José Manuel Fernandes apanhado a enganar os seus leitores

o que não é grande novidade mas desta vez fica aqui o registo.

A reprova

Para avaliar candidatos a professor fazem-se uns testes giros. No último incluía-se um texto de José Manuel Fernandes. Repito: o analfabeto José Manuel Fernandes, que enquanto escreveu à borla no Blasfémias provou várias vezes ter com a gramática uma relação semelhante à que eu tenho com Passos Coelho. Se, mesmo revisto como sempre sobreviveu na profissão onde entrou um homem que escreve fazido à pala de mero oportunismo político, eu encarasse um texto de José Manuel Fernandes e tivesse de a partir dele escrever alguma coisa, juro que bloqueava, ou melhor, bloceava.

Já em prova anterior José Adelino Maltez, homem culto e professor universitário, experimentou e falhou:

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Os fundamentalistas de Lisboa

Nacimiento_del_Tajo

É cíclico: de quando em vez as nossas direitas encanitam-se com Boaventura Sousa Santos. Não costumo seguir essas novelas mas desta vez dois detalhes irritaram-me e não foi pouco. Um humorista do Tejo, Tavares de seu nome, decidiu crismar o homem de “Noam Chomsky do Mondego“, e como não bastasse um analfabeto de Lisboa, conhecido por Zé Manel da Voz do Povo, desenvolveu para “evangelizador de Coimbra“.

Ora bem, esta peregrina ideia de atacar alguém pelo lugar onde reside e exerce a profissão, está mal. Dá muito para os lados da capital do provincianismo luso, suponho que seja da água que bebem, proveniente do Alviela que o rio ibérico não é potável há muito tempo. Neste caso fez-me ler ao que vinham, e vinham pelas patetices do costume, o multiculturalismo, o relativismo e a superioridade da civilização cristã ocidental, um conceito que tem tanto de científico como as previsões de uma vidente do Bairro Alto. [Read more…]

Títulos das próximas crónicas de José Manuel Fernandes

Hoje, José Manuel Fernandes (JMF) declarou que é capaz de acabar com o problema da colocação dos professores. Deu à sua crónica o título: Querem acabar com os caos [sic] das colocações? Eu digo como. O João José já descodificou o texto.

Não vou explorar o veio do mau português de JMF, porque não seria inédito e acabaria por se tornar repetitivo. Prefiro tentar adivinhar títulos de algumas das próximas publicações do ilustre cronista. O resultado é uma patetice, mas é natural: estou a escrever sobre o José Manuel Fernandes.

Aqui vai, por temas:

Futebol

Querem que a selecção nacional marque mais golos? Convoquem-me

Sexo

Querem que as vossas mulheres tenham orgasmos múltiplos? Dêem-me a vossa morada

Culinária

Querem que a vossa maionese deixe de talhar? Eu explico

Saúde

Querem saber qual é a cura do ébola? Eu envio por mail

Sociedade

Querem uma xícara de açúcar? Batam-me à porta

Educação

Querem saber de quem é a culpa de as escolas terem turmas de trinta alunos, de se terem transformado em agrupamentos gigantescos, de haver falta de recursos humanos, de se ter cortado nas horas de várias disciplinas, de se ter obrigado à alteração de manuais adoptados para seis anos ao fim de dois anos e de haver tantos erros nos concursos dos professores? Esperem aí, que ando sempre com uma fotografia do Mário Nogueira no bolso

7 de Outubro: milhares de alunos sem centenas de aulas

Num mundo governado por gente que gosta tanto de exibir números, é bom que o leitor repare bem no título: por ser dia 7 de Outubro, estamos na quarta semana de aulas e há milhares de alunos sem aulas. Se juntarmos todas as aulas que não houve até hoje, não deve ser difícil chegar às centenas.

Raquel Abecasis, uma representante da direita idiota (pleonasmo?) chegou a dizer que a culpa é dos sindicatos e dos comunistas, ou seja, dos professores, essa classe poderosíssima que, na realidade, manda no Ministério da Educação. Uma pessoa mais impressionável pode chegar a imaginar que os ministros e os secretários de Estado nem conseguem chegar aos respectivos gabinetes, impedidos por uma horda de perigosos barbudos e barbudas revolucionários que ocuparam o edifício da 5 de Outubro em Abril de 1974 e ainda de lá não saíram. José Manuel Fernandes, sempre na palhaçada (ou não fosse membro da direita idiota), conseguiu declarar que isto dos concursos dos professores é tão difícil que não há computador que aguente e a culpa, já se sabe, é de Mário Nogueira e dos guerrilheiros entricheirados na sala de fotocópias do Ministério.

Entretanto, no dia 7 de Outubro de 2014, há milhares de alunos sem centenas de aulas. Pensai nestes números e, antes de organizardes milícias para combater os comun… os professores, lede. Lede muito. Lede, até, o texto de João Miguel Tavares, um homem de uma certa direita que, por vezes, contraria os pleonasmos. É o primeiro da lista.

Caro Nuno Crato: ainda aí está? – João Miguel Tavares

O que se passa nas escolas? Os casos contados pelos leitores

Eles ainda estão à espera de um dia de escola normal

À quarta semana de aulas há milhares de alunos com furos

Escola em Lisboa encerrada por falta de professores

Professores contratados admitem que “caos nas escolas” se mantenha na próxima semana

Adenda: texto fresquinho do Paulo Guinote – Implosão do Ministério da Educação e Ciência: objectivo atingido

José Manuel Fernandes volta a analfabetar

O Paulo e o Paulo comentaram uma coisa que o José Manuel Fernandes obrou, sobre ensino, no Blasfémias onde lhe pagam. Tapei o nariz, fui ver, a meio do primeiro parágrafo regressei ao velho Grito do Povo, e antes de vomitar saltei para os comentários. Gostei deste:

jose manuel fernandes

embora seja repetitivo explicar ao mundo que o ex-director do Público é o Relvas dos jornais, fazido e bem pago.

Quando a extrema-direita endinheirada decide sustentar um pasquim online e não arranja melhor que um analfabeto para ali se sustentar temos o retrato do país que somos. Coitado, aprendeu a juntar letras ainda no tempo do Salazar.

Regressando à Voz do Povo

A arte de manipular segundo José Manuel Fernandes.

Sede uns senhores, carago!

jose-gomes-ferreira
É extraordinário o ódio que despertam entre os escrevinhadores e comentadores oficiais homens que pensam, falam e agem coerentemente com as convicções que (se) constroem. A adoração pelas alforrecas morais e os invertebrados cívicos e políticos continua a ser uma toxina incurável herdada dos 48 anos malditos de infecção das consciências. E não faltam arautos bem pagos e apaparicados para manter tal doença crónica. Como eles gostavam de ter um bastonário da Ordem dos Médicos ( e de outras ordens profissionais) de cerviz caída, fazendo vénias ao poder e frequentando o clube do croquete. Como lhes era grato ter um dirigente da Fenprof calado, obediente e beijando a mão ao governo. Mas não têm nada disso. Os senhores doutores em geral e de todos os graus – veja-se bem! – portam-se mal. Parece não se importarem que os considerem “trabalhadores” (bbrrrrr…), prescindindo das fidalguias com que os tentam seduzir. E, para cúmulo, não só defendem os seus interesses como parecem preocupados com os de todos nós! Abusadores! Assumi o vosso ilustre estatuto e portai-vos como os senhores que deveríeis ser. Afinal tendes – todos! – mais habilitações académicas que os membros do governo. Se continuardes a fazer ondas, sereis execrados por todas as pessoas finas da elite – desde o Relvas à Lili Caneças! E, assim, é bem feito que continueis merecer os exorcismos comentatórios dos senhores José Manuel Fernandes, José Gomes Ferreira, Marques Mendes e outros répteis

José Manuel Fernandes

observou de muito perto (com uma lupa de identificar lugares-comuns e frases-feitas) o que disse António Costa no Porto. Visto pelo Observador de direita, Seguro até parece um bom líder: qual é a pressa de Costa? (um tempo) Qual é a pressa?

Dizem que os faz bem

José Manuel Fernandes, um especialista em fazer brioches, um briochista, portanto.

A mentira é a pose natural de um blasfemo, a calúnia também

Depois de ter lido um qualquer manual do KGB, Vítor Cunha decidiu que Inês Gonçalves, autora de um texto que publicámos, “parece corresponder à descrição de um tipo de meia-idade com bigode.”. Apontou o dedo canalha para um perfil no Facebook que diz aberto em Janeiro deste ano. E continua feito soviético a achar que o que ele vê nesse perfil é o que lá está.

A  Inês está no Facebook desde 29 de Agosto de 2009, 5 meses depois do Vítor Cunha. E tem fotografias pessoais, gostos musicais e muitos outros, “bikinis, motas ou verniz garrido para as unhas” não me parece, mas nem todos os jovens terão os mesmos gostos pessoais do Vítor Cunha.

Vítor Cunha, que mal chegou a blasfemo-mirim decidiu seguir-me no Facebook  o que deve fazer parte de um curioso ritual iniciático que com curiosidade retribuí, não desconhece que esta rede tem níveis de privacidade e que eu posso ler nos perfis dos amigos dos meus amigos coisas que ele talvez não veja, mas nunca uma data em que mentiu. Lá acreditou que os seus leitores iriam ter acesso ao mesmo perfil reduzido que eventualmente ele terá visto.

Mentiu ao nível do sénior José Manuel Fernandes que hoje no Público descobre armas de destruição massiva nas sedes dos sindicatos, promove o bigode do Màrio Nogueira ao estatuto de bigode do Sadam e se embrulha como de costume, mas a esse já estamos habituados. Fez escola, e numa coisa a cópia é ultrapassa o criador: não tenho encontrado no Vítor Cunha a mesma falta de habilidade em lidar com a língua portuguesa. Valha-nos a forma, o conteúdo calunioso é exactamente o mesmo.

Reviver o passado em Março (1)

Desceu à rua um Portugal farto de tudo isto. Farto por boas e más razões, mas sobretudo farto. Desceu à rua um Portugal que quis fazer qualquer coisa, mesmo que não saiba muito bem como as coisas podem ser diferentes. Desceu à rua um país inorgânico mas, no essencial, ordeiro e respeitador da democracia. Desceu à rua um Portugal algo desesperado mas não revolucionário. Desceu à rua um Portugal que gostou de verificar que não está totalmente alheado da coisa pública.

José Manuel Fernandes, Blasfémias, 13 Março, 2011

José Manuel Fernandes plagiado?

José Manuel Fernandes, tudólogo praticante, escreve, também, sobre Educação, porque, por ser tudólogo, escreve, sobretudo, sobre tudo e, portanto, nada diz que se aproveite. Recentemente, tive oportunidade de comentar uma das suas pérolas, em que, usando doses gigantescas de marialvismo leviano, comentou o fenómeno do desemprego docente.

Hoje, por pura coincidência, descobri, na secção de opinião do Público e nas cartas dos leitores do Jornal de Notícias, um texto de um certo José Carvalho, professor e investigador de História. Se se derem ao trabalho de comparar as produções de ambos os josés descobrirão que metade do texto de Carvalho é igualzinho ao de Fernandes. O resto serve apenas para reforçar o habitual preconceito contra esquerdistas, professores e outros inúteis, numa visão da direita básica que prefere disparar primeiro e não fazer mais nada a seguir. Para vossa ilustração, e porque o texto de Carvalho só está disponível para assinantes, ficam aqui com uma cópia (para aumentar, basta clicar).

Provavelmente, estaremos na presença de um clone de um clown. E agora, josés?

É preciso contratar mais cem mil professores

A afirmação que serve de título a este texto é tão leviana como as afirmações proferidas por José Manuel Fernandes, habitual produtor de leviandades, sobretudo quando escreve sobre funcionários públicos, essa subespécie do gorgulho. [Read more…]

Para se ser de Direita é obrigatório ser-se estúpido, ignorante ou insensível?

Tenho amigos suficientes de vários quadrantes políticos para saber que todos temos os nossos tiques: o cabelo desalinhado da esquerda face ao risco ao lado da direita, a camisa aos quadrados do comunista contra o pullover sobre os ombros do democrata-cristão e outras parvoíces sem importância nenhuma que poderia ficar o resto da tarde a desenvolver, recorrendo a graçolas semióticas de trazer por casa.

Como é evidente, para se ser de Direita não é obrigatório ser-se estúpido, ignorante ou insensível, até porque isso poderia levar a que pessoas de Direita e de Esquerda se pudessem confundir.

Acredito, em contrapartida, que as pessoas inteligentes, informadas e sensíveis, sejam elas de Esquerda ou de Direita, estejam mais próximas do que distantes. Não me espantaria, portanto, que, independentemente das diferenças ideológicas, todos considerassem que as crianças constituem, por assim dizer, um património inestimável que deve estar salvaguardado e que é da responsabilidade de toda a aldeia, de toda a sociedade. [Read more…]

A privatização do crime

José Manuel Fernandes está muito indignado porque é direito, aliás dever, de um funcionário público quando lhe é dada uma ordem ilegal exigir que tal seja feito por escrito (não é bem isto que ele cita, mas é isto que diz a lei). E pode cumpri-la sob protesto, ou mesmo recusar-se a fazê-lo, como manda o direito e os bons costumes.

A superioridade do privado em relação à função pública será então, na opinião do ilustre liberal, que um trabalhador (o que ele chamaria um “colaborador”) se lhe for dada uma ordem que infrinja a a lei a  cumpra, atento, venerando e porque a tal é obrigado.

Não devo estar a ver bem a coisa, mas se isto não é uma aceitação tácita da criminalidade (que tanto pode ser fiscal como muito pior, imaginem uma empresa de segurança) é pelo menos muito parecido.

A grande cisão no Bloco de Esquerda já está a mudar o mundo

O ex(?)-estalinista José Manuel Fernandes acaba de reinventar uma velha piada (mesmo com piada, note-se) em versão homossexual e com algum poliamor :

É uma grande vitória das causas fracturantes.

Fazido e mal pago

José Manuel Fernandes escreve, hoje, no Público (em papel), sobre o célebre vídeo da revista Sábado em que estudantes universitários são apanhados a demonstrar uma ignorância que, na sua opinião, se deverá estender a uma geração inteira. No Blasfémias,  discorre sobre a greve geral de ontem com o mesmo simplismo, típico de quem descobriu as soluções ou de quem é pago para fingir que as tem. Nesse mesmo texto, JMF é apanhado a usar um particípio passado digno, provavelmente, das respostas dos estudantes que critica: “fazido”. São episódios como este que podem dar mau nome a uma geração inteira.

Fica aqui o excerto:

Felizmente há uma explicação: o povo que não fez greve afinal queria ter fazido greve, mas teve medo. Só um país aterrorizado, depreende-se, é que face a tantas malfeitorias, não começou ainda a protagonizar tumultos “à grega”.

Adenda: felizmente, alguém informou José Manuel Fernandes do erro e, agora, já aparece um “feito” escorreitíssimo no lugar do “fazido” universitário. Não teria ficado mal uma explicação. Para a história, ficam os comentários, se não forem apagados, e o printscreen que se segue.

Os problemas de memória de José Manuel Fernandes

Desculpem-me os funcionários públicos, mas quem não achou estranho, ou até aplaudiu, um aumento de 2,9 por cento em plena crise e num ano de eleições, algum dia teria de também pagar a factura. Ela chegou agora, com juros.

José Manuel Fernandes, Público, p. 38, 11-11-11

Se o problema está em não ter achado estranho ou em ter aplaudido, exijo não ter de pagar, pelo menos, metade da factura, porque não achei estranho que um governo em ano de eleições inventasse folgas para aumentos (como vai acontecer, o mais tardar, em 2014) e porque não me lembro de ter aplaudido uma única medida tomada pela clique socrática (como não aplaudirei, o mais tardar, até 2014, o que sair da toca governativa).

Aos congelamentos da carreira José Manuel Fernandes disse nada, como nada disse sobre o facto de a maioria dos aumentos da Função Pública, ao longo de anos, terem sido inferiores ao valor da inflação. Nada diz também sobre os cortes nos ordenados ocorridos já este ano. Claro que não se lembrou de falar nas despesas que muitos funcionários públicos têm para ir trabalhar, como se esqueceu de fazer referência a mais de trinta anos de governação incompetente e ruinosa.

É claro que não acho estranho que isto venha de José Manuel Fernandes e é claro que não consigo aplaudir, porque, sendo funcionário público, sou credor.

O rigor e o medo

Muita gente embirra com Vasco Lourenço. Eu não. Aprecio a autenticidade. E não há dúvida que o “capitão de Abril” que se antecipou para Março, quando saiu inopinadamente das Caldas a caminho de Lisboa, é aquilo que parece ser.

Li isto, e ainda pensei ser anedota. Vasco Lourenço naquela coisa das Caldas a 16 de Março? Um dos dirigentes militares do MFA envolvido na trapalhada que ia deitando tudo a perder? O homem foi preso a 9 de Março e despachado para os Açores a 15. Estamos conversados sobre amnésias, e rigor.

Tudo porque Vasco Lourenço se referiu ontem a um vídeo publicado no Aventar (aqui simpaticamente reproduzido no Público, sem creditar a fonte) para o qual a direita não tem poder de resposta, já que é a sua própria hipocrisia que está em causa. E pelos vistos anda aflita com a manifestação de militares no próximo dia 12. Devo dizer que não comungo de alguma euforia à esquerda (Novembro não é grande mês para a tropa andar nas ruas) mas está-me a dar gozo o pânico de quem pensa que agora sim, a vingança chegou, aquele 25 de Novembro de 75, em que Vasco Lourenço participou e muito bem, foi frouxo, não se executaram uns comunas nem nada, agora é que vai ser.

Já agora, à atenção do rigoroso jornalista José Manuel Fernandes, Vasco Lourenço pode ter a mesma idade dos generais da Brigada do Reumático mas não demonstra a mesma senilidade, com ainda ontem se verificou. Já de José Manuel Fernandes, sendo mais novo, não se pode dizer o mesmo

O deputado dos morangos com açúcar gosta de viajar em 1ª classe

Há coincidências espantosas. José Manuel Fernandes, ex-presidente da Câmara de Vila Verde, foi eleito deputado europeu nas listas do PSD. Apostado em dar nas vistas, além de ter levado uma concertina para Bruxelas pensando tratar-se de um instrumento tradicional português, deu nas vistas quando decidiu levar também os “Morangos com Açúcar” para o PE, à custa do orçamento, é claro, e garantindo a sua participação em alguns episódios.

Na altura afirmou que teria de meter  dinheiro do seu bolso. Como a crise aperta e o bolso tem limites, foi responsável pelo relatório que aumenta o orçamento parlamentar em 2,3%, abaixo da inflação, diz ele, o que inclui um aumento de 0,9% nos seus salários e a manutenção de regalias parvas, como a de viajar em executiva entre Lisboa e Bruxelas.

Como já aqui referi, este episódio deu origem à canalhice de plantar num pasquim castelhano uma fotografia de Miguel Portas, dormindo num avião, em executiva, e omitindo que se tratava de uma viagem para Moçambique, logo fora do alcance da propostas que tanto contrariaram os mais parolos dos nossos deputados. Viagem que ocorreu em 2009, onde “na qualidade de observadores às eleições gerais daquele país africano” se deslocaram 3 deputados portugueses, a saber Miguel Portas, Vital Moreira e José Manuel Fernandes. Vital Moreira é conhecido como jurista e político, e menos conhecido como um bom fotógrafo amador. A fotografia canalha que por aí circula, além da falta de ética revela também uma imensa falta de jeito para lidar com máquinas fotográficas. E além disso Vital Moreira votou contra a continuação desta mordomia que tanto encanta o deputado minhoto.

Os meus agradecimentos ao leitor Paulo Pita por ter deixado um comentário que me fez luz sobre esta estória.

Moura Guedes, Eduardo Moniz, José M. Fernandes têm razão!

Nestes casos a razão está, sem qualquer dúvida, do lado de quem foi calado, perdeu o seu emprego, foi censurado pelo governo.

E nestes casos, que são gravíssimos, as vítimas deveriam levar os casos a tribunal. Bem sei que todos eles saíram com grandes indemnizações e isso acalma os ânimos, mas estamos perante a prepotência do governo, misturando-se com as empresas de comunicação social e influenciando a sua linha editorial.

Foram calados porque o governo não gosta que as notícias informem devidamente os cidadãos, utiliza a informação em proveito próprio, mente descaradamente e não quer ser contraditado. A democracia está em perigo quando as empresas do Estado são utilizadas para silenciar adversários políticos, para esconder os resultados da governação ou para calar as suspeitas várias que recaem sobre o caracter de José Sócrates!

Antigamente era a censura oficial do Estado Novo que utilizava estes métodos, o célebre lápis azul, agora é mais subtil, fazem-se negócios, a propriedade das empresas de comunicação mudam de mãos, e com os seus apaniguados nos lugares centrais filtram-se as notícias, entorce-se a verdade.

Tudo isto é tambem o maior labéu contra Sócrates, porque quem, como ele, está sujeito a tantas notícias que põem o seu bom nome pelas ruas da amargura, deveria pugnar mais do que ninguem pela liberdade de expressão, a melhor forma de mostrar a sua inocência.

Depois da queda do fascismo não esperava ter, novamente, que olhar por cima do ombro quando ouço determinada estação televisiva ou leio determinado jornal.

Antes era a PIDE e agora são os boys que pululam por tudo quanto é empresa pública?

Bárbara Reis e a entrevista à TSF

Bárbara Reis começa por falar da mudança do paradigma do «Púbico» – ficou para trás a fase dos textos curtos, porque os leitores não tinham tempo para ler, e regressaram os textos mais longos e específicos. Os jornais impressos vão ter de encontrar os seus nichos, as suas minorias.

Mudança a partir de hoje: eliminar a percepção pública de que existe no jornal, actualmente, um excesso de carga ideológica.

Depois de dizer que o facto de ser mulher nada tem de relevante, porque as pessoas conhecem-na há mais de 20 anos, recorda os seus inícios do «Público» na Somália e em Nova Iorque. Fala várias vezes de Vicente Jorge Silva, o primeiro director do «Público», e do interregno nas Nações Unidas. Quando se fala de Sérgio Vieira de Mello, o silêncio, que na rádio ganha uma dimensão maior, é sepulcral.

Duas notas pessoais: tive pena que Carlos Vaz Marques não explorasse a frase relativa ao excesso de carga ideológica do «Público». Penso que Bárbara Reis se referia à forma como o jornal se posicionou, nos últimos tempos, relativamente ao Governo, mas o jornalista não sou eu.

Outra nota: a voz de Bárbara Reis é muitíssimo sensual, típica de uma voz da rádio. Não devia ter ido ao Google procurar a sua cara.