectuais que lhes permitissem perceber que estavam a ser escravizados, que a exploração era uma realidade. Pelo meio, claro, houve revoltas, houve Espártaco, houve jacqueries, houve Galileu e muitos outros que chegaram a mártires, mas foi preciso esperar por tempos mais recentes para que alguns filósofos, independentemente da sua condição burguesa, dessem aos explorados meios para, finalmente, pensar sobre a sua condição. Foi então que os oprimidos começaram a estrebuchar, a incomodar, a exigir, para espanto das classes altas, que, invariavelmente, reagiram com brutalidade, até que, em muitos casos, foram obrigadas, para sobreviver, a aceitar a democracia, sendo que, ainda assim, nunca deixaram nem deixarão de a minar.

O poder, ao longo de milhares de anos, encontrou sempre maneiras de se legitimar, legitimando a opressão que exercia, com a ajuda, entre outras, da religião. No caso da nossa Europa, basta lembrar que o rei era ungido (o mesmo que se disse, por exemplo, do Bolsonaro e já fora dito acerca de Salazar), o que lhe dava direito, na prática, a algo semelhante à impunidade. O equilíbrio de poderes era um equilíbrio entre poderosos (reis, papas, duques e outros) e não entre patrões e servos. [Read more…]

Sobre o silêncio selectivo

Se há tema que leva a direita a ser mais determinada do que um cão a não largar o osso, é a situação na Venezuela e em Cuba. Trata-se de uma obsessão, comprovada pelo que se escreve sobre esses regimes e pelo constante chapar à cara da esquerda dos problemas nesses países. A tónica habitual pretende difundir este spin: “Portugueses, fujam da esquerda e, se não perceberem porquê, vejam o que se passa na Venezuela e em Cuba”.

Sem inocência alguma, essa mesma direita fica completamente muda com as décadas de governação de direita no México e os enormes problemas que trouxe ao país. Um caso típico de duplo-pensar, agora com o caso do Brasil a juntar-se ao cardápio. [Read more…]

Solução BES: a Nova Direita e a Direita Má

Pedro Mota Soares já foi Ministro da Solidariedade Social. Peço o favor de não se rirem, porque é verdade. Esse extraordinário currículo transformou-o em professor da chamada Escola de Quadros do CDS.

Em dada altura, enquanto ministro da Solidariedade Social (vamos tirar esse sorrisinho da cara, já!), chegou a criticar o facto de que havia gente a ganhar fortunas à custa do Rendimento Social de Inserção, como todos os bons direitolas do mundo inteiro que se dedicam a chamar parasitas aos que recebem alguma ajuda do Estado, essa entidade que só deve existir para entregar dinheiro aos grandes empresários, que é para isso que servem adjudicações e simulacros de concertação social e outros fingimentos.

Por outro lado, há tanta gente tão pouco recomendável na direita mundial que até Mota Soares se sente na obrigação de fazer de conta que não quer a mesma sociedade que é defendida por Bolsonaro. O centrista chega mesmo a distanciar-se de Le Pen, que, por sua vez, anda assustada com os exageros do mesmo Bolsonaro. Pelo meio, Mota Soares até recicla um discurso que está muito em voga, dizendo que a culpa de todos os disparates da extrema-direita é da esquerda e que, no fundo, a extrema-esquerda é igualzinha à extrema-direita, unidas pelo populismo e que, se formos ver bem, uma pessoa, estando ali na extrema-esquerda, basta contornar o quiosque e já está na extrema-direita, porque é tudo malta que frequenta o mesmo café, ao contrário de Mota Soares, cliente habitual de um outro snack-bar que, por acaso, até serve uns preguinhos muito bons.

No fundo, Mota Soares quer para a direita uma solução como a do BES: de um lado, está ele, da Direita Boa, a Nova Direita (a da “tradição humanista”, disse Henrique Burnay, humorista involuntário); do outro, está a Direita Má. Entretanto, o Novo Banco, a parte boa do BES, parece que precisa de mais dinheiro, o que nos leva a pensar que, se calhar, não há grande diferença entre o banco bom e o banco mau, mas isto pode ser o meu populismo a falar.

A maioria parlamentar e o salário mínimo

O adjectivo “mínimo”, numa expressão como “salário mínimo”, deveria servir para classificar um montante que permitisse a quem o recebe um mínimo de dignidade. Na realidade, tendo em conta o custo de vida em Portugal, sabemos que isso não é verdade.

Há dois dias, o arco da governação chumbou uma recomendação do PCP para que o ordenado mínimo passasse para 650 euros. As razões apontadas por esta gente, para quem país e cidadãos são compartimentos estanques, correspondem a jogos florentinos de quem está sempre do lado dos mais fortes.

O CDS, fiel à voz do dono, criticou a proposta do PCP, considerando que se trata de uma “prova de vida”, o que é sempre muito fofo da parte de um partido que se lembra de pensionistas e de agricultores em anos de eleições.

Pergunto-me o que leva as vítimas de sucessivos assaltos a dar maioria absoluta aos assaltantes, essa sim, uma geringonça com mais de quarenta anos.

Os politólogos estão estupefactos: O PS consegue governar mais à Direita do que o PSD

Podia dar o exemplo da Educação, em que uma imbatível Maria de Lurdes Rodrigues, no que diz respeito ao ataque à Escola Pública em geral e aos professores em particular, é perseguida nos seus feitos pelo actual titular da pasta.
Podia dar o exemplo da Saúde, cujo SNS está pior do que alguma vez esteve – cortesia do Partido que o fundou.
Podia dar ainda o exemplo da Energia – no meio de todas as vergonhas de Pinho e Sócrates, o actual Governo consegue transformar uma dívida da EDP ao Estado numa dívida do Estado à EDP.
Pois, não há dinheiro. Mas para os mesmos de sempre há sempre dinheiro.
Podia dar n exemplos, mas não é preciso. O fim da austeridade é uma treta e a merda é a mesma de sempre. Desde o início mas sobretudo desde que é presidente do Eurogrupo, o ministro dos bilhetes do Benfica mais não faz do que sacar aqui e ali, cativar tudo o que mexe, meter-se com quem tem menos e acobardar-se perante os poderosos. Um corrupto moral que não passa disso mesmo – de um corrupto moral.
Quanto à Esquerda, continuará até ao fim da Legislatura refém do PS. A engolir sapos perante um Governo mortinho por que o façam cair para depois poder governar em maioria absoluta. Perante um Governo que actualmente está mais próximo do PSD do que da Esquerda.
Alguma vez esteve mais longe?

Propaganda, disse a direita do costume

UPNRS.jpg

via Uma Página Numa Rede Social

A direita radicalizada indignou-se ontem com a presença de vários membros do executivo socialista numa série de acções de sensibilização para a protecção da floresta. E sim, é claro que há ali a dose do costume de propaganda, que as Legislativas estarão aí num abrir e fechar de olhos, apesar da ausência de oposição à direita que possa preocupar António Costa, por muitos saltinhos que Assunção Cristas tente dar.

Desconhece-se por onde andaria essa mesma direita, como de resto vem acontecendo em muitos outros casos que em pouco ou nada se distinguem deste, quando Cristas, Portas e João Almeida, entre outros, se dedicavam a acções similares. E nem quero imaginar o que por aí se diria se tivesse sido um partido de esquerda a convidar Nádia Piazza para colaborar na elaboração do programa eleitoral para 2019.

In Delgado they trust

Luís Delgado pegou em 10, 2 milhões e comprou vários objectos que Francisco Pinto Balsemão tinha em sua posse, nomeadamente revistas como Visão e Caras.

Delgado, que tem feito carreira como defensor das ideias mais indefensáveis da direita mundial, é dono de uma empresa com a irónica designação Trust in News. A primeira palavra pode, também, significar “confiança”. Luís Delgado é, sem dúvida, um homem de confiança, bastando lembrar o facto de ter defendido, como muitos outros, a bondade da guerra do Iraque. [Read more…]

Poder e assistencialismo

Portugal, enquanto sociedade e economia, gera recursos mais do que suficientes para permitir a todos os seus cidadãos uma vida materialmente digna.

Gera recursos suficientes para ter uma Escola Pública capaz de cumprir integralmente a sua função, com níveis de qualidade aceitáveis e disponível para todos.

Gera recursos que chegam e sobram para ter ao serviço de toda a população um bom Sistema de Saúde, praticamente gratuito.

Gera recursos suficientes para cuidar da Terceira Idade com a dignidade exigível, através, designadamente, de um sistema de Segurança Social totalmente sustentável e capaz de responder às necessidades específicas dessa população.

[Read more…]

Querida direita: viver de desgraças não chega

Foto: Alberto Frias@Expresso

Depois dos incêndios e dos sucessivos falhanços em torno da tragédia em que se transformaram, depois de Tancos, da legionella e do jantar no Panteão, para não falar nas sanções-fantasma, no hipotético resgate e no Diabo, que está sempre à espreita, e já depois de iniciado o braço-de-ferro com os professores, após outros que opuseram enfermeiros, patrões e o lobby amarelo dos colégios privados, cujos defensores tendem para a defesa radical do estado mínimo, excepto quando chega a hora de pagar os estudos dos filhos da elite, cujo dinheiro está temporariamente indisponível numa aplicação super-honesta e transparente no Panamá, o máximo que a Cristas e o que resta do passismo conseguiram subtrair ao governo minoritário de António Costa foi 1 mísero ponto percentual. Um. [Read more…]

Sobre a disjunção entre o título e o corpo de um texto do Observador

Façamos um exercício de adivinhação sobre a mensagem deste artigo da autoria de Edgar Caetano, começando pelo título.

“Os anos da troika. Portugal foi o único país a sair da crise com menos desigualdade”

“Os anos da troika” define o horizonte temporal como sendo o período em que a troika esteve em Portugal, ou seja, de 2011 a 2013, ou eventualmente até 2015, dada a associação popular entre o governo de Passos Coelho e a troika. O resto do título contraria a tese generalizada sobre o impacto negativo da troika. Afinal, a troika trouxe aspectos positivos, assim se depreende.

Continuemos pelo lead. Um estudo académico critica a política da austeridade, mas “destaca Portugal” por ser o único onde esta causou “menos desigualdade”. Há, portanto, um reforço da tese do título e acrescenta-se credibilidade (estudo académico), ao mesmo tempo que se enquadra a vox populi quanto à percepção dos efeitos da austeridade, naturalmente desprovida da sapiência de um paper académico.

Andámos, portanto, errados. Ou será que é melhor ler o artigo?

[Read more…]

O regresso do cavaco-vivo

A universidade de Verão de Castelo de Vide está para o Ensino Superior como as notas do Monopólio estão para o dinheiro, o que quer dizer que as aulas que ali decorrem não são, portanto, aulas, concluindo-se, portanto, que os docentes não são professores e que os alunos, portanto, os alunos, dizia eu, não estão ali para aprender. Pronto, confesso: é um rodízio de comícios.

Cavaco Silva foi um dos “professores” convidados e, de modo coerente, confirmou aquilo que de pior tem em si, que é, afinal, o melhor que pode dar ao mundo. O político que fingiu, durante anos, não ser político deu mais uma lição de vacuidade, o que, afinal, faz sentido na universidade de Verão de Castelo de Vide. [Read more…]

O Brasil e a direita portuguesa

O óbvio passou a ter prova. Apanhado no esquema dos subornos, constata-se que o presidente Temer e respectivo séquito é, pelo menos, tão corrupto como o poder deposto pelo golpe do impeachment. Com a particularidade de Dilma, ao que se sabe neste momento, não estar a contas com a justiça.

Durante o período que culminou com a destituição de Dilma, a bloga nacional de direita vibrou com o clima brasileiro. Um chavão recorrente incidiu no suposto facciosismo da esquerda portuguesa, ligada afectivamente ao PT e, portanto, incapaz de autocrítica.

Foi, portanto, com particular satisfação que registei a forma implacável como esses bloggers se atiraram a Temer e restante turma. Reconheceram o traste que o homem é, um corrupto e oportunista que deu o golpe graças à Globo, que estava ao seu serviço. Grandeza também é isto, reconhecer o erro!

[Read more…]

Parem de oprimir a direita

É sempre comovente ler e ouvir os testemunhos da direita oprimida, seja pela claustrofobia democrática, sempre presente (apenas e só) quando o PSD e o CDS-PP estão na oposição, seja pelas ameaças de bofetadas que ocasionalmente lhes são dirigidas por militantes descontrolados do PS. De pouco importa se todos os dias surge um imbecil a fazer comparações imbecis, que Costa é Trump ou Catarina é Le Pen. A direita é sistematicamente oprimida, pelo que tem todo o direito a insultar quem quiser. Mas ai daquele que ouse insultar a direita, ou sugerir que um palerma qualquer merece um par de chapadas. Porrada, é sabido, e o vídeo em cima demonstra-o bem, só se tolera aos puros e castos da direita. Tal como as perseguições a entidades independentes. Por isso parem de oprimir a direita. Ninguém respeita a democracia como eles.

O dia inicial faccioso e distorcido

Chegados ao 25 de Abril, o segundo da era da Geringonça, damos por nós confrontados com a habitual literatura ficcional-conspirativa, que tende em dar o ar da sua graça por esta altura. O texto de João Marques de Almeida (JMA), publicado no insuspeito Observador, esse hino à imprensa independente, é um belo exemplar do género.

Diz-nos este académico e antigo assessor de um dos exemplos maiores de ética e sentido de estado que foi Durão Barroso, hoje no topo da hierarquia desse farol da liberdade moderna que é o Goldman Sachs, que a luta pela liberdade, protagonizada – não só, que fique claro – pelas forças de esquerda contra o salazarismo não passa de um mito. “Absolutamente falso”. A sua luta, segundo JMA, não era mais do que uma fachada para “impor uma ditadura aos portugueses. Seguramente, mais violenta do que a do Estado Novo”. O resto é mais ou menos o mesmo que os JMA’s desta vida normalmente escrevem nestas ocasiões. Tudo no mesmo saco, a adoração religiosa de Estaline como dogma e as cegueiras ideológicas do PCP com Coreias do Norte e afins como prova científica de que tudo o que mexe à esquerda tem como missão abolir a democracia e todas as formas de liberdade, especialmente a económica, que um tipo de esquerda que se preze tem que ter prioridades.

[Read more…]

Mais um grande artigo de opinião do Observador

O Observador publicou mais um memorável artigo de opinião, desta feita da autoria de Maria João Marques. Este é tão bom que entrou diretamente para o Top 3 de grandes artigos de opinião daquele respeitável órgão de comunicação social. Em primeiro lugar continua o artigo de João Marques de Almeida sobre o fim do Bloco de Esquerda. Em segundo está Alexandre Homem Cristo com um artigo sobre o aquecimento global datado de 2014, contudo este tem vindo a ameaçar a liderança de João Marques de Almeida à medida que os dados científicos vão saindo ano após ano. Há uma coisa comum aos artigos de Marques de Almeida e de Homem Cristo: um dia ambos terão razão. Nem que seja daqui a 5 mil milhões de anos quando o Sol terminar o seu ciclo de vida. Ah não, não vai nada terminar, Deus é que manda no Universo, que cabeça a minha, tsk, tsk.

 

Exactamente, Alberto Gonçalves: Portugal está perigoso.

Faz hoje três meses, o Fernando Moreira de Sá escreveu sobre a saída do Alberto Gonçalves do DN, e deixou-me o José Vítor Malheiros e o Público, sobre os quais na altura não escrevi, porque, ao contrário do DN, que deixou intacta a restante ala direita, o Público continuou a despachar a esquerda. Seguiram-se Paulo Moura e Alexandra Lucas Coelho. Hoje regresso a todos eles, porque Portugal está perigoso. Para o Alberto Gonçalves mas sobretudo para a esmagadora maioria da opinião publicada à esquerda. Nos jornais como nos comentários televisivos.

No caso de Alberto Gonçalves, este da Sábado, não o do DN, um toque de fina ironia merece ser destacado. Ver um proeminente liberal, alegadamente sacrificado no altar capitalista com um contrato indigno, indignado porque prescindem de parte dos seus serviços, não perdendo tempo para fazer acusações como as que podemos ver em cima, faz lembrar aquele cliché da direita do esquerdalho que arranja desculpas para justificar os seus insucessos profissionais. Então o dinheiro não é do patrão e não é ele que decide? Até aqui estava tudo bem, agora a liberdade poderá ter chegado ao fim e a purga não poupa quase nenhum daqueles que tornava a Sábado legível. Tem a sua piada. Será que também correram com o Nuno Rogeiro e ninguém nos avisou? Estes comunas do grupo Cofina… [Read more…]