Bairrismos

A propósito de uns tweets de uma colunista do Observador que não vou “linkar” para lhe não dar mais audiência (e este mundo está fartinho de indivíduos com público a mais para o talento que possuem, a começar por “euzinho” apesar do portentoso Aventar não ser, propriamente, “The Huffington Post”) sobre um alegado machismo e racismo exacerbados das gentes do Porto, parece-me justo tentar explicar a perspectiva de um “gajo” do Porto (que pode ou não ser a predominante por aqui).

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A praça pública está a ser branda demais com os seguranças da K Urban Beach

O Ministério da Administração Interna ordenou, esta madrugada, o fecho da discoteca K Urban Beach. A sociedade estava indignada, era preciso mostrar serviço e o ministério mas desgastado de Costa lá se chegou à frente e mandou encerrar o estabelecimento. Não me parece uma má decisão, até porque há ali muito que esclarecer e convém garantir que os potenciais clientes daquele espaço não são submetidos à fúria desmiolada dos segurilas.

O proprietário da discoteca, Paulo Dâmaso, afirma tratar-se de “uma decisão unilateral depois de um julgamento em praça pública“, o que assim de repente me remete para a justiça grunha dos seus seguranças, que unilateralmente decidiram espancar dois jovens em praça pública. Porém, a decisão não terá sido tomada com o mesmo ânimo leve com que se extorquem e agridem pessoas à porta e no interior da K Urban Beach: as 38 queixas efectuadas à PSP durante o ano de 2017 terão pesado na decisão[Read more…]

Sobre o crescimento do racismo e da xenofobia na cúpula do PSD

Foto: Público

Feliciano Barreiras Duarte, antigo secretário de Estado do PSD, constatou aquilo que já todos sabíamos mas que social-democrata algum tinha tido ainda a coragem de constatar publicamente: que existem elementos racistas e xenófobos no seu partido que estão a ganhar peso e a influenciar o discurso do PSD. A ascensão de indivíduos como o candidato Ventura, ou as intervenções públicas infelizes que se multiplicam, como foi o caso do discurso proferido por Pedro Passos Coelho no Pontal, não auguram nada de bom para o maior partido político português. Não auguram nada de bom para o país. Será que ainda vamos assistir a uma coligação com o PNR, abençoada por Viktor Orbán, o fascista de serviço no PPE?

Do racismo e outros demónios:

Uns bravos pescadores tunisinos travaram o barco dos fachos que anda pelo Mediterrâneo.

“Já seguíamos com preocupação as actividades deste grupo. Quando soubemos que vinham para Zarzis, mobilizámo-nos para evitar que entrassem no porto. Não queremos o barco fascista na Tunísia”, disse ao El País Shamseddin Bourasin, presidente da associação de pescadores local, que conta com cerca de 500 membros. “Há dez ou 15 anos que salvamos migrantes que naufragam. Não queremos que um barco que quer que se afoguem e usa lemas fascistas e contra o islão seja ajudado nos nossos portos”, declarou.”

Para quem não sabe, o referido barquinho foi tomado por uma associação (chamemos-lhe isto para não lhe chamarmos grupelho) “juvenil” chamada Geração Identitária que pretende: ““defender” a Europa de refugiados e migrantes, para evitar “a grande substituição” – um conceito popular entre a extrema-direita nacionalista europeia, que teme que os muçulmanos substituam os cristãos no Velho Continente.” (as aspas são do Público, mas eu concordo com elas).

Esta ideia dos muçulmanos substituírem os cristãos tem alguma piada, especialmente porque segundo as estatísticas o maior perigo para a “Cristandade” europeia não são os muçulmanos (actualmente 2% da população União Europeia) mas sim os ateus e os não crentes. (Fonte) Então, para quando um barco (ou um camião ou uma mini-van ou um carocha) contra os ateus?

 

A Lenda Negra

Não estamos esquecidos que uma das justificações dadas para a necessidade de um profundo ajustamento na economia e na sociedade portuguesas, ajustamento esse materializado num programa brutal de austeridade, que, em certa medida, ainda prossegue, foi a circunstância de Portugal, e o seu povo em particular, ter, ao longo de muito anos, vivido acima das suas possibilidades. [Read more…]

Não ao racismo

 

Há uns dias saiu uma notícia no Público que passou quase despercebida. “Portugueses são mais tolerantes com a entrada de refugiados e menos com a dos imigrantes por motivos económicos.” Esta conclusão é o produto de um estudo realizado pelo ICS que cobre um período de 12 anos.

O facto de os Portugueses serem mais tolerantes com a entrada de refugiados é provavelmente o resultado das imagens que nos são transmitidas pela televisão. Alice Ramos, investigadora que contribuiu para o estudo, afirma que “Há de facto um sentimento de piedade que os protege destas atitudes de oposição. E Portugal, provavelmente, é o país que menos associa os refugiados às restantes categorias de imigrantes”. Isto é evidentemente positivo. Olhar para os refugiados com compaixão, especialmente numa altura em que por esse mundo fora há tanta gente investida em ver um terrorista em cada refugiado, é sinal de que estamos a fazer alguma coisa bem. É provavelmente também sinal que os principais meios de comunicação se abstêm de comentários errados e inflamatórios, como acontece noutros países, com outros jornais e televisões.

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Somewhere in white America…

“Não disparem. Ele não tem nenhuma arma”, ouve-se no vídeo gravado no telemóvel de Rakeyia Scott, esposa de Keith Lamont Scott, morto a tiro pela polícia de Charlotte.

Apesar dos factos obscuros que envolvem o caso, é o registo criminal de Keith Lamont Scott que se tornou o ponto focal da imprensa de direita norte-americana.

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