
Sábado fui ao mercado semanal da Trofa, como vou todos os Sábados. Encontrei as pessoas do costume, conversei com elas e fiz as minhas compras, tranquilamente. Uma manhã de Sábado normal na minha vida normal.
Numa dessas conversas, uma pessoa amiga disse:
- Este tempo está uma loucura. Nem dá para sair de casa.
- Mas estás aqui, não estás?
- Estou, mas olha que estive para não vir.
- A sério? Mas nem a chover está!
- Não está agora. Tu achas isto normal?
- Claro que acho. É o normal para esta altura do ano.
150km a sul, porém, a vida de milhares de pessoas estava tudo menos normal. Estava suspensa. Milhares de pessoas sem electricidade, sem comunicações, sem água. Pessoas com as casas sem telhado, carros destruídos e negócios arrasados. Pessoas em desespero, a quem o Estado falhou. Falhou na prontidão, na qualidade da resposta e no alerta às populações que se sabia que seriam afectadas, enquanto altos responsáveis do governo, como o ministro Leitão Amaro, apostavam em promover a sua própria vaidade, como um parolo deslumbrado, no timing perfeito. Brioches digitais.
Por falar em brioches, as declarações do ministro Castro Almeida sobre os salários do mês passado são do mais indigno, insensível e desconectado com a realidade do país que vi na minha vida. Não surpreende, vindo de quem vem. Mas já vi pedirem-se demissões por muito menos.
Adiante.
E enquanto a minha vidinha segue normal, com um chuveiro aqui e outro ali, que corta uma ou outra estrada, as zonas verdadeiramente afectadas por este comboio descontrolado de tempestades continua sem resposta adequada. Não foram a Protecção Civil, as Polícias ou os Bombeiros que falharam. Foi a invisibilidade da Ministra da Administração Interna e a ausência de coordenação central de quem devia liderar a resposta. De quem devia avisar a população dos perigos reais do fenómeno climático que vinha pelas suas casas. Sobre a areia que ia cobrir as ruas, sobre empresas destruídas, sobre pessoas isoladas, sobre caos absoluto nas suas vidas. E a julgar por aquilo que se passou com o caso Spinumviva, não é expectável que Montenegro assuma responsabilidades. Como sabemos, é tudo uma questão de percepções. E Montenegro já provou que é um incompetente capaz de criar a percepção oposta. Valham-lhe as agências de comunicação pagas pelo erário público.
Imaginem o que teria sido termos este misto de incompetência, vaidade e falta de noção por altura da pandemia.
Seja como for, tudo acabará bem. Mais ou menos, vá. A vida voltará ao normal possível, a tragédia cairá no esquecimento, sendo substituída pela next big thing que o algoritmo tiver para nos oferecer, e, num abrir e fechar de olhos, estarão de volta os incêndios. Os incêndios e a incredulidade geral perante a habitual impreparação para a tragédia de Verão. E talvez voltemos a isto, dentro de um ano, igualmente impreparados. É lidar, que mais não há a fazer. E quem disser o contrário está a promover o radicalismo climático. É assim, não é deputada Mariana Leitão?






Isto com outros ministros era outra coisa; gente que soubesse pegar numa motosserra, capazes de alevantar uma parede e, mais que tudo, que pudessem consolar os gajos que com água, luz, telhado e chinelos calçados, tão sofredores são com os males dos outros!
E o Ministério da Metereologia, é para quando?
E a milícia das tempestadas tropcais, com livre trânsito nos armazéns dos supermercados, para quando no orçamento?
E tudo isto começou com a Spinumviva, rebéubéu pardais ao ninho!
Ora pois!
Com outros ministros era mesmo outra coisa!
Vosselência refere-se certamente aos garbosos ministros do consulado salazaresco, cuidadosamente selecionados pelo Presidente do Conselho.
Note-se que, antes de serem ministros das Obras Públicas, o Duarte Pacheco era um trolha afamado, o Machado Vaz era um pixeleiro exemplar, o Cancela de Abreu era imbatível a abrir roços, o Frederico Urlich um grande especialista em pisos de tacos. O próprio Oliveira de Cerejeira era homem para subir a um telhado e voltar logo a descer com toda a desenvoltura!
Mas já não há políticos assim! Quem mais se aproxima é o Venturoso Pastorinho, mas anda um pouco mal acolitado. Aquela de levar três paletes de águas ás vítimas de um dilúvio não caiu lá muito bem.
É assim a direita, o importante é governarem-se, e não governarem. Geradores e linhas de comunicação de reserva, planeamento do escoamento de água, planos de evacuação, muros de areia, acompanhamento psicológico, preparação das pessoas e comunicação das autoridades em caso de desastres, enfim, tudo impossibilidades.
o Estado falhou […] no alerta às populações que se sabia que seriam afectadas
Se há coisa em que o Estado NÃO FALHOU é precisamente nos alertas. Eu tenho recebido no meu telemóvel alertas regulares. Afora as páginas do IPMA, que sistematicamente prevêem para cada dia o pior cenário possível (põem dias de chuva quando prevêem que chova duas horas no fim do dia, coisas desse género).
Ainda hoje eu estava para fazer compras numa feira de rua que se deveria realizar, foi cancelada devido a previsões de mau tempo, e está um esplendoroso dia de primavera.
Obrigado sr Costa, escusava de ter deixado o benefício para o próximo depois de tanta merda.
Quanto ao excesso pontual, melhor do que a alternativa.
Perdeu uma boa oportunidade de mostrar que a A1 estava perfeitamente segura.