Nunca esquecer que o futebol é um desporto colectivo

Estes jovens jogadores da selecção de Espanha, ambos adolescentes, são Campeões da Europa em título e estão a um jogo de poderem conquistar o Campeonato do Mundo. Sorte terem nascido em Espanha, porque em Portugal ou Argentina o mais provável seria não calçarem, andarem pelos sub 21 como outros talentos da sua idade como G. Quenda ou R. Mora.

Algumas selecções como a Espanha, sistematicamente renovam, apesar de terem conquistado um inédito Mundial em 2010, não assistimos ao arrastar pelos campos de futebol de Xavi, Iniesta, Busquets, Puyol, S. Ramos e companheiros, a lenda perdurará na memória de quem viveu as conquistas, mas o futebol não é palco para gratidão ou obtenção de estatísticas individuais, mas um desporto colectivo, onde ninguém ganha sozinho, mesmo que por vezes alguns jogadores o façam parecer, como acontece por exemplo na Argentina, um jogador de classe estratosférica teima contrariar o inevitável, apesar da fraca qualidade de futebol praticado, muito por culpa da não renovação dos jogadores, mas o treinador teimosamente está preso na gratidão aos Campeões de 2022.

A vitória da Espanha ontem frente à super favorita França, veio provar uma vez mais que uma boa equipa é mais forte que um grupo de bons jogadores. Luis de la Fuente conseguiu que a soma das invidualidades resultasse num colectivo mais forte, Didier Deschamps não, ficou sempre à espera que o inegável talento individual dos jogadores emergisse, mas ontem, tal não aconteceu.

Portugal não é Cristiano

Confesso que reflecti um bocado antes de avançar para este texto. Mas a irritação é demasiada e não consegui evitar.

Estou farto desta narrativa de que temos de estar gratos a um jogador de futebol pela “identidade nacional” ou por “colocar Portugal no mapa”. Cansa. É redutor. É ignorante e, no limite, é até bastante anti-patriota pensar assim. Se Portugal, enquanto país, deixa a sua imagem depender de um jogador de futebol, para o bem e para o mal, então Portugal não é um país. É um entreposto de néscios deslumbrados com a grandeza de um só um homem.

Portugal tem mais de novecentos anos de História. Já éramos Portugal antes do jogador de futebol e continuaremos a ser Portugal depois do jogador de futebol. Seja esse jogador de futebol quem for. Sim, Cristiano Ronaldo é uma marca e, como tal, usa o marketing e a publicidade a seu favor. E aprendeu-o, sobretudo, em Madrid, no clube que melhor faz lavagem de imagem na Europa. Na Arábia, cimentou-o: depois de lavada a sua própria imagem, especialmente depois da fuga ao fisco espanhol e da violação de Kathryn Mayorga, foi lavar a imagem da pior ditadura do Mundo a troco de muito dinheiro. A carreira futebolística de Cristiano acabou quando saiu da Juventus; tendo, a partir daí, virado a antena para os negócios, sendo o futebol apenas a linha férrea que transportava o comboio até ao destino final.

Um estupendo jogador de futebol que como pessoa deixa muito a desejar, por tudo o que tem mostrado ser neste final de carreira.  [Read more…]

Um documento preciosíssimo

Eis a pronunciação dos nomes dos futebolistas e treinadores principais presentes no Mundial de 2026, ainda por cima, realizada pelos próprios. É um apontador precioso para linguistas, educadores, estudantes de línguas, jornalistas e população em geral. Um documento destes transporta, obviamente, alguma carga subjectiva. A este respeito, aponte-se a pronunciação de Stephen por Eustáquio, que me traz à memória a de Curry, e relembre-se a palavra Félix, aqui pronunciada ao vivo e a cores pelo excelente Joāo Félix. Por falar nisso, reflicta-se acerca da forma como se pronuncia Haaland, provavelmente o nome de futebolista mais badalado e tudo por causa da dúvida entre uma vogal oral velar baixa não arredondada e uma vogal oral central baixa. Há outras curiosidades, mas não vos quero estragar o filme. As selecções estão por ordem alfabética dos códigos da FIFA (descobri isso por causa da Noruega e da Nova Zelândia) e os jogadores encontram-se ordenados pelos respectivos números.

Prémio Nobel da Paz da Wish 2026

Com muita pena minha, não fiquei minimamente surpreendido com o prémio da “paz” criado pela FIFA com o objectivo bajular Donald Trump e cair nas suas boas graças.

Tem sido prática recorrente. Quem deseja o favor do presidente americano sabe como obtê-lo.

Outros ofereceram-lhe estátuas douradas, aviões de 400 milhões e generosos investimentos nos muitos negócios da família Trump, agora elevados à categoria de assunto de Estado.

Em troca receberam investimentos, perdões, reduções nas tarifas e deu-se até o caso insólito de Trump permitir a construção de uma base militar do Qatar em solo americano. Sim, uma base militar do Qatar em Idaho. Desse mesmo Qatar que serviu de porto seguro à liderança do Hamas e que comprou o favor de Trump com um avião.

Bajulação, suborno, corrupção.

Waste, fraud and abuse.

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Tem tudo para correr bem!

A FIFA entregou a organização do Mundial de 2026 à candidatura conjunta do México, EUA e Canadá, o que é uma excelente notícia, porque tem tudo para correr bem. Pelo menos a julgar pelo estado das relações entre os três países, com especial destaque para esse portento da diplomacia em que se transformou a América de Trump.

Por falar em trogloditas, será que Donald Trump termina o muro que os mexicanos vão pagar, a tempo do Mundial que vão organizar em conjunto com o Canadá do “desonesto e fraco” Trudeau? Ou será preciso chamar o “talentoso” Kim Jong para meter ordem na casa?