
A insaciável avidez do governo e das entidades públicas pelo “investimento estrangeiro” é de sobra conhecida. Ecossistemas, esgotamento de reservas de água, degradação de solos, exploração laboral, tudo é secundário porque o “crescimento económico”, o negócio, está em primeiro lugar na hierarquia de valores dos governantes a nível central e local.
Os exemplos são inúmeros e diários.
Aqui fica mais um: numa zona de Parque Natural da Ria Formosa, Reserva Agrícola Nacional e Rede Ecológica Nacional, um “investidor” sueco transgride a lei a seu bel-prazer, sem que as autoridades competentes o impeçam de vez de continuar a destruir esta maravilhosa e sensível zona costeira.
A “desculpa” favorita das autoridades é: isso é propriedade privada, nada a fazer. Escondem-se atrás desta “justificação” esfiapada, porque é bem mais cómodo e não espanta a caça ao “investimento estrangeiro”.
E abacateiros intensivos no Algarve, numa região em risco de desertificação…
Gastar, esmifrar, roubar às gerações futuras, que importa? Só o negócio conta.






Não, Ana. Não é só o investimento estrangeiro. É trapaça sobre trapaça, em cima das áreas protegidas. Umas vezes com a conivência dos gabinetes de advogados, outras das autarquias, outras do próprio governo, que tem sempre um familiar amigo num qualquer ministério da tutela, que desbloqueia “a coisa”, para que se consume a leviandade disfarçada de investimento. Apostam numa justiça lenta, distraída e cheia de buracos negros.
Ainda ontem os telejornais, dia 19 de Outubro, abordavam a construção ilegal de várias moradias de luxo, nas imediações da Albufeira da Caniçada, no Cávado, ali por terras do Gerês, construídas com a conivência dos autarcas e do poder central. Mas pior mesmo, é isto ter sido há 10 anos, e só agora estar a ser julgado. Tudo isto por quê? Para que o tempo já gasto (10 anos?) e os recursos judiciais que aí virão, atirem tudo aquilo para a prescrição. Nada disto é feito só acaso.
Aqui em Matosinhos, no período da pandemia, também se iniciou a construção de um hotel de apartamentos, para férias, em plena duna marítima, a pouco mais de 50 metros da praia. Claro, tal como no Gerês, a população indignou-se e protestou. Vieram os telejornais e outros que tais.
Aqui o Ministério do Ambiente actuou e embargou a obra. Obra essa que estava licenciada pela CM de Matosinhos e com o parecer favorável das várias entidades do Ambiente e Orla Marítima, incluindo a Tutela. Só que a Lei entretanto mudou. Apesar do projecto ter anos, nunca foi construído.
E não foi construído porque não havia fundos disponíveis na altura para apoiar aquele projecto. Caso contrário já estava feito, com a lei anterior.
Ou seja, dão cabo do ambiente e da paisagem e o Estado ainda financia.
Pior é impossível.
Certo, Rui. Mesmo com a batalha perdida, resta lutar. Ultimamente há mais gente a fazê-lo. Abraço!
Propriedade privada??? – E as restrições para quem são???
Pois…
Bem, se é Reserva Agrícola Nacional, então em princípio é para fazer agricultura, não é?
O facto de ser Parque Natural não impede que se faça agricultura. Há agricultura em todos os Parques Naturais.
O facto de ser Reserva Ecológica tem provavelmente a ver com o facto de ser zona inundável. Em nada impede que se faça agricultura.
Pode haver, certamente que há, óbices à plantação de abacateiros naquele sítio. Porém, isso nada terá a ver com os factos de ser Reserva Agrícola, Reserva Ecológica, ou Parque Natural.
Pelos vistos não leu a notícia de que o homem construiu infra-estruturas ilegais e foi embargado por isso: https://www.sulinformacao.pt/2021/04/icnf-embarga-construcao-de-muro-estrada-e-vedacao-em-plena-ria-formosa/
Sim, mas uma coisa é construir infraestruturas (casas, muros, vedações, etc) ilegais, outra muito diferente é ter uma plantação ilegal.
O que é ilegal: as infraestruturas, ou os abacateiros?
abacateiros intensivos no Algarve, numa região em risco de desertificação
Já ouvi dizer que é falso que abacateiros gastem excecionalmente muita água. Gastam tanta água como as usuais laranjeiras, diziam. Não sei se é verdade.
No Algarve também se cultiva kiwis, que também consomem imensa água.
Há que ter o cuidado de não se importar demasiadas ideias dos EUA. O facto de os abacateiros serem uma cultura nova não quer dizer que sejam uma cultura mais deletéria que outras já usuais (como os kiwis). O facto de os abacateiros serem objeto de controvérsia nos EUA não implica que também o devam ser cá.
Antes de nos pormos a mandar vir contra os abacateiros devemos aprender cuidadosamente se eles efetivamente são piores do que qualquer outra cultura que já se utilize.
Abacates em agricultura intensiva e super intensiva (que é bem diferente da agricultura tradicional de laranjeiras) numa região extremamente crítica, serão sempre um crime, na actual e futura situação de crise climática. Os actuais governantes fecham os olhos porque se estão nas tintas para o que acontecerá daqui a uns anos. Aliás, que já começou.
Abacates em agricultura intensiva e super intensiva (que é bem diferente da agricultura tradicional de laranjeiras)
Não sei bem qual é a diferença entre “tradicional” e “intensiva”. A agricultura tradicional também tem rega. E, frequentemente, tem rega por meios altamente gastadores.
A agricultura intensiva pode ter muita rega, mas geralmente tem-na por métodos muito poupados (rega gota a gota, muito localizada).
Eu tenho uma caseira que faz agricultura muito tradicional na horta dela. Gasta água que até faz dó: inunda o campo todo com água, que conduz por regatos até às colheitas. Aquilo é uma agricultura muito tradicional e com muito pouca intensidade, mas que delapida água de uma forma criminosa.
E a infracção é….?
Pois não se entende!
O sueco limitou-se a construir um muro com dois metros de altura, seguido de uma vedação, para impedir esquerdeiros de irem para lá contemplar os cavalos marinhos do parque natural (*) e uma estrada para fazer patrulhas a apanhar os que tentem empoleirar-se.
Tudo serviço público. E, apesar de nos estar a fazer um favor, ainda são mal agradecidos. Está muito arrependido de ter vindo para cá. Se fosse lá na Suécia já lá estava uma urbanização de torres de 20 andares.
Pelo Menos!
(*) cavalos que não servem para nada. São tão pequenos que não dão para carregar os abacates, nem que fosse de um a um! Animal mais inútil!
Ora leia lá o artigo acima e mais este, a ver se fica esclarecido: https://www.sulinformacao.pt/2021/04/icnf-embarga-construcao-de-muro-estrada-e-vedacao-em-plena-ria-formosa/
Pois, a infração não é ele ter plantado abacateiros, a infração é ele ter construído um muro, uma vedação, e uma estrada.
Ou seja, ele não foi multado por pretender fazer agricultura intensiva e/ou por gastar muita água, ele foi multado apenas e tão-somente porque construiu uma vedação, uma estrada, e um muro.
Convém portanto não misturar as coisas. O indivíduo é certamente um violador da lei, mas não o é por plantar abacateiros. Se ele estivesse a plantar pinheiros mansos ou alfarrobeiras, teria sido autuado na mesma por ter construído a vedação, o muro e a estrada.
Então tá tudo bem, quando não houver água, o mercado resolve.
Não sei por que constantemente se pede mais legislação, se nem a actual conseguem impor.
“O homem é a mais insana das espécies. Adora um Deus invisível e mata a natureza visível. Sem perceber que a natureza que ele mata é esse Deus invisível que ele adora.” Huber Reeves
Luís Lavoura, para que fique totalmente esclarecido, é o seguinte, segundo resposta da entidade responsável: Relativamente às intervenções realizadas em Área costeira e lagunar de proteção parcial do tipo I, aplica-se o artigo 20.º do POPNRF, através do qual as intervenções referidas são interditas, acrescendo ainda o facto destas intervenções abrangeram igualmente área de Rede Natura 2000, nomeadamente SIC Ria Formosa/Castro Marim (PTCON0013), com destruição do habitat 5330, sendo esta intervenção igualmente interdita de acordo com o estipulado na alínea m) do artigo 7 do POPNRF, conforme acima transcrito.
Assim, constatando-se que o infrator atuava sem observar as proibições estabelecidas pela legislação relativa à conservação da natureza e verificando-se que essa conduta colocou em causa valores naturais e paisagísticos de interesse relevante, com sensibilidade ecológica, foi decretado o embargo dos trabalhos, atendendo designadamente à realização das seguintes intervenções: (…) parecer desfavorável relativamente à plantação do pomar de abacateiros.
Pronto, espero que esteja satisfeito, porque os posts que publico não são escritos no ar, mas com fundamentação. Mas já estou sem paciência para esse tipo de polémicas destinadas a pôr sempre em causa a denúncia de casos absolutamente inaceitáveis e escandalosos. Se acha bem que se passe por cima da protecção e preservação da natureza, pois ache, nada a fazer; é o que mais por aí prolifera. Espero que não tenha filhos nem netos que o possam vir um dia a acusar de não ter feito nada para que eles pudessem usufruir dos ecossistemas, paisagens, biodiversidade, etc. que ainda existem.
Ele cá lá saber, quando faltar a água, o pão, e o circo, a culpa há-de ser de um qualquer socialismo da cabeça dele. Aliás, já é, porque já falta.
Deixem as Aninhas tomar decisões e verão em quanto tempo faltará a água e o pão…mas não para todos…
Joana Quelhas
Pois não. Não para todos.
O pão e a água não pode faltar nas peregrinações a Fátima. Em caso de rotura de abastecimentos, a Igreja arranja uns “sponsors” e subsidia as vazilhas e os papossecos..
Pois li…”Quehas”??
Pelos vistos Vosselência segue religiosamente o Alencar (seja ele quem for).
Não se menciona a si própria!
Luis Lavoura, louvo-lhe a paciência de desmascarar este tipo de sofisma.
Mas esta malta do PAN e “Escolhogistas” tem sempre razão, querem ativar a máquina de fazer pobres para terem votantes …
Joana Quelhas
Ora pois!
O raciocíno confere!
E não é só cá. Ainda agora a Truss tinha preparadinha uma máquina de fazer ricos e foi apeada a toda a força!
Os comunas infiltrados na “City”, nas agências de ratingueiros e no Partido Conservadoresco fizeram-lhe a folha!