O rigor e o medo

Muita gente embirra com Vasco Lourenço. Eu não. Aprecio a autenticidade. E não há dúvida que o “capitão de Abril” que se antecipou para Março, quando saiu inopinadamente das Caldas a caminho de Lisboa, é aquilo que parece ser.

Li isto, e ainda pensei ser anedota. Vasco Lourenço naquela coisa das Caldas a 16 de Março? Um dos dirigentes militares do MFA envolvido na trapalhada que ia deitando tudo a perder? O homem foi preso a 9 de Março e despachado para os Açores a 15. Estamos conversados sobre amnésias, e rigor.

Tudo porque Vasco Lourenço se referiu ontem a um vídeo publicado no Aventar (aqui simpaticamente reproduzido no Público, sem creditar a fonte) para o qual a direita não tem poder de resposta, já que é a sua própria hipocrisia que está em causa. E pelos vistos anda aflita com a manifestação de militares no próximo dia 12. Devo dizer que não comungo de alguma euforia à esquerda (Novembro não é grande mês para a tropa andar nas ruas) mas está-me a dar gozo o pânico de quem pensa que agora sim, a vingança chegou, aquele 25 de Novembro de 75, em que Vasco Lourenço participou e muito bem, foi frouxo, não se executaram uns comunas nem nada, agora é que vai ser.

Já agora, à atenção do rigoroso jornalista José Manuel Fernandes, Vasco Lourenço pode ter a mesma idade dos generais da Brigada do Reumático mas não demonstra a mesma senilidade, com ainda ontem se verificou. Já de José Manuel Fernandes, sendo mais novo, não se pode dizer o mesmo