O governo que diz que ouviu dizer que há certas e determinadas pessoas

Maria do Rosário Palma Ramalho, alegada ministra do Trabalho, disse que havia alguns abusos da licença de amamentação, o que daria razão ao governo para alterar a lei.

A alegada ministra não adiantou números.

Entretanto, soube-se que a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) «desconhece casos de trabalhadoras que tenham usado ilegalmente a licença de amamentação nos últimos cinco anos, mas identificou 23 situações de abuso por parte das empresas.»

Mota Soares, há uns anos, enlameou cristãmente alguns beneficiários do Rendimento Social de Inserção, tal como Paulo Portas, antes dele.

Este caminho que implica referir (ou inventar) excepções para justificar novas regras faz parte de uma estratégia cultivada por PS e por PSD e aprofundada pelo cheganismo. O que é preciso é dizer coisas que ficam ditas – os desmentidos nunca chegam verdadeiramente a fazer efeito e o trabalho sujo está garantido.

Se houvesse jornalismo (ainda há jornalistas), a alegada ministra teria de ser confrontada com o que disse. Houve, no mínimo, algum pedido de esclarecimento?

Comments

  1. JgMenos says:

    Dúvidas angustiantes!
    Ou não há abusos ou os patrões são tão bonzinhos que não se queixam.
    Ou a balda é tal que deixar andar é o menos incómodo.

    • António Fernando Nabais says:

      Grande menos, obrigado por teres apresentado números claros e rigorosos, sustentando com o habitual brilhantismo a tua ausência de argumentos.

    • Quando não se sabe, inventa-se. Quando se é apanhado, é mentira. Quando a mentira passa a óbvia, é uma conspiração. Quando o mestre da realidade alternativa é contra, esperem aí, vamos negociar com quem fomos eleitos para não negociar, que os eleitores são para enganar.
      Entretanto, passa o resto da merda pelos pingos da chuva.

  2. francis says:

    Não há registos de abusadoras porque teriam que ser os patrões a queixarem-se disso ao ACT e desde logo terão que enfrentar e provar falso um papel do medico que diz que a madame ainda tem que amamentar. Logo por ai, qualquer patrão desiste. E tambem não estou a ver uma abusadora ir avisar o ACT de que está a abusar do direito, para que conste nas estatisticas. Qual é o problema de mudar a lei para cortar os abusos ? Ora, se não há abusos, ninguem sai prejudicado, portanto…..está bem

    • Nortenho says:

      Que conversa mais trumpista ou chega a, que é o mesmo

    • Ainda ninguém explicou quais são os abusos, reais ou inventados, mas defendem a lei que acaba com o direito para todos com base neles.

  3. balio says:

    Há que ver que o Estado é o patrão de um número substancial de trabalhadores. É possível que o Estado tenha conhecimento de um número de casos em que as suas trabahadoras usam abusivamente os seus direitos.

    Ou seja, o Estado pode não ter conhecimento de casos destes no setor privado, mas saber que eles existem no setor público.

    O Estado pode estar, de facto, a alterar a lei no sentido de se proteger a si mesmo, e não no sentido de proteger empregadores privados.

    • António Fernando Nabais says:

      Boas piadas, balio.
      «É possível que o Estado tenha conhecimento…»
      «o Estado pode não ter conhecimento»
      Ou seja, é possível que o Estado não tenha conhecimento ou não saiba. Ou seja, ainda: o Estado não sabe, a ministra também não sabe e limitou-se a arrotar umas postas de pescada que servirão de base para mais uma supressão de direitos. Boas piadas.

    • Tudo é possível para quem tem a fé necessária. Só não dizem os números porque estão ocupados com os incêndios… perdão, com a praia.

  4. Se há abusos, avance-se com a lei. Se não há, avance-se na mesma. Qual é o problema?

  5. Whale project says:

    Claro Julio, avançasse na mesma. Quantas crianças e que já mamaram nas tuas tetas? Sabem por acaso a quantidade de gente que nem medico de família tem, ganha o ordenado mínimo e não pode pagar consulta privada, pelo que nunca conseguirá obter o malfadado atestado médico que se passou a exigir logo a partir dos seis meses?
    E estejam descansados que não há abusos. A maior parte das mulheres teem trabalhos precários e nem se atrevem a abrir pio se pelo menos tiverem tido a sorte de não terem sido despedidas por estar grávidas.
    E se o foram e conseguiram outro trabalhinho de corno claro que nem se vão atrever a levantar a lebre.
    Defender uma barbaridade destas e nem conhecer nem querer conhecer a realidade do trabalho feminino em Portugal.
    O que se pretende com isto e ter a certeza que nenhuma mulheres tentaram invocar esse direito. Pessoalmente nunca conheci nenhuma que o fizesse, nem sequer no Estado que ninguém quer ter chefes e colegas a olhar torto e a fazer lhe a vida negra.
    Mas como são uma cambada de fachos acham todas estas barbaridades normais.
    Vão ver se o mar da tubarão branco faminto.

    • Julio Santos says:

      O Sr. Whale não acrescentou nem retirou nada ao meu post. Há milhares de cidadãos sem médico de família, todos sabemos mas, o que é que isso tem a ver com eventuais irregularidades, se é que existem, no sistema da amamentação?

    • Pessoalmente já conheci quem o fizesse. Também posso extrapolar experiências pessoais?

  6. Julio Santos says:

    Sr. An says, nestas e noutras situações, paga sempre o justo pelos falsários ou aproveitadores e, as regalias que deviam ser para todos, acabam. É assim para a amamentação como está a ser com os seguros dos automóveis. Como sabe com o carro avariado o segurado pedia o reboque para lhe levar a viatura para uma oficina á sua escolha, hoje parece-me que não é bem assim. O reboque leva o carro para uma oficina mais próxima do local onde foi rebocada. E, isto porquê? Porque muito boa gente ía de férias e, no regresso faltava-lhe o dinheiro para o abastecer de combustível e chamava o reboque, justificando-o como uma avaria, para o rebocar para a sua residência ou para uma oficina perto dela. Quando tomei conhecimento desta situação, fiquei arrepiado dado que vou várias vezes para fora do país e sempre sujeito a qualquer percalço na viatura, ter de deixar a minha carrinha numa qualquer oficina no estrangeiro com o preço da mão de obra aí praticada é o fim.

  7. Joana Quelhas says:

    Mas alguém acredita que possa haver abusos no chamado “direito à amamentação”?
    Ora, isso toda a gente sabe que é impossível… ?

    E as auto baixas que aparecem sobretudo às quartas-feiras, no Carnaval e no Ano Novo — alguém acha que isso é abuso? Evidentemente que não.

    Sabem onde, de facto, não há abusos?
    Isso mesmo… acertaram: no Bloco de Esquerda, que, quando as mulheres engravidam, as despede.
    Como todos sabemos, o Bloco gosta é de “matar o problema” logo à nascença…

    P.S.: Agora, “bico-de-lacre”, não te esqueças da tua “nobre” missão de corretor ortográfico. Prossegue com o bon trabalho.

    Joana Quelhas

    • POIS! says:

      Pois, mais uma vez, se confirma, ó Quwuelllasss.

      Que Vosselência nunca diz não a mais um bico.

      Ninguém percebeu foi a relação disso a ortografia.

      Tenha Vosselência um resto de um bon dia!

      • POIS! says:

        Na terceira frase é: ‘…disso com a ortografia,”.

        Restos de um bon dia perene de bicos para Vosselência.

    • E quais são os abusos, sendo que para a alteração à lei, são tudo abusos?
      As auto-baixas acontecerem a seguir a eventos cheios de pessoas é uma conspiração para fazer de conta que existem vírus e bactérias facilmente transmissíveis, toda a gente sabe que o miasma se resolve com ar livre.

      O que eu continuo sem perceber é porque não gostam que o BE se comporte como qualquer empresário face a protecções que estes evitam e abusam quando são leis para acabar. A esquerda está sempre à frente do seu tempo.

    • António Fernando Nabais says:

      Sim, Joaninha, alguém deve ter dito que não há abusos ou que nunca houve. É como aumentar os impostos de todos porque alguns fogem, entre outras patetices.
      Quanto à correcção dos seus erros ortográficos, não tem nada que agradecer, mas olhe que o abuso do erro ortográfico poderia ser considerado pouco patriótico.
      Não se esqueça de ir dando banhinho ao cão.

  8. Sophie says:

    As auto-baixas não são pagas. A maioria das pessoas não pode suportar financeiramente isso. Também ninguém explicou se essas baixas têm sido pedidas para o total dos 3 dias ou só 2 ou 1. Pela informação dos dias que têm sido mais pedidos parece que é só um. Tendo em conta que essa baixa só pode ser pedida duas vezes no ano, muitos terão esgotado os pedidos só com um dia de cada vez… Quanto à amamentação e à lei, também seria interessante definir o que é o abuso dessa lei. Se a mãe continua a amamentar e pede a redução apresentando um comprovativo médico, onde é que está o abuso? É porque a mãe poderá não estar com a criança nessas horas?! E quantas vezes essas horas são marcadas pelas mães ou serão pelo patrão? A lei existe desde os anos 80, se podia ser reformulada? Talvez. A ideia nunca surgiu antes, porque é um não problema. Muitas mães nem se atrevem a pedir a redução, pois sabem que estariam em risco de vir a perder o trabalho ou ser maltratadas. Mas o que se pretende é acabar com um direito, abrindo a porta para acabar com outros direitos das mulheres. Infelizmente a proposta vem de uma mulher e foi aplaudida por outras mulheres demonstrando como é mesquinha e mentalidade portuguesa e a inveja grassa, mesmo em gente que deveria ser mais informada.

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