
No início era o almirante.
À primeira volta.
Depois já seria entre ele e Marques Mendes, que teria o apoio do PSD num momento em que o partido é hegemónico em toda a linha.
Chegados ao day after de jornada eleitoral, passam à segunda volta André Ventura, o saudosista da ditadura corrupta de Salazar, e António José Seguro, o underdog do PS. Uma pesada derrota para o PSD, para o governo e para Luís Montenegro, que foi um dos primeiros a pronunciar-se, a antecipar o desastre que aí vinha.
André Ventura tem uma grande vitória, mesmo ficando em segundo lugar. E isso são, a meu ver, péssimas notícias para aqueles que se revêm na democracia liberal, em particular para os partidos da direita democrática, que perdem terreno e arriscam, no caso do PSD, a perder a liderança do lado direito do espectro para o populista.
Mas a verdade é que Ventura estagnou, obtendo um resultado muito idêntico àquele que o partido alcançou nas Legislativas. E isso é bastante significativo, na medida em que esta é uma eleição personalizada, por oposição a umas Legislativas, onde o partido tem mais peso. Mais do que um teste ao CH, este foi um teste ao próprio Ventura, que ficou aquém dos votos conseguidos em Maio.
Ainda é cedo para conclusões, e a votação irá aumentar na segunda volta, engrossada por eleitores de direita que consideram Ventura um mal menor, mas após umas Autárquicas aquém das expectativas, este resultado pode indicar que o CH atingiu o seu tecto máximo de crescimento. E essa seria uma excelente notícia.
Talvez por isso, André Ventura deu o pontapé de saída para a segunda volta a mentir pateticamente, quando colou Seguro a Sócrates e Costa, de quem não podia estar mais afastado. Como não consegue puxar da cartada da corrupção ou do wokismo, recorre à sua especialidade: desinformação. Preparem-se para duas semanas de arremesso de lama.
Mas aquilo que me salta à vista é isto: um candidato moderado, que não vive para as redes sociais nem passa os dias aos guinchos, com uma postura serena e um discurso decente e conciliador, levou a melhor contra um extremista que vive de instrumentalizar o medo e o ódio, procurando dividir para reinar. E sempre dá alguma esperança, nestes tempos sombrios, ver a moderação levar a melhor contra o radicalismo mais extremo.






Liberacho Montenegro a querer calar opositores
https://x.com/volksvargas/status/2013669379959931097
Uma observação acerca do resultado do Pastoralho: no dia da eleição fui presidente de uma mesa de voto. Precisamente aquela em que estive nas autárquicas. Com pequenos ajustes, abrangia os mesmos eleitores. Nas legislativas estive na mesa do lado, e tinha os resultados de uma e outra.
A malta da mesa que me acompanhou foi ultra-eficiente e, às 19 e 40, tínhamos os votos contados e os materiais entregues.
Comparei os resultados com os das legislativas e os 60 e tal votos que a Seita do Pastoralho tinha obtido em cada mesa eram agora de 40 e tal, com mais ou menos o mesmo numero de eleitores.
Cheguei a casa e fui acompanhando os resultados. Na noite das eleições ouvi resmas de comentadores salientarem a “grande subida” de Ventura. Ora, quem se dava, como eu, ao trabalho de estar a comparar com as legislativas, notava que não era bem assim…
Na realidade o Pastoralho teve menos cento e tal mil votos. E fugiram-lhe principalmente nas zonas mais urbanas (parcialmente compensados com zonas rurais onde subiu levemente).
E a nível de percentagem? Os 23,5, facilmente arredondados para 24, são calculados de maneira diferente dos das legislativas. Os votos em branco e nulos não contam, o que eleva a percentagem dos candidatos. Em termos comparáveis, foram 23 % certos. Apenas dois décimos e pouco acima das legislativas… e com menos votos!
Parece-me que está a perder gás, principalmente nos centros urbanos.