Guerra Fria 2.0

Pode ser uma imagem de mapa e a texto que diz "All data centers combined use as much power as some of the world's largest economies Electricity demand 2023; thousands of terawatt-hours China United States India Data centers (2030e) Russia EVs (2030e) Japan Brazil Korea Data centers already use usemoreelectricity more electricity than France- and demand may triple by 2030 Canada Germany Datacenters Data centers France 2 8 Sources: International Energy Agency: Organization of Petroleum Exporting Countries: and staff calculations, Note: Electricity demand data centers compares with that in ท biggest national useTS as o of 2023. EVs Electric vehides. 10 IMF"

A nova guerra fria não será uma corrida convencional ao armamento entre dois blocos, mas uma competição multipolar pelo desenvolvimento da Inteligência Artificial, que a fará evoluir para outros patamares.

Este novo paradigma levará – já está a levar – a uma procura cada vez maior por energia, que eventualmente acabará por fazer aumentar os preços exponencialmente, afectando, sobretudo, a vida das famílias e das comunidades mais frágeis e desprotegidas. Algo que já está a acontecer nos EUA.

Esta corrida poderá levar a uma situação de pânico nos mercados em torno do abastecimento de energia. Estima-se que os novos data centers que as tecnológicas estão a construir consumirão a energia de uma pequena cidade. E continuarão a multiplicar-se e a aumentar o consumo, à medida que a IA se expande. A Microsoft já comprou 20 anos de produção de uma central nuclear nos EUA. Outras parecem querer seguir o mesmo caminho. O cidadão comum não tem a mínima hipótese nesta disputa.

O resultado deste novo normal levará ao surgimento de outros focos de tensão social e internacional. O aumento exponencial da procura por energia terá impacto negativo na inflação, na vida das famílias e encaminhará muitas nações para um cenário de convulsão social. No plano externo, o mercado da energia será disputado por Estados e empresas maiores que a maioria dos Estados, que não terão recursos para competir em pé de igualdade, com meia dúzia de excepções, como os EUA e a China.

Nada disto se verificará no imediato, pelo menos na Europa. Já chegou aos EUA, porque os americanos votaram na Kremlinização da Casa Branca, e agora têm que lidar com ela. Deste lado cá nos vamos aguentando, já tivemos piores dias, mas a coisa ainda vai. Mas não será para sempre. E se não abrirmos a pestana, coletivamente, não tarda estaremos a pagar 1000€ de electricidade por mês. O preço da gasolina e da habitação vão parecer problemas menores.

A IA não vai levar o nosso emprego. Vai levar-nos a luz e a água quente. O conforto. A segurança. E por aí fora. As escolhas colectivas que faremos nos próximos anos, na UE, poderão mudar as nossas vidas para sempre. E, no limite, ditar o fim da União, cada vez mais disfuncional e incapaz de servir os interesses reais dos europeus comuns. Temos tempo, mas não muito.

Comments

  1. “No plano externo, o mercado da energia será disputado por Estados e empresas maiores que a maioria dos Estados”

    Alguma vez não foi?

    “os americanos votaram na Kremlinização da Casa Branca, e agora têm que lidar com ela.”

    Os defeitos do capital e do imperialismo são sempre projectados nos outros.

    “As escolhas colectivas que faremos nos próximos anos, na UE, poderão mudar as nossas vidas para sempre.”

    Já mudaram, e a propósito da energia, corre muito bem; trocar por um fornecedor que quer o monopólio e cobrir a quebra do lucro, bem como o boicote ao país que produz a alternativa e trata os outros como parceiros, levou à completa estagnação do motor por decreto da produção. Mais ainda, seguindo os ditames do imperador, bloqueou-se o controlo da fábrica de chips da Europa, levando ao necessário e merecido boicote que ameaça parar toda a indústria automóvel.
    Não, João, as escolhas não só já estão feitas, como estão bem bloqueadas com o cancelamento de eleições, retirada de partidos, censura, violência contra protestos, videovigilância normalizada (quais direitos das mulheres, é mostrar a cara para o rastreamento), apoio às políticas de descriminação, e por aí fora, onde até é obrigatório desculpar um holocausto.

  2. Anonimo says:

    Antes de se preocuparem com o preço, preocupem-se em saber se há capacidade de produção (não há), armazenamento e distribuição.

  3. Anonimo says:

    Datacenters já consomem tanto quanto uma pequena cidade
    A google há muito já consome mais energia que dezenas de países
    E sim, a AI vai tirar (como em qualquer outra revolução tecnológica) muitos empregos. Na TI, na imprensa, no Direito, até na medicina as triagens serão em breve AI.

    • Talvez tire, enquanto for possível fazer de conta que serve para isso. Ou talvez nem chegue a tal, que o buraco negro de capital é cada vez mais difícil de ignorar e os preços têm que continuar a subir.

      • Anonimo says:

        What?

        • Os algoritmos de alucinação servem para substituir algumas pessoas quando a ser abaixo de mediocre não é problema, estado em que se encontra o regime ocidental. Mas continua à procura de caso de uso, e é um buraco negro de capital dos “investidores” e empresas tecnológicas a trocarem dívidas umas com as outras.
          Ou seja, serve para pouco, não compensa os clientes, não está perto de dar retorno a quem vende, mas nada disso impede que qualquer desculpa é boa para despedir pessoas e especular no casino, até a ao dia que ameace faltar a liquidez financeira – no máximo, um ano.

          • Anonimo says:

            Continue a acreditar nisso. Religião não se discute.

          • Ai discute-se, discute-se. E agora que a realidade apareceu ao WSJ, FT, Forbes, Barron’s, Economist ou Bloomberg, o prazo encurta-se rapidamente.
            Deve ser a primeira religião em que basta olhar para o que entra e para o que sai.

  4. Asnonimo says:

    As escolhas já estão feitas
    Os Governos não querem ou não sabem controlar a vaga Tech, como aconteceu no passado tanto com internet como com redes sociais