Ignorância, ódio e instrumentalização do medo: Bolsonaro, o Messias da violência

A Vice arriscou-se pelos covis do fascismo que alimentam a ascensão do próximo ditador da América Latina.

O elogio da tortura e a exaltação da violência, o fundamentalismo religioso acéfalo (passo a redundância), a cultura da ignorância e da desinformação e o ódio contra minorias e instituições democráticas atravessam os 25 minutos deste curto, mas esclarecedor documentário. [Read more…]

Israel institucionaliza a segregação

algo que de resto não surpreende. Tratou-se de uma mera oficialização do carácter fascista e racista de um dos regimes mais violentos do planeta.

As cortinas de fumo e os spin doctors de serviço

A agressão de que terá sido vítima uma cidadã portuguesa na cidade do Porto, agressão essa cujo autor foi, alegadamente, um elemento do corpo para-militar privado contratado pelos STCP para efectuar serviço de segurança, suscitou, como não podia deixar de ser, uma reacção imediata dos spin doctors do costume. A função desses spin doctors foi a de reduzir instantaneamente o acontecimento a um fenómeno racista, ocultando, distorcendo e falseando factos essenciais, sendo que o primeiro desses factos é que a responsabilidade pelos acontecimentos cabe, em primeira instância, ao Conselho de Administração dos STCP, que já deveria ter sido exonerado e accionado criminalmente pelo sucedido, procedimento após o qual caberia analisar a responsabilidade solidária da tutela, designadamente dos seis municípios da Área Metropolitana do Porto responsáveis pela gestão da empresa.

Não podendo negar-se, à partida, a possibilidade de estarmos, na verdade, perante um crime com motivações racistas, hipótese que deve ser plenamente investigada, essa seria sempre uma qualidade acessória de um acto muito mais grave do ponto de vista penal, o de ofensa à integridade física qualificada, com a agravante de ter sido perpetrado por um agente ao serviço de uma empresa pública, crime cuja sanção pode chegar aos 12 anos de prisão.

Querer transformar este episódio, de gratuita e bárbara violência, em mais um argumento em favor daqueles que lutam diariamente pela destruição da memória e do legado universalista português e o significado profundo da sua História, comparando-a à de qualquer Reich sanguinário e racista, é uma ignóbil traição, essa, sim, com laivos discriminatórios e até racistas, aos nossos valores civilizacionais autênticos e uma inaceitável falta de respeito pela dignidade histórica dos portugueses e de todos os povos em comunhão com os quais esses mesmos portugueses evoluíram no mundo.

 

Decidam-se:

A pessoa no chão é Nicol Quinayas, 21 anos, nascida na Colômbia, desde os cinco anos em Portugal.
Diário de Notícias, 27 de Junho de 2018

Nicol Quinayas, de 21 anos, nascida em Portugal, mas de ascendência colombiana
Diário de Notícias, 29 de Junho de 2018

O admirável mundo novo

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[António Alves]

As empresas de transporte público, para não formarem nem pagarem a fiscais próprios, extinguiram esta categoria de funcionários e externalizaram (é assim que se diz na novilíngua neoliberal) o serviço.
Por norma, este é desempenhado por “seguranças” privados, muitos deles meros armários fardados cuja inteligência é inversamente proporcional à massa muscular. Metros, autocarros e estações de comboio já foram tomados de assalto por estas forças que exercem a autoridade sem a necessária legitimação social.
Uma força de repressão privada ao serviço do ultra capitalismo.
O interior dos comboios é o território que se segue.
Bem vindos ao admirável mundo novo.
Preparai-vos para levar na tromba à primeira manifestação de não conformidade.

Imigrante ilegal, negro, islâmico e herói nacional

Mamadou Gassama é um dos milhares de imigrantes que, todos os dias, arrisca a vida para escapar de um qualquer inferno na Terra, a bordo de uma embarcação frágil e sobrelotada. No caso de Mamadou, foi o Mali, um dos países mais pobres do planeta, apesar de dono da terceira maior reserva africana de ouro.

O Mali é um estado secular, de maioria muçulmana. Ainda assim, existem algumas zonas no norte do país onde a sharia se substitui à lei, o que equivale a dizer que um conjunto de fanáticos interpreta o Corão como lhe apetece e aplica amputações, apedrejamentos até à morte e outras formas de tortura e extermínio. Não sei se Mamadou vivia no norte do país, mas eu nem no sul queria estar, com malucos daqueles à solta. Fugia dali, como o maliano fez.  [Read more…]

O poder absoluto do parceiro fascista do PSD

Orbán Viktor; VAN ROMPUY, Herman; MERKEL, Angela; DURAO BARROSO, José Manuel

Viktor Orbán, um daqueles fascistas a que a imprensa do costume gosta de chamar conservador, conseguiu a terceira maioria absoluta na Hungria. Viktor Orbán e o seu Fidesz, que lutam pela reintrodução da pena de morte na União Europeia e pelo envio de imigrantes para “campos de internamento” de trabalhos forçados. Que os perseguem e espancam, mulheres e crianças incluídas, porque na Síria e no Afeganistão ainda não sofreram o suficiente. Que são saudados pelos seus pares, apesar de integrados numa família política europeia que se diz democrática e defensora dos princípios basilares sobre os quais a União Europeia foi fundada. Cujos deputados europeus se sentam na mesma bancada que Nuno Melo ou Paulo Rangel, sempre tão disponíveis para nos falar sobre os horrores da era da Geringonça, mas sempre tão cobardemente calados quando o tema é o seu parceiro Orbán. Se bem que, se for para fazer comparações imbecis e desonestas, como as que fez o suprassumo académico Poiares Maduro, mais vale mesmo estarem calados.

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Marielle

​“Sou uma mulher negra, mas antes disso tenho falado muito que antes de reivindicar e compreender o que era ser uma mulher negra no mundo, eu já era favelada. Nascida e criada na Maré (…)” – palavras de Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro, mulher progressista,socialista, feminista, lutadora, livre. Assassinada – executada? – após ter criticado com dureza a intervenção violenta das forças militares nas favelas. Pode haver quem julgue esta associação de factos forçada, mas o modo de ataque, a natureza do crime, traz-nos irresistivelmente à memória o Brasil dos esquadrões da morte dos tempos chumbo. Que, optimistas, julgávamos superados. Tristeza não tem fim.

Bairrismos

A propósito de uns tweets de uma colunista do Observador que não vou “linkar” para lhe não dar mais audiência (e este mundo está fartinho de indivíduos com público a mais para o talento que possuem, a começar por “euzinho” apesar do portentoso Aventar não ser, propriamente, “The Huffington Post”) sobre um alegado machismo e racismo exacerbados das gentes do Porto, parece-me justo tentar explicar a perspectiva de um “gajo” do Porto (que pode ou não ser a predominante por aqui).

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A praça pública está a ser branda demais com os seguranças da K Urban Beach

O Ministério da Administração Interna ordenou, esta madrugada, o fecho da discoteca K Urban Beach. A sociedade estava indignada, era preciso mostrar serviço e o ministério mas desgastado de Costa lá se chegou à frente e mandou encerrar o estabelecimento. Não me parece uma má decisão, até porque há ali muito que esclarecer e convém garantir que os potenciais clientes daquele espaço não são submetidos à fúria desmiolada dos segurilas.

O proprietário da discoteca, Paulo Dâmaso, afirma tratar-se de “uma decisão unilateral depois de um julgamento em praça pública“, o que assim de repente me remete para a justiça grunha dos seus seguranças, que unilateralmente decidiram espancar dois jovens em praça pública. Porém, a decisão não terá sido tomada com o mesmo ânimo leve com que se extorquem e agridem pessoas à porta e no interior da K Urban Beach: as 38 queixas efectuadas à PSP durante o ano de 2017 terão pesado na decisão[Read more…]

Sobre o crescimento do racismo e da xenofobia na cúpula do PSD

Foto: Público

Feliciano Barreiras Duarte, antigo secretário de Estado do PSD, constatou aquilo que já todos sabíamos mas que social-democrata algum tinha tido ainda a coragem de constatar publicamente: que existem elementos racistas e xenófobos no seu partido que estão a ganhar peso e a influenciar o discurso do PSD. A ascensão de indivíduos como o candidato Ventura, ou as intervenções públicas infelizes que se multiplicam, como foi o caso do discurso proferido por Pedro Passos Coelho no Pontal, não auguram nada de bom para o maior partido político português. Não auguram nada de bom para o país. Será que ainda vamos assistir a uma coligação com o PNR, abençoada por Viktor Orbán, o fascista de serviço no PPE?

Do racismo e outros demónios:

Uns bravos pescadores tunisinos travaram o barco dos fachos que anda pelo Mediterrâneo.

“Já seguíamos com preocupação as actividades deste grupo. Quando soubemos que vinham para Zarzis, mobilizámo-nos para evitar que entrassem no porto. Não queremos o barco fascista na Tunísia”, disse ao El País Shamseddin Bourasin, presidente da associação de pescadores local, que conta com cerca de 500 membros. “Há dez ou 15 anos que salvamos migrantes que naufragam. Não queremos que um barco que quer que se afoguem e usa lemas fascistas e contra o islão seja ajudado nos nossos portos”, declarou.”

Para quem não sabe, o referido barquinho foi tomado por uma associação (chamemos-lhe isto para não lhe chamarmos grupelho) “juvenil” chamada Geração Identitária que pretende: ““defender” a Europa de refugiados e migrantes, para evitar “a grande substituição” – um conceito popular entre a extrema-direita nacionalista europeia, que teme que os muçulmanos substituam os cristãos no Velho Continente.” (as aspas são do Público, mas eu concordo com elas).

Esta ideia dos muçulmanos substituírem os cristãos tem alguma piada, especialmente porque segundo as estatísticas o maior perigo para a “Cristandade” europeia não são os muçulmanos (actualmente 2% da população União Europeia) mas sim os ateus e os não crentes. (Fonte) Então, para quando um barco (ou um camião ou uma mini-van ou um carocha) contra os ateus?

 

A Lenda Negra

Não estamos esquecidos que uma das justificações dadas para a necessidade de um profundo ajustamento na economia e na sociedade portuguesas, ajustamento esse materializado num programa brutal de austeridade, que, em certa medida, ainda prossegue, foi a circunstância de Portugal, e o seu povo em particular, ter, ao longo de muito anos, vivido acima das suas possibilidades. [Read more…]

Não ao racismo

 

Há uns dias saiu uma notícia no Público que passou quase despercebida. “Portugueses são mais tolerantes com a entrada de refugiados e menos com a dos imigrantes por motivos económicos.” Esta conclusão é o produto de um estudo realizado pelo ICS que cobre um período de 12 anos.

O facto de os Portugueses serem mais tolerantes com a entrada de refugiados é provavelmente o resultado das imagens que nos são transmitidas pela televisão. Alice Ramos, investigadora que contribuiu para o estudo, afirma que “Há de facto um sentimento de piedade que os protege destas atitudes de oposição. E Portugal, provavelmente, é o país que menos associa os refugiados às restantes categorias de imigrantes”. Isto é evidentemente positivo. Olhar para os refugiados com compaixão, especialmente numa altura em que por esse mundo fora há tanta gente investida em ver um terrorista em cada refugiado, é sinal de que estamos a fazer alguma coisa bem. É provavelmente também sinal que os principais meios de comunicação se abstêm de comentários errados e inflamatórios, como acontece noutros países, com outros jornais e televisões.

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Somewhere in white America…

“Não disparem. Ele não tem nenhuma arma”, ouve-se no vídeo gravado no telemóvel de Rakeyia Scott, esposa de Keith Lamont Scott, morto a tiro pela polícia de Charlotte.

Apesar dos factos obscuros que envolvem o caso, é o registo criminal de Keith Lamont Scott que se tornou o ponto focal da imprensa de direita norte-americana.

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Otários

Terrorism

Num momento em que Donald Trump parece um “sério” candidato a ocupar o lugar que Obama deixará livre dentro de oito meses, com promessas eleitorais que giram em torno de muros, política externa hostil e perseguição de emigrantes, o anúncio da candidatura ao Senado norte-americano do antigo líder dos Knights of the Ku Klux Klan, um franchise modernaço mas igualmente repugnante do movimento racista, terrorista e fanático que se diverte, desde o século XIX, a discriminar, agredir e matar pessoas, não causa particular surpresa. Basta ver as notícias para perceber que estes otários ainda representam uns quantos otários. Ferguson, Charleston, Dallas ou mais recentemente Baton Rouge são apenas alguns exemplos que insistem em relembrar-nos que a violência racial continua viva e de boa saúde na “terra da liberdade”, e que a ascensão do otário Trump inspira otários como David Duke. Mas não se preocupem: apesar de otários, estes terroristas assumem-se cristãos, pelo que não devem ser tão maus como os gajos do Alá.

Imagem via Flowers for Socrates

Os braços armados dos clubes

Já não há paciência. O que escrevi no último post era uma espécie de alerta para o que aí vinha e, por acaso, os factos vieram a mostrar a razão da minha argumentação.

Um árbitro errou – o que apitou o jogo do meu clube. Facilmente se percebe pelos comentários ao post que mais ninguém errou e que a queda do Maxi no Dragão, por ter sido fora da pequena área até deveria dar direito a duas grandes penalidades porque, segundo alguns, houve uma falta antes que não foi marcada.

Até aqui, temos uma discordância visual. Nada de estranho – nos últimos quarenta anos criaram hábitos que não se mudam com dois títulos perdidos. Pode ser que o terceiro e outros que se seguirão, ajudem a ter alguma lucidez.

Mas, depois da mediática e bem orientada participação dos paineleiros das TB’s, eis que o Braço Armado entra em campo. E, como alguém dizia hoje na rádio, estão ultrapassados todos os limites.

Esperei algum tempo para ver como reagia a blogosfera azul. Silêncio! Nada. Nem um só comentário.

Confesso que estava à espera de um comentário da Direcção do Clube, mas  acabamos por ter um simples “não sei do que está a falar”, de um Dirigente. Poderia ter sido a mulher a comentar…

Como poderiam ter comentado quando foi a vez do treinador holandês, ou do Adriano ou até do Paulo Assunção…

O mais espantoso é que vejo muita gente a aplaudir este tipo de comportamentos. [Read more…]

Bilhete do Canadá: Perguntar não ofende

Quando foi anunciado que do actual governo faziam parte um homem de ascendência cigana, uma senhora cega e uma senhora negra, um tipo tido por católico, apostólico, romano, pôs a circular entre os amigos, via on line, esta bestialidade: “o cigano roubou a bengala da cega e deu um ensaio de porrada na preta”.

Que se faz a um aleijado de carácter como este? Dá-se-lhe um par de estaladas? Ou dá-se uma condecoração?

Haja quem saiba responder.  Entretanto, tudo quanto era saudoso do salazarismo, delirou com o vómito.  Que a terra lhes seja leve.

O tabu do tabu

Fazer uma reportagem com um ângulo definido e não procurar o outro lado é mau jornalismo. O Público este domingo, com o apoio da Fundação Francisco Manuel dos Santos, estreia a “Série Especial: Racismo em português” com a reportagem “Ser em africano em Cabo Verde é um tabu”. Não porque seja mentira que Cabo Verde, na generalidade, não quer ser África. É verdade. Mas a identidade cabo-verdiana existe e está bem vincada, nas nove ilhas habitadas. A generalização de África, enquanto continente, a uma única cultura (a dita “africanidade”) é a típica visão ocidental. Mas agora os ocidentais querem quebrar o tabu. E caíram no perigo da história única, que Chimamanda Ngozi Adchie explica tão bem. Entramos, portanto, na era do tabu do tabu. [Read more…]

Qual é a pressa?

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(c) Mstyslav Chernov / Wikimedia Commons / CC-BY-SA 4.0

8 de Outubro: é a data da próxima reunião do Conselho Europeu dos ministros do Interior para debater as quotas de acolhimento de refugiados em cada país – determinadas em função do número de habitantes, performance económica, taxa de desemprego e número de pedidos de asilo em pendência. Será que não sabem que os refugiados já chegaram? Que há 15 mil bloqueados na Áustria? Que é preciso o quanto antes repartir entre todos os perto de 120 mil refugiados que estão neste momento em Itália, na Grécia e na Hungria? O Plano Juncker, sustentado numa alínea do Tratado de Lisboa, fracassou. Por sabotagem de vários países do Leste, apoiados por exemplo pela Eslováquia, que leva o racismo ao ponto de excluir refugiados que não sejam cristãos.

Perante isto (e sem esquecer o verdadeiro rosto do poder na Hungria, que esta crise destapou), a existência da União Europeia deixou de fazer qualquer sentido, remata o jornalista alemão Kai Littmann. [Eurojournalist]

Pontos sobre os refugiados

1- A verdadeira ameaça à Europa não são os refugiados. Não foram refugiados que há 70 anos mataram seis milhões de pessoas. A verdadeira ameaça são pessoas como o Viktor Orbán que debitam disparates sobre os valores Europeus sem saber nada de história ou de valores Europeus. Como dizia o editor judeu – húngaro – de Thomas Mann, a propósito de alguém que ambos conheciam:

Kein Europäer, sagte er kopfschüttelnd
Kein Europäer, Herr Fischer, wieso denn nichts?
Von grossen humanen Ideen versteht er nichts.

Ele não é um Europeu, disse ele abanando a cabeça.

Não é um Europeu, Herr Fischer? O que quer dizer?

Ele não percebe nada sobre os grandes ideais humanistas.

2- Do ponto de vista das infra-estrutras é evidente que a Europa não tem condições, especialmente se as coisas continuarem assim, para acolher tantos refugiados. A Alemanha diz que vai receber 800 mil pessoas, mas estará mesmo preparada para receber um influxo de quase um milhão de pessoas, especialmente num espaço de tempo tão curto? Mas a questão que se põe agora é como resolver a crise. A resolução passa por atacar a fonte ou seja, a instabilidade que começou nos países de origem. Para isso a Europa tem de admitir, juntamente com os Estados Unidos, a sua responsibilidade na criação desses mesmos problemas. O que teria acontecido se o Iraque não tivesse sido invadido, ou até, indo mais para trás, se a Europa e os Estados Unidos não tivessem interferido sistematicamente na região do médio oriente como andam a fazer desde há 40 anos?

3- Admitindo que haja radicais islâmicos nos milhares de pessoas que chegam à Europa, a experiência diz-nos que os terroristas vêm de avião e têm dinheiro ou nascem na periferia de Paris. Custa-me a acreditar que a malta que arrisca a vida em barcos de borracha porque a alternativa – ficarem em casa – é tão má, venham para matar gente na Europa.

4  – Historicamente, na Europa, o racismo, a xenofobia, as perseguições e os preconceitos religiosos protagonizados por cristãos mataram mais gente que o radicalismo islâmico. Lembrem-se disso quando falarem de História.

“A grande invasão”

– eis como chamam os partidos políticos alemães à entrada maciça de refugiados, sírios e outros (estima-se que sejam mais de 800 000, os que entraram na Alemanha apenas em 2015), que procuram uma oportunidade de vida na Europa. É um jornalista alemão que o escreve, explicando o consenso que há entre os partidos alemães relativamente à tragédia humanitária que tem aportado nos territórios europeus.

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(c) REUTERS | Ognen Teofilovski | Migrantes na fronteira da Grécia com a Macedónia

«Raramente os responsáveis políticos estiveram assim de acordo. Seja a extrema-direita, a direita, os social-democratas, os verdes ou o Die Linke, toda a gente usa a mesma palavra para designar o afluxo de refugiados – «grande invasão», «Völkerwanderung», em Alemão. (…) A expressão estimulará uma vez mais o ódio e a violência dos que não compreendem que os fluxos migratórios não emanam de Deus, antes são o resultado de más políticas, levadas a cabo durante séculos.»

Segundo a mesma fonte, «a única que ainda não usou a expressão é Angela Merkel. (…) Fiel aos seus hábitos, prefere esperar para ver como se comporta a «vox populi» antes de tomar uma decisão. Uma estratégia de uma ineficácia política absoluta, mas que a faz ganhar eleições. (…)» [Read more…]

Quando a extrema-direita defende o politicamente correcto nem mede as palavras

Este falejar quer tão só dizer que nove negros foram mortos por um não negro numa igreja frequentada por negros em Charleston.

Se eles fossem brancos a notícia seria: nove pessoas mortas numa igreja em Charleston.

No primeiro caso mata-se por ódio, No segundo os sentimentos do assassino são irrelevantes. É assassino e ponto.

Para Helena Matos um segregacionista de 21 anos que entra a matar numa igreja de negros não personifica um crime de ódio. É só um crime. Chama-se a isto politicamente correcto, precisamente a expressão que é utilizada para o defender. Não, não é um paradoxo: o politicamente correcto, ou seja, o totalitarismo da linguagem, existe tanto à esquerda como à direita, mas a direita finge-se virgem, e depois cai nisto.

É doentio? é. Mas sobretudo acontece quando a ideologia é tão forte que por vezes nega o mais elementar bom senso. Infelizmente é humano.

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (VII)

Se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão, os unicórnios moralistas, hipócritas e facciosos do costume teriam berrado a sua indignação e dissertado eloquentemente sobre o fim do mundo que se aproximava por não haver mão nessa esquerdalhada bárbara. Aprove-se mais um pacote de sanções, endureça-se o embargo, promova-se o isolamento e treinem-se mais uns terroristas para desgastar o inimigo.

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E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (V)

Não penso

 

No país que muito provavelmente mais golpes de estado patrocinou, entre dezenas ou mesmo centenas de invasões e ataques militares que devastaram países, cidades, serviços básicos e sobretudo pessoas, que em muitos casos foram empurradas para um nível de pobreza muito abaixo daquilo que algum dia teriam imaginado, em países que já de si existiam em situações extremamente frágeis, para não falar dos mortos, nos regimes totalitários que se instalaram e nas ervas daninhas que plantaram, entre as quais a Al-Qaeda será a sua obra-prima, ainda existe violência racial. O que não é grande novidade claro. A novidade é que em Baltimore a paciência parece ter chegado ao fim.

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O Cosme volta a atacar e cito:

Reparem bem, eu avanço com duas hipóteses 1) trazer a pretalhada para cá de forma segura nos aviões da TAP e 2) afundar os barcos e matar a pretalhada.

Claro que podes escrever o que entenderes…

Acima de tudo prezo a Liberdade, ao ponto de não a trocar por qualquer outro valor. E tenho que admitir que todos têm os mesmos direitos que eu. Por isso podes escrever o que entenderes. Se existe alguém insuspeito neste blog de discordar de Louçã, serei eu. Apenas não insulto seja quem for, porque isso é fazer jogo sujo, vil, torpe. Habitualmente o insulto é arma utilizada quando faltam argumentos para discussão, coisa de grunhos. Ao contrário de ti não sou racista. Mas não quero criminalizar racismo nem racistas, isso seria descer a um nível inaceitável para mim, cujo lema será talvez “é proibido proibir…” Apenas te lanço um repto, quando tirares umas férias esquece o Algarve, Caraíbas ou praias nas ilhas europeias e vem até África. Mas não te fiques por um resort guardado por seguranças armados com AK47, conhece o povo, interage com as pessoas. Podes começar por Marrocos e se ganhares coragem ultrapassa o Atlas, atravessa o Sahara. Fala com cristãos católicos e evangélicos, muçulmanos de várias correntes e até judeus sem esquecer os budistas pois andam milhões de orientais pelo continente berço da humanidade. Muito provavelmente em termos académicos dás-me uma abada e ganhas por 10 a 0, apesar de ter lido umas coisitas de economia, admirar Mises e Hayek, ter começado por Friedman, mais tarde ter descoberto Hume ou Smith mas principalmente Tocqueville. Ainda assim serei apenas um ignorante. Mas tu és estúpido. Parafraseando Einstein se me é permitido, “Only two things are infinite, the universe and human stupidity, and I’m not sure about the former”. Sim, o racismo faz parte da condição humana, mas será um dos seus exemplos de estupidez. Ainda assim, fica tranquilo, porque para mim deve ser proibido proibir, jamais me passaria pela cabeça proibir ou punir a estupidez…

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão? (IV)

Depois da violência no cárcere, os motins, o recolher obrigatório e o exército nas ruas. Alguém viu por aí a extrema-direita pseudo-Charlie?

E se isto tivesse acontecido na Rússia, na Venezuela ou no Irão?

O afro-americano Freddie Gray foi preso por posse de arma branca. Uma semana depois morreu na prisão na sequência de uma fractura cervical. Quanto negros terão que morrer em Baltimore até que alguém diga Charlie?

São apenas pretos

No episódio 5 do documentário A Guerra de Joaquim Furtado (aquele onde se clarifica a natureza racista e esclavagista do colonialismo português) um enfermeiro moçambicano narra o seu diálogo com um superior hierárquico, a quem questionava por uma sua colega com muito menos habilitações do que ele ganhar o dobro:

– Tens dúvida de que és preto?

– Isso não tenho dúvida

– É isso, ela é branca, ganha mais do que tu, que és preto.

Há por lá mais exemplos do mesmo. Enquanto por estes dias editava o documentário de forma a poder utilizá-lo nas minhas aulas de História, apareciam-me mentalmente no monitor as imagens dos que atravessam o deserto e o Mediterrâneo, e por ali morrem. Vítimas das guerras que homens brancos foram inventar a Sul, vítimas de nem parte da globalização os deixarem ser, vítimas da natureza humana, que tem aquela pretensão, os do costume dirão estúpida, de quererem alimentar-se, vestir-se, habitar, viver. Os do costume explicam: têm dúvidas de que são pretos? E para que não as haja em sacos negros os embalarão.

Do Charlie Hebdo ao Syriza: o regime contra-ataca

Iohannes Maurus*

A propósito do atentado de ontem contra o Charlie Hebdo, partilho um artigo sobre as caricaturas de Maomé que publiquei em Viento Sur faz agora quase 9 anos. Tudo o que nele disse continua, para mim, perfeitamente válido. Haveria apenas que acrescentar um matiz importante.

Hoje, o que era um fantasma terrorista sob o qual queriam ocultar-se as resistências reais ganhou corpo. Do lado árabe-muçulmano, do lado dos colonizados, tanto nos seus próprios países de origem como no espaço colonial importado para as metrópoles, um pequeno sector assumiu como sua a imagem fantasmal do islamista-terrorista produzida pela propaganda neocolonial do Ocidente. Hoje existem realidades como o Estado Islâmico ou as diversas “franchises” da Al Qaida cuja delirante materialidade de ectoplasma não as impede de assassinar, com pretextos teológico-políticos, pessoas de todas as religiões, quer sejam yazides, cristãos do Oriente ou muçulmanas.

Pouco importa que este tipo de subjectividade política delirante e desligada de qualquer processo de libertação anticolonial tenha sido criado ou financiado directamente pela CIA ou outros serviços ocidentais, como aconteceu com a Al Qaida no seu tempo, ou que tenha aparecido espontaneamente, como, segundo Aristóteles, podiam aparecer criaturas infecta dos miasmas. O que importa é que essa imagem do “mouro mau” é a própria imagem do colonizado produzida pela dominação colonial, uma imagem que, assumida pelo colonizado, reproduz ao infinito e de modo nenhum anula essa dominação. O olhar colonial cria o bárbaro, o incivilizado, justificando assim sobre o nada moral e cultural deste último um presumível direito de tutela — mais ou menos paternal ou mais ou menos violenta — dos civilizados sobre os bárbaros. Os assassinos dos jornalistas de Charlie-Hebdo são os tristes agentes dum acto de propaganda colonial pela acção. [Read more…]