Comparações erradas entre armas no Iraque e no Irão

Na cacofonia do debate sobre o desenvolvimento de armas nucleares no Irão, foi lançado o argumento que equivale a inspeção de armas de destruição em massa ao Iraque em 2003 à inspeção de desenvolvimento de urânio enriquecido ao Irão em curso. Não se equivalem.
Quem leu o livro “Desarmando o Iraque” (título francês mais explícito: “Irak, les armes introuvables“) de Hans Blix, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e diretor das inspeções no Iraque em 2003, não tem dúvidas nenhumas que o resultado das inspeções foi negativo e que a Administração W. Bush mentiu para provocar uma guerra. Para reforçar esta conclusão, Hans Blix dá o exemplo das inspeções realizadas pela AIEA em 1998 em que foram encontradas provas de uma tentativa para desenvolver armas nucleares no Iraque. Um programa então encerrado com a supervisão da Agência.
No caso do Irão, sabemos desde 2008 que o Irão está a tentar enriquecer urânio para lá dos 5% (o máximo para aplicações civis). Aliás, nos termos do Plano de Ação Conjunto Global assinado em 2015, o próprio governo iraniano admite a generalidade das conclusões sobre o desenvolvimento do seu programa nuclear. A novidade agora é que os inspetores da AIEA encontraram provas do desenvolvimento de urânio enriquecido acima dos 60%. As conclusões do último relatório (12 de Junho de 2025) são claras:
While safeguarded enrichment activities are not forbidden in and of themselves, the fact that Iran is the only non-nuclear-weapon State in the world that is producing and accumulating uranium enriched to 60% remains a matter of serious concern, which has drawn international attention given the potential proliferation implications.
Os métodos de Israel e dos EUA violam os tratados internacionais e, pior, não garantem que o Irão pare o seu programa nuclear militar e estão a empurrar o Irão para o fim da cooperação com a AIEA, que é o pior que pode acontecer. Não é a Mossad infiltrada que vai avaliar se o urânio está enriquecido a 5% ou 60%. A presença dos inspetores da AIEA é essencial.
Há influência diplomática suficiente entre os países do Plano de Ação Conjunto (inclui China, Rússia, UE e inicialmente EUA) para fazer o Irão aceitar as suas decisões, tal como estava a acontecer antes da estúpida decisão de Trump de abandonar estes acordos em 2018.

 

 

Comments

  1. blizzardexactlyd7741a8fc1 says:

    Enriched TO 60% não se traduz em portuguès por «acima dos 60%» como é escrito no texto. Tenho para mim que o rigor nesta tradução teria sido importante e que este “erro” é benéfico para os carniceiros sionistas.

    • JgMenos says:

      De 5 a 60, o que o justifica?
      De 60 a 90 é um instantinho.
      Mais um anti-ocidente com suas raivinhas a ambicionar poder para tudo que se lhe oponha – até as teocracias lhes servem!
      Que Allah te gratifique, treteiro.

      • Tuga says:

        Estimado Salazarento menor

        Não sabia, mas ficámos todos a saber que para além de fanático Salazarento quase 60 anos depois da fatídica cadeira, também és um apoiante dos criminosos marranos.
        Se não sabes o que é um marrano consulta a Wikipedia

      • Medo, a jihad já globalizou a intifada em Nova Iorque!

  2. Depende do que se queira comparar. Pode-se comparar que dois entre muitos vizinhos da colónia a destruir ou desestabilizar até ao leste Asiático. Também se pode comparar com a Coreia do Norte, sobre a qual abandonaram a propaganda e desejo público de mudança de regime quando garantiram a dissuasão.
    Certo que é o único pais que usou armas nucleares, bem como o único que tem e não tem ao mesmo tempo com completa falta de controlo, continuam a ameaçar quem lhes diz que não.

    • blizzardexactlyd7741a8fc1 says:

      Pois! Nem sequer o nome do estado que tem armas nucleares com «completa falta de controlo» O Paulo Marques (do reduzido grupo dentro do Aventar que tem direito a ter o seu nome nos comentários) se atreve a nomear. Que falta faz por aqui o saudoso JJC.

      • As contas são de graça no WordPress e dão para todos; não me pergunte é como é que criei que tou a ficar velho.
        Não usei o nome por figura de estilo.

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