48 anos de alterne…

Passar a imagem que o PS governou mal, enquanto o PSD salvou sempre o país parece ser a estratégia na campanha da AD, para a qual têm sido chamados os antigos líderes do partido. A mensagem pode vir embrulhada em romantismo, apelando ao saudosismo, mas é falsa. Lembro-me bem como terminou o governo liderado por Francisco Pinto de Balsemão, com maioria absoluta que lhe permitiria ter permanecido no cargo até 1984, mas após implosão da Aliança Democrática original, durou apenas até 1983, eleições vencidas pelo PS, que governou com o PSD liderado por Mota Pinto, o célebre bloco central, foi Ministro das Finanças que tinha por missão colocar em ordem as contas que a AD havia deixado e preparar a adesão à então CEE, que era à época o desígnio nacional.

Com a entrada na CEE entrou em cena Cavaco Silva, que beneficiou de fundos comunitários como nenhum outro, liderou um governo minoritário e posteriormente duas maiorias absolutas. Quando os fundos diminuíram o país também mergulhou em crise, ou já esqueceram os tempos do “discurso do oásis”? No final do mandato, os portugueses estavam fartos do PSD, o autismo, a arrogância, tiveram elevados custos eleitorais, perdendo o PSD as legislativas para António Guterres e Cavaco Silva as presidenciais para Jorge Sampaio.
No final de 2001 após uma hecatombe eleitoral autárquica para o PS, que não deveria ter implicações no governo, António Guterres demitiu-se, o célebre discurso do pântano e no início de 2002 foi eleito Durão Barroso, prometendo um choque fiscal, que nunca cumpriu. Manuela Ferreira Leite foi nomeada para as Finanças, a promessa eleitoral de baixar impostos, foi esquecida, ou pior, vários impostos subiram. Veio a cimeira das Lages, o Euro 2004, Durão Barroso foi tratar da sua vida em Bruxelas e deixou Pedro Santana Lopes na liderança do governo. Os erros e trapalhadas foram de tal ordem, que em poucos meses o executivo foi exonerado e José Sócrates alcançaria a primeira maioria absoluta para o PS.
Em 2011, após o chumbo do PEC IV, o governo de José Sócrates foi forçado a assinar um memorando com a troika, que permitiu ao país o resgate financeiro, mergulhando o país na austeridade. Convém relembrar que era Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva e nas negociações esteve presente Eduardo Catroga, antigo Ministro das Finanças num governo do PSD, pelo que a hipótese de terem ficado surpreendidos quando o governo de Pedro Passos Coelho tomou posse, não passa de conto de fadas. É verdade que o governo de José Sócrates delapidou as contas do país, mas não é menos verdade que no PSD sabiam exactamente ao que iam quando se apresentaram a eleições, só que esconderam aos portugueses a terapia que se preparavam para aplicar, dizendo em campanha que não seria aumentar impostos e chegados ao governo, sofremos um brutal aumento de impostos.
PS e PSD são duas faces da mesma má moeda, um bloco central de interesses que partilham, negociando com o Estado ou empregando os seus militantes nos cargos da Administração e empresas públicas. Uma clientela que nos entra diariamente em casa através da televisão, apelando à moderação, ao bom-senso, transmitindo a ideia que o nosso fado é sermos governados em alternância por um destes dois partidos. E nisto estamos há quarenta e oito anos, desde 1976 que o PSD sucede ao PS, para depois o PS suceder ao PSD. E qual tem sido a evolução de Portugal com este rotativismo?
Lembrem-se disto quando ponderarem votar útil nas próximas eleições, seja no PS ou AD…

Comments

  1. JgMenos says:

    Fica por dizer que o ‘brutal aumento de impostos’ foi o resultado de não se mexer na ‘brutal despesa pública’ no essencial composta de salários, que a tanto monta a gestáo esquerdalha: criar emprego público, diminuir-lhes o horário de trabalho, somar regalias e pontes, aí colocar a boyada e garantir uma massa de votos.
    Agora até lhe somam os imigrantes com voto, postos com cama e mesa,, que sempre fica mais barato do que salários com carreiras!!!!

    • POIS! says:

      Pois, mas…

      Rejubilai portugueses direitrolhas, que vão poassar a ser todos! Usem as vossas cuecas com os símbolos nacionais que o milagre vem a caminho!

      O Venturoso Quarto Pastorinho vai conseguir diminuir a despesa pública com medidas firmes como, aumentos dos polícias (é sagrado!), bombeiros(é sagrado!), guardas prisionais (é sagrado!), militares (é sagrado!) enfermeiros (é sagrado!), etc. recuperação do tempo de serviço dos professores, aumento de todas pensões mais baixas para o ordenado mínimo, que aumenta também, reforço dos subsídios aos agricultores (é sagrado!), acordos com o setor privado para médicos de família que o privado irá buscar ao público a peso de ouro, isto para mencionar só metade!

      Ao meso tempo que se implementa um choque fiscal tão intenso, tão intenso, tão intenso, que as taxas se aproximarão do zero e, futuramente, passarão mesmo a negativas, recebendo os contribuintes em vez de pagar, como agradecimento por serem portugueses e honrarem os símbolos nacionais.

      Como vai ser financiada esta revolução? Pois com o retorno de tudo o que está nos off-shores, o património do Sócrates e do Pinho, um imposto sobre os lucros extraordinários dos vendedores de roupas nas feiras, o património do Sócrates e do Pinho, a produção dos banqueiros sujeitos a trabalhos forçados, o património do Sócrates e do Pinho e um imposto sobre o volumoso património imobiliário dos partidos da esquerdaria, bem como o património do Sócrates e do Pinho.

      E ainda pelo produto do crescimento económico induzido por tão arrojadas medidas, que se calcula seja de 20 % do PIB ao mês, durante os próximos 60 anos. (1)

      (1) Prazo calculado para o apagamento e subida aos céus do Venturoso Pastorinho após uma vida dedicada aos milagres e aos pobrezinhos.

    • Pequeno problema, tudo isso desce há décadas, e pioram as contas e a vida das pessoas. É falta de fé, certamente, outros conseguem prometer a descida de entradas garantindo que tudo melhora imediatamente graças às vibes. Outros ainda prometem tudo e o seu contrário, pelo que, certamente, estarão certos.

  2. POIS! says:

    Pois, mas o pior…

    Foi o que, lamentavelmente, aconteceu com a Autoeuropa.

    Fartos de alterne, e após várias greves selvagens, ou ainda piores, que frequentemente lhe quebravam a cadeia de produção (que os operadores do armazém, manhosos, tocados por sindicaleiros comunistas, diziam ser “falta de peças”…), os investidores resolveram deslocalizar, disfarçadamente e pela calada da noite, a produção para as Filipinas (1).

    Vai ser lindo, quando o próximo Governo, seja ele qual for, reparar que as linhas de montagem foram encaixotadas em caixas de cartão e o barco que as leva já está ao largo, a caminho de Manila. (2)

    E mais embasbacados vão ficar os operários comunistoides, quando voltarem da campanha eleitoral para onde foram requisitados pelo Partido.

    (1) Já viram o novo “layuot” do Sharan? Parece um sapato da Imelda Marcos. E não é por acaso!

    (2) Pela África do Sul, não vá apanhar um balázio dos Hutis.

    • Quanto fechar, por falta de vontade e capacidade do dono adaptar a producção às nova procura eléctrica a tempo e horas, será certamente esse o argumento. Mas continuo também à espera que o António me mostre o mercado a corrigir as falhas de segurança da Boeing lá no país sério, que estão cada vez mais interessantes.

  3. Portanto, a conclusão é que o modelo (de deixar as pessoas cada vez mais entregues a si próprias) é bom, mas falta convicção e contractar pessoas que não se conhecem de lado nenhum para dirigir as coisas, que certamente não terão interesses nenhuns.

    • Anonimo says:

      Contractar salários. As pessoas não são contractadas (só no pensamento)

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