Os factos de Câncio e os fatos da CMTV

Avec ses quatre dromadaires
Don Pedro d’Alfaroubeira
Courut le monde et l’admira.
Il fit ce que je voudrais faire
Si j’avais quatre dromadaires.

— Apollinaire, “Le Dromadaire

Sedulo curavi, humanas actiones non ridere, non lugere, neque detestari, sed intelligere.

Espinosa

Woah oh oh oh oh oh oh oh.

Ian Astbury

***

Convém sempre lembrar que nem só de fatos se vive no Diário da República:

Seja como for, de fatos efectivamente muito se vive, no Diário da República em particular e na realidade (orto)gráfica portuguesa europeia em geral, desde Janeiro de 2012.

Eis um exemplo, no Diário da República de hoje:

Quanto à realidade (orto)gráfica portuguesa europeia em geral, peguemos na nossa fidelíssima lupa e debrucemo-nos sobre um episódio extremamente interessante. Ao contrário do excelente Público, que traduziuperspectiva‘, para a nossa correcta interpretação da *perspetiva de Daniel Oliveira, a CMTV deturpou factos, indicando fatos,

quando Fernanda Câncio claramente não se refere aos fatos “de roupa” espalhados por Santana Lopes.

Apresentado este meu pequeno relatório, resta-me desejar-vos um óptimo fim-de-semana.

***

Depois de ter escrito «agora facto é igual a fato (de roupa)»,

(exactamente) «Santana Lopes admite abandonar presidência da Aliança». OK. Siga.

Quem para a extrema-direita na polícia?

Les perroquets commencèrent à crier, âcres, aigres, puis les perruches ajoutèrent leur pépiement à cette symphonie discordante. Leur charivari montait avec la lumière.

Éric-Emmanuel Schmitt, “Les Perroquets de la place d’Arezzo

***

Aliás,

Quem pára a extrema-direita na polícia?

Exactamente, apesar de ativa e de ativistas:

Como sabemos, existe uma diferença entre afirmar

Escrevo com o AO nos jornais

e escrever com o AO nos jornais.

É como a diferença entre determinar

a aplicação do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa [..], a partir de 1 de Janeiro de 2012, […] à publicação do Diário da República

e permitir que isto aconteça:

— ou até um bocadinho semelhante a, por um lado, afirmar

No Acordo é limpinho: é muito mais fácil dizer que se é contra. E também parece que algumas pessoas têm de encontrar válvulas de escape para a insatisfação em que vivem. É um pouco como chamar nomes ao árbitro. Acho que às vezes as pessoas precisam de conhecer mais mundo.

e, por outro, escrever

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Desejo-vos um óptimo fim-de-semana.

***

O buraco ortográfico

Credits: Event Horizon Telescope collaboration et al. (https://go.nasa.gov/2Z2mJPS)

Sey. The Queene (my Lord) is dead.
Macb. She should haue dy’de heereafter;
There would haue beene a time for such a word:
To morrow, and to morrow, and to morrow,
Creepes in this petty pace from day to day,
To the last Syllable of Recorded time:
And all our yesterdayes, haue lighted Fooles
The way to dusty death.
— Shakespeare, “Macbeth” (Folio I, 1623)

***

Depois das notícias de ontem sobre o buraco negro (eis o artigo), regressemos ao buraco ortográfico aberto pelo poder político.

Repare-se neste exemplo clássico:

Exactamente:

Menção de que o candidato declara serem verdadeiros os fatos constantes da candidatura.

Trata-se efectivamente de exemplo que é genuinamente clássico, conhecido no Palácio de São Bento, pelo menos, desde o dia 7 de Fevereiro de 2013 (cf. página 7 em “Documentação entregue [formato PDF]“). Entre a entrega do documento que redigi e o dia em que escrevo estas linhas, portanto, é só fazer as contas, deixa cá pegar num lápis aguçado, ora bem, já lá vai uma, já lá vão duas, já lá vão três, já lá vão, deixa cá ver… 322 semanas.

Até hoje, como se vê,

nada se fez.

Todavia, fala-se muito (“Portugal fez a sua parte“). Aliás, fala-se imenso (“Orgulho-me de ter assinado o Acordo em 1990“). Declara-se abundantemente (“O autor escreve segundo as normas do novo Acordo Ortográfico“) e profere-se bastante («Portugal “aguarda serenamente” a conclusão da ratificação do acordo ortográfico pelos membros da CPLP que ainda não o fizeram»), com tiros pela culatra.

Enfim, muita conversa e o buraco a aumentar.

***

«Temos que nos livrar do acordo ortográfico»

Will you bite the hand that feeds?

— Trent Reznor (cf. “Will you chew until it bleeds?“)

Adulteri, nescitis quia amicitia huius mundi inimica est Dei?

Quicumque ergo voluerit amicus esse saeculi huius, inimicus Dei constituitur.

Iac 4,4

Nós resolvemos reunir um grupo bem pequeno.

— Lígia Prado Fragonard

***

Foto: Francisco Miguel Valada (Bruxelas, 4/4/2019)

Ao ler as seguintes palavras de Filipe G. Martins, assessor especial de Jair Bolsonaro (via João Roque Dias, no Acordo Ortogrãfico Não!, e via Tradutores Contra o Acordo Ortográfico) (negritos meus):

Depois de nos livrarmos do horário de verão, temos que nos livrar da tomada de três pinos, das urnas eletrônicas inauditávris [‘sic’, i.e., ‘inauditáveis’] e do acordo ortográfico,

lembrei-me imediatamente das palavras de Pedro Santana Lopes, secretário de Estado da Cultura no XI Governo Constitucional de Portugal, no famoso artigo do “agora facto é igual a fato (de roupa)“, em que é dada muita importância aos 21 anos e pouca às 21 bases :

Para os que não sabem, quando há 21 anos, no início de Janeiro de 1990, Cavaco Silva me convidou para secretário de Estado da Cultura, foram essas, precisamente, as duas principais tarefas de que me encarregou: assegurar que o CCB [Centro Cultural de Belém] estivesse pronto a tempo de receber a 1.ª presidência portuguesa das Comunidades Europeias, a 1 de Janeiro de 1992, e negociar e assinar o Acordo Ortográfico.

Há uns meses, em entrevista ao Portal Luso, tive a oportunidade de dizer que

não me interessa por aí além aquilo que outros [“a maioria dos países da CPLP”] fazem em termos de adopção do AO90. Aquilo que me preocupa é Portugal querer à força toda adoptar o AO90, independentemente da realidade. Preocupar-me-ia imenso que Portugal deixasse de adoptar o AO90 porque outros não adoptam, em vez de deixar de adoptar o AO90 pelo motivo mais natural de todos: porque é inadequado para a norma portuguesa europeia. Preocupar-me-ia, repito. Todavia, considerando um certo historial, não me admiraria nada que fosse esse o caminho.

A seguir cenas dos próximos capítulos (e não “a seguir, cenas dos próximos capítulos”).

***

Assim vai o PSD, e Portugal não lhe fica atrás…

É natural que em alturas como esta se recorde uma velha e instrutiva história de Churchil, o velho estadista inglês. Conta-se que certo dia recebeu, na bancada conservadora de Westminster, um jovem deputado do seu partido que tinha acabado de ser eleito pela primeira vez. Virando-se para a bancada oposta, onde se sentam os trabalhistas, o jovem deputado comentou: “é então ali que estão os nossos inimigos”. Churchil, com a sua imensa sabedoria, corrigiu-o de imediato: “ali sentam-se os nossos adversários; os nossos inimigos sentam-se ao nosso lado, nesta mesma bancada”. [Read more…]

Acordo Ortográfico: o verbo obrigado a imitar uma preposição

A imagem é do Jornal de Notícias, um dos muitos jornais que acreditam ter adoptado o acordo ortográfico, optando, ainda assim, por acentuar graficamente a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “parar”.

No meio das muitas facultatividades delirantes (porque, em ortografia, o aumento de facultatividades é delirante), o chamado acordo ortográfico, aqui, é muito claro: “(…)deixam de se distinguir pelo acento gráfico: para (á), flexão de parar, e para, preposição” (Base IX, art. 9º). [Read more…]

Rio sobre Santana:

É uma figura que todos nós acarinhamos.

Santana sobre o AO90:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

A União das Freguesias de Azueira e Sobral da Abelheira, em 2013, sobre atestado [pdf, p. 10]:

Exactamente:

documento público, escrito, de carácter informativo, relativo a factos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

A União das Freguesias de Massamá e Monte Abraão, em 2018 (aliás, foi mesmo ontem, no sítio do costume, obviamente), sobre atestado:

Efectivamente:

documento público, escrito, de caráter informativo, relativo a fatos, situações ou qualidades ou estados de pessoas determinadas, que são do conhecimento dos membros da Junta de Freguesia, ou que representam a sua convicção. Este documento não tem força probatória material, podendo o seu conteúdo ser contestado e contrariado.

***

Efectivamente, o Acordo Ortográfico de 1990 é isto:

«ruptura total da Constituição» no Brasil e «rutura política total» em Portugal.

Santana Lopes não é candidato!

Óptimo. Este «não me candidato ao Sporting» significa a continuação de ortografia por aquelas bandas e a ausência de confusões como «agora facto é igual a fato (de roupa)».

O fato do senhor deputado

No JN de hoje, o deputado social-democrata (ou do PSD) Paulo Rios de Oliveira escreve sobre os CTT. Aquém do conteúdo, está a forma. Como deputado de um dos partidos que impuseram o chamado acordo ortográfico (AO90), é natural que o use.

Não sei se Paulo Rios de Oliveira terá sido apoiante de Santana Lopes nas últimas eleições internas, mas é, em termos ortográficos, um seguidor fiel do candidato derrotado por Rui Rio. Na realidade, foi Santana Lopes que declarou “Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).” [Read more…]

Em segunda mão ou com mão escondida

O PSD prepara-se para oferecer ao país uma de duas escolhas. A primeira é a possibilidade de ter um candidato a primeiro-ministro em segunda mão. A outra é a deste ser alguém que traz uma agenda de desregulação na mão escondida atrás das costas.

Na entrevista evocada por esta imagem, Rui Rio apontou a segurança social como exemplo de direito não sustentável. Se é um direito, pode ser recusado? E o buraco da banca, foi um direito? Quanta insustentabilidade não se resume a pagar a factura do BPN, do BES e do BANIF?

Rui Rio é isto. Sobre Santana Lopes, este é o sujeito que quer pegar nos 200 milhões de saldo da Misericórdia e estoirá-los num banco. Parece que Costa acha boa ideia. Enfim, estão bem um para o outro. A questão aqui não é só a natureza do “investimento”. É também, e sobretudo, porque é que a Santa Casa tem 200 milhões de euros no banco e não os está a gastar onde é suposto, nomeadamente no apoio a quem precise. Santana Lopes é esta figura errante, das trapalhadas enquanto primeiro-ministro, das quais a censura ao actual Presidente da República foi só uma delas, que ainda não digeriu a azia de 2004.

Estes confrontos entre Rio e Santana Lopes, aos quais há quem chame debates, têm tido, porém, a virtude de evidenciar os esqueletos que cada um tem no armário.

Parece que o melhor que o partido tem para oferecer é um FDP (fanático dos popós) e uma má moeda. Estamos falados quanto a projectos para o país.

Alerta laranja

O debate entre os candidatos à liderança do PSD foi tão rasca que deixou uma boa parte do país político em estado de alerta laranja.

Santana Lopes com um sentimento de déjà vu

Santana “preocupado” com a tensão entre Marcelo e Governo.

Ainda sobre a merda do SIRESP

Segundo o Jornal de Negócios, o Estado português terá recusado vender a posição da falida Galilei na empresa SIRESP SA. A herdeira da fraudulenta SLN detinha 33% da empresa, mas a comissão de credores, liderada pela estatal Parvalorem, rejeitou a proposta da Green Services Innovations, alegadamente por estar muito abaixo do valor previsto.

É incrível que alguém queira comprar uma parcela desta porcaria inútil, mais incrível ainda que se recuse qualquer valor por ela. Num país de PPP’s onde o lucro fica sempre no sector privado e os encargos quase todos do lado do público, qualquer meia-dúzia de euros seria bem-vinda. Neste caso, porém, a empresa britânica estava preparada para avançar com 2,5 milhões de euros, valor que, considerando a avaliação da SIRESP SA, encomendada pela comissão de credores à Ernst & Young, que atribui um valor total de 9,7 milhões à empresa, não é seria assim tão mau, principalmente por se tratar da inutilidade do SIRESP.  [Read more…]

​Sampaio esteve mal!

[Rui Naldinho]

Este início de 2017 tem sido fértil na publicação de “obras literárias” escritas por ex-Presidentes da República. E digo escritas, porque no caso do segundo volume da biografia de Jorge Sampaio, sendo a obra assinada pelo jornalista José Pedro Castanheira, o que lá está escrito, é aquilo que o ex-Presidente Socialista pretende dar a conhecer, e não o que o autor entende colocar. Esta obra parece ser mais uma tentativa de expiação de alguns pecados, em especial algumas decisões desastradas de Jorge Sampaio. Enganam-se, Cavaco e Sampaio, se pensam que nós mudamos a nossa opinião sobre aquilo que foi o seu legado na História de Portugal. O que está feito, feito está. Bem ou mal!

[Read more…]

Santana Lopes e a ortografia à deriva

Jorge Sampaio escreveu o seguinte:

Fartei-me do Santana como primeiro-ministro, estava a deixar o país à deriva — mas não foi uma decisão ad hominem.

De facto, este anúncio de Santana Lopes foi muito mau :

em relação ao acordo ortográfico […], o empenho do Presidente [do Brasil] Lula da Silva é o de que se dinamizem todos os instrumentos nesse domínio.

Contudo, isto é bem pior:

Agora facto é igual a fato (de roupa).

Efectivamente. Hoje, no sítio do costume.

Sampaio acrescenta:

De vez em quando é preciso dar voz ao povo – e percebi qual era o sentimento do povo.

Então, vamos por partes:

Já assinou a petição? Sim, esta. Óptimo.

Já assinou a Iniciativa Legislativa de Cidadãos pela revogação do AO90? Muito bem.

E a Iniciativa de Referendo? Sim? Excelente!

Os motivos dos fatos

amadeo3

Amadeo de Souza-Cardoso, Caricatura de Emmérico Nunes (1909)(http://bit.ly/1sHl6FW)

Chacun, là-haut, sait mieux que le matador ce qu’il conviendrait de faire en bas. En outre, comme chez tous les publics, la critique prouve l’intelligence et l’enthousiasme se verse au compte de la crédulité, de la naïveté, de la bêtise.

— Jean Cocteau, “La corrida du 1er mai

Lembra-me um sonho lindo, quase acabado
Lembra-me um céu aberto, outro fechado
Estala-me a veia em sangue, estrangulada
Estoira no peito um grito, à desfilada

Fausto Bordalo Dias

***

Os leitores do Aventar conhecerão certamente a seguinte afirmação de Santana Lopes:

Agora ‘facto’ é igual a fato (de roupa).

Não será, contudo, todavia ou até mesmo porventura, o caso do jornalista que entrevistou o autor desta afirmação, ainda por cima, produzida em artigo escrito para o jornal em que a entrevista foi publicada. Efectivamente, uma vez que na entrevista nenhures se vislumbra qualquer referência à afirmação de Santana Lopes, o autor terá perdido, [Read more…]

Santana Lopes ou ortografia sem dogmas

ng3661661Ontem, Santana Lopes, cultivando cabotinamente uma pose de senador, torceu um nariz aborrecido às pessoas que levam a ortografia a sério. Enfadado, declarou que, para ele, a ortografia não é um dogma e que, portanto, alterna, ao sabor dos ventos, entre a ortografia de 1945 e a de 1990, ainda que se orgulhe de ter assinado o AO90.

Ficamos a saber mais: o especialista em língua portuguesa que lhe explicou a necessidade de se fazer um acordo chamava-se Cavaco Silva. Como se isso não bastasse, explicou que isto do AO90 é uma boa tentativa que, tal como a CPLP, falhou. Santana, sem se aperceber, clarifica: o AO90 falhou.

Entretanto, no país, há pessoas que não têm direito à mesma liberdade que o antigo primeiro-ministro: os alunos do Ensino Básico e Secundário serão prejudicados, pelo menos nos exames nacionais, se não utilizarem o acordo. Pelos vistos, o sol ortográfico, quando nasce, não é para todos. [Read more…]

Santana, o ser e o nada

santana lopesNum golpe de génio, Santana Lopes enunciou ontem uma verdadeira novidade teórica que fará tremer os fundamentos do pensamento político e, digo mesmo, filosófico. Segundo ele, a prova de boa governação e a permanente relegitimação do governo, emerge do número de grandes manifestações que não se fazem. Quer dizer: não havendo manifestações, o povo está com o governo. É feliz. Estivesse do outro lado da mesa qualquer cândido cidadão que não o sabido do Vitorino, não deixaria de lhe perguntar se o governo, quando há grandes manifestações, se deveria demitir. Mas parece que, no seu tempo, ambos faltaram às aulas de lógica.

O duo

Terças-feiras na SICN. As noites impagáveis em que dois putativos candidatos à presidência da República concorrem em poses de estadistas, olhos postos no infinito, queixo levantado, discurso tentando parecer sábio e profundo (ma non tropo, senão a malta muda de canal), análise de alcance planetário. ar de quem sabe algo que todos nós ignoramos. Santana e Vitorino, os candidatos que querem ser candidatos no lugar dos candidatos. O futuro augura-se auspicioso.

Era uma vez um primeiro-ministro desorientado

Manif Grécia

Foto@Expresso

Quando questionado pelo jornalista Rui Pedro Antunes (DN) no rescaldo da vitória do Syriza nas legislativas gregas, a eurodeputada do BE Marisa Matias referiu que “finalmente Portugal terá um primeiro-ministro que o defende no Conselho Europeu“. Concordo com esta premissa e só lamento que esse primeiro-ministro não seja o português. Esse já há muito demonstrou que as suas prioridades são a Alemanha, a corte e os boys do seu partido e a sua agenda ideológica além-Troika. E à medida que o cerco anti-austeridade se aperta e o vazio de ideias se avoluma, pouco mais restará a Passos Coelho do que esconder-se debaixo das saias de Angela Merkel, refém da sua própria inércia.

[Read more…]

Um conto de Natal por Santana Lo(L)pes

amen

(foto: blogue Voar fora de casa)

Vem a foto em cima a propósito de recentes declarações de Pedro Santana Lopes, o primeiro nesta fila de devotos praticantes da palavra do Senhor que, no seu artigo de 17 de Dezembro no Jornal de Negócios, nos trouxe uma bela história de embalar na qual o seu partido têm mais dificuldade de acesso aos grandes grupos económicos portugueses do que o seu congénere socialista. Será um conto de Natal de um homem que reza na companhia de Dias Loureiro, Miguel Relvas e José Luís Arnault? Ou apenas uma perninha eleitoralista com Belém no horizonte?

[Read more…]

Missa

Daniel Rocha, 2004 (republicada no Público em 2012)

A arte de andar por aí

Santana Lopes admite candidatar-se a Presidente da República

O que disto pensará a boa-moeda-das-baixas-sondagens?

Pieguices

Salazar é a tua tia!

Jantar com laranjas

Nesta época de pré-campanha eleitoral, o presidente do PSD teve a estranha ideia de reunir todos os antigos dirigentes do Partido. Pretende organizar um jantar-comício num local apropriadamente denominado de Feira (Santa Maria da), servindo este repasto para atestar a “unidade” da organização. Um erro, pois a ruptura com um passado que não deixou saudades, seria uma excelente oportunidade para PPC provar que não se impressiona com os velhos esquemas e truques em que os seus antecessores – especialmente esse discreto em que já estão a pensar – foram exímios.

O problema será sério, se alguns dos convivas discursarem na mesma linha dos recadinhos que todos os dias têm feito chegar às redacções dos jornais. Deixando desconhecidos Machetes para outra oportunidade, se tirarem Marcelo e Mendes do micro-ondas, o repasto será aquilo que se imagina. Sabe-se o que têm dito e feito. Manuela Ferreira Leite enganar-se-á no tempo dos verbos, mas talvez sentir-se-á envergonhada para chegar à provocação e assim, arranjará uma desculpa, ficando em casa a tricotar umas meias de lã para um dos netos. Todos ainda se lembram das “excelentes e leais” relações que Marcelo, Santana – o tal 1º Ministro “dissolvido” por uma espécie de Bozo ex-ruivo – , Leite, Mendes ou Meneses (já não me lembro dos outros) cultivaram entre si.

 Só falta o Sr. Pacheco Pereira como escanção, pois sonhando-se com a enigmática presença do Sr. Cavaco Silva, urge alguém com coragem para testar o vinho, não vá algum malandro dar uso ao seu anel de câmara falsa.

E depois ficam à espera que governem

Nunca morri de amores por Santana Lopes, mas subscrevo estas duas respostas em entrevista ao jornal I:

O mesmo que Passos Coelho está a fazer agora, a surfar a onda?

Um pouco. Há este código tradicional do “não te mexas muito, deixa-te estar sossegado, finge que não percebes nada, o tempo passa e és nomeado primeiro-ministro”, que é o que revolta.

É o que vai acontecer com Passos Coelho?

Sim, mas não o censuro. As pessoas acham que é assim: “Queres ser primeiro-ministro? Anda cá, arranjamos-te bem, tens boa imagem, não digas muita coisa, deixa-te estar sossegado, publica um livro, faz um congresso ou dois, e pronto, daqui a um mês ou dois és primeiro-ministro.”

Acrescento ainda: Elegem-nos com esta base “programática” e ficam à espera que eles governem. Depois desiludem-se, acham que são todos iguais e dizem que a política não vale nada, que é sempre a mesma treta, que são todos medíocres, etc. e tal. Estavam à espera de quê?

"Lei da rolha" o tanas, "lei da censura"

Hoje aconteceu uma coisa estranha no PSD. Ou no PPD-PSD, não sei bem. Um partido que se apresenta como democrata e defensor da liberdade de expressão aprovou uma regra que penaliza quem critique o partido nos 60 dias anteriores a eleições. Normas internas, dizem. Sem se rir.

Já lhe chamam a “lei da rolha“. Eu prefiro chamar-lhe a lei da censura. Bem sei que a palavra pode parecer demasiado pesada e causar urticaria a muitos milhares de militantes. Mas a realidade é esta: os sócios do PSD serão castigados se disserem “ai” quando os dirigentes afirmam “ui”. Se faltarem menos de 60 dias para actos eleitorais. Se o prazo for maior, já não há problema. É uma questão de unidade, alegam do comité central que propôs a norma.

Ah, pois, a norma foi proposta por um ex-presidente do partido. Os actuais candidatos estão contra mas o congresso não teve vergonha em a aprovar.

Vindo de quem vem, daqueles que se dizem herdeiros do pensamento político de Sá Carneiro, ainda espanta mais. Deixemo-nos de paninhos quentes, trata-se de uma censura.

É esta a boa moeda, Sr. Presidente???

A pergunta do dia no Congresso do PSD, por Pedro Santana Lopes. (foto gentilmente palmada AQUI).

%d bloggers like this: