Leva essa tralha medíocre contigo, Santana!

Fotografia: Luís Barra@Expresso

À terceira é de vez: Pedro Santana Lopes abandonou mesmo o seu partido de sempre, o PPD-PSD, e vai criar um novo partido, cujo nome, expectavelmente, será PPD-qualquer coisa. Isto acontece seis meses após ter declarado o seu amor eterno ao mesmo PPD-PSD, sob o mote “Unir o partido, Ganhar o país“. Estou certo que os seus mais acérrimos apoiantes estão muito orgulhosos da sua decisão, até porque os spin doctors do esgoto passista já decidiram que a decisão é boa. [Read more…]

Rio sobre Santana:

É uma figura que todos nós acarinhamos.

Santana sobre o AO90:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

A União das Freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira, em 2013, sobre atestado [pdf, p. 10]:

Exactamente:

documento público, escrito, de carácter informativo, relativo a factos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

A União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão, em 2018 (aliás, foi mesmo ontem, no sítio do costume, obviamente), sobre atestado:

Efectivamente:

documento público, escrito, de caráter informativo, relativo a fatos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

***

As rendas excessivas da EDP no país da imprensa comunista

AM.jpeg

Fotografia: Paula Nunes@ECO

António Mexia é o exemplo acabado de um homem de sucesso em Portugal. Deu aulas, foi para a política, daí para organismos e empresas públicas, com a passagem da praxe pelo BES, e regressou à política, de onde em bom rigor nunca chegou a sair, para integrar o executivo Santana Lopes, entre Julho de 2004 e Março de 2005. Dai seguiu directo para a cadeira de presidente do Conselho de Administração da EDP, onde continua, hoje sob a batuta do regime chinês. Em 2014 recebeu de Cavaco Silva a mais alta condecoração da Ordem de Mérito Empresarial. Três anos depois, foi constituído arguido no caso relacionado com as rendas excessivas da EDP. Aquele percurso clássico.  [Read more…]

PPD-PSD

Imagem via Daily Cristina

A forma como ele o entoa, como nunca ousa deixar o PSD órfão do PPD, é algo que me fascina. Isso e a insistência em esbarrar-se eleitoralmente. Mas ainda há esperança, caso Rui Rio ganhe as próximas Legislativas e seja chamado para servir em Bruxelas a meio do mandato. E poucas coisas seriam tão belas como ver Marcelo dissolver a Assembleia da República. Karma can be a bitch. O problema é se sai dali outro Sócrates. E outro Passos a seguir.

Santana Lopes perdeu as eleições

E agora? «Agora facto é igual a fato (de roupa)».

Pedro Santana Lopes não acredita em Pedro Santana Lopes

Fotografia via ECO

Depois do que passei, em 2004, 2005, depois do que aconteceu, com mais culpa minha ou não, acho que se concorresse a primeiro-ministro não tinha possibilidades de ganhar as eleições. Não tenho dúvida nenhuma sobre isso, nem que o vento mudasse 10 vezes

Pedro Santana Lopes, CMTV, 2013

Santana Lopes é fixe

Com Santana Lopes, há fatos e contatos.

Internas PSD: uma ode à não-renovação

Fotografia: Lucília Monteiro@Expresso

Se há coisa que não podemos imputar a Passos Coelho, apesar da valente treta que é afirmar que o passismo era à prova de barões, é que tenha ido a jogo com os dinossauros do costume. Não falo dos autárquicos, que esses são eternos e facilmente renováveis no concelho vizinho, mas das equipas governamentais. O passismo trouxe gente nova, mais à direita, nas tintas para a social-democracia e com uma queda para liberalismos extremistas. O resultado, esse, foi o que se viu.

Porém, com o passismo nos cuidados paliativos, o que se segue assemelha-se a um combate geriátrico entre velhas raposas. No canto esquerdo do ringue, com 61 anos, dois mandatos à frente da CM da Figueira da Foz, meio mandato na autarquia de Lisboa, 10 meses na presidência do Sporting, 8 como primeiro-ministro, várias tentativas falhadas de chegar à liderança do PSD e uma presença no Bilderberg, juntamente com o Sócrates a quem gentilmente cedeu o lugar, temos Pedro Santana Lopes, icone maior da secção política da imprensa cor-de-rosa portuguesa. [Read more…]

Pedro Santana Lopes, a Teresa Leal Coelho das directas do PSD

Fotografia: José Carlos Carvalho@Expresso

Segundo Rui Rio, Pedro Santana Lopes foi a quarta escolha do passismo para o defrontar nas internas. Uma espécie de Teresa Leal Coelho das directas do PSD. E tem a sua razão. Passos atirou a toalha ao chão, Luís Montenegro, inteligente, preferiu não queimar a sua carreira política a longo prazo – lá chegará a sua vez – e Rangel, que até foi triturado pela máquina passista no passado, leva uma vida confortável em Bruxelas, pelo que se entende que não tenha grande interesse em liderar um PSD à deriva, pelas ruas da amargura.

Fotografia: Adriano Miranda@Público

Santana Lopes foi o senhor que se seguiu, conta com décadas de experiência em derrotas internas, pelo que, mais uma, menos uma, não fará assim tanta diferença, e vai a jogo com um conjunto de altos oficiais da direcção cessante na rectaguarda. Se ganhar, o regime perpetua-se. Se perder, os ratos abandonam o barco e, a seu tempo, dobrarão o joelho e prestarão juras de fidelidade eterna ao homem do Norte. Pena que se perca mais uma oportunidade de renovação, no seio do maior e mais poderoso partido político português.

As Lições de Português do Professor Expresso

Andrew ‘Andy’ Osnard: No paper trail.

— The Tailor of Panama

Domitius Enobarbus: And what they undid did.

— Antony and Cleopatra

Avanço por aí
No gelo salgado
O meu hálito derrete
O teu corpo congelado

— Rui Reininho

This is the glamorous life there’s no time for fooling around.

— Lloyd Cole & The Commotions, “My Bag“, Mainstream, October 26 1987 (obrigado, Nuno Miguel Guedes)

***

Por aí, leio o seguinte:

Há um discurso por aí que valoriza demasiado os erros ortográficos.

É verdade. Todavia, há outros discursos, como este (a reproduzir este), que os desvalorizam em demasia. Já agora, erros sintéticos?

De síntese? Ou sintácticos? De sintaxe? Ou *sintáticos? De nada?

Pelos vistos, o “por aí” criticado no texto será auto-referencial, pois o Expresso indica mais erros ortográficos do que “outros erros”:  

  • «A Joana foi há escola» é erro ortográfico;
  • «Ele tem uma obcessão por carros» também é erro ortográfico;
  • «É um fato que existem alterações climáticas» é um erro ortográfico;
  • «Eles vêm a dobrar» é efectivamente erro ortográfico;
  • «Derepente a zanga começou» é objectivamente erro ortográfico;
  • «É uma casa portuguesa, concerteza!» é de facto erro ortográfico;
  • «Hádes conseguir escrever um livro» não é erro ortográfico;
  • «Já fizestes os trabalhos de casa?» não é erro ortográfico;
  • «Quero duzentas gramas de fiambre!» não é erro ortográfico;
  • «A polícia interviu naquela confusão que houve na rua» não é erro ortográfico.

Curiosamente, como vimos, o texto em apreço debruça-se sobre [Read more…]

Pedro Santana Lopes e a arte de ser aplaudido por uma plateia de indivíduos que acaba de fazer de parvos

Fotografias: Luis Barra@Expresso

Santana Lopes oficializou-se este fim-de-semana como o candidato da continuidade do regime vigente no PSD. Com uma plateia repleta de passistas, leais discípulos de Marco António Costa, barões autárquicos e uma senhora histérica que poderá ter acidentalmente consumido o LSD do neto antes de sair de casa, Pedro Santana Lopes fez o que se esperava de um recém-convertido ao nacional-ressabiadismo: atacou Rui Rio, atacou António Costa, atacou o acordo de incidência parlamentar entre os partidos de esquerda e fez a necessária vénia ao radicalismo além-Troika, referindo-se ao período mais negro do seu partido como “salvação nacional”.

Passando o expectável à frente, que Santana Lopes já foi derrotado internamente vezes demais para se poder dar ao luxo de dispensar apoios, mesmo os mais fanáticos, a apresentação do candidato em Santarém trouxe consigo um detalhe revelador, que nos diz muito sobre o alinhamento com as práticas do regime passista, sobre até onde Santana está disposto a ir e sobre a facilidade com que se manipulam militantes por aquelas bandas. Isto para não falar nos sapos que a horda passista, na fila da frente, está disposta a engolir. [Read more…]

Crónicas do Rochedo XXV – E é isto que o PSD tem para apresentar?

rio e santana

Depois do resultado do PSD no Porto e em Lisboa, Pedro Passos Coelho apresentou a demissão e foram marcadas eleições directas para escolher um novo líder. Na lógica própria destas coisas, Rui Rio apresentou-se como candidato. Cumpre a lógica da coisa. Foram vários anos em que uma parte do PSD espreitou através do nevoeiro a ver se vinha Rio, qual D. Sebastião, para resgatar a virtude e os bons costumes. Finalmente, o homem enfrenta os seus medos e avança.

Perante esta candidatura, seria normal que a outra parte do PSD fosse a jogo com um candidato. Ou mais do que um. Seria lógico o avançar de Montenegro cobrindo a ala passista. Seria lógico o avançar de Rangel, cobrindo a parte mais “centro-direita/direita” do PSD, assim como a elite “intelectual”. Seria lógico o avanço de Marco António Costa como expoente máximo do aparelho (ler: distritais, principais concelhias e os grandes caciques locais). Seria lógico avançar alguém diferente no papel de renovação do partido (e aqui renovação não significa, necessariamente e apenas, uma questão de idade/geração, mas ideias e projecto). Tudo isto seria lógico. Não fosse o PSD um partido onde, muitas vezes, a lógica é uma batata. Tal como o seu irmão gémeo, o PS.

[Read more…]

Estarão os passistas a orquestrar uma cabala contra Pedro Santana Lopes?

Fotografia: Pedro Correia/Global Imagens@JN

Primeiro foi Miguel Relvas, que em entrevista à SIC Notícias declarou o seu apoio à candidatura do provedor cessante da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cargo a que chegou por indicação do governo Passos/Portas. De seguida foi a vez de André Ventura, a coqueluche dos dias do fim do passismo, que apesar de se ter mostrado disponível para a corrida, dias antes, vem agora apoiar Pedro Santana Lopes na disputa contra Rui Rio. Quem virá a seguir? Miguel Macedo? Maria Luís Albuquerque? Paula Teixeira da Cruz? Marco António Costa? Hugo Soares? [Read more…]

Contra o Orçamento do Estado para 2018

Esta reafectação parece-me ser extremamente problemática.

— Marie-Hélène Aubert

À un moment, elle se fait tej par son keum et elle se réveille à oualpé dans un champ de blé. Du coup, elle est trop déprimée, elle a le seum de la vie, elle se suicide.

Jean Rochefort

Com certeza.

António Costa

***

© JO\303\203O RELVAS (http://bit.ly/2zmwknD)

Exactamente: “com certeza”. Foi a resposta do primeiro-ministro, quando interrogado sobre a confiança em relação à aprovação do OE2018. Infelizmente, não perguntaram a António Costa acerca da qualidade técnica do OE2018. A certeza acerca da aprovação de um diploma depende de uma avaliação do desenrolar de negociações e da celebração de acordos entre partes: neste caso, entre PS, PCP, PEV e BE. E o primeiro-ministro, obviamente, “com certeza”. Agora. Porque, há uns anos, perante um documento exactamente com as mesmas falhas técnicas, António Costa votou contra a proposta do Governo.

Todavia, a certeza quanto à qualidade técnica de um documento depende de uma leitura pormenorizada e de alguma bagagem relativamente a aspectos concretos. Por exemplo (e fica como alerta para o futuro próximo), se alguém acreditar que [Read more…]

Ensaio sobre a ambiguidade

He’s gonna be wild
I’m giving you warning
He’s gotta have room
Keep an eye on him

Waylon Jennings

***

Reflictamos acerca da ambiguidade de “não pedi licença a ninguém para tomar a decisão que está tomada”. Passado esse momento, reflictamos acerca da clareza de “agora facto é igual a fato (de roupa)”.

Depois dessa reflexão e antes do jogo da selecção, vejamos o Diário da República de hoje.

Exactamente.

***

A possibilidade de contatar e a selfie de Simão Sabrosa

Don’t you get it yet?

— Henry Rollins

***

É possível contatar? Sim, é possível.

Onde? No sítio do costume.

Quando? Desde Janeiro de 2012.

Quanto ao jornal que adopta a resistência silenciosa em vez da expressão, eis uma selfie de Simão Sabrosa (os meus agradecimentos a um excelente leitor do Aventar).

É verdade que a tradução «Simão Sabrosa tira uma selfie das críticas a Fernando Aguiar» é estranha. Contudo, não tenho culpa. Não assinei o AO90. Quem assinou o AO90 foi quem escreveu «agora facto é igual a fato (de roupa)» . Como é sabido, não escrevi tal coisa. Logo, a culpa não é minha.

Continuação de uma óptima semana.

***

Compreendo que Santana Lopes tenha peso na consciência

Isto sempre se passou.

— Rodolfo Reis, 13/3/2017

***

Li por aí que Santana Lopes teria sido elegante, ao dizer que é

normal que Sampaio sinta algum peso na consciência.

De facto, Santana Lopes, como Voltaire, não disse tal coisa (publicamente, acrescento eu, obviamente).

Eis aquilo que Santana Lopes efectivamente disse:

Compreendo que Jorge Sampaio tenha peso na consciência porque a decisão dele é que pôs o país à deriva.

Eis outra coisa escrita por Santana Lopes:

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Será que Santana Lopes tem “peso na consciência”?

Sim, porque isto

aconteceu.

Quando? Hoje. Onde? No sítio do costume.

Efectivamente, se Santana Lopes tiver “peso na consciência”, compreendo.

***

Santana Lopes e a ortografia à deriva

Jorge Sampaio escreveu o seguinte:

Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva — mas não foi uma decisão ad hominem.

De facto, este anúncio de Santana Lopes foi muito mau :

em relação ao acordo ortográfico […], o empenho do Presidente [do Brasil] Lula da Silva é o de que se dinamizem todos os instrumentos nesse domínio.

Contudo, isto é bem pior:

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Efectivamente. Hoje, no sítio do costume.

Sampaio acrescenta:

De vez em quando é preciso dar voz ao povo – e percebi qual era o sentimento do povo.

Então, vamos por partes:

Já assinou a petição? Sim, esta. Óptimo.

Já assinou a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90? Muito bem.

E a Iniciativa de Referendo? Sim? Excelente!

Já CHEGA de tanta PROSTITUIÇÃO!

Gustavo Bom/Global Imagens

Gustavo Bom/Global Imagens

Carlos Paz

Duas notícias, do mesmo calibre, marcaram o dia de ontem (3 de Março de 2016):

– A VERGONHOSA recondução de Pedro Santana Lopes como Provedor da Santa Casa;

– A INACREDITÁVEL contratação de Maria Luís Albuquerque como Administradora não executiva de uma empresa financeira (multinacional) que foi fortemente privilegiada no processo BANIF.

De imediato surgiram as normais acusações de CORRUPÇÃO. Mas não é verdade. Corrupção não é isto; Corrupção é outra coisa. Estes são casos bem mais graves do que vulgares situações de Corrupção.

[Read more…]

E esta? Também é digna de polémica?

Costa reconduz Santana Lopes na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa“. O João Soares que saiba…

«Nunca me engano e raramente tenho dúvidas»

bola de fogo

© Rogério Pacheco (http://bit.ly/20mxHxw)

Nonetheless, it seems to me doubtful as a way to proceed in the present situation for the following reason. I said above that the essence of consciousness was subjectivity. There is a certain subjective qualitative feel to every conscious state. One aspect of this subjectivity, and it is a necessary aspect, is that conscious states always come to us in a unified form. We do not perceive just the color or the shape, or the sound, of an object, we perceive all of these at once simultaneously in a unified conscious experience. The subjectivity of consciousness implies unity. They are not two separate features, but two aspects of the same feature.

— John Searle, Philosophy In a New Century

***

Hoje, ao passar os olhos pelo sítio do costume, lembrei-me quer deste parágrafo escrito por Searle, quer daquela frase que Cavaco Silva não disse. A Câmara Municipal de Ovar, à qual dediquei meio parágrafo na quinta-feira, estará provavelmente a preparar, neste exacto momento, uma nova declaração de rectificação.

DRE 222016 ovar

Houve discernimento [Read more…]

No que diz respeito ao Acordo Ortográfico de 1990, o jornal Sol é uma referência

Ecce tituli inscriptionem non corrumpit; quod scripsit, scripsit.

Santo Agostinho

A razão é simples e não tem a ver com a anunciada adopção do instrumento em causa. Por exemplo, o jornal A Bola, quando anunciou a adopção do Acordo Ortográfico de 1990, não passou a constituir uma referência em relação ao AO90 — é uma referência, isso sim, no que diz respeito à resistência silenciosa num país em que todos têm o direito de exprimir e divulgar livremente aquilo que pensam pela palavra.

Contudo, o jornal Sol é, sem sombra de dúvida, uma das grandes referências no que diz respeito ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990: foi no jornal Sol que Pedro Santana Lopes escreveu

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)

Exactamente: “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”. Efectivamente: “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”.

Como escreveu Santo Agostinho, «quod scripsit, scripsit».

AO90

Paenitentiam te!

psl

Senti, imperiosa, esta determinação vinda do alto, à qual me apresso a corresponder humildemente. Penitencio-me, pois. Estive eu aqui, numa outra publicação, a brincar com as razões que levaram Santana Lopes a desistir da sua candidatura à presidência da República e agora, espantado – mas também elevado! – dou comigo a assistir a uma longa entrevista dada por este personagem à SIC, entrevista essa que, sob o tema “eu não me vou candidatar e vocês nem sabem o que perdem, mas eu vou explicar”, me mostrou a luz: Pedro Santana Lopes não ambiciona a presidência da República. Almeja, isso sim, a canonização.

Lopes

O intruso entrou na sala silenciosamente, servia-se Pedro de uma reconfortante bebida, descontraindo de um dia cheio de inaugurações e contactos com aquela gente simples apoiada pela Santa Casa. Enfim, uma maçada. Mas bem paga, lá isso era. Discreto, o intruso aproximou-se e, subitamente, agarrou Pedro por um braço apertando como um torniquete. Pedro sentiu-se desfalecer e duvidou ser capaz de dominar a sua bexiga. O visitante, homem ostensivamente bem vestido e perfumado, falou:
– Mi scusi, signor Santana – começou o estranho -,credersi signore del mondo? Vorrei essere presidente da Portugalo? È signore di fare quello che vuole, ma avere un grande stipendio, guadagnare per la pagnotta en la Santa Casa da Misericórdia, è finito, capisci? Fare vita da gran signore? Finito.Darsi della arie di gran signore? Finito.
– Q-q-quem manda?- perguntava Pedro, aflito.
– Il Padrone, signore Pedro – responde o intruso – il signor Tal dei Tali, il signor “direttore”.
–Então est-t-t-tá bem. Eu saio. Se me portar bem posso continuar aqui? As más linguas dizem que, pela primeira vez, a Santa Casa deu um prejuízo de milhões, mas é tudo mentira, eu posso explicar.
Calmamente, o intruso largou o braço de Pedro, que apertara como uma tenaz. Pedro soube ali que lhe estavam a fazer uma proposta irrecusável. Assim, esfregou os músculos doridos e, mal recuperou a circulação, redigiu o comunicado da sua desistência da candidatura à presidência da República.
Capisci?

As minhas reais preocupações sobre o fato

017AFR14D09J2303

© Alain Rossignol / Jorge Cunha (http://bit.ly/1Denk24)

That no good. Ugh.

Allen Ginsberg, America

***

Segundo Elisabete Jacinto, o “problema reside no fato de desconhecermos onde está esse limite“. Por seu turno, Ricardo Leal dos Santos considerou importante “o fato de tudo ter corrido sem qualquer tipo de percalço“. Efectivamente, já em Novembro de 2014, de acordo com a mesma fonte, o piloto Nico Hulkenberg revelara estar “muito contente pelo fato do calendário da Fórmula 1“. Há poucas horas, surgiu “o fato de na véspera“. Através deste pequeno périplo, isolámos um exemplo muito concreto de geração de estrangulamentos e de constrangimentos. Estrangulamentos e constrangimentos? Exactamente.

Igualmente respeitador daquele princípio extremamente conhecido (“Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”), Rui Caldeira, director do Observatório Oceânico da Madeiraescreve o seguinte:

Estes acontecimentos serviram também para despertar as minhas reais preocupações sobre o fato de que na condição de ilha no meio do Atlântico estarmos [sic] desprovidos de um sistema de monitorização permanente do oceano circundante.

Além das “preocupações sobre o fato”, poderíamos perguntar o porquê de ‘trajeto’, ‘boias’, ‘direção’ e até ‘efetuamos’, quando ‘Dezembro’, ‘afectam’ e ‘detectados‘ abriam boas (para não dizer óptimas) perspectivas.

oom

Admito que o «’orgulhosamente’ sós», escrito por Caldeira, isolando o orgulhosamente e deixando o sós à solta, me levou às aspas do Tarski. Não, não são do Tarski do Searle: são do Alfred.

Contudo, como o problema que hoje apreciamos “reside no fato“, terminemos com chave de ouro e debrucemo-nos sobre o assunto.

“Estou preparado para ser Presidente da República!”

declarou Pedro Santana Lopes. E assim ficamos a saber que o homem já fez 35 anos. Como o tempo passa…

O final do Verão, a Primavera e depois de Outubro

Efectivamente, com o Acordo Ortográfico de 1990, o Verão deixa de existir. Contudo, há quem adopte o AO90 e simultaneamente ignore aquilo que ele determina.

Marcelo

Depois de ter assinado o Acordo Ortográfico de 1990 e de ter escrito “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa)”, Santana Lopes traz-nos Outubro e Primavera.

santana

Exactamente.

A ininteligível produção de *fatos políticos

galilei

“Retrato de Galileu Galilei”
Justus Sustermans (http://bit.ly/17Msan7)

Muito rapidamente, aproveitando alguns intervalos para cafés.

Fiquei ontem a saber, através do Público, que Rui Teixeira foi acusado de denegação de justiça, abuso de poder e coacção de funcionário.

Lembremo-nos daquilo que disse um dos principais responsáveis pela situação caótica actualmente vivida na ortografia portuguesa europeia:

Ninguém será abatido, preso ou punido se não aderir às novas normas”.

É verdade que José António Pinto Ribeiro nada disse nem acerca de eventual abate, prisão ou punição daqueles que não aceitarem ler e estudar documentos com as “novas regras”, nem sobre abate, prisão ou punição de quem impingir documentos redigidos “ao abrigo” de regras que não estão em vigor. Enfim, como já tive a oportunidade de recordar, relativamente ao aspecto ‘adesão’ e à dimensão ‘punição’, a doutrina divide-se.

Contudo, é sabido, não se encontrando os tribunais “sob a tutela orgânica e funcional do Governo“, nada obriga Rui Teixeira a adoptar uma norma que, manifesta e compreensivelmente, lhe desagrada. Resta saber se, não tendo o dever de adoptar o AO90, incumbe ou não a qualquer juiz a obrigação de aturar no seu círculo judicial textos redigidos “ao abrigo” de uma proposta ortográfica que, como sabemos, é inadequada para a norma portuguesa europeia, tendo – convém sempre refrescar a memória – sido objecto de pareceres negativos.

Haverá sempre quem critique Rui Teixeira por este indicar alterações efectivamente não previstas no Acordo Ortográfico de 1990, aludindo à supressão quer do acento de ‘cágado’ (proposta de 1986), quer da letra consonântica ‘c’ de ‘facto’. Segundo a SIC, “não se entende o reparo do juiz”. Lamento imenso, mas entendo [Read more…]

Duas ou três coisas sobre *fatos do Acordo Ortográfico de 1990

DR AO90

Pour prendre position il faut, en général, 
savoir d’abord un certain nombre de choses.
— Georges Didi-Huberman (2009:15)

And intellectual bankruptcy, I’m sorry to say, 
is a problem that no amount of drilling 
and fracking can solve.
— Paul Krugman, 15/3/2012

Em 2009 (p.18), escrevi:

Existindo, como em qualquer reforma, opções susceptíveis de contestação e de debate no plano linguístico, já se torna difícil rebater argumentos taxativos, simplistas e contraditórios, que não vão ao cerne da motivação, ou então acusações avulsas, suspiradas através do facilitismo da emoção, peças movidas em tabuleiros não linguísticos e não culturais.

De facto, é extremamente difícil rebater aquilo que Seixas da Costa escreveu há pouco mais de um ano:

A má fé [sic] e a distorção propositada obtêm, por vezes, algumas vitórias. Admito que alguns possam não gostar do novo Acordo Ortográfico, mas não é aceitável que, por mera vigarice intelectual, se procurem criar mitos em torno das mudanças que ele introduz.

O mais flagrante, e que tenho verificado que que [sic] está já na cabeça de muitas pessoas incautas, é a ideia de que a palavra facto passa, por virtude do Acordo, a mudar para fato. De tanto isto ser repetido, há quem acredite.

Ora isto é uma falsidade, que alguns se entretêm a instilar. Por uma vez, que fique claro: o novo Acordo Ortográfico não altera a forma de escrita (e, naturalmente, de pronúncia) da palavra “facto”.

Quantas vezes será necessário repetir isto?

Depois desta acusação em abstracto, consideremos uma hipótese remota, mas concreta: [Read more…]

Fanboy

PSL

Laranjinha
Apple Fanboy. via