Retrospectiva e uma nótula explicativa

With an eye toward future replication and extension studies, we address a range of conceptual and methodological issues that scholars should further elaborate, expand, and refine.
— Saito et al. (2022)

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A confeção não existe no Brasil. Basta perguntar-lhe, a ele, ao Vocabulário da ABL:

E a confecção?

A confecção existe no Brasil.

No entanto, onde se adopta a escrita em português europeu, por causa daquele “critério fonético (ou da pronúncia)”, inventado em cima do joelho e aplicado às três pancadas, acontece exactamente o contrário, pois debalde procuramos confecção em dicionários com AO90.

Encontramos apenas nos dicionários em português europeu de qualidade, ou seja, sem AO90:

E a que propósito vem a confecção a talhe de foice? Porque vi um filme (O Agente Secreto) e me indicaram uma publicação do Facebook do actual edil figueirense.

Eis a imagem do filme:

Eis a imagem da publicação:

Anteontem, no Telejornal da RTP, vi e captei um momento da visita de Lula da Silva a Lisboa. O autor do texto daquele cartaz, das duas, uma: ou é como eu, escrevente de português europeu que não adopta o AO90, ou é brasileiro (aposto na segunda hipótese).

Efectivamente, havendo razões linguísticas para a manutenção em português europeu da letra c de facção, temos o AO90 a promover esta exclusividade brasileira, quando antes havia convergência. Razões linguísticas, repito, e não tiros no escuro, como os de um certo e determinado comentador desta publicação dos Tradutores Contra o Acordo Ortográfico: Vital Moreira, recorde-se, adepto de longa data do AO90, sempre disposto a dar uma opinião, mas bastante trapalhão no momento de o adoptar. Pois é, um clássico. Vital Moreira, certamente, nunca foi a Fação.

Portanto, com estas confecções e facções, temos dois momentos interessantes para mostrar àqueles que se iludem com a “unidade essencial da língua” portuguesa que o AO90, afinal, põe em causa.

Pode ser que, algum dia, sabe-se lá, regressemos à melhor ortografia disponível: com efeito, a de 1945/73.

Haja optimismo.

Exactamente.

Nótula explicativa: Captei a imagem da excelente facção enquanto via o Telejornal de anteontem, na RTP Mundo (ex-RTP Internacional), adiei este texto, adiei, adiei e, entretanto, os excelentes Tradutores contra o Acordo Ortográfico fizeram a aludida publicação. E ainda bem que fizeram. Bem hajam.

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