
A queda de Bashar Al-Assad é uma excelente notícia. Como foram boas as notícias da queda de Saddam ou Khadafi.
O problema, derrubados que estavam os ditadores do Iraque e da Líbia, foi não haver um plano para o dia seguinte.
O resultado? Ambos os países conseguiram a proeza de se tornarem ainda mais ingovernáveis e infernais para os seus habitantes.
O Iraque de 2024 é palco de incessantes conflitos entre inúmeras facções e atentados terroristas semanais, quando não diários.
A Líbia vive um caos idêntico, com a agravante de se ter transformado num mercado esclavagista e numa plataforma giratória de tráfico de seres humanos.
Digamos que é uma tendência: sempre que os EUA decidem exportar a democracia para o Médio Oriente, a coisa corre mal. Não apenas no Iraque ou na Líbia, mas noutras experiências falhadas como o Afeganistão. Os próprios aliados americanos na região são exemplos a não seguir em matéria de democracia. Seja a monarquia absoluta e totalitária – no sentido norte-coreano do termo – da Arábia Saudita, seja o regime expansionista e agressor de Israel, que conduz hoje um genocídio de forma mais impune que há memória.
Avançando para o ontem, em que se oficializou a fuga de Assad e a aparente queda do regime que vigorava há décadas na Síria, a imprensa nacional e estrangeira apresentou-nos os jihadistas da Hayat Tahrir al Sham como “rebeldes”, no sentido romântico da palavra, e o seu líder, Abu Mohammad al-Julani, como um “radical pragmático e moderado”.
Que Al-Julani é pragmático, disso não resta a menor dúvida. Mas de moderado tem pouco. Liderou a Al-Qaeda na Síria até 2016. O grupo que comanda é considerado uma organização terrorista pelos EUA, Canadá, UK e União Europeia. O seu objectivo é transformar a Síria num regime islâmico ultraortodoxo, o que equivale a dizer fundamentalista, e impor a Sharia.
Mas sim, para efeitos de propaganda, interessa romantizar esta gente. Não porque Bashar al-Assad seja um carniceiro que sabemos que é, característica nunca impediu o Ocidente de manter boas relações com outros regimes, como o saudita, mas porque o regime sírio era aliado de Moscovo. É isto, e apenas isto, que tem o poder de transformar os jihadistas em rebeldes. Tal como, outrora, Reagan elevou à categoria de “freedom fighters” os mujahedins que haveriam de edificar esse baluarte da liberdade que dá pelo nome de Taliban.
Achamos sempre que é cliché, mas a verdade é que a história se repete, uma e outra vez. Pobres sírios. Tanta guerra, destruição e morte para se verem livres de uma ditadura laica, só para acabarem submetidos a uma ditadura religiosa. Mais uma exportação de democracia concluída com o habitual sucesso.







Citando:
“Digamos que é uma tendência: sempre que os EUA decidem exportar a democracia para o Médio Oriente, a coisa corre mal”.
Apoiado. Aliás, não sei como se pode exportar o que por lá não abunda, nem para consumo interno.
E a partir de janeiro ainda será pior!
Ai os ditadores!
São tão maus e tão necessários.
Sempre a melhor solução é as pessoas que querem viver em liberdade dirigirem-se para onde ela exista, que desde que roubem o ricos lá do sítio todos serão felizes.
Esse mundo multipolar é o ideal do momento quer da equerdalhada quer dos autocratas; sem que uma coisa tenha nada a ver com a outra, obviamente!
Se não fora os americanos e os demais exportadores de democracia todos seriam felizes.
Viva a Al-Qaeda v3!
Estimado Salazarento ignorante
Estás a falar dos americanos, dos que pagam milhões aos que votam no seu candidato.
Grande exemplo de democracia, num país em que si os ricos têm possibilidade de estar doente. Os outros ou são enganados pelas seguradoras ou morrem.
Ou seja, não é uma boa notícia fora da torre de marfim em que tudo está isolado de tudo, ou de que a América e a entidade sionista está sempre bem.
Erdogan e Netanyahu já conquistam e destroem, e enquanto a esquerda liberal festeja, nem se apercebe que uma nova onda de refugiados vai entregar o poder que falta à extrema-direita na eurolândia – o legado de Biden.
Parece que a eurolândia já näo vai aceitar mais refugiados sírios, e está á a mandar de volta os que tem. Vede a Áustria.
O que é paradoxal é que agora os refugiados seriam na maioria cristãos… porque o único que os protegia era o ditador Assad, que até celebrou a libertação de Alepo com a iluminação da árvore de Natal no centro histórico da cidade mártir.
Entretanto, os terrorist… perdäo, os “rebeldes pragmáticos e moderados” já mandaram abaixo essa árvore, “símbolo da heresia”.
Pouco falta para recomeçarem a curar as dores de cabeça dos cristãos e outras minorias.
VIDAS! Ou melhor…
Pode tentar, mas os coitados não têm muito para onde fugir.
A queda de Bashar Al-Assad é uma excelente notícia
Para quem?
Só se for para os liberachos e ultraconservadores americanos. Certamente não para os sírios ou para o mundo civilizado
Fedes a putinesco comuna!
Putin é um aliado dos liberachos.
Não é um homem de esquerda, nem perto disso
Pois, já Vosselência é só perfume…o que será?
É mesmo! Sente-se o efeito do desodorizante Venturaxe, o dezodorizante dos pastorinhos!
Venturaxe enfrenta até o odor salazaresco mais incrustado!
Chega de odores delatores! Com Venturaxe o suor salazaresco até cheira a fresco!
Sim, meu bandalho. Estávamos todos bem melhor sem os Estados Unidos e, já agora, sem Israel.
Israel que está agora a avançar em território sírio e a bombardear a torto e a direito.
E quem acha que o linchamento barbaro de Kadhafi foi uma boa notícia devia ir, tal como tu, ir ver se o mar da tubarão branco faminto.
Cheiras a Salazar e Cerejeira que até metes nojo e quanto mais velho menos vergonha tens nesse focinho.
Eu não preciso de ir para ditadura nenhuma.
Estiveste ano e meio em estado de emergência em nome de te protegerem de uma doença, nem te deixavam entrar num restaurante sem levar com o piachaba nas ventas se não metesses no corpo uma merda experimental que matou gente, continuam a vender nos aquela porcaria como segura e ainda achas que és livre.
A queda dos ditadores que não vendem o seu país em saldo é uma boa notícia sim para os que querem roubar o que lá há. Como o Ocidente. Para o seu povo não é de certeza.
No caso dos sírios, para além do fanatismo religioso, ainda estão a levar com os sionistas que avançam a Sul e bombardeiam a torto e a direito.
Com essa e que não contavam quando decidiram que era melhor depor as armas e deixar a sua população cristã acabar de ser massacrada. Sem contar com as suas mulheres.
Vai ver se o mar da tubarão branco cheio de larica o João.
Não seja injusto. Essas acusações a um homem de esquerda é exactamente o que os liberachos pretendem. Dividir e conquistar.
O resto não há como não subscrever. Os neolibs, em conluio com big Tech, fizeram uma experiência social, de manter o rebanho dentro de portas, e funcionou. As picadelas foram apenas um item na longa lista, quiçá o menos importante, comparado com a restrição total de liberdades e garantias.
Há, conhecer a ciência, mas não há paciência nem tempo, e há coisas mais importantes.
Saíste da fossa para debitar inanidades?
E o Kadahfi? Que barbarismo, nem o deixarem cair de uma janela!
Só quem não te conheça…
O Kadafhi mantinha aquilo estável, ao contrário dos amigos do sr Jolani que trouxeram a liberdade de decapitações e mercados de escravos.
Estimado Salazarento menor
Cada vez menor o estimado guarda livros Salazarento.
Mas felizmente aqui neste blog, todos te conhecemos, mesmo os teus confrades ideológicos, .
“Jiliani anuncia na grande mesquita de Damasco que o HTS tinha a intenção de libertar a Palestina. ”
Precisamos de perguntar quem controla este tipo!
(Precisamos também de repensar quem “ganhou ou perdeu” com a queda de Assad e, se quisermos ir mais longe, podermos perguntar se ele, num futuro próximo, pode reentrar em cena.)
Mas o anúncio de Jiliani é inteligente.
Isso uniria todos os sírios — exceto os curdos, formaria uma aliança com o Hezbollah, ganharia apoio iraniano e do Iraque e ganharia os aplausos de 2 bilhões de muçulmanos.
O sultão Erdogan seria obrigado a apoiar o movimento, para o deleite dos turcos.
É uma ótima ideia!!!
Em vez de liderar uma facção jihadista destinada a continuar lutando com os outros por qualquer coisa pela qual eles lutem, ele poderia liderar Os Fiéis contra o Grande Satã.
Um roteiro muito melhor para o decapitador.
Então não tinha, a partir dos hospitais onde eram curados. Pedir desculpa pela única vez que, por acidente, acertaram num alvo sionista era o disfarce perfeito, mas a pérfida Rússia deixou-os já rebentar com o armamento todo, que chatice.
Alguém pode explicar-me o que é um radical moderado?
É um tipo assim, tipo, dos que fazem abstenções violentas e coisas, tipo, desse tipo.
Faz parte da contra-reforma, tal como o calvinismo.
É o opositor do radical livre
É um conservador progressista.
Aos amantes do genocida Assam e o seu clã: A CIA utilizou a Síria como um destino de pessoas que raptava (“ghost detainees”) no programa “Extraordinary Rendition” para serem torturados.
https://www.counterpunch.org/2024/12/12/our-man-in-damascus-when-syria-deployed-its-torture-chambers-and-torturers-for-the-cia/
Agora toda a gente que não se gosta é genocida, porque não. Menos os colaboradores dos sionistas, que até podem ser wahabistas.
O que vale é que agora passa a haver menos tortura e mortes, excepto as que estão a acontecer a ritmo maior, mas é com abertura do mercado e selo de aprovação do império, por isso tá tudo. Até para os Druzes.
Excelente notícia? Essa é boa! Deve ser como aquela que o Ocidente levou os talibans terroristas ao poder no Afeganistão!!! è preciso ser-se muito ingénuo…