Até das vitórias temos medo?

Os cerca de 700 estivadores de Liverpool conseguiram uma importante vitória. Depois de uma greve de cinco semanas conseguiram aumentos entre os 14.3% e os 18.5%. Entretanto, por cá, ninguém deu a notícia, estejamos a falar da comunicação social, estejamos a falar da comunicação das demais organizações. Estes conflitos são fundamentais para lembrar que a única maneira de enfrentar a crise económica, política, social e sindical, é a recuperação das formas de luta, mas se as formas de luta não forem notícia, sobretudo quando são vitoriosas, perde-se o efeito pedagógico da sua aprendizagem. O silêncio dos meios de comunicação das grandes corporações é óbvio – estão a trabalhar para os seus interesses – mas dos demais não. Estamos num tempo tão defensivo que até das vitórias temos medo?

Comments

  1. Luís Lavoura says:

    Pois, mas fizeram greve durante 5 semanas. Não fizeram greve simbólica de um dia como por cá é costume.

    • Paulo Marques says:

      Acho que sim, greve que é greve é para doer mesmo quando não se acredita. Mas, não, não é só esse a diferença, quando cá fizeram greve eram uns privilegiados que mereceram ter a greve furada pelos armados do bem. Mal por mal, os bifes sempre têm mais tradição da luta que os auto-colonizadores da província.

  2. estevesayres says:

    Grande força de vontade e determinação, por parte, dos 700 estivadores, por cá temos sindicatos e deputados a bicotarem as lutas dos operários e de mais trabalhadores…
    A luta é dura e prolongado, mas não devemos vergar!
    Muita Força!

  3. Paulo Marques says:

    Ainda há pouco a celebrar, é uma entre muitas ainda no inicio cuja adesão vai aumentando.
    Mas é algo que não passa nas TVs “dominadas pela esquerda”, quando muito só para se queixarem do “putinismo” das mesmas. Azar dos azares, a receita universal em dose dupla de criar mais fome não vai deixar de a alimentar.

  4. antero says:

    Quem luta arrisca-se a ganhar os outros perdem sempre. Aqui em Portugal os trabalhadores vão demonstrando falta de consciência politica e quando muito preferem greves à sexta-feira que acabam por ser feitas por meia dúzia. Depois arriscam-se a ficar TODOS, cada vez mais para trás. O CES/UGT vai-lhes tratando da saúde.

    • Paulo Marques says:

      Sim, passou a ritual e não a luta, por muito que justo

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