Boicotar e embargar o regime chinês, já!

Entretanto, na China, a jornalista independente que mostrou ao mundo a verdade sobre o surto inicial de Coronavirus, em Wuhan, foi condenada a 4 anos de prisão efectiva por “causar distúrbios” e “procurar problemas”, dois dos muitos eufemismos que este regime totalitário utiliza para legitimar a censura, perante o silêncio cúmplice, ou autocensura, mais ou menos generalizada, entre as democracias ocidentais, parcialmente detidas pelo império chinês, que continuam a assobiar para o lado e a recorrer ao trabalho semi-escravo que mantém as engrenagens de um certo capitalismo a funcionar.

Zhang Zhan, 37 anos, já foi advogada mas converteu-se ao jornalismo independente, profissão de risco no Império do Meio. Tal como muitas outras jornalistas e activistas que vieram antes de si, que ousaram desafiar o regime chinês, Zhan foi detida, julgada arbitrariamente, derrotada, humilhada e viu a sua liberdade suprimida, liberdade essa que, em bom rigor, nunca teve, tal como não tem cidadão algum de uma ditadura. Esteve em greve de fome, foi alimentada à força pelas autoridades chinesas, e promete iniciar novo protesto, mesmo que isso lhe custe a vida.

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Embargar a China? Why not?

CH

Não querendo entrar em teorias rebuscadas sobre a origem do novo coronavirus, de natureza conspirativa, parece-me inegável que a China foi desonesta com o resto do mundo, ao ocultar, deliberadamente e durante várias semanas, a gravidade do problema que tinha em mãos.

Vai daí, é meu entendimento que o mundo deve exigir à China compensações financeiras pelo caos que a sua opacidade aprofundou. Vou ainda mais longe: parte significativa do Plano Marshall que a Europa e o mundo vão precisar, quando a crise económica que já se sente ocupar o primeiro plano das nossas preocupações, deve ser assumido por Pequim.

Caso a China decida não colaborar, defendo que deve haver coragem, pelo menos do mundo democrático, em impor sanções pesadas, e, eventualmente, um embargo total. De caminho, e pensando apenas no espaço europeu do qual faço parte, parece-me que estamos perante o momento ideal para um plano ambicioso de reindustrialização da Europa, capaz de, simultaneamente, gerar emprego e acabar com a dependência das importações chinesas. Isto será absolutamente crítico em sectores como o têxtil ou o automóvel, apenas para citar dois exemplos.

Naturalmente, tal intenção enfrentará poderosas forças de bloqueio, não só da própria China, como do sector financeiro e da grandes multinacionais ocidentais, cujos lucros, estratosfericos, dependem dos baixos custos de produção e de matérias-primas que a grande fábrica do totalitarismo chinês lhes proporciona. Mantendo o actual status quo comercial, é praticamente impossível ao Ocidente competir com um regime que explora a mão-de-obra, ignora direitos laborais e não respeita direitos humanos.

Ainda no campo dos interesses do modelo económico ocidental, importa realçar que a China é hoje um dos maiores mercados de consumo a nível mundial e um dos maiores clientes de produtos de luxo produzidos pela Europa e pelos EUA. Um embargo total à China resultaria numa perda significativa de vendas para inúmeras marcas, do sector da moda ao automóvel entre muitos outros. E o capitalismo, que não se deixa abalar por contradições éticas ou morais, dificilmente cederá. É o lucro que importa, não os direitos humanos. Muito menos a democracia.

Assim, encontramo-nos numa encruzilhada. Por um lado, estamos reféns de um regime comunista totalitário, que controla e comanda parte significativa da economia mundial, incluindo empresas estratégicas na Europa e EUA. Por outro, estamos nas mãos de multinacionais e instituições financeiras, que se deitam com qualquer oligarca ou autocrata que lhes pague o preço certo em euros. Ou dólares. Ou yuans. Talvez precisemos de uma revolução. E os ares de Abril costumam ser propícios para derrubar ditaduras. Why not?

O choque de ventiladores

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Primeiro foram os chineses, que, “tendo o problema controlado” (so they say), começaram a enviar ajuda para países europeus. Depois vieram os cubanos, com os seus médicos comunistas, infectados até ao tutano de perigosíssimo marxismo cultural, seguindo-se os russos, que enviaram ajuda médica para Itália.

Perante a multiplicação dos gestos de “solidariedade”, que se estenderam também aos EUA, pela mão do amigo Vladimir, Donald Trump ter-se-á apercebido do seu atraso na corrida pela instrumentalização oportunista da solidariedade da treta, e lá foi ele, esbaforido, a correr atrás do prejuízo. [Read more…]

Margaret Thatcher e o Coronavirus

Parafraseando a uma citação muito popular entre a direita, da mais liberal à mais extrema, que tomei a liberdade de adaptar aos dias de hoje, penso que não será descabido dizer que o capitalismo dura até fechar a fábrica comunista. É que, a julgar pelo pânico que se instalou nos mercados, nas bolsas, nos bancos e nos grandes capitalistas em geral, que não gostam do comunismo, excepto quando é para deslocalizar a produção para a China ou para o Vietnam, de forma a poder aumentar os lucros e não ter custos adicionais com direitos laborais ou humanos, parece que o encerramento da grande fábrica chinesa, como consequência da epidemia covid-19, tem tudo para ser a acendalha da próxima crise mundial do capitalismo moderno. Em todo o caso, mercados, bolsas, banqueiros, especuladores e outros piratas das Caraíbas fiscais não têm motivos para ficar preocupados. Se isto realmente der o estouro, culpa-se o cidadão comum, esse gastador, aplica-se uma austeridadezita purificadora e resgata-se novamente o capitalismo com o dinheiro dos contribuintes. Como ainda estamos a pagar o estouro anterior, a malta nem vai reparar.

O dragão mostra as garras

Aconteceu nos últimos dias um ping-pong diplomático-comercial entre a Apple e a China devido a uma app que tem sido usada pelos manifestantes de Hong Kong para identificarem a localização dos bloqueios policiais, assim os evitando. Primeiro, a Apple removeu a app HKmap.live da sua app store, voltou a permitir a sua disponibilização depois dos protestos por parte dos seus utilizadores. Passado um dia, voltou a interditá-la novamente na sequência de fortes pressões vindas do governo chinês.

A este episódio seguiu-se outro em que um jogador teve represálias por parte de uma empresa americana por este ter proferido uma declaração de apoio aos manifestantes pró-democracia de Hong Kong. Chung Ng Wai, jogador profissional de Hearthstone que ganhou uma competição organizada pela empresa americana Blizzard, declarou na respectiva conferência de imprensa “liberdade [para] Hong Kong, [a] revolução do nosso tempo”.

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A escolha

“Os novos moradores do venerável Palácio do Loreto, no coração da cidade velha de Lisboa, também vêm da China. Por detrás da fachada do século XVIII residem os empregados do grupo chinês Fosun. O império da empresa na Europa vai desde a antiga companhia de seguros estatal portuguesa “Fidelidade” e o grupo de viagens Thomas Cook até à marca de moda Tom Tailor e ao banco privado alemão Hauck & Aufhäuser.

Não muito longe estão também os escritórios das empresas estatais chinesas State Grid e Three Georges, que são accionistas da electricidade do país. Investimentos de mais de nove mil milhões de euros fazem de Portugal um “parceiro estratégico”, declarou o embaixador da China em Lisboa.

Isto funciona assim em toda a Europa. Caminhos-de-ferro, portos e redes eléctricas, engenharia mecânica, turismo e finanças – as empresas chinesas estão a entrar na economia europeia em todos estes sectores, tendo investido já muito mais de 300 mil milhões de euros.

Os “enormes investimentos da China no exterior dão-lhe um acutilante poder”, que usa para “silenciar os críticos”, alertou o Economist.”

Trata-se de um excerto de um óptimo artigo do „Investigate Europe“, um grupo de jornalistas de nove países que investigam conjuntamente temas de relevância europeia.

Artigo especialmente interessante agora que vai ser lançado o concurso para a concessão do novo terminal de contentores do Porto de Sines – líder nacional na movimentação de mercadoria. Os Estados Unidos entram na corrida para esta concessão que já estava na mira dos chineses. Se ganharem, conquistam uma peça que seria fundamental na estratégia de Pequim para construir uma nova Rota da Seda.

Em declarações ao jornal Público, a ministra do mar, Ana Paula Vitorino, confirma o interesse de chineses e americanos na concessão do Terminal de Contentores Vasco da Gama, que será lançada até ao final do mês. “A proposta vencedora será aquela que melhores benefícios ofereça a Portugal, independentemente da origem do operador”, garante.

Nesta escolha propositadamente encolhida, que venha o diabo e se pronuncie.

Vitórias no papel

Em Março do ano passado, Trump anunciou que ia entrar em diversas guerras comerciais. E que estas eram boas e fáceis de ganhar.

“When a country (USA) is losing many billions of dollars on trade with virtually every country it does business with, trade wars are good, and easy to win,” Trump tweeted Friday morning. “When we are down $100 billion with a certain country and they get cute, don’t trade anymore – we win big. It’s easy!” [CNBC]

Não fugindo à norma, estas declarações não tinham fundamento e apenas reflectiram o lado narcisista de Trump.

Comparativamente com Agosto do ano passado, segundo o Expresso, o balanço é o seguinte:

  • As importações de produtos norte-americanos pela China caíram 22%;
  • As exportações da China para os Estados Unidos registaram uma quebra de 16%.

Olhando só para estes números, vê-se que Trump não está a ganhar guerra alguma. Nem tal será fácil. Surpresa. O cowboy americano ainda não descobriu os conceitos de win-win e de cá se fazem, cá se pagam.

Mas pode sempre pegar no seu marcador preto com que alterou a rota do furacão Dorian e rabiscar qualquer coisa que lhe amacie o ego.

Ou pode abrir mais excepções, como o adiamento das novas taxas a aplicar aos produtos chineses, essas que, segundo Trump, não afectam a economia americana – apenas para que, afinal, não afectem as compras de Natal, digo, o espírito natalício.

Houve um tempo em que se podia ter controlado a China, quando a indústria se estava a mover em massa do ocidente para o oriente, em busca de salários quase nulos e de ausência de respeito ambiental e laboral. Esse tempo há muito que passou. E não serão taxas sobre importações que irão limitar o gigante amarelo nesta economia interdependente.

Não sejamos é ingénuos!

Finalmente é notícia que “O gigantesco projeto internacional de infraestruturas lançado pela China “uma faixa, uma rota” pode minar os objetivos do Acordo de Paris sobre o clima“ – neste caso, constatado por uma conhecida unidade de investigação chinesa, num estudo realizado em conjunto com a consultora Vivid Economics e a fundação ClimateWorks Foundation.

“Se continuarmos por este caminho, mesmo que todos os outros países do mundo, incluindo os Estados Unidos, países europeus, China ou Índia cumpram as metas, as emissões de carbono mundiais continuarão a explodir”, aponta Simon Zadek, do centro da Tsinghua.

A China é hoje a maior emissora de gases causadores do efeito estufa, correspondendo a 30% das emissões globais.

Para Simon Zadek, Pequim deveria ter uma “política coerente” para a redução das emissões de CO2 no país e no exterior.

Ora uma “política coerente” é aquilo a que o ministro Augusto Santos Silva chamaria de ingenuidade; E também por cá, Governo e o PS fazem a maior questão de não serem ingénuos, querem-se sabidões, finórios. Portanto não desistem de promover a todo o vapor os bons negócios, como por exemplo o acordo UE-Mercosul, que vêm impulsionando como campeões. Que a Amazónia e as comunidades indígenas tenham de sucumbir aos poderosos interesses econômicos da criação de gado, do comércio ilegal de madeira e da produção de soja geneticamente manipulada, paciência, não sejamos é ingénuos!

Aconteceu em Tiananmen

 

Recorde-se, o país a quem os nossos governantes alienaram diversas infra-estruturas é o mesmo onde, em 1989, se cometeu a barbárie de Tiananmen. Foi há 30 anos. Ontem, portanto, apesar de tanto se ter passado por lá desde então. Como por exemplo, a implementação do, até há alguns anos, inacreditável sistema de crédito social.

Descrédito social

23 milhões de chineses foram impedidos de comprarem viagens pelo governo chinês, em consequência do sistema de crédito social.

“De acordo com o Centro Nacional de Informações ao Crédito Público, os tribunais chineses proibiram viajantes de comprar voos 17,5 milhões de vezes até o final de 2018. Cidadãos colocados em listas negras de crimes de crédito social foram impedidos de comprar bilhetes de comboio 5,5 milhões de vezes. O relatório divulgado na semana passada referia: “Uma vez desacreditados, limitado em todos os lugares”. ” [The Guardian]

O sistema de crédito social da China foi comparado ao Black Mirror, Big Brother e a todas as outras distopias que os escritores de ficção científica possam pensar. A realidade é mais complicada – e, de certa forma, pior.

Não se pense que o conceito é estranho na Europa. O mesmo princípio subjacente ao crédito social existe igualmente nas bonificações dos seguros, no sistema de reputação em sites como YouTube, eBay e Amazon e na avaliação mútua de passageiros e condutores da Uber.

É uma questão de até onde se irá ente nós, sendo sabido que os interesses comerciais e políticos pressionam nesse sentido. Os cidadãos, nesta Europa das decisões autistas, têm pouco poder. Ironicamente, é possível que um sistema de crédito social aplicado aos políticos fosse mais eficaz do que o voto eleitoral. A questão é o que traria a seguir o cavalo de Tróia.

Os eurodeputados do PPE, barrados à porta da Venezuela, estavam à espera de quê?

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Parece haver alguma indignação, e até admiração, porque um grupo de eurodeputados do PPE, a família política europeia do PSD e do CDS-PP, foi barrado à entrada da Venezuela e recambiado para a Europa.

Não sei o que esperavam, depois de usarem o seu espaço mediático para informarem o mundo que iam visitar o novo “presidente” venezuelano, que ainda não o é de facto, e após o recente ultimato europeu que pede a queda do actual regime. Estariam à espera de ser recebidos de braços abertos e com honras de Estado, num país que ainda é controlado pelo mesmo Nicolás Maduro que querem ver na cadeia? Só se fossem idiotas, coisa que não são. Foram lá, portanto, provocar o regime ainda em vigor. Se o objectivo era baterem com a cara na porta e voltarem para trás, a esbracejar, estiveram muito bem. [Read more…]

Xi Jinping, o bem-amado

Foto: Reuters/ Thomas Peter

O presidente da China veio visitar Portugal, a convite do presidente Marcelo Rebelo de Sousa. A ideia por trás – e mesmo pela frente – da prosa: promover deals. Colocar sectores estratégicos, como a energia, nas mãos do estado mais poderoso do mundo, de regime ditatorial, com um presidente que diligenciou, num pseudoparlamento, a emenda da constituição chinesa para se tornar presidente vitalício? No problem. Investimento é a palavra de ordem. Banca, seguros, saúde, aviação, transportes (olha a CP que tanto precisa, coitadinha)? Tudo à escolha em Portugal, baratinho, é aproveitar. Dependência? Qual o quê!

Questionado se a iniciativa chinesa de investimento em infraestruturas “Uma Faixa, Uma Rota” “podia atravessar Portugal” num dos seus “principais portos”, diz Marcelo: “É possível que durante a visita do Presidente Xi a Portugal se venha a assinar o memorando de entendimento sobre este assunto? É. „Estamos a negociar, estamos a trabalhar nisso. Portanto, é possível“, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

Fixe, até o Presidente da República se encarrega pessoalmente dos negócios, em Portugal.

Mas está tudo óptimo, desde que haja touradas para os Portugueses.

P.S. – E futebol, claro.

Menos Estaline, mais Mao Tsé-Tung

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Nestes tempos de imbecis populistas, que passam as tardes no Parlamento aos gritos em bicos de pés, a semear o medo e a falar de estalinismos que não existem, é interessante verificar que, graças ao empreendedorismo do governo de Passos Coelho e Paulo Portas, 8,8% da bolsa de valores portuguesa é hoje controlada pelo Partido Comunista Chinês. Estalines hipotéticos são um perigo, já os Maos desta vida são umas jóias de moços, que o digam Durão Barroso ou Franquelim Alves.

Vostok-18

Num momento em que a Rússia cresce para ocidente e a NATO se encontra fragilizada por Trump, russos e chineses brincam à guerra. Talvez o lacaio de Putin ache que uns fucks o façam passar a perna ao ex-agente do KGB e, quiçá, torná-lo chefe do mundo branco. No entanto, a aproximação entre chineses e russos, catalisada pelas suas guerras fáceis de ganhar, é mais um passo em direcção à nova ordem mundial, na qual Putin, e não Trump, é o centro que vai resultando da implosão liderada pelo pateta cor de laranja.

Acefalia, condição sine qua non para apoiar Donald Trump

Donald Trump está a produzir milhões de dólares de merchandising na China, para a sua recandidatura em 2020, o que logo à partida é uma excelente forma de ajudar os trabalhadores americanos e de fazer aquele manicómio great again.

Acontece que os negócios chineses do empresário e candidato Trump correm agora sérios riscos, devido à guerra comercial contra a China, lançada pelo presidente Trump, motivo pelo qual será necessário acelerar o processo para que Trump não prejudique Trump. Porque a concorrência chinesa é desleal, mas Trump não abdica das suas pechinchas, apesar de se insurgir diariamente contra elas, quando na presença do seu rebanho de criaturas ignorantes e acéfalas.

Chegamos a um ponto em que só desprovido de cérebro é possível apoiar Donald Trump. Excepto no caso dos terroristas de Wall Street, da NRA, da indústria do armamento e do KKK. Ou de qualquer outro lobby que viva da violência, da discriminação e/ou da estupidez humana. Esses andam nas nuvens. Pena não ficarem lá.

Para que não restem dúvidas sobre quem realmente manda

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Imagem via The Globalist

Na imagem, cada país surge com a bandeira do seu principal parceiro comercial. A Alemanha domina a Europa, a Federação Russa o seu quintal e a China os dois anteriores, mais uns subúrbios mediterrâneos. Da grande América de Trump apenas uma bandeira no seu enclave no Médio Oriente. Para que não restem dúvidas sobre quem realmente manda.

 

Shaolin, meu amor

Entre os meus escassos talentos conta-se o de fingir que falo mandarim na perfeição. É um talento apenas conhecido de um reduzido grupo de eleitos que têm aplaudido as minhas actuações com inexcedível simpatia, chegando mesmo a fingir um entusiasmo que eu reconheço não poder ser genuíno. Evidentemente, não falo uma palavra do autêntico e legítimo mandarim, excepto as que se podem aprender nos restaurantes chineses. Mas finjo que falo e o meu fingimento é credível. Na verdade, é mais uma performance multidisciplinar porque também gesticulo de forma lenta e cerimoniosa e uso uma panóplia de expressões faciais que me parecem muito adequadas.

Fingir que falo mandarim é uma habilidade que está ao meu alcance apenas porque vi, numa idade por assim dizer tenra, um número considerável de episódios de “Os jovens heróis de Shaolin”. Para quem não sabe, nessa série produzida em Hong Kong contavam-se as empolgantes aventuras de Hung Hei Goon, Fong Sai Yuk e Wu Wai Kin, e os seus árduos treinos no templo de Shaolin, na China do século XVIII, para virem a tornar-se mestres de Kung Fu. Estes três haveriam de converter-se em heróis, recordados durante séculos, na luta contra a Dinastia Ching, dos Manchu, que havia derrubado a Dinastia Ming, dos Han.  [Read more…]

Como o governo chinês fabrica conteúdos nas redes sociais para distração estratégica

We estimate that the government fabricates and posts about 448 million social media comments a year. In contrast to prior claims, we show that the Chinese regime’s strategy is to avoid arguing with skeptics of the party and the government, and to not even discuss controversial issues. We show that the goal of this massive secretive operation is instead to distract the public and change the subject, as most of the these posts involve cheerleading for China, the revolutionary history of the Communist Party, or other symbols of the regime. We discuss how these results fit with what is known about the Chinese censorship program, and suggest how they may change our broader theoretical understanding of “common knowledge” and information control in authoritarian regimes. [PDF do trabalho de investigação]

A estratégia não é discutir com os descrentes do regime ou abordar os assuntos que sejam polémicos, mas, isso sim, arranjar assuntos alternativos, para inundar o espaço comunicacional.

É um recentramento do focus mediático, usando uns meros 2 milhões de chineses, numa espécie de abrantização e mariadaluzização em ponto grande, a publicarem hinos de glória, em vez de gráficos coloridos.

Confusão no Paralelo

O Kim anda para lá maluco, a disparar mísseis para o mar, atreveu-se mesmo a disparar um que atingiu águas japonesas, e a malta fica toda extasiada, a ver se é desta. Mas ainda não foi. Provavelmente nunca será e, a ser, será muito provavelmente interceptado pelo sistema de defesa norte-americano. O Kim é uma besta, todos sabemos, mas não quererá perder a sua casa dos horrores, para poder continuar a brincar aos ditadores lá dentro, uma vez que cá fora não é ninguém. Atacar o vizinho do sul, o Japão ou os EUA colocará um ponto final na brincadeira, e o Kim não quer apodrecer numa prisão ou ter o mesmo destino de Saddam ou Khadafi. São tiros de pólvora seca, para incendiar as multidões em comícios do partido do Kim e dos amigos dele. [Read more…]

Aproximação ao papão – Realinhamento geopolítico e “comércio livre”

AP

“O eixo transatlântico Bruxelas-Washington vai dar lugar ao eixo transcontinental Bruxelas Beijing, uma nova “rota da seda” com dois sentidos? Quem imaginaria, um ano atrás, uma tal mudança na geopolítica mundial ?!“ pergunta-se, quiçá com sinceridade, Vital Moreira. Pois possivelmente não daria para imaginar, mas esse supostamente inteligentíssimo argumento de “estratégia geopolítica” foi recorrentemente invocado pelos apóstolos do comércio livre para justificar a obrigatoriedade da aprovação do acordo de comércio e investimento UE/Canadá (CETA). Um argumento de sapientes especialistas, que por ele sempre consideraram justificada a imolação de direitos de consumidores, produtores e trabalhadores e a entrega das rédeas dos mercados aos interesses da alta finança e das multinacionais, através de tribunais e de direitos especialíssimos para proteger os investidores. [Read more…]

O estado de graça possível

Trump continua a falar e escrever como um troll alcoolizado. As consequências só não foram ainda trágicas porque os líderes e governos visados o vêem como um inimputável. É o estado de graça possível. Do governo alemão veio uma bofetada em modo de aviso, de Putin um cordial cachação, da China e do seu presidente veio – com aquela paciência de um povo que conta a sua história em milénios…- um elegantíssimo e rendilhado discurso que disse tudo o que havia a dizer nunca mencionando o nome do grunho, para espanto do público do Fórum de Davos.
And the beat goes on...

Primeiro aviso a Trump

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A Alemanha é a primeira a “mostrar os dentes” a Trump e a explicar-lhe como funciona, hoje, a economia global. Ainda bem que é a Alemanha. Pior será no caso da China. É que esta não se limita a “ranger“…

O mundo está a ficar perigoso. Muito perigoso.

圣诞节快乐

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Christmas@Bright Side

Ora aqui está uma profecia da desgraça à qual vale a pena dar atenção

vem aí a super-bolha imobiliária chinesa. Bancos do mundo, preparai-vos para ser resgatados.

O socialismo, a direita servil e o dinheiro dos outros

CHPT

O socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros” dizia Margaret Thatcher, a mulher que, quando morreu, teve direito a um opulento funeral “socialista” orçado em 1,2 milhões de libras e pago precisamente pelo dinheiro dos outros, sem direito à habitual indignação da ala liberalóide com esta injustificada blasfémia despesista.

Ora, para a nossa direita, o socialismo é como o BES. Existe o socialismo bom e o socialismo mau. No segmento socialismo bom temos exemplos tão notáveis como a ditadura angolana e o regime comuno-capitalista de partido único chinês. São socialistas mas, como se portam bem e não alimentam ideias de progresso social, a direita gosta deles e até os mima com alguma ternura. Até porque estamos a falar de malta de cofres cheios com bons tachos para distribuir. Eduardo Catroga que o diga.
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Pangu, o mito chinês da Criação

Bruno Santos

No Princípio havia só trevas e o Caos reinava. Mas no seio da escuridão formava-se um Ovo e dentro desse Ovo crescia Pangu.
Durante muito tempo Pangu apenas dormiu e cresceu. Mas quando se tornou num gigante, acordou e espreguiçou-se e, ao fazê-lo, partiu o Ovo.
As partes leves e puras do Ovo subiram então para formar o Céu.
As partes densas, impuras e pesadas desceram para formar a Terra.
Pangu viu o que acontecia em consequência do seu gesto e ficou feliz, mas de imediato temeu que Céu e Terra se voltassem a misturar, posto o que se colocou entre eles. Com a cabeça susteve o Céu e com os pés empurrou firmemente a Terra. Ficou assim entre eles, impedindo que a sua atracção os confundisse de novo.
Depois, já um gigante, continuou a crescer a uma cadência de 3 metros por dia, durante 18 mil anos, aumentando assim, constantemente, a distância que separava o Céu da Terra até que estes lhe parecessem fixos e seguros nos seus lugares, a 50 mil quilómetros de distância um do outro.
Exausto do seu esforço, Pangu caiu e adormeceu para nunca mais acordar.
Do seu corpo saíram então os elementos que viriam a compor o mundo. A sua respiração formou o Vento e as Nuvens. A sua voz fez o Trovão e o Relâmpago. Os seus olhos tornaram-se Sol e Lua, masculino e feminino, direita e esquerda. Os seus membros formaram os quatro pontos cardeais e o seu tronco as Montanhas. A Carne criou o solo e os pêlos as árvores e ervas que nele crescem. Do seu sangue formaram-se os Rios e das veias os Caminhos e as Estradas. A cabeça e o cabelo criaram o Céu e a transpiração transformou-se em Orvalho. Os dentes e os ossos formaram as pedras e os metais.

Assim Pangu criou o Universo.

Tudo bons comunistas

Guo III

Os PàFs não gostam de comunistas. Excepto comunistas com capital para comprar empresas públicas nas suas quermesses. Chegados ao mais elevado patamar da elite marxista-leninista, a direita nacional passa a gostar de comunistas e predispõe-se a vender-lhes qualquer activo estratégico do país por qualquer montante que lhe permita maquilhar as contas públicas por meia-dúzia de meses. Pouco importa se se tratam de altos quadros de um partido-regime que reprime qualquer dissidência e alimenta uma classe de oligarcas opulentos e mafiosos. Há dinheiro? Então privatize-se tudo que o teatro dos direitos humanos já eles o fazem com a Rússia. [Read more…]

Bolsas em queda e desta vez a culpa é mesmo do papão comunista

Cavaco Comuna

As bolsas europeias abriram hoje no vermelho, com excepção da robusta praça de Atenas. A bolsa portuguesa começou mal mas terá entretanto recuperado, situação que se poderá inverter a qualquer momento porque, como é sabido, os mercados são aquilo que os especuladores quiserem e os especuladores podem querer sodomizar-nos à bruta. Outra vez. [Read more…]

A Grande Marcha do Yuan

FOsun

O proletário na foto é Guo Guangchang, um homem remediado que, tal como tantos outros remediados dessa grande nação comunista que é a China, cresceu à custa de muito esforço e dedicação à luta anti-capitalista no seio do Partido Comunista Chinês. Com investimentos aqui e acolá, Guo trouxe a Grande Marcha do Yuan até ao extremo-ocidente da Eurásia e, depois da Espírito Santo Saúde e da Fidelidade, este camarada poderá muito bem ser o próximo dono do Novo Banco. [Read more…]

O aviso chinês:

temos mísseis que destroem porta-aviões e gostamos muito de Vladimir Putin.