Uma réstia de esperança

Pode ser uma imagem de futebol

No início era o almirante.
À primeira volta.

Depois já seria entre ele e Marques Mendes, que teria o apoio do PSD num momento em que o partido é hegemónico em toda a linha.

Chegados ao day after de jornada eleitoral, passam à segunda volta André Ventura, o saudosista da ditadura corrupta de Salazar, e António José Seguro, o underdog do PS. Uma pesada derrota para o PSD, para o governo e para Luís Montenegro, que foi um dos primeiros a pronunciar-se, a antecipar o desastre que aí vinha.

André Ventura tem uma grande vitória, mesmo ficando em segundo lugar. E isso são, a meu ver, péssimas notícias para aqueles que se revêm na democracia liberal, em particular para os partidos da direita democrática, que perdem terreno e arriscam, no caso do PSD, a perder a liderança do lado direito do espectro para o populista.

Mas a verdade é que Ventura estagnou, obtendo um resultado muito idêntico àquele que o partido alcançou nas Legislativas. E isso é bastante significativo, na medida em que esta é uma eleição personalizada, por oposição a umas Legislativas, onde o partido tem mais peso. Mais do que um teste ao CH, este foi um teste ao próprio Ventura, que ficou aquém dos votos conseguidos em Maio.

[Read more…]

Presidenciais: Cavaco passa à segunda volta

Três glosas sobre a expressão “segunda volta”

Glosa primeira: Cavaco ao ataque

Em termos futebolísticos, a segunda volta é a segunda parte do campeonato, a parte em que tudo é, ainda, matematicamente possível, mesmo quando já se sabe, no fundo, qual será o clube vencedor, porque o possível é, tantas vezes, improvável. Cavaco passou, então, à segunda parte do campeonato e já prometeu mudanças tácticas e estratégicas: se, na primeira volta, jogou à defesa, com dois trincos e três centrais numa magistratura de influência, a partir de agora, vai prescindir de um central e de um trinco e passará a jogar com três pontas de lança, num exercício de maior intervenção. Cavaco acredita, portanto, que é possível recuperar a desvantagem que tem no fim da primeira volta e não duvido de que o seu habitual calculismo lhe traga frutos: mantendo-se aliado aos mais poderosos, garantirá a vitória no campeonato, ao mesmo tempo que continuará a contribuir para a já esperada despromoção dos mais pequenos. [Read more…]

Vamos lá suspender a democracia

image Cavaco insiste na estratégia do medo por haver uma segunda volta.

Esta quinta-feira, num almoço com apoiantes em Felgueiras (Porto), Cavaco alertou para as consequências de uma segunda volta, que seria “desviar as atenções do essencial”. E “o “essencial” é que iria causar “uma contracção do crédito e uma subida das taxas de juros. Com as consequências para as “famílias, empresas e famílias”. [Público]

O homem dos formalismos, tão cioso das suas competências formais que lhe permitiu repetidas vezes justificar silêncios injustificáveis, vem agora com mais uma laracha na linha da suspensão da democracia. Estarei enganado ou houve umas décadas em que isso já foi feito e com os resultados conhecidos?