Negócios de Paz

Na Arábia Saudita, uma ditadura tão ou mais violenta que a russa, Washington e Moscovo discutiram a paz para a Ucrânia. Sem a presença da Ucrânia ou de qualquer dirigente europeu. Será, tudo parece indicar, a paz que se previa desde o início: a paz que beneficia o agressor e que oficializará a ocupação de parte do território ucraniano. Ucranianos – e europeus – aprenderão uma importante lição, recentemente aprendida, da pior maneira, por afegãos e curdos: os EUA usam e deitam fora os seus proxys. E não, não é de agora.

Marco Rubio, que liderou a comitiva americana, deixou um aviso à UE: “terá que estar à mesa em algum momento, porque também tem sanções que foram impostas”, acrescentando que todas as partes devem fazer concessões, incluindo a parte que não foi tida nem achada nas negociações. Ou seja, o que Rubio nos está a dizer é que devemos deixar cair as sanções para garantir um acordo que não nos diz respeito.

Abanaremos o rabo, como Putin antecipou?

Tudo indica que sim.

O secretário de Estado norte-americano rematou com um “O objetivo é pôr fim a esse conflito de uma forma justa, duradoura, sustentável e aceitável para todas as partes envolvidas”. Justa para os interesses russos e americanos, leia-se. Ou, dito de outra forma, justo para os interesses dos amigos de Trump, onde se inclui Putin e a oligarquia russa. A parte ucraniana vai perder território. Mas talvez ganhe uma Trump Tower.

No seguimento da reunião, o embaixador russo na ONU já veio afirmar que a Ucrânia perdeu as regiões ocupadas “irreversivelmente”. Não apenas o Donbass e a Crimeia, mas também Zaporijia. Já Rubio alertou que, apesar de não terem lugar à mesa, deverão ser os europeus a garantir a paz no pós-guerra. E os europeus, obedientes, talvez o façam. Já os americanos, como oportunamente referiu o secretário de Estado, estão mais focados em explorar as “oportunidades extraordinárias” de uma maior cooperação geopolítica e económica entre EUA e Federação Russa.

Business as usual, versão extrema-direita.

Bem-vindos à nova ordem mundial.

Comments

  1. Asnonimo says:

    Nova?

    Foi o Trump que criou um narcoestado na Europa, com anuência da UE, desde que pudesse lá plantar umas bases militares?

  2. POIS! says:

    Então mas…estou confuso…

    Então a guerra não estava quase ganha? Os 50 perigosos “Leopard” não deram a volta à coisa? Nem os “Abrams”, que até andam a jato? Os russos não bateram em retirada?

    E os F-16? Não puseram o Putin a respeito?

    E a autêntica bomba atómica que foi o “desligamento” da Federação Russa do SWIFT? Então a economia russa não está de rastos sem MCDonalds e Kentucky Fried Chicken?

    E o ajustezinho de contas, em posts a cada quarto de hora, com a suposta “esquerda pró Putin” já acabou, ou continua na próxima guerra?

  3. Como se o antecessor não tivesse beneficiado o invasor Azerbaijão, Marrocos, e a colónia sionista, esses sim a cometer limpeza étnica a genocídio, lamento, sem grandes ameaça que não criem e provoquem; não são europeus, nem houve campanha de “jornalistas independentes”.
    Se é a regra, a novidade é ser à boca para fora e a Eurolandia não estar preparada, ou ser incompetente, para lidar com o inevitável. Ou o proveito chegar mais directamente ao querido líder, invés de através do lucro dos financiadores aplicado no financiamento de campanha, criação de carreiras, e insider trading – o proveito do complexo militar e das energéticas tá bem distribuído pelas pessoas muito preocupadas com a “liberdade e democracia”.
    Resta à eurolândia deixar-se de merdas de ser o paraíso civilizado, como se ainda não dominasse as ex-colónias, e assumir que se quer ser soberana tem que ter a sua política e nem aceitar nem se meter na dos outros; de resto, cheia de narrativas falsas e contraditórias que haviam de rebentar na cara.

  4. JgMenos says:

    Quem vendeu por décadas o pacifismo à Europa e o daí derivado mais tempo de subsídios do que de trabalho, sabe hoje que esteve a promover a sujeição a impérios e oligarquias sob múltiplas ideologias.
    Na Ucrânia discute-se agora quem ocupa e quem explora o sobrante.

    Uma qualquer forma de serviço militar obrigatório é o menor dos sinais que importa dar a essa cambada.

    • POIS! says:

      Pois citando, Menos, mas citando…

      “Uma qualquer forma de serviço militar obrigatório é o menor dos sinais(…)”

      Pois! E que forma?

      Pode ser,assim, um serviço militar obrigatório a distância, frequentado a partir de casa e comandado por aquela Inteligência Artificial que a malta liberalesca do Calhau quer usar para substituir os professores nas escolas? (*)

      Ou uma ressurreição dos Comandos Africanos e dos Flechas, sob o comando do Venturoso Irmão Pastorício Mathathá Ribeiro?

      Ou um contingente da Venturosa Juventude Pastorícia a fazer ordem unida à voz de comando dos Sargentos Carroceiros Melo, Frazão e Matias, num intervalo das atividades parlamentares?

      (*) Esta seria a forma ideal para os filhos de “boas famílias” com uma panóplia de grandes oportunidades e uma carreira brilhante nas empresas do papá, assim tipo dos “meninos bem” que, no tempo das guerras salazarescas, ficavam a defender Lisboa de uma ofensiva dos “turras” e, posteriormente, passavam sistematicamente à reserva territorial “por sorte” na lotaria da tropa…

    • Ser quer defender a oligarquia europeia, está à vontade; à maior parte das pessoas tanto lhes faz, e demoravam bem menos a decidir sabotar o recrutamento.
      Mas, é pá, pensei que a exploração era só o capitalismo a funcionar, é contra o quê? Ainda por cima pelos iluminados americanos?

  5. Whale project says:

    E a acontecer como tu dizes e a primeira vez que um invadir sai a ganhar?
    Por acaso quem destruiu o Iraque e a Libia, e, mais recentemente a Síria foi sancionado?
    Algum desses dirigentes, incluindo o diligente empregado de mesa da Cimeira da Lages estão a apodrecer numa masmorra de Haia como merecem?
    A Ucrânia, e já agora, a União Europeia só estão a ter aquilo que merecem por terem patrocinado uma guerra visando a destruição de um país.
    Quanto as populações do Donbass e da Crimeia estão de certeza mais seguras com a Rússia assim se consigam arrancar todas as unhas a Herr Zelensky e seus banderistas.
    Mas não te preocupes que ainda há uma esperança. Trump já garantiu que se houver eleições na Ucrânia ainda se pode resolver alguma coisa.
    Como se eleições num país tomado por nazis e com a Gestapo lá do sítio a matar que se farta pudessem ser livres e não um mero acto de legitimação de Herr Zelensky.
    Já agora, o salazarento de serviço ladra sobre serviço militar obrigatório porque sabe que e demasiado velho para o porem a marchar.
    E se alguém recebeu sem trabalhar foi ele enquanto foi Pide pois que torturar não e trabalho, e malvadez.
    Vão ver se o mar da choco.

  6. JgMenos says:

    A carneirada órfã do jugo soviético sempre ladra, como se a aliança com os nazis não fosse o início da IIGG e o coirão do Putin não fosse o seguidor do imperialismo russo de sempre.
    Tudo que lhes cheire a subir na vida por lamber botas e dar o cachaço a chefinhos, é onde põem o seu serviço de coirões dados à mentira e ao engano.
    Falem-lhe em liberdade e seu liberalismo de dar caminho a quem faça pela vida por seu esforço, e logo lhes lembram canseiras insuportáveis!

    • O início da IIG foi a invasão da China pelos teus homólogos Japoneses. E se queres falar do pacto de não agressão, o Reino Unido e França iam em três, a ver se morriam os outros a derrotar o comunismo.
      Calha a outros a liberdade de comprar a Ucrânia, azarito para a eurolandia a quem as colónias finalmente expulsam.

  7. Tuga says:

    Estimado mas repugnante Salazarento menor

    Deverias ter aprendido na escola da PIDE em 7 Rios, que essa treta da aliança da URSS com Hitler é apenas publicidade para uso interno, para formação da “tropa” da Mocidade Portuguesa e Legião Portuguesa e de alguns trouxas liberais.
    Se Estaline não tivesse arranjado esse tempo de espera com esse tratado de não agressão, Hitler chegava a Moscovo sem qualquer resistência. E sem qualquer ação ou solidariedade por parte do liberocas Churchil que até ficaria contente.
    Assim quando os broches resolveram atacar a união soviética já encontraram resistência. Temos pena, mas os teus amigos nazis encontraram alguém que os topou e conseguiu ter tempo para preparar a defesa.

    • JgMenos says:

      Não te digo ignorante porque és tão só mentiroso.
      O coitadinho do Estaline esteve tão confiante na aliança com o Hitler que só a assistência dos Aliados e a mortandade de russos mal armados que mandou para o combate o safou.
      Ocupou-se foi de liquidar milhares de Polacos e de festejar a ocupação da Polónia e dos Estados Báltico.

      • Tuga says:

        Estimado mas repugnante Salazarento menor

        Estavam mal armados relativamente aos teus nazis, mas conseguiram dar a volta na guerra a custa de muitas perdas é verdade, mas com muita coragem e amor pela pátria, coisa que os teus nazis desconheciam !
        O exército vermelho, mesmo com todas as limitações obrigou os a mericanos a apressar o desembarque na Normandia para conseguirem chegar a Berlim rapidamente, ao contrário do que tinham pensado fazer inicialmente, que era desembarcar no sul de Itália.
        O exército vermelho mesmo mal armado conseguiu fazê-los correr para chegar a Berlim rapidamente.
        Sobre os os teus heróis fascistas dos estados bálticos e Polónia, ao serviço dos alemães que muitas vezes eram mais criminosos que os próprios boches, tiveram o que mereceram. Mas deves estar bem informado sobre isso, pois devia ser matéria das aulas da PIDE nos anos 60, lembras-te ?

      • As ondas humanas sem armas e a cavalaria da democracia polaca mostram o que vale a propaganda com que te educaram.

  8. Júlio santos says:

    Não, quem está a abanar o rabo é o sr. Tramp ao sr. Putim. Espera-se que a Europa não se reveja nesta triste e má figura do sr.Trump.
    .

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