Derrotados da noite

O taberneiro, desde logo, factual e metaforicamente – precisou de mentir no discurso de derrota, dizendo que teve mais votos do que a AD, para alimentar as suas teses de ambição de poder. Não sei se algum porta-microfones o terá confrontado com a realidade.

A comunicação social, que passou a noite (e continua madrugada fora) a falar do taberneiro, quando o vencedor era anunciado com dois terços de votos.

Augusto Santos Silva que tudo fez para que Seguro não tivesse o apoio do PS. Belo sapo que ainda há-de estar a engolir.

Luis Montenegro e Cotrim Figueiredo que não tiveram a coragem de rejeitar o grotesco.

Emídio Rangel e a SIC porque afinal não é tão fácil vender um presidente como um sabonete.

O Observador que, afinal, é a Folha Nacional em tons de azul.

Entre todos estes derrotados, Ventura destaca-se. As pessoas votaram e a proposta de adiar as eleições, além de ilegal, não entusiasmou. Não foi uma eleição entre socialistas e direita. Nem uma eleição do sistema contra o anti-sistema – o Chega está bem integrado no sistema. E não foram as elites contra o povo, dado que uma elite de dois terços dos eleitores não votou nele.

“Vocês têm noção daquilo que fizeram à minha vida?”…

Deram-lhe um novo emprego. Nada mau.

Uma provocação destas não se faz

Entrevista de Seguro à SIC, 1 Fevereiro 2026

Querem ver que ainda aparece o Ventura com um ramo de giestas a apagar o fogo?!

Desputedo

André Ventura quer “despartidarizar” a administração pública.

@expresso

Uma réstia de esperança

Pode ser uma imagem de futebol

No início era o almirante.
À primeira volta.

Depois já seria entre ele e Marques Mendes, que teria o apoio do PSD num momento em que o partido é hegemónico em toda a linha.

Chegados ao day after de jornada eleitoral, passam à segunda volta André Ventura, o saudosista da ditadura corrupta de Salazar, e António José Seguro, o underdog do PS. Uma pesada derrota para o PSD, para o governo e para Luís Montenegro, que foi um dos primeiros a pronunciar-se, a antecipar o desastre que aí vinha.

André Ventura tem uma grande vitória, mesmo ficando em segundo lugar. E isso são, a meu ver, péssimas notícias para aqueles que se revêm na democracia liberal, em particular para os partidos da direita democrática, que perdem terreno e arriscam, no caso do PSD, a perder a liderança do lado direito do espectro para o populista.

Mas a verdade é que Ventura estagnou, obtendo um resultado muito idêntico àquele que o partido alcançou nas Legislativas. E isso é bastante significativo, na medida em que esta é uma eleição personalizada, por oposição a umas Legislativas, onde o partido tem mais peso. Mais do que um teste ao CH, este foi um teste ao próprio Ventura, que ficou aquém dos votos conseguidos em Maio.

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Pela democracia liberal, contra o autoritarismo populista

Pode ser uma imagem de multidão
Daqui para a frente já não é sobre socialismo, liberalismo, conservadorismo ou social-democracia. É sobre democracia liberal ou autoritarismo populista.
É entre um político moderado com a rara característica de não se lhe conhecerem telhados de vidro e um extremista que os tem com fartura, que faz da mentira uma arma, do ódio estratégia e do medo o meio privilegiado para atingir o fim que sempre o moveu: poder absoluto.
É entre um democrata que respeita a constituição, a liberdade e as instituições e um protofascista que as pretende destruir e abrir espaço ao regresso da miséria, da fome, da censura, das prisões arbitrárias, da tortura, da guerra, do analfabetismo e da corrupção salazarista. Em triplicado.

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Uns cobardes

Entre democracia e populismo. Entre um racista e xenófobo e alguém decente. Entre quem faz repetidos apelos a Salazar e quem rejeita a ditadura.

Entre um ditador wanna be e um democrata, Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes mostraram o seu apoio ao não rejeitarem explicitamente a abjecção. A eles se juntou Montenegro, o qual já tinha mandado as linhas vermelhas às urtigas há muito tempo.

Não foi uma noite má de todo

Podia ter sido melhor se o Ventura não tivesse passado. Mesmo assim, ficou essencialmente pelo mesmo resultado das legislativas.

Agora está na televisão a queixar-se das sondagens manipuladas. É capaz de ter razão – davam-no sempre à frente.

Ficou em primeiro lugar o mal menor. E ganhou o candidato do Montenegro.

A gregar a direita

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Quem não quer ser Ventura que não lhe vista a pele

João Cotrim de Figueiredo apareceu no panorama político nacional como uma frescura. Um ar que nos dá. Uma brisa que passa. Tal como o partido em que milita.

“O primeiro partido liberal português”, o que em parte pode ter um fundo de razão, é também uma hipérbole porque do PS ao Chega todos eles, de uma forma ou outra, integram o liberalismo nas suas hostes (seja social ou económico). No entanto, passados meses e anos, aquele que parecia, afinal um partido verdadeiramente liberal transformou-se noutra coisa qualquer que pouco tem a ver com o liberalismo clássico que as ideias iluministas nos trouxeram.

O crescimento da IL, que estagnou, fez-se também a reboque do crescimento do Chega. Se o Chega crescia doze, a IL crescia cinco. Sustentado num discurso radical e, em boa medida, também ele populista, a IL atraiu jovens, empresários e gente da elite económica do país, que ali via um espaço da direita neo-liberal mais assumida. E João Cotrim de Figueiredo foi o seu primeiro líder.

Durante anos, defendi a tese de que Cotrim era dos únicos, dentro da IL, com algum bom senso para não defender ideias libertárias que aproximavam a IL de uma nova extrema-direita que surgia e se colava aos movimentos MAGA nos EUA ou que deu o poder a Javier Milei na Argentina. Enganei-me redondamente. Há uns anos, João Fernando teve uma tirada absurda no Parlamento: enquanto se discutia o racismo e a xenofobia na sociedade portuguesa, o então líder da IL, do alto da sua sapiência, comparou o racismo ao desdém que alguns mostram pela elite financeira. Dizia ele que: “Se substituirmos as palavras ‘negro’ ou ‘cigano’ (…) por investidor privado ou investidor bolsista é arrepiantemente próximo da discriminação e do ódio que aqui (…) queremos condenar”. Ri-me, achei atrevido, mas deixei passar. [Read more…]

Os 28 debates para as presidenciais começam às 21 horas de Portugal Continental e da Madeira

  1. Hoje, 17 de Novembro, segunda-feira, TVI: André Ventura vs. António José Seguro  
  2. 18 de Novembro, terça-feira, SIC: Luís Marques Mendes vs. António Filipe
  3. 20 de Novembro, quinta-feira, RTP: Henrique Gouveia e Melo vs.  João Cotrim de Figueiredo 
  4. 23 de Novembro, domingo, SIC: Catarina Martins vs. Henrique Gouveia e Melo
  5. 24 de Novembro, segunda-feira, RTP: João Cotrim de Figueiredo vs. Jorge Pinto 
  6. 25 de Novembro, terça-feira, SIC: Luís Marques Mendes vs. André Ventura
  7. 26 de Novembro, quarta-feira, TVI: Jorge Pinto vs. Henrique Gouveia e Melo  
  8. 27 de Novembro, quinta-feira, RTP: António José Seguro vs. João Cotrim de Figueiredo
  9. 28 de Novembro, sexta-feira, TVI: André Ventura vs. Catarina Martins
  10. 29 de Novembro, sábado, RTP: Luís Marques Mendes vs. Jorge Pinto
  11. 30 de Novembro, domingo, SIC: João Cotrim de Figueiredo vs. António Filipe 
  12. 1 de Dezembro, segunda-feira, RTP: António José Seguro vs. Jorge Pinto
  13. 2 de Dezembro, terça-feira, TVI: António Filipe vs. Henrique Gouveia e Melo
  14. 3 de Dezembro, quarta-feira, RTP: António José Seguro vs. Luís Marques Mendes
  15. 4 de Dezembro, quinta-feira, TVI: Catarina Martins vs. João Cotrim de Figueiredo
  16. 6 de Dezembro, sábado, SIC: António José Seguro vs. Catarina Martins  
  17. 7 de Dezembro, domingo, TVI: João Cotrim de Figueiredo vs. Luís Marques Mendes  
  18. 8 de Dezembro, segunda-feira, RTP: António Filipe vs. Jorge Pinto  
  19. 9 de Dezembro, terça-feira, SIC: Henrique Gouveia e Melo vs. António José Seguro
  20. 10 de Dezembro, quarta-feira, RTP: Catarina Martins vs. António Filipe
  21. 11 de Dezembro, quinta-feira, SIC: André Ventura vs. Jorge Pinto  
  22. 12 de Dezembro, sexta-feira, RTP: Luís Marques Mendes vs. Catarina Martins  
  23. 13 de Dezembro, sábado, RTP: André Ventura vs. António Filipe
  24. 15 de Dezembro, segunda-feira, RTP: Henrique Gouveia e Melo vs. André Ventura  
  25. 19 de Dezembro, sexta-feira, SIC: João Cotrim de Figueiredo vs. André Ventura  
  26. 20 de Dezembro, sábado, TVI: António José Seguro vs. António Filipe  
  27. 21 de Dezembro, domingo, RTP: Catarina Martins vs. Jorge Pinto
  28. 22 de Dezembro, segunda-feira, TVI: Henrique Gouveia e Melo vs. Luís Marques Mendes  

A iniciativa iliberal de Cotrim de Figueiredo

Cotrim de Figueiredo podia ter escolhido qualquer um para seu mandatário.

Podia ter escolhido um liberal.
Podia ter escolhido um moderado.

Escolheu José Miguel Júdice, um radical ligado ao MDLP, a organização de extrema-direita que deu respaldo a assassinatos políticos e atentados terroristas na década de 70.

É uma opção legítima, esta de Cotrim e da IL. Só não é lá muito liberal. Algo que, infelizmente, surpreende cada vez menos.