O lado negro do futebol ou o futebol como lado negro

 

Na sua crónica de hoje, Miguel Guedes, adepto do Futebol Clube do Porto, considera que os três penáltis que ficaram por marcar a favor do seu clube e uma expulsão “perdoada” constituem exemplos do “lado negro do futebol”.

Fico à espera de saber que expressão usará o cronista para classificar as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos, o comportamento hediondo de muitos membros de muitas claques que assaltam estações de serviço ou que transformam os estádios em zonas de guerra, a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial, entre outras coisas.

Note-se, a propósito, que esta expressão é usada a propósito de um jogo de futebol em que foi homenageado Tengarrinha, um antigo jogador, morto aos 32 anos, uma idade em que devia ser proibido morrer, consequência de um lado negro da vida.

Miguel Guedes não está sozinho, evidentemente. Faz parte de uma larga maioria de adeptos de todos os clubes que vivem concentrados nas arbitragens, revoltados com perseguições e conspirações. Essa maioria faz parte, acrescente-se, do “lado negro do futebol”.

Peço desculpa, cometi um erro de proporção retórica semelhante ao de Miguel Guedes: onde está “concentrados” leia-se “obcecados”. O Natal está a chegar – não sei se haverá noção em quantidades suficientes para distribuir por tanta gente intoxicada pela mesma obsessão.

Comments


  1. Interessante esta crónica a defender padres e meninos queridos, interessante…


  2. Sabes que gosto muito de ti, mas não resisto a aconselhar-te o áudio do Rodolfo Reis no Record sobre o estranho eclipse de um candidato ao título. Se quiseres, até podemos, como habitualmente, discuti-lo, ou rirmo-nos, com os pés debaixo da mesa…

    • António Fernando Nabais says:

      Se é o vídeo da covid, já vi e é maravilhoso! Quanto a juntar pés debaixo da mesa, já sabes que é só uma questão de combinar.

  3. Alexandre Barreira says:

    …..tudo tem o seu preço na “máfia” do futebol……e muitas vezes…..um auto-golo……..pode valer……milhões…..e tudo o resto são….”cantilenas”…..!!!

  4. Filipe Bastos says:

    Para ver o lado negro da bola nem é preciso ir ao Qatar, a Londres ou à Rússia: pode-se ficar logo no Porto.

    São décadas – décadas! – de putas e frutas, de gorilas e macacos, de corrupção e intimidação. O clube tem mérito desportivo? Com certeza: entre tanto mamão e tanto milhão, alguma coisa havia de fazer bem. Nem tudo foi roubalheira. Mas que importa?

    Que importa isso quando grande parte foi mesmo roubalheira, e quando num país só meio decente toda a administração do clube estaria na cadeia? Que sucesso teria o clube tido sem o Pintinho, o maior e mais prolífero mafioso do país?

    Claro que Benfica e Sporting são a mesma trampa; claro que todo o futebol (e desporto) profissional é mama e máfia, corrupção e alienação, carneirismo e circo. Mas se alguém personifica essa podridão é o Pintinho e o FCP.

    Até o Vieira, com os seus 6 milhões de carneiros, finalmente arrisca ir de cana. O Pintinho nem isso. Impune até à cova.

    • Paulo Marques says:

      Décadas! Era Pinto da Costa, Sócrates, Cabrita e Salgado a maquinar no Majestic para conseguir subornar o caminho a trẽs títulos europeus com palros orçamentos, algo só possível às maiores mentes criminosas do mundo. Nem os brilhantes Marques Vidal, Pinto Monteiro, Souto de Moura, o supra-sumo justicialismo lusitano lhes consegui pôr as mãos em cima!

      • Filipe Bastos says:

        “Entre tanto mamão e tanto milhão, alguma coisa havia de fazer bem. Nem tudo foi roubalheira. Mas que importa?”

        Levaram décadas a roubar e a trafulhar. Conseguiram títulos e milhões para comprar bons mamões, que renderam mais títulos e mais mamões. Aproveitaram também a decadência dos rivais.

        Mas que importa? O seu Pintinho continua a ser maior mafioso do país. A par do seu 44 – mas esse ainda foi de cana uns meses. O seu Pintinho nem isso. Impune até à cova.

        • Paulo Marques says:

          Continua, porque diz-se por aí, e o que se diz por aí é tudo verdade.
          Mas, sim, refiro-me à parte desportiva, a tal fruta que enche jornais e pouco mais. Os tempos de subsídios e manifestações já lhe disse que eram a mais. Agora os crimes, fale com a PJ que adoravam as provas.

        • Filipe Bastos says:

          “Diz-se por aí”? Até tem as escutas no Youtube!

          Após décadas de putas e macacos, de roubalheira pura e dura, nem a mais rigorosa cegueira selectiva pode negar tanta podridão. Até um cego tem nariz.

          A desculpa de todos os trafulhas: nada se provou, ninguém foi condenado. O 44 diz o mesmo.

  5. Luís Lavoura says:

    as negociatas escuras de xeques de regimes assassinos ou de magnatas mal-afamados que compram clubes como se fossem brinquedos

    Os clubes são empresas. Podem ser comprados, por seja quem fôr, tal e qual como quaisquer outras empresas.

    • António Fernando Nabais says:

      No mundo do capitalismo selvagem que não olha às origens do dinheiro, claro que sim. Ainda bem que o Luís gosta.

  6. Luís Lavoura says:

    a exploração criminosa de operários na construção dos estádios do próximo Mundial

    Há exploração criminosa de operários da construção civil em muitas obras em muitos países do mundo. Recordo que, não há muitos anos, Portugal tinha uma taxa brutal de acidentes mortais na construção civil. Não na construção de estádios mas na construção de coisas mais comezinhas, casas de habitação por exemplo. A construção de estádios não é particularmente pior na exploração de operários da construção do que qualquer outra construção.

  7. Marco Antunes says:

    Como é que o Miguel Guedes sendo adepto do clube que é ainda consegue ver o negro … devia estar completamente camuflado.

  8. Paulo Marques says:

    Ufa, assim está bem, enquanto houver fome no mundo ninguém se deve queixar do relativismo regulamentar.

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