Carta do Canadá – Sombra dos nossos dias

Na Europa e no Mundo, não estamos a viver dias claros e límpidos. Somam-se as sombras da angústia, da preocupação, da incerteza.

Erdogan, o ditador turco cujas subterrâneas simpatias pelo Daesh são tão inexplicadas como as suas opiniões fanáticas acerca das mulheres que estudam, trabalham e vestem à ocidental, acaba de decretar o estado de emergência por três meses – depois dum golpe militar de origem mais do que suspeita que ele aproveitou para caír como um milhafre sobre a população. Tem sido um trágico cortejo de prisões e despedimentos de militares, magistrados, professores e jornalistas. Alguns turcos que fugiram para o mundo livre fazem saber, através das televisões, que há populares decapitando opositores de Erdogan na ponte do Bósforo. Tal qual fazem os membros da seita Daesh, a que não esconde querer estender o Califado à Europa ao mesmo tempo que as suas hostes são bombardeadas e dizimadas no Médio Oriente. Os sequazes de Erdogan que enchem as ruas de Istambul não precisam que a pena de morte seja instituída, por via parlamentar. Já a praticam. Impunemente.
[Read more…]

Medo, terror e indiferença

Pray

Esta noite, o terror voltou a sair à rua. Bastaram duas bestas e um camião TIR, e o resultado foram centenas de pessoas atropeladas numa avenida movimentada em Nice. O número de mortos, na casa das largas dezenas, continua a aumentar. Mais de 50 feridos em estado grave. Um número indeterminado de feridos ligeiros. Pânico nas ruas, bandeiras de França no Facebook e notícias sobre indivíduos virtuais que celebram e aparentemente reivindicam o ataque. A pátria da liberdade, igualdade e fraternidade de novo em estado de sítio.  [Read more…]

Terroristas reuniram-se há 13 anos

Na base das Lajes. Será que Durão Barroso continua convencido que o Iraque tinha armas químicas? – Poderá ele mostrar essas provas ao mundo?

Ser e fazer tudo aquilo que eles detestam

an die freude

Quando eu soube a notícia dos atentados estava a ir buscar o meu irmão a um concerto no Campo Pequeno. A primeira coisa que, naturalmente, me atravessou o espirito foi “e se fosse ele? E se fosse eu?”

Depois achei que seria uma boa ideia tentar ver e ouvir testemunhos dos ataques, das pessoas que sobreviveram. Pensei eu, numa vã e absurda tentativa, que ao ver aquilo eu poderia estar preparada caso me acontecesse. Podia pensar, ora se algum dia estiver num concerto e um sacana qualquer abrir fogo eu posso fazer isto ou aquilo. Esconder-me, baixar-me, fingir que estou morta. Rapidamente percebi que estava só a tentar enganar-me e acalmar-me. Não valia a pena estar a ver aquelas imagens que me deixaram ainda pior do que estava. Não há forma absolutamente nenhuma de controlar. Há sorte. A sorte a que uns podem chamar Deus, a sorte que eu chamo o acaso. O acaso de alguém se sentar dentro ou fora de um restaurante, de estar mais perto da porta numa sala de espectáculos ou mais longe, a sorte de ter decidido não ir a um determinado sitio numa determinada noite, a sorte de ter apanhado trânsito ou perdido o autocarro. A sorte que é lei neste mundo feito de probabilidades.

Durante todo o Sábado não consegui rir-me. Eu rio-me muito e choro muito pouco. Às tantas dei por mim, estupidamente e incompreensivelmente, a chorar. Não com imagens de pessoas mortas mas com uma descrição de pessoas a ajudarem-se umas às outras: os taxistas que não cobraram para levar as pessoas para casa, as pessoas que gritavam os números das portas dos prédios para os que fugiam se puderem refugiar. Porque no meio de toda a desumanidade e crueldade o que é revolucionário é a bondade das pessoas. E só me ri no Domingo, de repente, quando um rapaz diz que a razão pela qual ele e a namorada se salvaram é porque tinham discutido e abandonado a esplanada mais cedo.

[Read more…]

Existe petróleo em Palmira?

Palmira

Foto@Expresso

A escumalha do Estado Islâmico continua a deixar um rasto de destruição por onde quer que passe. Depois de Hatra, Nimrud ou da destruição das estátuas em Mossul, os radicais que empunham armas ocidentais amavelmente cedidas para combater o demónio Al-Assad controlam agora as ruínas da cidade de Palmira, património da UNESCO e um dos registos históricos mais antigos da humanidade. Pelo caminho, pilhas de cadáveres acumulam-se nas bermas das estradas e mulheres que nunca chegaram a conhecer o significado da palavra liberdade são agora escravas sexuais destes vermes sunitas.

Não consigo, por muito que me esforce, encontrar uma justificação para a passividade dos polícias do mundo. Invadiram o Afeganistão com o pretexto de apanhar Bin Laden, invadiram o Iraque usando pretextos absurdos quando o seu único intuito era controlar os recursos do país e substituir o outrora amigo Saddam por novas marionetas, armaram terroristas para derrubar Al-Assad e agora que este lixo humano mata e destrói tudo a sua volta é vê-los quietos e calados, entre ocasionais ataques aéreos que não parecem sequer beliscar a rolo compressor que oprime a Síria e o Iraque. Será que as jazidas secaram por aqueles lados?

Direitos humanos em jeito de assim…

62_C-AC_18-2-00_Bush-iraque
Hoje deve ser dia de festa entre os capangas do clã Bush, nomeadamente a quadrilha do Bush II. Mais uma vitória dos direitos humanos, que brilha entre as muitas que estas poderosas forças de exportação de felicidade têm espalhado, nomeadamente no Médio Oriente.

Depois da transformação brutal e sangrenta do Iraque (que era uma república laica, se bem que autocrática, com alguma preocupação de redistribuição de recursos sociais) numa teocracia governada por loucos fanáticos, têm-se sucedido inovações que brilham entre os maiores recuos históricos de que há registo. Hoje soubemos que as novidades em matéria de direito de família contemplam normas como o casamento das mulheres aos nove (9!) anos – dando assim dignidade legislativa e sagrada à pedofilia -, o desaparecimento da noção de violação no casamento – pelo que crime passa a ser qualquer resistência da mulher aos caprichos do marido – e a interdição da mulher sair à rua sem a expressa autorização do marido (e ainda há ingénuos entre nós que pensam que o feminismo é coisa ultrapassada). [Read more…]

Guantánamo está-me a matar

Prisioneiros em fatos de macaco laranja aguardam numa área temporária sob o olhar atento da polícia militar no campo “Raios-X” na Base Naval de Guantánamo, em Cuba, durante o processamento para o centro de detenção temporária em 11 de janeiro de 2002. Aos detidos vai ser dado um exame físico básico por um médico, que inclui uma radiografia do tórax e recolha de amostras de sangue para avaliar a sua saúde. Foto do DoD (departamento de defesa) pelo sub-oficial de primeira classe Shane T. McCoy, da Marinha dos EUA.

Os EUA mantém prisioneiros em Guantánamo, à margem de todas as leis, sem acusação e sem julgamento homens sem qualquer esperança (muitos deles capturados ainda menores). As notícias nos media normais sobre este caso em Portugal são mínimas (ao contrário do que aconteceu quando os criminosos combinavam a guerra de agressão).

A seguir ao corte pode ler o testemunho de Samir Naji al Hasan Moqbel, preso há 11 anos em condições desumanas (traduzido do New York Times).

[Read more…]