O cão que chiava

Este clip é um exemplo de marketing bem feito, eventualmente originando uns quantos arrepios se nos lembramos deste outro vídeo.

Um “brinquedo” que consegue abrir portas, subir escadas e mover-se de uma forma assustadoramente normal.

A Boston Dynamics começou por ser um spin-off do MIT, altura em que iniciou a colaboração com o DARPA, tendo depois sido comprada pela Google e, a seguir, vendida ao SoftBank Group. Desenvolveu vários prodígios da robótica, entre os quais o Atlas, um robot capaz de fazer peripécias como salto mortal e parkour.

A vida não pode ser contida, tal como podemos observar cada vez que a natureza se apodera dos conceitos idealizados pelos arquitectos paisagistas. Mas a inteligência parece ser ainda mais difícil de conter. Acredito que, um dia, ela se libertará desta amarra a que chamamos vida baseada no carbono. Não serão as melhores notícias para quem aprecie o seu corpo, mas esse tempo ainda não está no nosso horizonte. Quem sabe se então outros seres não lhe chamarão Deus.

A Cómoda

Há um erro gigantesco e utilíssimo que todos aprendemos na escola, erro esse que teve e tem a função de nos ajudar a ver o mundo como uma cómoda de quarto, cheia de gavetas.

Uma das gavetas é para as peúgas, outra para as camisolas, outra para as ceroulas, e por aí adiante. As pessoas que percebem desses assuntos chamam-lhe “especialização”, arte que consiste em compartimentar, o mais possível, a realidade, de maneira a fazer dela uma espécie de trama infinita, e infinitesimal, infinitamente segmentada, infinitamente dividida em realidades sempre mais pequenas, micro-gavetas da velha cómoda onde se guardam fibras microscópicas das peúgas, cuja utilidade temos esperança de vir a descobrir.

Este erro gigantesco e utilíssimo é o que vem a constituir o fundamento, a estrutura, não apenas da nossa cosmovisão – uma cómoda do tamanho do Universo -, mas de coisas bem mais terrenas, como a nossa organização social, as nossas teorias do conhecimento, a base doutrinal comum a todas as ciências, a todas as artes e até – daí a sua utilidade – do governo dos países e do mundo.

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Podcasts – Quarenta e cinco graus

Quarenta e cinco graus” é um novel podcast de José Maria Pimentel (RSS; sítio), contando com seis episódios actualmente, onde se tem falado de “política e de políticas, de Portugal e do Mundo, do passado e do futuro, de economia e de gestão, do ser humano e da sociedade, de ciência e de cultura”. A sonoplastia é de Luís Ferreira.

Neste episódio, o autor conversou com com Arlindo Oliveira, “presidente do Instituto Superior Técnico e autor do livro The Digital Mind, lançado este ano e cuja edição em português, com o título Mentes Digitais, foi lançada na semana passada”.  Foram abordados “vários temas ligados ao futuro da Inteligência Artificial, ou, nas palavras do convidado, ao surgimento das mentes digitais”. Escreve ainda o autor do podcast que “ao usar esta palavra – ‘mente’ – Arlindo Oliveira transporta deliberadamente a discussão da Inteligência Artificial actual, independentemente dos seus avanços inegáveis, para um futuro mais ou menos longínquo, em que poderemos ter Inteligência Artificial equivalente – e, portanto, superior – à humana”.

Um dia…

A mente humana está a crescer para além de si própria, num propósito sem outro nexo que não seja a expansão pela expansão. Um computador da Google, provido de inteligência artificial, venceu o campeão de Go. Espantoso, de tal forma, que só se esperava algo semelhante acontecesse daqui a dez anos.

Hoje foi um jogo, amanhã será a sério. Um dia, haverá uma máquina capaz mexer os dedos com a sensibilidade suficiente para tocar um pizzicato com irrepreensível exactidão, à qual se seguirá outra que, querendo-o, o faça com suficiente imprecisão que roce a criatividade. A pele desse ciborgue arrepiar-se-á com a dinâmica de um crescendo sentido, fruto de reacções mistas do seu sistema endócrino artificial e percepcionadas como prazer. Outras máquinas aplaudirão a criatividade e parecerão, elas mesmas, criativas.

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Deep Mind 2 a 0 contra o humano

Lee Se-dol volta a perder contra o computador. Ainda não chegámos à singularidade, mas talvez isso seja possível.