Fuzilando a torto e a direito

No 5 Dias, Carlos Vidal queima os neurónios em horas de sono, estabelecendo um padrão para um “golpe de Estado” dirigido pelo PC disfarçado de militares das Forças Armadas e com o auxílio de “milicianos” – vulgo “turras” – estrangeiros. Chega mesmo ao ponto de sugerir um atentado à vida de Cavaco e Passos Coelho.

Não aprendem. Num país onde a pena de morte foi abolida há 150 anos, querem um um Che fuzilador, mas o mais provável será sair-lhes um Pinochet na “rifa”.

25 de Abril quase sempre

Há 37 anos, no dia 25 de Abril, aconteceu-me uma coisa inédita: a minha mãe disse-me que eu não ia à escola, sem sequer estar doente ou estar a fingir que estava. Foi o que se chama uma verdadeira revolução. É claro que não tinha tido muitas oportunidades de faltar às aulas, até porque ainda só estava na quarta classe, mas, pela primeira vez, a minha mãe, a mesma que se esfalfava a lembrar-me da necessidade de fazer os trabalhos de casa, de ser responsável, de levar a vida a sério, a minha mãe, dizia eu, impediu-me de ir às aulas.

Na altura, vivíamos em Lisboa e alguém ligara a dizer que havia tanques na rua. Na altura, ainda pensei que eram tanques da roupa, o que seria muito estranho e até poderia atrapalhar o trânsito, mas eram dos outros, de guerra. Ora, com 9 anos, as únicas guerras que conhecia eram as dos filmes em que, obviamente, só morriam os maus. Quando soube que os homens dos tanques vinham lutar contra o senhor Américo Tomás, estranhei: um senhor tão simpático, tão respeitavelmente careca, não podia ser mau. Ainda por cima, era Presidente da República, cargo que não podia ser desempenhado por maus da fita. Para cúmulo, tinha achado muita graça, quando, algum tempo antes, o mesmo senhor, apesar da idade avançada, saltara alguns degraus no Estádio Nacional, para entregar a Taça de Portugal já não sei a quem.

A alegria evidente dos meus pais, no entanto, fez-me pensar que, das duas uma, ou eram ambos maus ou, afinal, o senhor Presidente não seria assim tão bom. Depois de reflectir maduramente, durante cerca de dois minutos, decidi que os meus pais não podiam ser maus, primeiro, porque eram meus pais, e, depois, porque, de qualquer modo, ainda tinha de viver com eles mais uns anos e não me convinha nada que fossem maus. Ficou, portanto, decidido que os maus eram os outros, incluindo, então, aquele velho hediondo. [Read more…]