O Expresso permite ‘facção’

C’était comme un nouveau monde, inconnu, inouï, difforme, reptile, fourmillant, fantastique.

Victor Hugo

Bon, ce n’est pas bien grave. Paix à son âme.

Michel Onfray (sobre Michel Serres)

They responded in five seconds. They did their jobs — with courage, grace, tenacity, humility. Eighteen years later, do yours!

Jon Stewart

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Efectivamente, sabe-se há uns anos (2010: 103) que o Acordo Ortográfico de 1990 transformou facção com maiúscula inicial numa homógrafa perfeita de Fação, em Sintra.

Foto: Francisco Miguel Valada

Também se sabe que essa transformação não se aplica à ortografia do português do Brasil, justamente devido ao “critério fonético (ou da pronúncia)“, criado para garantir a tal “unidade essencial da língua portuguesa“. De facto, no Brasil, mantém-se a facção e, além dela, mantêm-se o aspecto, a concepção, as confecções, etc., etc. Ou seja, o discurso de Fação, bem conhecido dos leitores do Aventar, não é adoptado no Brasil, precisamente devido à base IV do AO90.

No Expresso, a facção mantém-se (neste caso, mantêm-se as facções), se o autor for brasileiro:

Se for português e se escrever em português europeu, o autor está impedido de grafar tamanhas monstruosidades

a não ser que seja independente e contra o Acordo Ortográfico de 1990

ou que anuncie

Escrevo com o AO nos jornais

mas, de facto, nem por isso:

Como diria Onfray,

On me reproche d’écrire toujours le même livre.

 

Ou, segundo Ke & Koda (2019), citando Myers (2006),

the first morpheme of 行人 (xíngrén, ‘pedestrian’ or ‘walk-person’ literally) and the second morpheme of 银行 (yínháng, ‘bank’ or ‘silver-store’ literally), written with the same character.

Exactamente.

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Nótula: Para esta nótula, previra publicar um vídeo simpático, com este excelente one fake, one dribble, one shot do Thompson, a passe do Iguodala. No entanto, anteontem à noite, chegou-me ao computador a belíssima intervenção de Jon Stewart, no Congresso dos EUA (aparentemente, com resultados). Eis o vídeo da audição: