MAGA Civil War

Pode ser uma imagem de televisão

Há algo inédito a acontecer. Começou com o genocídio em Gaza e intensificou-se com o ataque ao Irão. E um dos culpados para que tenha ganho tracção, ironicamente, foi Donald Trump, que construiu o movimento MAGA em cima de uma visão isolacionista do mundo. America First. E o que está a acontecer, em Gaza e no Irão, é Israel First. Melhor: Zionism First. Porque nem o regime Netanyahu é aclamado pela população, parte significativa da qual protesta frequentemente nas ruas contra ele, nem o que se está a passar é no interesse da generalidade dos israelitas, sob fogo iraniano e prestes a sofrer as mesmas consequências económicas que vamos sofrer aqui.

O que está a acontecer é que figuras com impacto global, de uma direita que apoiou Donald Trump em ambas as corridas, reconhecidas e respeitadas por uma parte muito considerável do eleitorado republicano e muito em particular do movimento MAGA, estão a expor a fraude. Marjorie Taylor Green, Tucker Carlson, Candace Owens, Andrew Schulz ou Piers Morgan são os mais sonantes. O próprio Charlie Kirk foi muito crítico do regime Netanyahu, nos últimos vídeos que publicou antes de ser assassinado. E isso levantou questões sobre a morte de Kirk, sobretudo entre a direita ultraconservadora e pouco adepta da relação clientelar entre Washington e Telavive.


E isto importa, não porque a opinião seja mais relevante que as demais, à esquerda ou entre a direita moderada que não se vende à pulsão evangélico-totalitária do trumpismo, mas porque a propaganda não funciona com eles. Não é possível colocar-lhes o rótulo de “radical left”, “woke” ou “terrorists”. Têm essa vantagem. São difíceis de cancelar. E são seguidos por muitos milhões de votantes republicanos.

Razões mais que suficientes para representarem uma ameaça séria não apenas para o Trumpismo, mas para o poderoso lobby sionista e para os oligarcas da tech, para quem estas e outras guerras e disrupções são as melhores oportunidades de negócio que a divina providência lhe poderia oferecer. Ou não fossem, todos eles, importantes cruzados desta missão que, garantem, Deus lhes atribuiu.

Um negócio que inclui IA, vigilância em massa e desenvolvimento de armamento autónomo, o que já inclui gadgets assustadores como os mini-drones da Palantir, capazes de abrir um imenso buraco no crânio de um humano sem que este o veja chegar. Pesquisa sobre isso no Google, ou pergunta ao teu LLM preferido. É um dos sinais do nível de bizarria em que nos encontramos: tudo é feito às claras.

E parece-me que é precisamente por isso, por ser tudo às claras, que Tucker, Candace ou Schulz não conseguem alinhar. Por muito alinhados que estejam com a plataforma que fez eleger Trump. E, no essencial, continuam a estar. Mas uma intervenção militar desnecessária, ordenada por um presidente que se fez eleger na promessa de acabar com as forever wars e regime changes, a juntar ao genocídio em Gaza, ao escândalo Epstein, aos abusos do ICE e ao esquema de corrupção instalado na Casa Branca, que beneficia Trump, os seus familiares e aliados mais próximos, traçou uma linha entre a direita que conserva a espinha e a direita que gosta de ser usada, gozada e descartada pela oligarquia Trump. E isto pode muito bem ser o início do fim da internacional neofascista. Bem que uma boa notícia vinha a calhar.

Comments

  1. Os protestos contra o polaco não são por estar em guerra, nem pelos direitos LGBT, nem sequer pelo direito das mulheres não serem violadas, é por não limpar os árabes depressa que chegue e ainda ter processos de fantochada a soldados e colonos.
    Essa “esquerda e direita moderada”, aqui como lá, estão-se a opor muito aos crimes de guerra, dizendo que são ataques anti-semitas, defendendo a censura e a designação de terrorista a quem destrói material de guerra, apoiando a agressão a protestos, e tratando os muçulmanos como untermensch incapazes de serem civilizados. E fazendo contractos com a mesmas Palantirs e El-Bits. Tão preocupados que estão completamente calados sobre mais massacres no Líbano e Gaza, e mais colonialismo à moda ocidental na Cisjordânia, além de continuarem a copiar a mesma agenda por muito que ladrem.
    Sim, há na direita quem perceba as múltiplas falhas do regime, mas para se aproveitar das consequências. Vais elogiar o Nick Fuentes também?

  2. Julio Santos says:

    Quando um país se constitui uma ameaça para os países vizinhos, que é o caso do Irão, a única forma de debelar essa ameaça é exatamente o que está a ser levado a cabo pelas forças da coligação, Israel/Estados Unidos. Todos sabemos quão é doloroso sobretudo para as populações da região e para a economia de todo o mundo mas não vislumbro outra alternativa senão a guerra quando falham as advertências para as consequências. Obviamente que não sou a favor da guerra nem torço por um lado ou por outro mas quando falha o bom senso de parte a parte, entramos no inevitável, a guerra.

    • Bombardeou 8 países em 2 anos? Cometeu um genocídio? Bombardeava hospitais, escolas, universidades, bloqueava a entrada de comida e medicamentos, fazia atentados terroristas indiscriminados, fazia ciberataques?
      A única ameaça é ao colonialismo genocida e ao imperialismo de quem quer controlar quem tem acesso a energia e a que preço. O daddy manda a conta aos colaboradores.

  3. Anonimo says:

    Candace há muito fora posta fora, foi corrida do daily wire (activista anti cancelamento ) pelas declarações anti-semitas. Tucker também foi chutado da FoxN, e transformou-se em “independente “. MJT foi cortada por causa das leis da saúde, mas acima de tudo Esptein files, por isso agora pode piar à vontade. Quando se souber do tamanho da Conta, mais uns quantos falarão contra, e serão postos borda fora. Aquilo é um culto, quem desvia salta, já o querido Musk não durou muito.

  4. Uma ameaça mundial são sim os assassinos messiânicos que acham que precisam de uma grande conflagração para que Deus intervenha no mundo e os escolhidos, que são eles, sejam salvos. E esses são os sionistas. E vai chamar antissemita ao diabo até os carregue que eles fartam se de matar semitas e qualquer um que se lhe atravesse no caminho.
    Aquilo e um culto da morte e ainda há quem ache normal.

  5. POIS! says:

    A foto está muito bem escolhida.

    Cá p’ra mim estão os dois a discutir quem é o primeiro a beneficiar da curiosa forma da mesa onde estão sentados…mas na versão ao vivo do mesmo tamanho!

    Bem merecem!

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