
Com muita pena minha, não fiquei minimamente surpreendido com o prémio da “paz” criado pela FIFA com o objectivo bajular Donald Trump e cair nas suas boas graças.
Tem sido prática recorrente. Quem deseja o favor do presidente americano sabe como obtê-lo.
Outros ofereceram-lhe estátuas douradas, aviões de 400 milhões e generosos investimentos nos muitos negócios da família Trump, agora elevados à categoria de assunto de Estado.
Em troca receberam investimentos, perdões, reduções nas tarifas e deu-se até o caso insólito de Trump permitir a construção de uma base militar do Qatar em solo americano. Sim, uma base militar do Qatar em Idaho. Desse mesmo Qatar que serviu de porto seguro à liderança do Hamas e que comprou o favor de Trump com um avião.
Bajulação, suborno, corrupção.
Waste, fraud and abuse.
Adiante.
Existe um lado bizarro em ser um prémio de paz, tendo em conta o historial recente, da invasão do capitólio ao perdão dos delinquentes, passando pelos exércitos na rua, pela brutalidade do ICE, pela ameaça de ocupação da Gronelândia, Canadá e Panamá, ou pelos ataques “preventivos” ao Irão e à Venezuela, que sendo ditaduras execráveis, não foram atacadas por o serem. Até porque Trump simpatiza muito com alguns ditadores, como Kim, Putin e Bin Salman. Não são o autoritarismo ou a repressão praticadas por Maduro e Ali Khamenei que o incomodam.
Mas nada disto é novo, no que à FIFA diz respeito.
Nem sequer o pior que lhe conhecemos.
No Mundial do Qatar, morreram centenas na construção de estádios e a FIFA não piou.
Tal como não piou quando os rublos e os petrodólares compraram a realização de mundiais.
Para não falar de todo um historial de corrupção e compra de votos nas eleições para o órgão máximo do futebol mundial.
O historial de corrupção e colaboracionismo com tiranos da FIFA é conhecido e não deixa espaço para grandes dúvidas.
Nunca mais saíamos daqui.
De maneira que, sendo a FIFA o que sempre foi, e sabendo Infantino que Trump é um bebé grande que precisa de mimado para não fazer birra, jogou-se pelo seguro e pela manutenção do status quo, e lá se deu um shiny golden object ao bully de serviço no recreio das relações internacionais. Coisa diferente não seria de esperar. Mohammed Bin Salman que se prepare: em 2034, o Prémio Nobel da Paz da Wish não lhe escapa.






É boicotar, tal como se fez com o do Qatar
O que vale é que o prémio nobel a sério não é quem pede a este grande pacifista, e ao seu amigo perseguido pelo tribunal internacional, para bombardearem o seu país para, ostensivamente, lhes entregar o controlo do petróleo, contando para isso com largos protestos populares e não com a preparação de milícias para a resistência – coisas das piores ditaduras com as eleições mais observadas do mundo.
O que vale é que aqui na eurolândia continuamos a ser o farol do mundo, contando para isso com as grandes democracias respeitadoras dos direitos humanos como Marrocos, Azerbaijão ou “Israel”, nem que tenhamos que sancionar juízes do tribunal internacional do tal sistema de regras ou relatores da ONU, ser contra o protesto de crimes de guerra, e, bom, de resto cumprir e apoiar quase toda a agenda internacional do prémio chuto na bola da paz que não envolva um buraco negro corrupto à muito perdido.
Não me admira, receber Nobel, não seria o primeiro!
E fico por aqui…