O governo que diz que ouviu dizer que há certas e determinadas pessoas

Maria do Rosário Palma Ramalho, alegada ministra do Trabalho, disse que havia alguns abusos da licença de amamentação, o que daria razão ao governo para alterar a lei.

A alegada ministra não adiantou números.

Entretanto, soube-se que a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) «desconhece casos de trabalhadoras que tenham usado ilegalmente a licença de amamentação nos últimos cinco anos, mas identificou 23 situações de abuso por parte das empresas.»

Mota Soares, há uns anos, enlameou cristãmente alguns beneficiários do Rendimento Social de Inserção, tal como Paulo Portas, antes dele.

Este caminho que implica referir (ou inventar) excepções para justificar novas regras faz parte de uma estratégia cultivada por PS e por PSD e aprofundada pelo cheganismo. O que é preciso é dizer coisas que ficam ditas – os desmentidos nunca chegam verdadeiramente a fazer efeito e o trabalho sujo está garantido.

Se houvesse jornalismo (ainda há jornalistas), a alegada ministra teria de ser confrontada com o que disse. Houve, no mínimo, algum pedido de esclarecimento?

Rómulo e Remo amamentados

amamentados

A CRIANÇAS CRIAM. As crianças são criadas. As crianças fundam. As crianças observam-nos. As crianças sabem de nós. Esses pequenos seres entre os 12 meses e os cinco anos, imitam-nos., e nos os observamos. Procuram em nós uma satisfação sentimental das suas emoções e colmatar os seus desejos de uma resposta simpática no difícil processo de amar. Um processo que requer um parceiro, esse processo de ida e volta, conjugado no verbo amar: de simpatia, de antipatia, com raiva, ou, simplesmente, não amar. Em síntese, uma complexidade entre as relações baseadas nas emoções, nos sentimentos e na intimidade do desejo. É esse descortinar dos nossos afectos que permite aos mais novos aprender a ser adultos, com bem ou mal-estar na cultura, como referia o nosso mestre Freud no seu texto de 1930[i], ao desenhar aberrações sexuais do seu tempo. [Read more…]